Revista Época, até quando?

 

 

 

 

“Somos da mesma substância que os sonhos.”( A tempestade, ato IV,cena I)

 

Muitos companheiros ficaram admirados ou ofendidos com a Revista Época desta semana, que especula que Dilma está mal de saúde, por vias escusas conseguiram o prontuário médico dela, um crime é claro, que dificilmente terá qualquer desfecho, pois não faz parte da nossa tradição ir atrás deste tipo de ação ilegal e imoral.

Quem acompanha o que tenho escrito sabe que acho este tipo de matéria e campanha difamatória está dentro da normalidade,mesmo sendo estes ataques covardes vejo que são normais dentro da sujeira midiática, mas o que é anormal é a covardia do Governo em aceitar, ou fingir que não viu, esperar que caia no esquecimento.

Alguns tópicos para reflexão dentro deste processo político e de debate:

 

1)   Vencemos três  eleições CONTRA a mídia inteira, nos 8 anos Lula ele foi acossado por ela. O governo Dilma estar indo para o mesmo caminho, pergunta quando vamos dar um basta?

2)   Nada radical, apenas uma medida simples: Já que a mídia é a é OPOSIÇÃO sistemática e real ao governo e ao país, que ela viva sem verbas estatais e governamentais. Governo não pode temê-los, eles não têm votos;

3)   Até o fraco Governo Obama teve coragem de romper com Fox e identificá-la como órgão do Partido Republicanos, que o governo os trataria com Oposição. Qual a covardia aqui de romper com alguns aqui no Brasil? Cordialidade?

4)   É mais que provado que mídia brasileira é PSDB e este é mero correio de transmissão dela na arena política.Agem em sincronia. Um reverbera o outro, qual a dificuldade romper com eles?

5)   Um exemplo recente: na semana que PSDB fez sua propaganda eleitora em que focou na questão da Copa 2014 e dizia que não teria em estádio. Qual a  capa da Revista Veja? Maracanã só ficará pronto 2038…isto é o que? Com a palavra o TSE e MPE?tudo normal..

6)   Na campanha eleitoral Programa do Serra era turbinado pela grande mídia e vice-versa, já não passou da hora do PT deixar de ser covarde, medroso e romper;

 

 

Questão da Lei dos médios


 

Muitos companheiros ficam levantando lei de médios como a solução dos problemas de democracia na comunicações, sinto desapontá-los, não creio em nada disto por alguns fatos bem claros e por experiência de vida e militância:

1)   A chamada grande mídia “brasileira” nunca desembarcou das caravelas, é fato que ela vive não Europa medieval, como regular um troço deste? Ilusão demais;

2)   Mais ainda a regulamentação é conversa para boi dormir, ou vocês confiam em Anatel ? Anac?

3)   Como se iludir com uma mídia q não defende uma única bandeira democrática? Qualquer uma que seja, mesmo nos marcos do capital, eles não apoiam uma reforma se quer, foi assim que deram amplo apoio ao golpe militar e se opões ferozmente a todo movimento social organizado. Sempre denegriram a Cut, CPT e o MST, por exemplo;

4)   Houve uma piora acentuada com consolidação do pensamento único anos 90, depois de um breve momento tático que apoiram as diretas, a maioria era contra. Com a queda do muro e o advento do consenso de Washington acabou qualquer  possibilidade de diálogo democrático;

Cada dia precisamos mais de pensamento independente, livre de amarras, para democratizar o acesso e a luta direta dos trabalhadores, sem criar ilusões em leis ou organizações francamente anti-democráticas.

 

Miguel Nicolelis: ao Mestre com carinho

 

 

 

Falar de uma pessoa especial não é tão fácil como parece, principalmente quando você priva de um contato mais próximo, mais difícil quando esta pessoa é um ídolo, que você conhece e admira pela TV, ler nos jornais e revistas e de repente ele aparece em sua timeline do Twitter, como se fosse apenas mais um seguidor/seguido.

Ano passado aconteceu esta experiência única e maravilhosa, tive a sorte de interagir com o Mestre (merecia todas as letras maiúsculas) Miguel Nicolelis, ainda lembro que alguém retuitou uma mensagem de saudação dele que acabara de aderir ao twitter. Imediatamente transmiti meu orgulho de também saudá-lo e adicioná-lo, para minha grata surpresa houve um retorno. Passamos a dialogar quase que diariamente.

A visão daquele cientista único, que vi e revi várias vezes, num programa sobre a possibilidade voltar a andar ou ter movimentos e os exemplos que dera sobre gênios como Ademir da Guia, seu ídolo, e Pelé e a relação destes com ciência e genialidade me fez mais admirá-lo, pois pegava exemplos concretos e de pessoas concretas para explicar uma teoria complexa de seus estudos. 

Mais ainda assisti a sua formidável aula inaugural da UNB em que mexeu com milhares de pessoas que foram testemunhar um verdadeiro show de brasilidade, amor ao nosso país, de acreditar que nós podemos e faremos ciência e tecnologia para o mundo. A sua ida a Natal, algo mais que ousado, levar aos mais simples o conhecimento que adquira nos melhores centros mundiais, uma opção difícil, complexa, mas cheia de paixão e significado.

Professor e Mestre Nicolelis não é uma homem comum, mas é um homem simples, afetuoso, apaixonado por seu Palmeiras, por seus pais e sua família, que dedica a vida pela ciência e pelo sonho de fazer andar e dar vida nova a tantas pessoas. Ter o privilégio de trocar idéias e debater com ele é algo que supera qualquer sentimento. Desde futebol, política e principalmente o amor ao Brasil sempre nos encanta. Agradeço as DMs de apoio nos momentos críticos de internações de minha filha, a sua gentileza de se preocupar conosco.

Nesta semana está em Estocolmo e nós aqui na maior torcida sabedor quão grande significado para ele e para nós sua ida a academia do Nobel, que está tão próximo de nós, que, se vier, será algo tão grande como foi a conquista da copa do mundo na mesma Suécia. Sairíamos do nosso complexo de vira-latas e entraríamos em outro patamar mundial. Mas independente de Nobel, a comissão da ciência do futuro que o Mestre encabeça já nos enche de orgulho.

A abertura da copa do mundo com o protótipo do andando na lua é sua e nossa esperança, a esta figura ímpar da história brasileira, meu afeto e amizade sempre, e claro muita gozação no futebol. Esta teia que construímos não se desfaz mais, vamos juntos por um novo Brasil e um novo sonho.

 

PS: Continuamos esperando aquela pizza

 

 

Crônicas do Japão XX: Osaka

 

 

 

 

História e Economia

Osaka

 

Osaka é famosa por sua comida e por sua imensa rivalidade com Tókio, a imensa identidade cultural e econômica da cidade causa reações de inveja e de bairrismo da capital para com ela, são por razões históricas que as separam, a Osaka de porto aberto e comercial internacional em oposição a capital tradicional e nacionalista.

Osaka-ben é um dialeto comum na região muito falado que diferencia o morador local e faz parte de sua imensa cultura que remonta a sua fundação em 645 DC, porém há sítios arqueológicos na região que datam do século V AC. Sede por várias vezes do governo central, se revezando com Kyoto e Nara, sua relevância sempre foi sua localização estratégica meio de ligação sul ao norte, seu porto de grande comércio.

 

Osaka construiu o primeiro bem sucedido porto de intensa troca comercial com China e Coréia, ajudando a escoar a produção de arroz da região, em tempos mais modernos foi centro comercial do Japão até metade do século passado. A região forma com Kobe e Kyoto a 7ª região mais rica do mundo e o segundo PIB do Japão.

 

Cultura e Comida

 

Arquivo: Castle.jpg jo Osaka

A combinação de paisagens antigas em particular o antigo palácio imperial, com suntuosos prédios modernos dão dimensão da beleza e força da cidade. O museu marítimo (estava em construção quando visitei a cidade) é espetacular, para chegar nele tem que se passar por um túnel submarino, na época visitei um grandioso aquário de seis andares, com todo tipo de peixe até tubarões.


O belíssimo museu de arte nacional de artes com suas galerias subterrâneas impressionam pela riqueza e diversidade cultural, tanto japonesa como internacional, o prédio parece um barco, construído para Expo ’70, é uma obra de arte que abriga grandes obras. Osaka é a terra do Kabuki o teatro de máscaras e principalmente é cidade do Banraku o teatro de fantoches, todo ano há um festival dedicado aos jogos de fantoches.

Ficheiro: Museu Nacional de Arte, Osaka.jpg

 

Arquivo: NMAO01s3200.jpg

A região portuária, assim como Kobe, é a área mais dinâmica da cidade com muitos restaurantes, que faz a fama de Osaka (em Tókio eles têm visão depreciativa do hábito de se comer em Osaka), os pratos baseados em furtos do mar, caranguejos do pacífico, lula, polvo são deliciosos e fartos.

 

Blog "gratuito": o barato saí caro – Nova Casa

Iniciando uma nova casa, fiz o ajuste com o passado dos antigos blogs com a mensagem abaixo, sejam bem-vindos e vamos continuar na mesma luta aqui, dividindo um pouco de conhecimento, experiências, angústias e alegrias.

 

Por que mudei de Endereço?

 

 

Escrevi recentemente uma analise da peça Alceste: Amor ou Morte em que mostra a inoportuna visita de Héracles ao seu amigo Rei Admeto que acabara de perder a esposa Alceste, mesmo assim pelo dever de Hospedar, Admeto trata o amigo como se nada estive acontecendo, dando-lhe o que havia de melhor na sua casa.

Este dever de hospedar também nos chegou, em particular no nordeste, através de nossas heranças e tradições, de sempre receber bem quem nos visita, independente se estamos preparados ou não. Meu velho avô era sempre assim, fazia a festa de quem a sua casa chegava, e nos transmitiu este rico sentimento de acolher e receber  sempre com nosso melhor: Comida, instalações e amizade.

Criei este pequeno blog em 23/11/2009 e nele publiquei 108 artigos, com mais de 50 mil visitas,  o que para mim é uma grande surpresa, as visitações os 620 comentários, os 40 seguidores que assinam o recebimento automático. A recente série sobre o Japão, rende o prazer de exercitar a memória de um momento ímpar na minha vida e é um projeto de quem sabe algo mais consistente no futuro.

Porém, na última quarta-feira dia 19/05/2011 fui surpreendido com a recusa do WordPress de continuar abrigando meu blog, houve uma recusa a publicação do meu post com uma lacônica mensagem que eu violara o “Termo de Serviço” e que pelo seu “Creative Commons” meu blog era comercial e não era aquele o local de hospedagem. Tomei um susto enorme, primeiro porque deveria ter sido muito claro o que eu violei, para que pudesse reparar, retirar do blog, segundo queria saber o conceito de comercial do meu blog. Imediatamente num inglês bem meia-boca pedi explicações ao editor o que ocorrera. Dezenas de amigos que tentavam acessar o blog vinha a mensagem que o blog estava indisponível como se eu o tivesse removido. Três horas após o incidente o blog “comercial”, “violador do termo de serviço” é devolvido sem maiores explicações.

Diante da perplexidade resolvi comprar um domínio http://arnobiorocha.com.br/ e mudar meu blog de hospedagem, com ajuda do amigo @magnesio do Teia Livre. Estes hospedeiros gratuitos (wordpress, blogger) têm critérios próprios que são por nós desconhecidos, pouco claro, que a nossa razão desconhece.

Aos amigos que me lêem que indicam meu blog nos seus blogs ou em listas de email, Facebook ou Twitter segue meu novo endereço, estou tentando me reanimar do baque e continuar a escrever, nem sempre é fácil recomeçar, divulgar um novo endereço, conto com a ajuda de vocês:

http://arnobiorocha.com.br/

Atenciosamente

Arnobio Rocha

Crônicas do Japão XIX: Kobe e Himeji-jo

Kobe:  a cidade Porto


Quando visitei Kobe, tinha menos de dois anos que a cidade fora devastada por um grande terremoto que causou destruição de 68 mil casas e edifícios, 5000 mil mortos e 230 mil pessoas foram morar em abrigos, a destruição sem precedente numa área densamente habitada. Mas ao chegar na cidade parecia que tudo havia sido reconstruído inclusive a longa ponte Akashi-kaikyo que liga Kobe a uma ilha em frente.

O lindo prédio do OrixWave Blue estava de pé depois de ter vindo ao chão, o time de basebol da empresa dona do prédio era muito famoso e em 1996 foi campeão da liga japonesa, com seu craque Ichiro Suzukidio. Era motivo de honra para cidade ver aquele prédio reerguido e o time campeão.

Kobe é uma cidade bem moderna, o porto é um dos mais movimentados do mundo, a cidade gira em torno dele, uma economia pujante que escoa produção de toda região. As ruas com belos prédios e um ar de interior, num dos bairros, um reduto boêmio com bandas de jazz tocando na rua, num clima de New Orleans. Outro Japão sem dúvida.

Forma um trio de cidades junto com Osaka e Kyoto poderosíssimas com cerca de 20% do PIB japonês, e cerca de 17 milhões de habitantes. Apenas Kobe tem quase 2 milhões de habitantes. Uma cidade enorme de bairros tranqüilos e região portuária que fervilha, tanto nos imensos navios como seus lindos hotéis e uma torre mirante incrível.

Himeji-Jo

Ficheiro:Himeji Castle The Keep Towers.jpg


Himeji cidade pequena na região de Kobe tem a maior atração histórica da  vizinhança, o espetacular castelo Himeji-Jo, é algo indescritível, as fotos darão idéia do tamanho do conjunto de prédio que formam o complexo, mas a sua alvura é quase de cegar num dia de sol, para minha sorte o dia estava lindo com um sol enorme e um friozinho de outono.

Ficheiro:Himeji castle 0012.jpg

As alamedas que dão acesso ao castelo foram feitas como labirinto para prender os invasores, as imensas pedras de sua base e os prédios construídos numa pequena elevação, um pouco acima da base de um morro passa a idéia de intransponível.  As grandes salas, e suas janelas e fendas para que pedras fossem jogadas nos visitantes indesejáveis mostra a engenharia de defesa. A edificação virou exemplo de construção militar. Em Osaka viu um castelo parecido, assim como em Kamakura.

Ficheiro:Himeji Castle 04s3200.jpg

Sua construção iniciou-se em 1331, mas as guerras entre xoguns de Osaka e Kyoto várias vezes fizeram com que a propriedade mudasse de mãos e nunca fosse concluída, apenas em 1618 teve finalmente foi acabado, integralmente cumprido o projeto original com seus 82 prédios e torres.

Ficheiro:Old painting of Himeji castle.jpg

Crônicas do Japão XVIII: Nara – templos e tempos

(Templo Kasuga)

Chegar a Nara vindo de Kyoto sua vizinha é retornar mais ainda ao lendário passado histórico do Japão, a pequena Nara foi por 84 anos (710 a 794 DC) a capital do Japão, tendo inclusive um período histórico com leva seu nome. A ida da capital para pequena Nara foi a preparação para surgimento dos grandes xogunatos futuros.

As principais religiões (Xintoísmo e Budismo) do Japão encontraram campo fértil para seus desenvolvimentos em Nara, mas particularmente o budismo teve ampla expansão e os monges tiveram grande influência na casa imperial. Por conta disto a capital mais uma vez mudou, sendo fixada em Kyoto, por mais de 1000 anos.

A cidade apesar de bem pequena respira história e seus 1300 anos de vida, gira em torno dos grandes templos, principalmente os três maiores e com grande significado:

  • Kofukuji – o maior Pagode japonês
  • Todaiji – o grande Buda
  • Kasuga – templo das lanternas vermelhas

Kofukuj – o maior Pagode japonês

Arquivo: Kofukuji0411.jpg

Foi por muito tempo o templo mais influente, pois foi construído pela importante família Fujiwara, com a doença do patriarca sua esposa mandou a construção do templo consagrada aos budistas. Erguido na cidade Yamashina em 669, foi transferido para Nara ao se tornar capital, em 710.

Era um conjunto arquitetônico com pelo menos seis grandes edificações, destacando-se o Pagode de cinco cúpulas que demonstrava a força dos que haviam erigido.  A força dos monges que cuidavam do templo e suas relações políticas com os Fujiwara perduraram por longo tempo, mesmo depois da transferência da capital para Kyoto.

Várias vezes o templo foi invadido e incendiado nas guerras civis pelo poder, dos seis palácios apenas dois chegaram até nós, sendo o principal o Pagode integralmente preservado, imponente e com a fama de ser o maior do Japão. Ele realmente impressiona quanto mais nos aproximamos mais ele se parece maior. Imagino o trabalho humano de deslocá-lo por quase 50 km de onde fora construído originalmente.

Todaiji – o grande Buda (Daibutsu)

Arquivo: den Daibutsu em Todaiji Nara01bs3200.jpg

O templo Todaiji foi construído por volta do ano de 750 DC depois de um grande período de instabilidade política e de doenças graves na capital do império, inclusive a morte de um príncipe sucessor.

O Imperador Shomu liderou o pedido de ajuda a população para que se envolvesse diretamente na construção do templo e do grande Buda, pois assim pelo exemplo de humildade de Buda este retribuiria com paz e livraria a população das doenças e desastres. Este esforço levou com mais de dois milhões e meio de japoneses de todas as regiões doassem bens para construção da imensa obra.

Tudo impressiona neste templo, a sua entrada protegida pelos dois guardiões gigantes Agyo e Bishamoten , seu pórtico imenso e a os 50 metros de altura do templo dão a grandiosidade desta belíssima construção. Ao lado da imagem há uma coluna de madeira com mais cinco metros de diâmetro ela foi vazada e aquele que a atravessa sua próxima geração será iluminada.

O pavilhão central tinha dois pagode com 100 metros de altura, a grande casa de Buda hoje tem 50 metros de altura a estatua original media 16 metros, uma coisa gigantesca, sofre com dois terremotos e incêndios mas hoje tem as seguintes medidas:

  • Altura: 14,98 m
  • Rosto: 5,33
  • Olhos: 1,02 m
  • Nariz: 0,5 m
  • Orelhas: 2,54

A estátua pesa 500 toneladas

Se no templo Zen sua mente tinha que entrar em perfeito estado de equilíbrio para que enxergasse todas as pedras do jardim para você chegar à iluminação, neste é seu corpo que terá que minguar para atravessar a coluna pelo mesmo objetivo. De um lado a aridez do jardim de pedra de outro a fenda na madeira são caminhos simbólicos para luz.

Arquivo: NaraTodaijiL0219.jpg

Sim a Luz que a clarabóia deixa penetrar o salão escuro reforça o brilho da imensa estatua de Buda, a construção dos olhos que fixa o visitante em qualquer ângulo do imenso salão, nos avisa que ele nos olha e acolhe. Aquela luz rebate na imagem e chega até nossos corações emociados. Nunca me senti tão iluminado como ali.

Pictures of Japan : 6530 nara todaiji daibutsu den - todaiji buddhist temple hall of the great buddha

Kasuga – templo das lanternas vermelhas

Inside, Minamimon (South Gate), Kasuga Taisha Shrine, Nara, Kansai, Japan

O templo das lanternas vermelhas foi construído em 768 DC pela família Fujiwara em homenagem as mulheres da casa imperial, sua longa alameda com as 3000 lanternas são de tirar o fôlego.

Este templo dedicado ao xintoísmo pela tradição tinha que ser demolido e reconstruído a cada 20 anos para que a pureza fosse conservada. As lanternas eram doadas por pessoas comuns em ato de fé e eram acesas todas as noites, mesmo de bronze em contraste as paredes vermelhas, quando acesas dão o tom avermelhado como se o sol continuasse a brilhar. Estas reconstruções foram constantes até 1863.

KASUGA SHRINE in spring[example]©Nara Prefecture/©JNTO

Hoje o templo é usado para cerimônias como “batismo” e principalmente casamentos, mas precisa ser muito rico para realizar uma cerimônia ali. Tem que mais rica ainda para que seja noturna. Por uma feliz coincidência quando estava lá assisti a um “batismo” e um casamento. Aqueles jardins de glicínias e o templo com as lanternas são absolutamente lindos.

#GenteDiferenciada : O novo está nascendo?

A bandinha mandando ver

O movimento #GenteDiferenciada foi uma reação extremamente politizada e bem humorada a uma frase, um ato falho, de uma psicóloga(??), moradora do aristocrático bairro de Higienópolis: “Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”

A frase simbólica representava o repúdio à implantação de uma estação de metrô no bairro, um abaixo-assinado com 3500 assinatura foi entregue ao Governo de São Paulo e aceito como desejo da comunidade de Higienópolis demonstrando todo seu compromisso com a parcela mais rica e privilegiada da cidade. Uma cidade carente de transporte público sonega o direito aos trabalhadores que ali labutam a facilidade de se locomover e chegar no horário e ter uma melhor qualidade de vida. Tudo isto em nome de um grupo que, em regra, não precisam de horários rígidos ou se incomodam de andar com seus ricos carros de luxos ou seus helicópteros.

Criatividade nos trajes de #gentediferenciada

Através do Facebook e Twitter começou um Hashtag viral: #GenteDiferenciada e a convocação de Churrascão desta gente diferenciada em frente ao templo de consumo do bairro, o que parecia apenas uma brincadeira dos que apenas se revoltam desde seus sofás virou um movimento de fato, uma inusitada manifestação seguiu pelo bairro, mostrando uma nova cara, uma nova forma de exercício de cidadania. As caras espantadas nas janelas no começo deram lugar a sorrisos, houve um entendimento que as pessoas ali embaixo não eram contra o bairro, a comunidade.

Nas janelas depois do "susto" apoio e sorrisos


Alguns se excederam via Twitter e Facebook descambando para frases anti-semitas, mas a imensa maioria passou ao largo destas manifestações, inclusive foi de grande utilidade a frase anti-semita do CQC, pois dali se diferenciou os que querem o novo dos escatológicos oportunistas. No ato houve um repúdio generalizado ao CQC com corinho impublicável, mas bem humorado como todos os outros. Até nisto a manifestação foi célebre.

Carrinho Multimídia(novo) e charanga(Antigo) dialogando


O clima nas ruas de Higienópolis era de festa, nos olhávamos e sabíamos que de alguma forma estávamos fazendo história, mexendo com temas caros a uma grande metrópole:

1)   Para quem se deve governar;

2)   Transporte Público e ocupação urbana;

3)   Cidadania e urbanidade;

A Velha Mídia é Velha mesmo


Mais ainda este movimento foi fora de qualquer estrutura: Partidos, Sindicatos, entidades estudantis, mesmo os grupos que se acham “donos” do “cyberativismo” foram pegos de surpresa, entraram com o bonde andando, mas sem poder de definir nada, provando que na rede “ninguém é de ninguém”. foi espontâneo, viral, algo que já ocorreu nas revoluções no Egito, por exemplo. Os números são secundários, a mídia quer dar peso em algo que não pesa, querem desqualificar o novo, o inusitado, agem como o establishment, lembrou-me exatamente o comportamento da TV estatal egípcia que mostrava ruas vazias enquanto a Al jazeera mostrava a revolução em Tahir, exceto o portal Terra Maganize ninguém cobriu ao vivo e captou o sentido do ato.

Dezenas de articulistas da mídia tradicional queimam papel e pestana para desqualificar o inqualificável, não tem como enquadrar na lógica formal de movimento o que é o #GenteDiferenciada, que pode ser apenas uma chuva outonal ou um novo movimento político, que nasce de uma geração que não aceita caciques nem políticos, nem midiáticos, tocados por coisas concretas, que explodem sempre numa sociedade de classes e polarizada.

São sintomáticas que este novo momento decai velhas estrelas, basta ver a reacionária entrevista do Caetano Veloso, é emblemático, o velho, não de idade, mas de espírito não captar o que se passa na rede, como bem definiu a Vange Leonel ( @vleonel ): “A rede é passagem, é fluída”. Esta luta encarniçada da velha mídia, velhas formas de artes baseadas no “mando” dará lugar uma visão mais anárquica, mas muito mais crítica e radical à sociedade de consumo.

As bases de algo novo estão surgindo no mundo, na periferia, nas lan houses, na nova forma cifrada de se comunicar, de pensar a vida de forma mais simples e descomplicada. O #GenteDiferenciada é a representação deste novo, quem foi e viu sabe do que falo. Grande passo é ir aos bairros da periferia e misturar tudo num novo movimento

Felicidade e confraternização das novas gerações