Atomização da Informação – Blogs x Mídia

Semana passada, conversei longamente com a grande jornalista Conceição Lemes (co-editora do site Viomundo ), na verdade recebi uma aula sobre jornalismo, a busca da “verdade factual” mesmo que não seja a que queremos ter. Versou a conversa sobre internet, blogs, ativismo e liberdade de expressão. Grandes questões como a imensa responsabilidade de informar, do cuidado e critério nos temas,  assim como o enfrentamento que redunda de cada post publicado, fazendo com que meçamos bem cada palavra e cada informação apresentada.pois, análise dos fatos, mas a apresentação do fato tem conseqüências jurídicas e legais.

Em recente post sobre reações contra blogosfera no seu blog,  Maurício Caleiro, nos alerta sobre a pressão que os blogs sofrem e sofrerão mais ainda, por quebrarem o monopólio das mídias tradicionais.

Atomização da Informação

A internet possibilitou que milhões de pessoas tenham facilmente acesso a informação e a produzir informação, analisar e debater fatos cotidianos ou grandes temas do cenário econômico ou político do país ou do mundo. Esta “Atomização da informação” é extremamente positiva por que libera dos controles tradicionais de mídia e conhecimento, diversificando às fontes e dando possibilidade de ouvir dezena, centenas ou milhares de visões dobre qualquer tema.

Cada um no seu: PC/Note/Net/Smart ou Tablet em segundos sabe que ouve um ataque ao metrô de Moscou, que esta informação o Governo Russo pode divulgar que foram os chechenos ou a Al Qaeda, mas a velocidade com que estas versões caem com advento da internet e sua massificação é quase que simultânea. Quando ouve o ataque ao metrô em Madrid, Presidente da Espanha, Aznar,  divulgou que havia sido o ETA, era véspera de eleição, ele perdeu-a porque rapidamente foi desmentido, ataque fora feito pela Al Qaeda em resposta a ajuda dele ao EUA na guerra do golfo II.

Com o Twitter esta massificação e interação é mais explosiva, os textos curtos correm rapidamente criando versões, desmentindo versões, derrubando as grandes mídia e virou complemento ou chamariz de blogs. A sincronização de recursos entre Blog/Portal com o Twitter, atinge-se gama de leitores e replicadores das informações.

Aqui entra o elemento de contradição, tudo que se produz na internet em geral é livre de qualquer filtro ou censura (no máximo do próprio autor) o que no limite: é a máxima expressão da liberdade. Porém, o compromisso ético da veracidade do que se informa em muito é secudarizado, dando margem também a ampla distorção de fatos corriqueiros. Amplificando as demandas e debates nem sempre coerentes com a “verdade factual”.

Pequenos blogs ou conta de Twitter podem fazer pequenos estragos na imagem de pessoas, empresas ou governos, daí a responsabilidade dos ativistas de buscar, mesmo na velocidade e na vontade de informar, a lucidez de pensar, refletir e munir-se de instrumentos para evitar grandes dissabores futuros, como processos, desmentidos e o pior de todos: Perda de credibilidade.

Blogs/Portais não ligados à grande mídia podem ter poder de “fogo” assustador, não por acaso o fenômeno Wikileaks que furou completamente as mídias tradicionais, causando um pandemônio nos EUA e no mundo, com a divulgação dos MEMOs secretos do DEA. Estes portais dão tiro de canhão, ou míssil que derruba governos inteiros e destroem corporações.

Blogs x Mídia Tradicional

A perda de credibilidade da mídia tradicional, em particular no Brasil, deve-se não apenas por sua ideologia política, mas fundamentalmente por abandonar a busca da “Verdade Factual”, ela prioriza muito mais a sua ideologia a informar fatos reais e seus desdobramentos e significados na vida. Perde assim o monopólio da informação ou a fonte mais corriqueira de busca sobre os fatos reais.

Ao perder este monopólio, o que levou a perda de audiência, venda de jornais e revistas, perde o fundamental: Receita. Por conseguinte os blogs, portais estão sendo alvos constantes do patrulhamento político e ideológico da velha mídia.

Questões absolutamente secundárias como a sátira da “Falha” levou a Folha de SP a um processo de censura e asfixia econômica dos autores do blog. Os arautos da “Liberdade de Expressão e Imprensa” são desmoralizados por dois irmãos num pequeno blog.

Mas esta é a lógica que vamos enfrentar no que se avizinha, não podemos abrir mão da liberdade de escrever livremente, mas ao mesmo tempo devemos ser os campeões de analisar, informar com máxima cautela para não perdemos nem a credibilidade nem sofrermos os dissabores de demandas judiciais caríssimas que a maioria da blogsfera nem sonha ter como pagar.

Os portais que agregam conteúdo livre( Teia Livre ,  Rede Liberdade ) têm uma missão dura de, ao mesmo tempo garantir qualidade e liberdade de posts, preocupar-se em se proteger das informações jogadas sem a devida apuração, ou controversa, que possa gerar demandas judiciais pesadas, não contra quem escreveu, mas para que a hospedou. Mesmo com a recente decisão do STJ de reconhecer que o portal não é responsável pelo que foi postado, as demandas são sucessivas e têm ônus financeiros que inviabiliza qualquer iniciativa.

Anúncios

A questão do Herói – Grécia sopra sobre nós

File: Berlin Antikensammlung Akhilleus F2278.jpg Patroklos

(Aquiles o Pelida)

 

Hoje amanheci com um artigo sobre Aquiles, o Pélida, pronto para escrever, como já escrevera sobre a Ilíada (ou a Ira de Aquiles) Iliada – Resumo , pensei em particularizar a trajetória deste Herói por excelência, mas aí resolvi voltar a ler algumas características do HERÓI em Junito de Souza Brandão, esqueci, por enquanto, Aquiles e farei um amplo panorama dobre o conceito do que seria Herói, desde o mundo Grego, mas muito presente no mundo atual.

Vamos lá nesta imensa tarefa, espero que perdoem as longas citações, mas não quero perder a essência do pensamento de grandes escritores sobre o tema.

 

Definição

 

Píndaro em suas Olímpicas distinguia três categorias de seres: deuses, heróis e homens e que Platão, no Crátilo acrescentou os demônios como uma quarta espécie na galeria dos protetores e intermediários entre os mortais e os imortais.

A etimologia  ήρωας (héros) talvez se pudesse aproximar do indo-europeu servä, da raiz ser-, de que provém o avéstico haurvaiti, “ele guarda” e o latim seruäre, “conservar, defender, guardar, velar sobre, ser útil”, donde herói seria o “guardião, o defensor, o que nasceu para servir”.

 

(Héracles – Hércules)

 

Angelo Brelinch na sua obra  sobre os heróis, Gli Eroi Greci, após observar que, numa religião tão plástica como a grega, embora exista uma diferença muito grande entre um herói e outro, o que se deve ao “princípio informador de uma religião politeísta que tende a diferenciar e a fixar em formas plásticas suas múltiplas experiências e exigências”, chega à conclusão de que é possível, mutatis mutandis, traçar um retrato do herói grego. Para ele poderia ser descrita a estrutura morfológica dos heróis: “virtualmente, todo herói é uma personagem, cuja morte apresenta um relevo particular e que tem relações estreitas com o combate, com a agonística, a arte divinatória e a medicina, com a iniciação da puberdade e os mistérios; é fundador de cidades e seu culto possui um caráter cívico; o herói é, além do mais, ancestral de grupos consangüíneos e representante prototípico de certas atividades humanas fundamentais e primordiais. Todas essas características demonstram sua natureza sobre-humana, enquanto, de outro lado, a personagem pode aparecer como um ser monstruoso, como gigante ou anão, teriomorfo ou andrógino, fálico, sexualmente anormal ou impotente, voltado para a violência sanguinária, a loucura, a astúcia, o furto, o sacrilégio e para a transgressão dos limites e medidas que os deuses não permitem sejam ultrapassados pelos mortais. E, embora o herói possua uma descendência privilegiada e sobre-humana, se bem que marcada pelo signo da ilegalidade, sua carreira, por isso mesmo, desde o início, é ameaçada por situações críticas. Assim, após alcançar o vértice do triunfo com a superação de provas extraordinárias, após núpcias e conquistas memoráveis, em razão mesmo de suas imperfeições congênitas e descomedimentos, o herói está condenado ao fracasso e a um fim trágico”.

Mircea Eliade complementa o retrato do herói, traçado por Brelich: “Utilizando uma fórmula sumária, poderíamos dizer que os heróis gregos compartilham uma modalidade existencial sui generis (sobre-humana, mas não divina) e atuam numa época primordial, precisamente aquela que acompanha a cosmogonia e o triunfo de Zeus. A sua atividade se desenrola depois do aparecimento dos homens, mas num período dos ‘começos’, quando as estruturas não estavam definitivamente fixadas e as normas ainda não tinham sido suficientemente estabelecidas. O seu próprio modo de ser revela o caráter inacabado e contraditório do tempo das ‘origens’…”

 

Como surgem os heróis?

 

 

Para o nascimento dos heróis e seus significados a citação precisa de Junito e as análises de Jung fazem todo sentido:

“Via de regra, os heróis têm um nascimento complicado, como Perseu, Teseu, Héracles e muitíssimos outros. Descendem de um deus com uma simples mortal: Minos, Sarpédon e Radamanto, filhos de Zeus e Europa; Castor, Pólux, Clitemnestra e Helena, do mesmo Zeus e Leda; Asclépio, de Apolo e Corônis; ou de uma deusa com um mortal: Enéias e Aquiles, frutos respectivamente dos amores de Afrodite e Anquises e de Tétis e Peleu ou, por vezes, lhe é atribuída uma “dupla paternidade”: Teseu é filho de Posídon e “Egeu”; Héracles, de Zeus e “Anfitrião”. Neste último caso, como acentua Jung, falando sobre os arquétipos, “toda criança vê nos pais uma ‘parelha divina’, cuja ‘mitologização’ continua as mais das vezes, até a idade adulta e somente é abandonada após uma ingente resistência. Pois bem, o medo de perder, no curso da vida, essa conexão com a fase prévia, instintiva e arquetípica da consciência, é geral e foi exatamente esse temor que provocou, desde muito, que se agregassem aos pais carnais do recém-nascido dois padrinhos, um godfather e uma godmother, como se chamam em inglês, ou um Götti e uma Gotte, como se diz em alemão da Suíça, os quais devem cuidar do bem-estar espiritual do afilhado. “Tais padrinhos representam a ‘parelha’ de deuses, que aparece no nascimento da criança e patenteia o tema do duplo nascimento”.

Há múltiplas formas de nascimento destes heróis:

“Os heróis podem ter ainda um nascimento irregular, em conseqüência de um incesto: Egisto é fruto do incesto de Tieste com sua filha Pelopia, e a “ninhada tebana”, Etéocles, Polinice, Antígona e Ismene, provém de Édipo com sua própria mãe Jocasta…; acrescente-se, ademais, que muitos heróis, além do nascimento difícil ou irregular, são expostos, por força normalmente de um Oráculo, que prevê a ruína do rei, da cidade, ou por outros motivos, caso o recém-nascido permaneça na corte ou na pólis. É assim que Páris, Édipo e Egisto são expostos num monte. O primeiro o foi porque sua sobrevivência, como sonhara sua mãe Hécuba, ameaçava Tróia; Édipo, porque, segundo o oráculo, estava condenado a cometer parricídio e casar-se com a própria mãe; e Egisto, porque Pelopia fora violada; outros são expostos nas águas do mar, como Perseu, que punha em perigo a vida de seu avô, o rei Acrísio; Reso, Reso, 926sq.; e, segundo algumas versões, os gêmeos Pélias e Neleu, filhos de Posídon e Tiro, além de
Tenes e sua irmã Hemítea… Em geral, o exposto é recolhido por uma pessoa humilde e criado numa corte: Édipo, no palácio de Pólibo e Mérope, em Corinto; Perseu, no de Polidectes, na ilha de Sérifo. Alguns expostos em montes, como Egisto e Páris, são alimentados por um animal: o troiano Páris o foi por uma ursa; Egisto, por uma cabra, por sinal,  o simbolismo da alimentação de um herói ou futuro rei por um animal.

 

 

Honra e Excelência – e a Educação do herói


 

O herói já nasce com as duas virtudes que lhe são inatas: Τιμή (timé), a “honorabilidade pessoal” e a αριστείας (areté), a “excelência”, a superioridade em relação aos outros mortais, o que o predispõe a gestas gloriosas, desde a mais tenra infância ou tão logo atinja a puberdade: Héracles, conta-se, aos oito meses, estrangulou duas serpentes enviadas por Hera contra ele e seu irmão Íficles; Teseu, aos dezesseis anos, ergueu um enorme rochedo sob que seu pai Egeu havia escondido a espada e as sandálias; o jovem Artur, e somente ele, foi capaz de arrancar a espada mágica de uma pedra…

Junito ainda exemplifica:

“Jasão, tão logo abandonou a corte de Iolco, foi entregue ao grande educador de heróis, o Centauro Quirão, de que já se falou no Vol. II, p. 90. Aos vinte anos organizou a célebre Expedição dos Argonautas. Navegou com seus cinqüenta e cinco heróis através das “rochas azuis”, as Ciâneas, também denominadas Simplégades, “as rochas que se fecham”, chegou à Cólquida, venceu as “provas” impostas por Eetes, enganou o dragão que guardava o Velocino de Ouro e regressou com o mesmo, para disputar com o usurpador Pélias o trono que a ele Jasão cabia de direito e de fato. Prometeu, o filantropo, vencidas tantas fadigas e renúncias, escalou o Olimpo, roubou o fogo celeste e recuperou a humanidade. Enéias, após tantos sofrimentos “em terra e no mar”, acompanhado da Sibila de Cumas, desceu aos Infernos e, após cruzar os mortais rios do Hades e passar pelo monstruoso Cérbero, pôde afinal dialogar com o eídolon, a umbra, a sombra de seu pai Anquises. Todas as coisas lhe foram reveladas: o destino das almas, o destino de Roma, que ele iria fundar, e sobretudo como suportar tantas aflições e sofrimentos que ainda teria pela frente. Enéias, o “piedoso Enéias”, voltou ao mundo da luz através da porta de marfim, para realizar todas as tarefas que as Parcas lhe impuseram”.

Também no oriente :

“Uma representação majestosa das lutas por que passa o herói no esquema separação-iniciação-retorno é a lenda das Grandes Batalhas que travou o príncipe Gautama Säkiamüni, o Buddha, desde a renúncia às comodidades e prazeres da difícil “iluminação perfeita”, estado de liberação, que lhe possibilitou sair de sob a “quarta árvore” e comunicar a todos o conhecimento do caminho.”

Ou na Bíblia com Moisés:

“Fato, de certa forma semelhante, é registrado no Antigo Testamento, Êxodo 19-20, quando Moisés, completados três meses da partida do povo de Israel do Egito e sua penosa caminhada pelo deserto, chegou ao Monte Sinai e, sozinho, o escalou para ir falar a Javé, que lhe entregou as Tábuas da Lei e ordenou-lhe que voltasse com elas para Israel, o povo do Senhor. “

Conclui-se que:

“Como é dado observar, do Oriente ao Ocidente, o mito do herói segue normalmente o modelo da unidade nuclear exposto acima: a separação do mundo, a penetração em alguma fonte de poder e um regresso à vida, a fim de que todos possam usufruir das energias e dos benefícios outorgados pelas façanhas do herói.”

 

 

Educação


 

A educação do Herói segue mais ou menos os mesmos termos a imaginada para o cidadão grego, claro aquele já nasce uma timé e uma areté especiais, terá que preparar-se para a execução de suas magnas tarefas. É precisamente a esse preparo que se dá o nome de educação do herói.

Consoante Júlio Pólux, gramático e retor alexandrino do séc. II p.C, em seu dicionário , Onomástico, II, 4, Hipócrates dividia a vida humana em oito períodos de sete anos. A educação clássica e sobretudo a da época helenística, a partir do séc. IV a.C, ocupava as três primeiras etapas. A primeira fase, denominada paidíon, “idade infantil”, ia de 1 a 7 anos, e a “educação” era ministrada em casa; a segunda, paîs, o “menino”, de 7 a 14 anos, era a idade em que a criança, quer dizer, o menino, “o sexo masculino”, escapava à vigilância materna e iniciava seu período escolar propriamente dito. A etapa seguinte, chamada meirákion, “adolescente”, de 14 a 21 anos, o período da efebia, era coroado, de certa forma, por um estágio de formação cívica e militar.

A condição feminina é que , em tese, ela percorria, ao menos a partir da época helenística, as mesmas etapas educativas que os jovens, podendo até mesmo, como em Esparta, participar de exercícios físicos na Palestra e no Ginásio, mas o “ideal de mulher” não é o da que estuda e “participa”, mas aquele traçado, com gulosa satisfação machista, por Iscômaco, no Econômico, 7, de Xenofonte, ao descrever para Sócrates o que era, por ocasião de seu casamento, a esposa “por ele escolhida“: “ela estava com quinze anos, quando entrou em minha casa. Até então fora submetida a uma extrema vigilância, a fim de que nada visse, nada ouvisse e nada perguntasse. Que poderia eu desejar mais? Tenho nela uma mulher que aprendeu não só a fiar a lã, para fazer um manto, mas ainda como distribuir tarefas às escravas fiandeiras. Quanto à sobriedade, ela foi muito bem instruída. Excelente, não?”

Eis aí uma síntese da educação ateniense da época da decadência, porque a espartana sempre foi bem diversa. Este quadro, em que se estampa resumidamente o essencial da educação ministrada aos jovens de Atenas, é necessário para que se compreenda a educação mítica dos heróis, que, em linhas gerais, é uma transposição daquela. É claro que se omitiu, até o momento, a formação religiosa, sobretudo o catálogo de ritos de passagem, os imprescindíveis ritos iniciáticos, mas, no decorrer da exposição sobre a educação dos heróis, faremos alguns comentários a esse respeito.

 

Os preceptores dos Heróis


 

Vários foram os mestres dos heróis, como Lino, Eumolpo, Fênix, Forbas, Cônidas…, mas o educador-modelo foi o pacífico Quirão, o mais justo dos Centauros, na expressão de Homero, Il. XI, 832. Muitos heróis passaram por suas mãos sábias, na célebre gruta em que residia no monte Pélion: Peleu, Aquiles, Asclépio, Jasão, Actéon, Nestor, Céfalo… lista que é enriquecida por Xenofonte, em sua obra Cinegética, 1,21 (Tratado sobre a Caça) com mais catorze nomes! Quirão era antes do mais um médico famoso, donde sua arte primeira era a Iátrica, mas seu saber enciclopédico, como aparece nos monumentos figurados e literários, fazia do educador de Aquiles um mestre na arte das disputas atléticas, Agonística, e talvez praticasse e ensinasse ainda a arte divinatória, Mântica. Não pára aí, todavia, a versatilidade de Quirão: ministrava igualmente a seus discípulos conhecimentos relativos à caça, Cinegética; à equitação, Hípica, bem como lhes ensinava a tanger a lira e o arremesso do dardo… Mais que tudo, no entanto, o fato de ser Quirão um médico ferido, um xamã, e residir numa gruta evocam, de pronto, sua função mais nobre e indispensável aos jovens “históricos”, mas sobretudo aos heróis míticos, a saber, a ação de fazê-los passar por ritos iniciáticos, que outorgavam aos primeiros o direito à participação na vida política, social e religiosa da pólis e aos segundos a imprescindível indumentária espiritual, para que pudessem enfrentar a todos e quaisquer monstros…

 

 

Nomes e a “identidade Secreta”


Como em muitos escritos já tratei dos ritos iniciáticos ( Grécia: O Eterno retorno ), não o farei novamente aqui, apenas uma parte curiosa seria a questão do nome, ou identidade “secreta” (alguém lembra… Batman, Superman, Homem Aranha etc), vejamos alguns trechos de Junito:

 

“A respeito da extraordinária importância do nome, comenta Luís da C. Cascudo: “O nome é a essência da coisa, do objeto denominado. Sua exclusão extingue a coisa. Nada pode existir sem nome, porque o nome é a forma e a substância vital. No plano utilitário as coisas só existem pelo nome. (…) Conhecer o nome de alguém, usá-lo, é dispor da pessoa, participando-lhe da vida mais íntima”.

 

Os vários nomes assumidos pelos Heróis gregos:

Outro fato muito importante na iniciação heróica e histórica é a mudança do nome. Jasão somente deixa seu mestre Quirão aos vinte anos, após receber um novo nome, consoante Píndaro, Píticas, 4,104 e 119. Outro que mudou de nome, por obra da arte iniciática do mesmo preceptor, foi Aquiles, conforme testemunha Apolodoro, 3,172. Igualmente Teseu só recebe seu verdadeiro nome, ao término da adolescência, quando foi reconhecido pelo pai, no dizer de Plutarco, Teseu, 4,1. O próprio Héracles, antes de tornar-se “a glória de Hera”, antes do término dos Doze Trabalhos, chamava-se Alcides. Também e sobretudo Simão recebeu o nome de Pedro, Jo 1,42, após o olhar fixo do Senhor, e foi sobre este rochedo que se ergueu o Castelo indestrutível, contra o qual nem mesmo as portas do Inferno prevalecerão, Mt 16,18. Na Índia védica, num rito de passagem, de separação e sobretudo de agregação, no décimo dia de nascimento, a criança recebia dois nomes, um comum, que a agregava ao mundo e o outro, que a separava de todos, porque se tratava de um nome secreto, de que só a família tinha conhecimento. Em culturas primitivas, via de regra, a criança mudava de nome tantas vezes quantas as etapas de seu crescimento e, possivelmente, do seu desenvolvimento iniciático. É assim que a mesma recebe, de início, uma denominação vaga, depois um nome pessoal conhecido, a seguir um nome pessoal secreto e, por fim, talvez como acréscimo a este último, um nome de família, de clã, de sociedade secreta.

Desse modo, o nome (secreto, religioso) separa o “nominado” de seu mundo anterior, profano, impuro, para integrá-lo no sagrado, o que explica a mudança de nome entre religiosos atuais.”

E também na Bíblia:

Eis aí o motivo por que os heróis, as cidades, os deuses, além do nome conhecido, possuíam um outro, o secreto. Moisés morreu sem saber o nome de Deus, o que não deve ser interpretado como tabu ou superstição, mas simplesmente como um “hábito bem oriental”. Pois bem, em Ex 3,6, quando Moisés chegou através do deserto ao monte de Deus, Horeb, o Senhor se lhe deu a conhecer, dizendo: como “Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, e o Deus de Jacó”. Acatando a ordem de ir ao encontro dos filhos de Israel no Egito, Moisés, todavia, quis saber como responder ao povo, se este lhe perguntasse qual o nome do Deus que o enviara, ao que Javé retrucou: “Eu sou aquele que sou. E disse: Assim dirás aos filhos de Israel: Aquele que é enviou-me a vós” (Ex 3,14). Em Jz 13,17-18, quando Manoá, pai de Sansão, desejou saber o nome do anjo com quem dialogava, este lhe respondeu: “Por que perguntas tu o meu nome, que é admirável?” E mais não disse. “

E Maomé…

“Maomé, segundo se sabe, preceituava que Alá possuía cem nomes, mas só se conheciam noventa e nove! O centésimo era secreto, inefável.”

No Egito

 

“Se a Dioniso se atribuíam 96 nomes e a Osíris 100, Ísis possuía 10.000!… E assim, como descobrir o verdadeiro, o inefável? Aliás, no impropriamente denominado Livro dos Mortos, a alma, ao chegar diante de Osíris, para recitar as célebres confissões negativas, diz-lhe, de saída: “Eu te conheço e conheço também o nome das quarenta e duas divindades que estão contigo nesta sala das duas Maât… ” 24 Conhecer o nome de Osíris e das quarenta e duas divindades, que lhe vão ouvir as confissões negativas, é para a alma, que vai ser julgada, um pré-requisito psicológico de salvação. Se uma palavra em si já é mágica, e se o nome é parte da pessoa, ou da coisa, conhecê-lo é dispor da pessoa ou do objeto, porque também as coisas e os objetos têm alma, vida; têm energia, têm mana. Por saber o nome de seu arco, Ulisses foi o único a retesá-lo, no célebre episódio da matança dos Pretendentes, Odis. XXI, 409-412.”

E ainda tem de outro lado, mutilar ou apagar o nome de uma pessoa, de um animal ou de um objeto é condená-los à impotência ou à morte.

“Quando Amenófis IV, o famoso Akhnaton, tentou impor Aton (Disco Solar) como deus único do Egito, mandou martelar o nome de Amon nas inscrições monumentais. Nas paredes de monumentos egípcios, os hieróglifos que estampam nomes de animais ferozes ou perigosos aparecem mutilados, tirando-lhes, com isso, toda e qualquer eficácia maléfica. Recordando a
tradição egípcia de “matar o nome”, fazendo-o raspar dos monumentos, Javé, no Dt 29,20, ameaça destruir os que não guardarem a aliança, adorando outros deuses: “o Senhor apague o seu nome de debaixo do céu”.

 

Arremata Jung:

“Somente a mente primitiva acredita no ‘nome verdadeiro’. No conto de fadas, alguém pode reduzir a pedaços o corpo do pequeno Rumpelstilz simplesmente pronunciando o seu verdadeiro nome. O chefe tribal oculta o seu verdadeiro nome e adota paralelamente um nome exotérico, para uso diário, a fim de que ninguém o enfeitice, conhecendo seu verdadeiro nome. No Egito, quando se sepultava o faraó, davam-se-lhe os verdadeiros nomes dos deuses, em palavras e em imagens, a fim de que ele pudesse obrigar os deuses a cumprir suas ordens, só com o conhecimento dos seus verdadeiros nomes. Para os cabalistas, a posse do verdadeiro nome de Deus significa a aquisição de um poder mágico. Em outras palavras: para a mente primitiva, o nome torna presente a própria coisa. ‘O que se diz, torna-se realidade’, diz o antigo ditado a respeito de Ptah”


A Morte

 


 

Se o herói tem um nascimento difícil e complicado; se toda a sua existência terrena é um desfile de viagens, de arrojo, de lutas, de sofrimentos, de desajustes, de incontinência e de descomedimentos, o último ato de seu drama, a morte, se constitui no ápice de seu páthos, de sua “prova” final: a morte do herói ou é traumática e violenta ou o surpreende em absoluta solidão.

A imensa maioria dos heróis morre de forma trágica, como a completar um ciclo, que desde o nascimento até seu fechamento seu feitos são dolorosos e marcantes. Uns se matam, como Ájax Telamônio, Hêmon, Antígona, Jocasta, Fedra, Egeu. A guerra, as justas e as vinganças são as grandes ceifadoras. Basta abrir a Ilíada e o final da Odisséia, que se passa a nadar num mar de sangue. Da morte de Reso, Pátroclo e Heitor até o massacre dos pretendentes, no XXII canto da Odisséia, a cruenta seara do deus Ares produziu frutos em abundância!

Quanto ao assassínio pode ser o mesmo agravado, segundo se viu mais acima, pelo grau de parentesco entre o criminoso e a vítima ou ainda pela crueldade com que foi praticado: Foco é sacrificado pelos próprios irmãos Peleu e Télamon; Agamêmnon é traiçoeiramente morto pela esposa Clitemnestra e esta pelo próprio filho Orestes. Por vezes os heróis são vítimas de acidentes fatais: Orestes, o argonauta Mopso, Ofeltes (Apol. 3,65), Épito (Paus. 8,4,7), Citéron, Eurídice (Verg. Geórgicas, 4,457), Hespéria (Ov. Metamorfoses, ll,769sqq.) são mortos, em circunstâncias várias, por mordidelas de serpentes; Héracles, tão valente e vigoroso, incendiou-se num simples manto que, por ciúmes, lhe enviara a esposa Dejanira. Desesperado de dor, o gigantesco herói, segundo se verá, lançou-se numa fogueira no monte Etna.

Teseu, que vencera o Minotauro, foi empurrado pelas costas para um abismo. Odisseus, o mais solerte dos gregos, foi assassinado por um simples adolescente, que, por acaso, era seu filho… Aquiles pereceu, ingloriamente, por uma simples flecha lançada talvez ao acaso por Alexandre ou Páris, o menos autêntico dos heróis troianos da Ilíada. Também um herói, como Édipo, pode morrer, ouvindo apenas os balbucios do silêncio, em absoluta solidão.

 

A morte do herói, todavia, se constitui no clímax de sua dokimasía, do “conjunto de provas” por que passou esse espancador de trevas. A morte é seu último grau iniciático, quando então, como se expressa Sófocles no último verso de Édipo em Colono, 1779 “quando então a história se fecha em definitivo”. Acta est fabula, terminou a tragédia ou a comédia. ..

 

É a morte, no entanto, que lhe confere e proclama a condição sobre-humana.Em Esparta, consoante Xenofonte, República dos Lacedemônios, 15,9, os reis mortos eram cultuados “não como homens, mas como heróis” e acrescenta .Heródoto, 6,58, que dessa forma de veneração fazia parte igualmente a lamentação ritual.

 

Desse modo, a morte do herói transforma-o em daímon, num intermediário entre os homens e os deuses, num escudo poderoso que protege a pólis contra invasões inimigas, pestes, epidemias e todos os flagelos. Partícipe de uma “imortalidade” de cunho espiritual garante a perenidade de seu nome, tornando-se, destarte, um arquétipo, um modelo exemplar para quantos “se esforçam por superar a condição efêmera do mortal e sobreviver na memória dos homens”.

 

Mais algumas palavras

 

Junito resume assim:

“Mas este é tão-somente um lado dessa personagem tão polimórfica e ambivalente, embora prototípica de tantas atividades humanas. Observando-a mais de perto, nota-se que a beleza e a bravura de Aquiles podem ser empanadas física e moralmente por caracteres monstruosos: um herói aparece igualmente e com muita freqüência sob forma anormalmente gigantesca ou como baixinho; pode ter um aspecto teriomorfo e andrógino; apresentar-se como fálico; sexualmente anormal ou impotente; pode ser aleijado, caolho, ou cego; estar sujeito à violência sanguinária, à loucura, ao ardil e astúcia criminosa, ao furto, ao sacrilégio, ao adultério, ao incesto e, em resumo, a uma contínua transgressão do métron, vale dizer, dos limites impostos pelos deuses aos seres mortais.”

“Alguns exemplos colhidos entre centenas de outros poderão dar uma idéia dos atributos contraditórios, da vasta complexio oppositorum desses seres “divinamente monstruosos”.

“De saída, como se está falando de atributos contraditórios, é conveniente lembrar que o herói tem a faculdade de ser tanto uma fonte quase inesgotável de bons serviços quanto de maldição, sobretudo quando ofendido nesta vida ou depois da morte, o que pode ser, de certa forma, confrontado com a ambivalência das divindades.”

Por fim:

“A ambivalência do herói mítico, seu lado luminoso e sua face escura, essa notória complexio oppositorum fazem parte integrante, ipso facto, do todo de sua personalidade, plasmada illo tempore, no tempo das origens. E é como agente e garante da transformação criadora, de que surgiu a ordem existente no mundo atual, que é também, no fundo, obra sua, que o herói está sempre pronto para defender o status quo vigente.”

“O herói é, pois, o que é: uma complexio oppositorum. E assim sendo, talvez se pudesse encerrar o presente capítulo com uma
outra “conjugação dos opostos”: se de um lado a “idealização é um apotropismo secreto, porque se idealiza, quando se quer conjurar um perigo”, de outro, não se pode abandonar por completo a “idealização heróica”, porque “quando o homem perde a capacidade de idealizar, sobrevém fatalmente a morte do mundo heróico”, um mundo que faz falta, porquanto “uma das grandes crises do mundo moderno é a esterilização da imaginação”.

É bom não esquecer que o termo imaginatio, “imaginação” é correlato de imago, “imagem” e perder a “imagem” pode não ser muito conveniente…

 

 

As Crônicas de Nárnia

 


Sendo pai de duas crianças, uma agora já bem mocinha, nos últimos anos tenho me dedicado a assistir bastantes filmes com temática infanto-juvenil, alguns desenhos são absolutamente geniais, que infelizmente as franquias criam seqüências duvidosas. Alguns por terem vindas em série justificam os vários capítulos. Destacaria vários filmes desta safra: Monstros SA, Shrek, Era do Gelo, Carros, Senhor dos anéis (mais adulto e complexo), Percy Jackson, Harry Porter.

Ontem assisti ao terceiro filme da série as crônicas de Nárnia (A viagem do peregrino da Alvorada), achei uma excelente diversão, escrito por CS Lewis no pós-guerra, traz muitos elementos do mundo inglês do ponto de vista das crianças que perdem seus pais para guerra e têm que criar suas aventuras num mundo bombardeado.

As crônica de Nárnia são as estórias de quatro irmãos (Pedro, Suzana, Edmundo e Lucia) que se aventuram num mundo paralelo (Nárnia) cheio de magia, feiticeiros, bichos que falam. Um mundo de homens, heróis e guerreiros, em que eles são convidados a participar. Nos dois primeiros episódios os irmãos vão para Nárnia e tornam-se pequenos reis por sua coragem, bravura, bondade e doçura.

Este rito de passagem de ir à Nárnia fez de Pedro e Suzana dois belos e destemidos jovens, que completam seu rito nos dois primeiros filmes. Edmundo e Lucia ainda estão virando rapaz e moça, tendo ainda uma etapa a mais a cumprir.

 

 

A Viagem do Peregrino da Alvorada

 


Neste terceiro filme, Edmundo e Lucia, agora acompanhados pelo mau humorado Eustáquio, seu primo, são tragados pelo mar que cairá de uma pintura. Reencontram o Príncipe Caspian, que comando um Navio Viking, rumando a uma ilha próxima ao fim do mundo.

 

Mitologias: A referência

 


São muitas referência a mitologia grega, neste filme elas são mais evidentes, o barco que pode ser desde os Argonautas de Jasão ou de Odisseus. As mulheres oferecidas em sacrifício que são levadas a ilha negra, seus barcos some no meio de nevoeiros, lembram as jovens entregues na ilha de Creta para que o minotauro se satisfaça.

 

Vários temas também são usados como o mito de Midas, um dos sete nobres é transformado em ouro, na fonte da riqueza, e tudo que se toca também vira ouro. O banquete preparado, mas que não se pode comer é outra referência aos mitos gregos.

 

Aliás, os sete nobres e suas sete espadas não são um número por acaso, número sete está presente em várias passagens mitológicas e bíblicas: Sete rapazes e sete moças são oferecidos ao minotauro. São sete as portas de Tebas. Zeus “casou” com Sete deusas e Sete mortais. Odisseus ficou por Sete anos amando Calipso. No Apocalipse 5,5, Cristo é o Leão de Judá, que venceu de tal maneira, que pôde abrir o livro e desatar os sete selos. As sete cores do arco-íris no esoterismo islâmico simbolizam a imagem das qualidades divinas refletidas no universo, já que o arco-íris é a imagem inversa do sol sobre um véu inconsistente de chuva. O arco-íris é a escada de sete cores por onde Buda torna a descer do céu. Lembro ainda que depois Tolkien usou os Sete anéis como distribuição das forças.

A chegada a ilha do negra é uma volta à Odisséia quando Odisseus enfrenta o estreito em que dominam Cila e Caribde, monstros marinhos que assustará sempre os argonautas não importando a época histórica, os marinheiros são ameaçados por serpentes marinhas gigantes, aqui Edmundo terá que provar sua passagem à idade adulta.

O esnobe e tolo Eustáquio será profundamente transformado, sua personalidade será revelada na pele de um dragão uma oportunidade única de que sua psique indômita se revele forte e generoso, sua luta e depois profunda amizade com o ratinho Ripchip será uma bela passagem deste filme.

 

Aslam: O Leão

 

 

Por fim a busca do mundo de Aslam, o Leão, que consoanta Junito de Souza Brandrão seria a seguinte representação psicológica:

“Símbolo da justiça, o Leão é a garantia do poder, material ou espiritual. É, desse modo, que serve de trono ou montaria a numerosas divindades, assim como adorna o trono de Salomão, dos reis da França ou dos bispos medievais. Símbolo do Cristo-Juiz e do Cristo-Doutor, transporta-lhe o livro sagrado. É nesta mesma perspectiva que figura como emblema do evangelista São Marcos. Símbolo, por outro lado, da soberba e da arrogância, da impetuosidade e do apetite incontrolável, figura uma pulsão social pervertida: a tendência à dominação despótica, cuja tônica é a imposição brutal do autoritarismo e da força.

O rugido profundo do leão e sua goela aberta conduzem, no entanto, a um outro simbolismo, não mais solar e luminoso, mas sombrio e ctônio. Com esta visão inquietante, o leão se assemelha a outras divindades infernais que tragam o dia no crepúsculo e o expelem na aurora. No Egito, leões eram representados com freqüência em duplas, dorso a dorso: cada um deles olhava o horizonte oposto, um a leste, outro a oeste. Figuravam, assim, os dois horizontes e o curso do sol, de uma extremidade à outra da terra. Vigiando, desse modo, o transcurso do dia, representavam o ontem e o amanha. Destarte, a viagem infernal do sol o conduzia da goela do Leão do Ocidente para a do Leão do Oriente, de que renascia cada manhã, tornando-se os dois leões o agente fundamental do rejuvenescimento do astro. E, de uma forma mais ampla, configuravam a renovação da força e do vigor que assegura a alternância do dia e da noite, do esforço e do repouso. Como se pode observar, expelindo a cada manhã o sol, a visão ctônia do Leão foi exorcizada e a imagem da morte tornou-se penhor de vida. É exatamente isto que se observa em outras culturas, em que o leão, devorando periodicamente o touro, expressa a dualidade antagônica fundamental do dia e da noite, do verão e do inverno. “

No mundo de Aslam só aqueles que cumpriram sua missão em Nárnia podem entrar.

 

Belo Filme, bela aventura, que mistura símbolos e inteligência, criando um mu
ndo mágico que habita as cabeças das crianças e jovens sonhadores.

 

 

A internet deve ser controlada?Existe cybercrime?

Liberdade e Responsabilidade

Ontem houve um intenso debate no Twitter  sobre a questão do “controle” ou “regulação” da Internet, ainda rescaldo da campanha eleitoral passada e dos seguidos casos de intolerância cujo alvo último foi o pedido, ou desejo, ou brincadeira (de mau gosto) para que a Presidenta Dilma fosse assassinada à La Kennedy.

Porém este debate já vem desde o projeto de Azeredo de controlar quem acessa a rede, identificação completa de cada usuário pelo servidor, bem como a completa base de informações sobre seu “comportamento” na rede. Este projeto é muito similar ao que foi recentemente aprovado na França e que, implicitamente, já vigora no EUA com Patriot Act, pós 11 de Setembro, tendo esta semana se ampliado ao controle de contas e acessos ao Facebook e Skype.

Tentarei escrever sobre estes temas com duas fontes: 1) Constituição Federal (CF) e 2) Código Penal (CP), pois quando se defende as várias condutas humanas na via virtual, teremos como norte balizador os dois diplomas legais, reais, que devem permitir ou proibir condutas.

Constituição Federal e a Dignidade Humana

O norte maior da Constituição foi a Dignidade da Pessoa Humana assumida como valor fundamental constitucional. Aliás, este deve ser o norte do nosso debate, antes de pensarmos em crimes ou quaisquer derivações da ação concreta dos internautas deveram pensar se está em desacordo com a dignidade humana, se há respeito e não atentem contra ela.

A Constituição Federal tomou para si alguns temas centrais que poderiam ser albergados por leis infraconstitucionais, mas fez bem, pois esta foi produzida pós-feroz ditadura que impôs 21 anos de exceção legal. Ao se levar à CF cria-se natural dificuldade de mudar estas disposições, pois o esforço parlamentar é alto, necessitando 2/3 para que se a emende, noutros casos, tornado cláusulas Pétreas apenas nova constituinte para modificar tais dispositivos.

Mesmo a questão da ampla liberdade de expressão, de idéias que é título consagrado na CF é relativizada se por acaso atentarem contra outros valores como a individualidade e o respeito, cabendo a ampla reparação quanto ao mau uso desta garantia.  Leiamos os princípios diretamente na CF:

Art. 5º

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; (Vide Lei nº 9.296, de 1996)

Aqui acho que responde boa parte das questões suscitadas pelo debate de ontem, o nosso maior Diploma já assegura tanto a ampla liberdade como a devida reprimenda quando se ultrapassa este limite dando causa à devida reparação.

Questões Criminais,  Cybercrime(??)

Quanto às questões criminais parto da definição mais simples do que é Crime – Fato Típico + Antijurídico –  esta soma é sua lógica de existir, ou subsistir o caso. Sem estas duas pontas não teremos como classificar como conduta ilícita.

Apesar de o Código Penal ser bastante antigo, data da década de 40, 70 anos atrás. Entretanto ele é bastante amplo e com várias atualizações pontuais, particularmente, não conheço nenhum crime inaugurado pela internet que o CP já não o tipifique, mesmo que lá não tenha a nomeclatura “Internet” por analogia a conduta é extensiva a este meio.

Exemplo simples violação de correspondência, antes era caracterizado por violar carta, memorando, depois fax sílime, hoje correio eletrônico (email), nada que não conhecêssemos mudou apenas o meio de circular a “correspondência”.

É certo que é diferente hoje, quando se cometia os crimes contra a honra (calunia, injúria e difamação) a boca pequena num bar, reunião, ou mesmo em jornais. Claro que quando se trata de internet a um amplo alcance, são rastros indeléveis, mas as mesmas punições podem se basear no capítulo dos crimes contra a honra do CP, somado à CF.

Muito acham que há novas modalidades de crimes na internet, penso eu , que na verdade há maior pontencialização dos efeitos, mas as condutas estão todas previstas, o que precisamos é garantir a punição, tanto a real, quanto a virtual.

É obvio que nos indignemos quando nos sentimos ultrajados de forma ampla, como acontece aqui, mas isto não nos torna justiceiros sociais, temos que confiar que a punição será igual a real.Especializar polícia, promotores e juízes para que entendam os filigramas e as sutilizas dos crimes cometidos no ambiente virtual.

Entendo que não existe cybercrime, como conduta diferente, ou criminalizar especialmente apenas o meio é que é diferente. A Internet é um ambiente fértil para produzir amplo conhecimento, sociabilidade, valores, solidariedade, como nunca visto na história humana, mas temos que entender que ela é feita por gente, por homens com os mesmo vícios e erros da sociedade que vivemos, ela não é ambiente extra-social, paralelo, é extensão da vida real, trazendo para dentro as relações de força e poder da sociedade real.

As normas de conduta sociais, nacionais e trasnacionais estarão acompanhando sempre nossos passos, não adiantando a criminalização a priori ou a banalização das condutas criminosas, este ethos de convivência somos nós seres humanos, políticos, cientistas, leigos que daremos sempre.

Blogsfera que Luta e se Organiza

Ontem o Mauricio Caleiro no seu excelente blog fez uma ótima análise de mídia Neocon e também introduziu o debate sobre militância virtual ( O jornalismo neocon e a militância virtual ) . A pertinência do debate aberto por ele fez com que resgatasse alguns tópicos que identifiquei que serão os que vão dar ritmo ao Governo Dilma nos próximos 4 anos, bem como a dinâmica da militância real e virtual.

Aos apoiadores de Dilma, que estão no campo da continuidade das mudanças começadas com Lula temos muito, mas muito a fazer, temos que elencar a nossa real agenda, a realidade nos impõe alguns temas fortes:

1)    Relação do Brasil com G20;

2)    Questão da nova guerra cambial/comercial;

3)    Recomposição de forças no cenário nacional, novo pacto federativo com reforma tributária;

4)    Pré Sal e seus ganhos para sociedade: Educação, Saúde e erradicação da pobreza;

5)    Reforma política e relação partidária no congresso;

6)    Tecnologia: PNBL, AI5 Digital;

7)    Marco regulatório das comunicações;

8)    Voltar aos padrões civilizatórios de convivência social, de uma condenação cabal às manifestações Neofascistas, com punição exemplar a quem as pratica;

9) Comissão da Verdade e acertos de contas com nosso passado, sepulta nossos mortos

São grandes temas que discutimos pouco e darão o corte no novo momento que passaremos a viver. A perspectiva de Dilma fazer um governo mais “técnico” com composição mais preparada para dar respostas políticas, mas principalmente técnicas aos grandes temas, deve ser nosso norte.

Novas “tendências” Virtuais

No campo da organização toda uma gama de novos blogueiros, tuiteiros, surge e começam a se auto-organizarem em iniciativas bastante interessantes, comunidades de debates, twitcams, aproximando temas e pessoas de forma virtual e real.

O encontro dos blogueiros progressistas foi um marco fundamental para aproximar um pessoal que escreve bem e quer disputar a sociedade e fazer frente a mídia controlada ao extremo anti-esquerda. Deste encontro até a entrevista destes com Lula forma vários e importantes debates, algumas vezes nos perdemos sem compreendermos o que está em jogo, mas o acerto geral é enorme, vamos mais maduros para um segundo encontro com certeza.

Dois excelentes exemplos são: Rede Liberdade e Teia Livre. Analisando os dois movimentos vejo como é rico e criativo o que acontece agora, o gosto pelo debate da eleição ultrapassou os marcos da empolgação eleitoral e tornou cotidiano os contatos, a necessidade de se aproximar compartilhar idéias e pessoas.

Particularmente estou me localizando e vendo como posso ajudar/contribuir neste momento efervescente, lembro que a Rede da Liberdade começou no Chat coletivo logo no dia da vitória da Dilma e debatemos os episódios da Mayara, dali entrou José de Abreu, Bemvido Sequeira,  Maria Frô e tantos outros , agora dou de cara um belo jornal publicado por eles, achei sensacional que tudo tenha ido em frente. Esta semana teve Twitcam com Bemvindo, na quinta debate sobre o Falha de SP..e por aí a coisa segue.

Nos últimos dias do ano recebo post do belo portal “Teia Livre” uma construção coletiva espetacular, bem organizada, estrutura de artigos, de vídeos coisa de gente grande, mas feita neste bojo de geração espontânea, rica e forte.

#EufuinaPossedaDilma em Fotos

Pessoal, como bati muitas fotos da posse vou fazer um post geral de fotos, seu aqui o espaço permirtir

1) No Avião

2) Chegada da mamãe

3) Na cadetral e os dragões da Independência, chuva forte vindo…

4) Na chuva, na lama…

5 ) Lá vem a Dilma, sendo saudada pelo militares



6 ) Povo vai ao Planalto ver a Faixa no peito da Presidente

7 )  Quase Sarau do Nassif – ele e Takai deram uma de  Tim Maia, não cantaram, mas compareceram e nós sujinhos também

8 ) Duas mulheres que tanto admiro : Minha mãe e a querida Luiza Erundina – Posse do José Eduardo Cardozo, que por sinal fez belíssimo discurso, falou perfeitamente sobre o significado de Lula, “o “monoglota” sem estudos formal, que suplantou a qualquer Poliglota e Doutor” e a homenagem as mulheres que sempre o comandaram

Amigos querem fundar a comunidade dos que foram à posse, foi um momento mágico e único que passamos, que se tornará inesquecível nas nossas vidas.