São Paulo – Quando o amor acontece

 

 

 

 

Ontem, como sempre faço de segunda a sexta, acordei muito cedo, um frio de matar, preparei café da minha filha e meu, conversamos rápido e saímos, para que o rodízio não me pegasse. Ao sairmos da garagem aquela paisagem de Fog londrino bateu forte na minha alma, lembrei-me nitidamente do dia que decidir viver em São Paulo.

Descobrir São Paulo, é descobrir o amor para toda vida


Estas coisas não têm muita explicação batem em si e a decisão é imediatamente. Em 1986, morava em Fortaleza, fazia Escola Técnica Federal e era líder estudantil, resolvemos participar de um encontro de estudantes de escolas técnicas em, Curitiba, naquela época não era simples sair de Fortaleza e ir a Curitiba, passagens aéreas eram caríssimas e movimento estudantil saindo da ditadura ainda era incipiente. Conseguimos passagens de ônibus e fomos até a capital paranaense.

A longa viagem e o excelente encontro nos animou a passar em São Paulo para aprofundarmos alguns contatos e acertos na sede da UBES. Um grande amigo do PC do B tinha um cunhado que morava em São Bernardo e garantiu o lugar para ficarmos por dois dias. Partimos de Curitiba num fim de tarde e chegamos já tarde da noite em São Paulo.

No outro dia pela manhã, dei-me conta que estava na mítica São Bernardo das imensas lutas que efetivamente derrubou a ditadura, o companheiro que nos abrigou era militante sindical metalúrgico e nos contou sobre como era o sindicato, quem era Lula, Meneguelli e um novo quadro Vicentinho, nordestino como nós, aquilo foi uma aula para meus 16 anos.

Chegamos a São Paulo umas 10 da manhã e aquela névoa, aquele clima frio, aquela confusão de carros, a estação de metrô, falou alto no meu coração, fomos à sede da UBES na Ana Rosa, dali ao Centro Cultural Vergueiro, que naquela época era point intelectual, flanamos pela livraria Pau Brasil (Hoje o dono daquele espaço revolucionário é meu amigo). Aquilo tudo era encantador demais, respirava-se política e democracia.

Nosso grupo era heterogêneo politicamente: Elias do PC do B, Cecília, Guilherme do PT, na época não tinha filiação partidária, era próximo de um grupo que saíra do PCB com Prestes, mas rompera com ele porque fora ao PDT. Então era muito bom o debate, as discussões que na época girava em torno do Plano Cruzado, apoiado pelo PC do B e criticado por nós. Preparavam-se as eleições para o congresso constituinte, o PC do B fazia aliança preferencial com o PMDB/Sarney, e mais debate.

Mas o clima era muito bom, o debate era de bom nível, todos sonhando com as grandes mudança que viriam, neste mesmo dia a noite, revelei aos amigos: “Gostei de São Paulo, quando terminar Escola Técnica virei morar aqui”. Eles riram sem acreditar, despontava como uma grande liderança estudantil em Fortaleza, jamais sairia de lá.

Mas eles não entenderam que eu fora picado pela paixão que São Paulo desperta algo inexplicável, sem lógica, como é próprio do amor, são segredos do coração e da alma. Muitos nascem aqui, mas não escolheram morar aqui, eu não nasci aqui, mas conscientemente escolhi viver aqui. A imagem da névoa e a constante garoa deste ano renovaram meu Amor a minha cidade.

 

PS: Terminei Escola Técnica dia 15/07/1989, dia 17/07/1989 comprei passagens para ir a Goiânia para um congresso e depois dele em 22/08/1989 estava aqui. Qual sua história?

 

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