Cultura – O maior legado Grego

 

 

 

Nossas ações estão nos deuses nos arquétipos eles na verdade são representação da nossa psique, nossa personalidade, por mais que nos achemos “modernos”, nosso ser continua meio animal… meio humano…não adianta Iphone, Ipod, Internet…a nossa mente continua lá na Grécia, nossos valores, conceitos, preconceitos, gostos, refinamento…cultura ocidental raramente há fenômenos em que não se tenha uma linha de pensamento que não venha da Grécia.

 

Eros x Afrodite


Nascimento de Afrodite

Eros

 

A dualidade amor/sexo já era definida na Grécia tinha dois deuses: um amor sexual, carnal, e outro o fraternal. Eros, o amor perfeito, fraternal… Quase assexuado, ou duplamente sexuado – Afrodite, que significa em Grego: Amor-do-Pênis o amor da ejaculação, do gozo, do prazer.

Afrodite é a personificação do sexo.. antes dela, os gregos só conheciam Eros e para eles todos os seres tinham os 2 sexos e copulavam entre si. A função sexual era apenas mecânica e reprodutora não havia beleza, leveza ou prazer carnal.

Eros o mais belo dos imortais nos é apresentado como Deus primevo, junto com Caos,  a Terra e o Tártaro. Ele vem para presidir os amores fraternos com função sexual ou não, mas fundamentalmente a idealização do amor, que incluía amor entre iguais, de mesmo sexo, numa versão posterior.

Quando Cronos decepa o pênis do Pai, Urano, da ejaculação nasce Afrodite, daí o nome Amor-do-Pênis. Mas isto não se dar num nível abstrato é a criação dos desejos, que uma sociedade que vivia, antes, apenas pra o trabalho e agora passa a viver também do prazer das artes da leitura do ócio E no ócio, tem coisa melhor do que o SEXO?

Então criativamente surge Afrodite a deusa do amor agora os seres não têm os dois sexos,porém para uma melhor aceitação das novas funções do sexo nada melhor do que uma explicação Divina.

 

Apolo x Dionísio


 

Apolo o deus da cultura protetor das artes, da engenharia, das construções, do homem que cria cidades e civilizações, age politicamente, usa da força para dominar a natureza e aos seus. Surge como fonte para o esplendor da alta cultura grega.

As cidades criadas, os templos, a lógica, a matemática inspiração do grande Apolo que vira uma espécie de primeiro-ministro de Zeus dando aos homens toda a criatividade para seu pleno desenvolvimento, é a ruptura com a sociedade matriarcal ligada umbilicalmente à agricultura, as deusas de amplos e fartos seios, da fertilidade dão espaço à cidade a beleza, as curvas o refinamento. O auge da alta cultura grega que se expande para Europa ocidental levando seus valores trazidos da Ásia e do Egito.

Deste florescimento cultural nasce Dionísio fruto da relação de Zeus com a mortal Sêmele, mas que vira deus pois foi gerado na coxa de Zeus,depois que Sêmele pede para ver Zeus em sua forma,mas a luz emanada dele a queima. Zeus salva o filho e o nutrirá em sua coxa.

Dionísio nasce e fica na terra, valores divinos desconhece, sua função é a alegria, as odes, a festa e o prazer. Incorpora ao mundo grego a poesia, o verso, o teatro e principalmente o vinho,daí o nome Baco.

Ele espalha para sociedade careta que não basta só construir cidades, templos, mas é preciso viver ter sonhos sem compromissos formais. As bacantes que suas seguidoras devotas vão levar a luxúria e os mistérios de Eleusis para as ruas e dar outro colorido ao mundo Grego.

Se Apolo representa a lógica, a forma apurada, o método, Dionísio no legará o ócio criativo, o teatro, a sátira. São irmãos que abriram ao homem ocidental a dualidade de sua alma, de sua psique. Compromisso, noção de responsabilidade e o outro lado prazer, desrepressão.

São apenas reflexões para os incautos e incultos que acham que o mundo nasceu na Intenet, que mal sabem que apenas, na maioria das vezes apenas repetem o que já se fazia há 2500 anos.

Lênin não morreu, viva a contra-revolução humana!


Debatendo bobagens e coisas sérias, trocando idéias e impressões do mundo no twitter muitas coisas hoje proporcionou, inclusive a elaboração desta pequena reflexão sobre as eleições seus personagens, alguns cômicos outros francamente trágicos.

Logo cedo vi a incrível e caricata entrevista do Vice do Serra, ali ao seu lado e fiquei imaginando como se sente Serra naquele instante? Apenas 46 anos atrás ele era Presidente da UNE fez um famoso discurso no centro do Rio de Janeiro,em 13 de março de 1964, que a Direita raivosa usou como desculpa para o golpe.

Ali no mesmo RJ ao seu lado um representante da juventude neo fascista, Lacerdista, mas sem a inteligência e a verve daquele, será que não passou um filme na cabeça do Serra? De presidente da UNE que defendia o Governo Jango, pelas reformas de bases à ladear a TFP revivida, que trajetória.

Talvez o jovem Da Costa tenha tido a coragem, e o mérito, de dizer tudo aquilo que o Velho Serra não teve a hombridade de fazê-lo, aquele discurso rancoroso, típico da Direita mais abjeta, de ver comunista em cada rosto, agora com novo nome (Petistas), da frase “inocente” trololó Petistas , de lembrar o terror, o medo, que sempre caracteriza às classes dominantes nestes momentos. Será que não sobrou uma réstia de decência para interromper as palavras tão loucas e fora de época? Parece que não, sem constrangimento, sem contragosto, apenas o desconforto de ver-se refém da velha UDN, daqueles mesmos que lhe impuseram o exílio, que atrasaram o Brasil por tantos séculos e teimam em voltar.

Quero agradecer ao Serra por ter nos dado um Vice saído direto do túnel do tempo, naquele tempo em que”comunista (não padre) comia criancinha” Esta campanha seria muito modorrenta se não fosse o Vice “guerra-fria” do Serra. Voltamos ao tempo do Medo, da insegurança da ameaça COMUNISTA. Senti-me pré-muro de Berlim, aquele clima, os vermelhos chegando, ouro de moscou,que adrenalina,obrigado Serra e seu vice fiquei tão empolgado que só ando agora com Manifesto Comunista no netbook. Inclusive voltei a usar codinome, reuniões secretas. a paisagem do “Adeus,Lênin” foi recriada pelo Vice do Serra,agora sim voltamos a viver perigosamente..brasa..mora..valeu bicho.

Duas figuras que se fundem tragicamente Serra e seu Vice. Resta-nos apenas lamentar e tirar algum humor disto tudo.

Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra


Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos – Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos “Lusíadas”(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o “Da Costa”;

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: “o Trololó Petista”

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA

Ser ou não ser…pequena reflexão sobre nós mesmos

 

 

I –  Cronos de curvo pensar: A força da natureza

 

Na teogonia Grega, Cronos de “curvo pensar” numa ação refletida decepa o pênis do pai maldito, Urano, o pai do céu, tomando-lhe o poder, tornando-se o senhor dos deuses. Ao decepar pênis este se ejacula e no mar nascem as ondas e no meio destas Afrodite, que em grego significa “amor-do-pênis”.

 

De um mesmo ato, psicologicamente, Cronos livra-se da opressão paterna, sucedendo-o simbolicamente com a nova energia criadora que se estabelece e ainda dar, no âmbito da psique, a separação do amor fraternal, representado por Eros, e o amor sexual, agora personificado em Afrodite.

Este deus(Cronos), ou homem desta época histórica é ligado à fúria à força da natureza primeva, desprovido de sofisticação, toda as suas demandas são revolvidas pelo ethos da hybris. Medir forças e o mais forte vencer é uma imposição da natureza adversa em que se vivia, não havia tempo para reflexões filosóficas da necessidade de mediar à disputa de forma a debater-se e decidir-se de forma pacífica os conflitos. Mais ainda a definição daquele que deve liderar o grupo não pode haver dúvida de seu poder, inclusive o sexual de dar a reprodução não apenas às mulheres, mas o exemplo à natureza.

 

II – Hamelet – O príncepe Filósofo


Com Hamelet teremos a oportunidade de acompanhar uma sucessão traumática de duplo caráter, o jovem tem de matar não somente o pai(morto, mas insepulto, um fantasma a lhe assombrar), rei velho, mas também aquele que o matou, seu tio e corrompeu sua mãe.

O duplo fantasma: do pai que lhe exige vingança e do “novo” pai(seu tio Claudio) que lhe exige fidelidade ao seu reinado. Nesta confusão de sentimentos o príncipe filósofo, posto numa rude Dinamarca, solta talvez a mais crua e forte reflexão sobre as dúvidas que mais assolam a alma humana:

“Ser ou não ser… Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?

Morrer… dormir… mais nada… Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se.

Morrer.., dormir… dormir… Talvez sonhar… É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos.

É essa idéia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte – terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou – que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados?

De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem.…” (ATO III , Cena I)

Muitos de nós conhecemos os trechos iniciais do ..ser ou não ser… Raramente sabemos o momento em que são pronunciadas e as fatais conseqüências. O monólogo dar-se no momento crítico do livro, Hamelet já sabedor de que seu pai fora morto, sabe que seu novo “pai” é o assassino, mas a inação lhe consume e tira este longo debate de seu ser. No fundo o homem que aparece agora é o do renascimento que carrega o saber grego da alta cultura, mas agora é irresoluto, domina sua hybris, mas se revolta por não ser mais primitivo e dar cabo aos seus sofrimentos, que no fundo é o mesmo de Cronos, que de forma simplificada resolveu seus traumas em relação ao pai.

Porém este novo homem, mesmo vivendo na Dinamarca, já não “mata” o pai, ou os pais no caso, de forma literal, a sofisticação lhe impede de um simples ato morte, é mais complexo e sutil, agora ele reflete, pondera, tem medo dos seus atos e de suas conseqüências funestas, mas ao mesmo tempo lhe enche de ódio e revolta não dar cabo a sua angústia. Deste longo debate da consciência moral x consciência primitiva, nascerá o novo homem, que guerreia disputa poder, mas não é mais produto da natureza irracional.

Neste momento de tormenta que passo, lembrei vivamente deste monólogo, foi uma forma que encontrei de voltar a escrever, me abstrair das coisas que vivo intensamente. Estas reflexões que Hamelet fez, martelam na minha cabeça diariamente, tem coisa mais atual do isto?

Aos que querem conhecer mais profundamente a obra segue o link para baixá-la gratuitamente:

http://cultvox.locaweb.com.br/frame_universia.asp?IDParceiro=4&Pagina=http://cultvox.locaweb.com.br/download.asp?File=http://cultvox.locaweb.com.br/livros_gratis/hamlet1.pdf

As análises mais interessantes que conheço são as de Harold Bloom, ele analisou o Hamelet em duas obras: Shakespeare – A Invenção do HumanoHamlet – Poema Ilimitado.