Crise de Projetos e o Caso Jobim

 

 

 

 

Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão, porém, é transformá-lo. (Teses sobre Feuerbach – K. Marx)

 

Crise dos Projetos políticos

 

A esquerda, em sua longa crise de letargia, ainda não forjou um novo paradigma na luta contra o capital; aqueles (trotskistas) que achavam que a revolução se abria com a queda do Muro de Berlim não conseguiram encontrar seus “novos/velhos Soviets”. Muito menos a direita achará seu “Estado mínimo” após a queda de Wall Street.

 

A questão é complexa para os dois lados. Buscar teoria já testada é necessário, porém mundo não é o mesmo de 1917 e nem dos anos do Pós-Guerra. Este é desafio da direita e o nosso, da esquerda: entender o mundo parece secundário, mas ambos (direita e esquerda) dão respostas com receituário velho para novas doenças. Agora empatamos o jogo, estamos sem armas e certezas absolutas.

 

Claro que a situação é melhor, já não sofremos o massacre político-ideológico dos últimos 20 anos, mas também não nos conforta saber que fomos incapazes de repensar nossos conceitos, nem o velho Marx conseguimos entender. Neste tempo todo não temos feito nada de concreto, alternativo – apenas resistir é muito pouco.

 

Inflexão do PT ao centro e do PSDB à direita

 

No Brasil, a esquerda brasileira (PT) ocupou um espectro mais amplo, tomou o centro do PSDB; sobrou apenas a direita mais raivosa, fundamentalista. Este deslocamento de forças e projetos ainda não se deu por completo no imaginário popular. O PT ainda é identificado como esquerda raivosa. Muitos “absorveram” Lula, mas é fato que ainda temem o PT. Isto foi reforçado por um discurso extremamente preconceituoso de Serra, que afaga a direita.

 

A mobilidade do PT rumo ao centro independeu de Lula. Foi assim porque a realidade o empurrou ao centro — para ter maior interlocução com outras forças que fazem o jogo político no Brasil, tirando do PSDB a hegemonia na sociedade.

 

Entender o que estava em jogo é a mais importante das tarefas de cada militante. Há que explicar pacientemente a cada um as questões subjacentes aos grandes debates, que novas e velhas demandas aparecem ou reaparecem com força, mas não podemos nos agarrar a este debate menor e esquecer a luta principal.

 

Durante a última campanha eleitoral, a partir de uma inflexão da candidatura de centro-direita, representada por Serra, à direita mais raivosa, com algumas nuances neofascistas, o debate foi empobrecido por temas de costumes (aborto, religião), e não políticas totalizantes – como a questão do Estado, da economia, perspectivas da relação do Brasil com o G20 e agenda para entrarmos noutro patamar de país que emerge do ambiente pós-crise de setembro de 2008.

 

Rebaixado o debate político, talvez pela leitura de que seria impossível derrotar a candidatura governista nos marcos de um debate programático mais elevado, mais ainda pela total falta de projeto alternativo ou que pudesse efetivamente se diferenciar, a opção foi reduzir e insuflar uma campanha que beirou o ódio, os temas relacionados aos costumes.

 

Esta campanha muito lembrou a sucessão Clinton nos EUA em 2000, em que Al Gore, representante governista, enfrentou dura campanha difamatória com estes temas moralistas, em particular o comportamento sexual de Clinton. A agenda política foi esquecida e um movimento esquizofrênico patrocinado pela direita “pentecostal” levou Bush Jr a “ganhar” a eleição no Supremo.

 

Aqui houve a tentativa de tornar público o passado de Dilma para demonstrar que ela fez a luta armada, que era terrorista, combinada à necessidade de dizer que ela era um “poste”, que seria manipulada por José Dirceu, por Lula – como se uma mulher não fosse capaz de assumir o poder e dirigir o destino do país. Criou-se um caldo de cultura reacionário, apelativo, que muitas vezes fez submergirem antigas forças de extrema-direita, que sempre existiram em SP, mas estavam condenadas ao gueto. A velha TFP, que auxiliou o bispo de Guarulhos com seus panfletos absolutamente vis, não por acaso impressos numa gráfica de membros do alto comando do PSDB, não deixa dúvida de onde partiu e se incentivou este caminho. É o que chamo de abrir a “Caixa de Pandora” do ódio, de preconceitos regionais e de posições sobre sexo, aborto e vida.

 

Agora, com o caso da Noruega, percebemos o verdadeiro fantasma que ronda a Europa: é uma onda neofascista de intolerância, agravada pela crise econômica, com piora no nível de emprego e de condições de vida. Os imigrantes, antes tão úteis aos europeus, agora são vistos com ódio por “roubarem” os subempregos.

 

Jobim votou no Serra? Qual novidade?

 

Desta parte é bem representativa a Folha de SP, com sua atitude quixotesca de lutar contra o PT, que virou sua bandeira. Isto se expressa em seu ataque ao ENEM, à CPMF e em sua atitude de tolerar e abrir espaço a manifestações neofascistas em suas paginas,em matérias com representantes destas posições – como se fosse democrático dar espaço a este tipo de gente.

 

Às vezes as coisas são mais simples do parecem, mas adoramos complicar, buscar soluções intricadas, mas elas estão bem na nossa frente. Para quem não sacou ainda: Jobim é um agente provocador, a mídia é a favor de golpes, “mais oito anos de governo do PT, mesmo meia-boca, não vai dar”; então, reflitamos:

1) Por mais que o governo do PT não toque nem de leve na questão do poder, a sua simples existência é uma excrescência para o grande capital;

 

2) Todo dia o PT pede a bênção aos banqueiros, capitães da indústria e mídia, mas todos os dias eles se “lixam” para o PT, notadamente via sua mídia;

 

3) Mas aqueles que acham que a luta de classes é feita no sofá em frente ao PC (não aquele PC, lembram?) não devem cobrar do PT, pois NUNCA, desde 1992, ele prometeu lutar pelo PODER: conforma-se em ser apenas GOVERNO – e confiável;

 

4) Que fique claro: o PT não quer o PODER, quer apenas fazer um bom governo, dentro dos limites do Estado burguês. E, mais: se conseguir aliança com parcela da burguesia, ótimo;

 

A questão que fica é: por que é maravilhoso sempre culpar o outro pelo que não fizemos? Chamar alguém de traidor parece mantra indicado em psicologia para aliviar nossas próp
rias limitações.

 

Amy e o Páthos do Herói

 

 

Definição do Herói

 


 

“O herói é aquele que se exaure na sua missão, vive para a sua causa. Como seres que não são deuses nem humanos, são intermediários entre o mundo da consciência e o inconsciente. São “daímones”, são o traço-de-união entre o mundo dos homens e o mundo divino” (Junito de Souza Brandão)

A morte de Amy Winehouse  e o grande post do meu amigo Ricardo “Klaxon”( “don’t go to strangers” ) me fez entender melhor sobre ela, confesso que não a conheço com profundidade suficiente para admirá-la mais ainda, mas a visão do amigo colocou luz no meu caminho. Afora o grande vídeo que ele apresenta no final, que ele me diz no Gtalk: “Ela vivia num mundo paralelo, parece distante no dueto, mas aquilo era ela mesma”

Refletindo sobre isto neste fim de semana me fez lembrar um texto que escrevi não faz muito tempo em que descrevo A questão do Herói – Grécia sopra sobre nós , algum dos elementos essenciais do mito do herói foi incorporado por gênios nas artes, em especial cantores e atores, até a sua morte em tenra idade completa o arquétipo do mito.

Vejamos num dos trechos a citação de Angelo Brelinch na sua obra sobre os heróis,”Gli Eroi Greci”, ele nos ensina sobre estrutura morfológica dos heróis:

“virtualmente, todo herói é uma personagem, cuja morte apresenta um relevo particular e que tem relações estreitas com o combate, com a agonística, a arte divinatória e a medicina, com a iniciação da puberdade e os mistérios; é fundador de cidades e seu culto possui um caráter cívico; o herói é, além do mais, ancestral de grupos consangüíneos e representante prototípico de certas atividades humanas fundamentais e primordiais. Todas essas características demonstram sua natureza sobre-humana, enquanto, de outro lado, a personagem pode aparecer como um ser monstruoso, como gigante ou anão, teriomorfo ou andrógino, fálico, sexualmente anormal ou impotente, voltado para a violência sanguinária, a loucura, a astúcia, o furto, o sacrilégio e para a transgressão dos limites e medidas que os deuses não permitem sejam ultrapassados pelos mortais. E, embora o herói possua uma descendência privilegiada e sobre-humana, se bem que marcada pelo signo da ilegalidade, sua carreira, por isso mesmo, desde o início, é ameaçada por situações críticas. Assim, após alcançar o vértice do triunfo com a superação de provas extraordinárias, após núpcias e conquistas memoráveis, em razão mesmo de suas imperfeições congênitas e descomedimentos, o herói está condenado ao fracasso e a um fim trágico”.

 

Píndaro definia que existiam três categorias de seres: Deuses, heróis e homens, Platão acrescentou “Demônios” como uma quarta. Com esta visão, os heróis trazem em si algo dos deuses e muito de nós reles humanos, sua figura sobre-humana causa em nós espanto, amor, respeito, mas também uma profunda inveja de seus feitos e talentos.

Heróis cumprem aos nossos olhos missões de grande valor por sua força descomunal, sua arte apurada, mesmo na tenra idade ele já apresenta dotes jamais imaginados, Heracles no berço mata duas serpentes, Ártemis já era excelente caçadora. Mozart aos quatro anos já tocava com maestria e suas primeiras sinfonias ele contava com 11 anos. Michael Jackson cantava melhor que os irmãos quando ainda era criança.

 

A questão da morte do herói


A extrema precocidade na vida de um herói é uma espécie de antecipação pois em regra a vida é breve. As escolhas que fazem também são trágicas. Aquiles com vinte anos é perguntado por sua mãe:

“Se for a guerra de Tróia você morrerá muito novo, porém será eternizado por sua bravura heróica, mas se não for será um excelente rei e viverá longamente com larga prole. O que preferes?”

Aquiles, herói por excelência não vacila, prefere morrer jovem e brilhar intensamente, para que três mil anos depois ou louvemos.

 

Escrevi ainda no texto sobre a morte do Herói:

“Se o herói tem um nascimento difícil e complicado; se toda a sua existência terrena é um desfile de viagens, de arrojo, de lutas, de sofrimentos, de desajustes, de incontinência e de descomedimentos, o último ato de seu drama, a morte, se constitui no ápice de seu páthos, de sua “prova” final: a morte do herói ou é traumática e violenta ou o surpreende em absoluta solidão.”

Jonh Bonham com 5 anos já tocava em latas e caixotes, muito jovem se junta a Page e Robert Plant e ainda hoje é reverenciado como o maior baterista do Rock, é quase impossível não se mexer ao ouvir “Rock and Roll” e sua poderosa batida. Bonham morreu com apenas 32 anos asfixiado no próprio vômito, mas deixo o legado como se toca uma bateria.

Janis Joplin e Jimi Hendrix morreram como 27 anos no espaço de duas semanas, ela 4 d outubro e ele 18 de setembro de 1970. Foram absolutamente espetaculares ele com a guitarra que se incendiava em suas poderosas mãos. Janis com sua voz inconfundível e interpretações geniais. Noel Rosa o mais original dos sambistas com seus versos perfeitos, seus amores tórridos e sua boêmia, viveu no limite e também se foi aos 27 anos. Agora Amy na mesma idade também se vai.

 

No momento que o herói se revela plenamente sua vida e alma não mais lhe pertencem. Eles passam a viver intensamente para que sua arte lhe dê crédito e vida posterior, no íntimo sabem e desejam profundamente a morte, que será sua própria libertação. Todos eles brilharam intensamente em breve espaço de tempo, que não se medirá jamais em anos, mas na sua arte, no que mudaram na sua curta passagem.

 

Jasão, Medéia e os Argonautas

 

 

“Estamos perdidos, se ao mal antigo juntamos um novo, antes de aquele ter murchado.” (Medéia  – Eurípedes)


A origem de Jasão



Jasão era filho de Esão, rei de Iolco, porém teve seu trono usurpado pelo meio-irmão Pélias, tendo Jasão ainda criança vivido no exílio, período em que foi cuidado pelo grande Centauro Quíron o preceptor de grandes heróis como Aquiles, o maior herói grego da guerra de Tróia. Completado seu treinamento, o herói retorna a Iolco para reivindicar seu trono.

Porém, Pélias ao velo fica assombrado com uma antiga profecia que dizia que um jovem tomar-lhe-ia o trono. Usando de um ardil propõe ao sobrinho que este lhe traga o Velocino de Ouro. Que se assim o fizesse teria seu trono sem luta e demonstraria sua grandeza. Jasão convoca em toda Grécia homens e heróis dispostos a uma longa viagem em busca do Velocino de Ouro. Rapidamente cinqüenta e cinco heróis se apresentam para grande aventura, cheia de perigos, mas com certeza, seus feitos seriam cantados em toda Grécia.

Velocino de Ouro fora dado por Zeus a Frixo, que seria sacrificado junto com se irmão Hele aos deuses, como forma de atendimento de um oráculo. Hele caíra no mar formado o Helesponto. Quanto a Frixo de posse do carneiro de ouro viaja até a Cólquida lá é recebido por Eetes, rei da cidade e recebe Calcíope,filha do rei, como esposa. Frixo sacrifica o carneiro de ouro a Ares, guardando a pele numa árvore, protegida por um dragão.

 

Os Argonautas

 


Jasão constrói a mítica Nau chamada Argonauta, marinheiros de Argos. A saída para grande aventura rumo à Cólquida dar-se em grandes festejos, saindo de Pasaga na Tessália, entre os grandes heróis se destacam, além de Jasão, que contava apenas com 20 anos de idade, seria seus companheiros Herácles (Hercules), Castor e Pólux os gêmeos irmãos de Helena e Clitemnestra. Zetes, Cálais, Polifemo, Admeto, Cefeu. Argos fora o construtor do Navio e Tífis, ensinado por Palas Atená será seu piloto. Orfeu além de cantar para ritmar as remadas, também usará sua bela voz para combater as canções de sedução no mar das Sereias.

A longa viagem leva os Argonautas a muitos portos, entre os quais a ilha de Lemnos, cujas mulheres tinham matado todos os maridos, os heróis deitaram com elas e produziram novos filhos. Passaram pela Samotrácia e lá os Argonautas fizeram os ritos iniciáticos aos mistérios da Cabiros, que são os ritos de proteção aos marinheiros.

Ao chegar à Trácia eles foram recebidos por Fineu, o cego que era admoestado pelas Harpias, em agradecimento Fineu deu-lhes todas instruções de como atravessar as temíveis Ciânes, os Rochedos Azuis, também conhecidas como: Sindrômades ou Simplégades. A mítica travessia do Bósforo, Helesponto, seria cumprida pelos Argonautas.

 

A conquista do Velocino de Ouro

 

Jasão finalmente aporta na Cólquida e se apresenta na corte de Eetes, falando qual o objetivo daquela empreitada. O rei refletindo sobre o estrangeiro concede-lhe o direito de ter o Velocino de Ouro desde que ele vença uma dura prova, que era impossível de cumprir. Consistia no seguinte o desafio:

“pôr o jugo em dois touros bravios, presentes de Hefesto a Eetes, touros de pés e cornos de bronze, que lançavam chamas pelas narinas e atrelá-los a uma charrua de diamante; lavrar com eles uma vasta área e nela semear os dentes do dragão morto por Cadmo na Beócia, presentes de Atená ao rei; matar os gigantes que nasceriam desses dentes; eliminar o dragão que montava guarda ao Velocino, no bosque sagrado do deus Ares.” (Junito de Souza Brandão)

A filha do rei Eetes, Medéia perdidamente apaixonada por Jasão, secretamente encontra-se com ele e com seus poderes mágicos promete ajudá-lo, desde que ele a leve para Europa. Jasão, desejoso de cumprir sua missão, concorda com a ajuda de Medeia. Recebe dela um bálsamo que o torna invulnerável ao ferro e ao fogo, ela o aconselha que ainda que ao nascerem os gigantes dos dentes de dragão, deve jogar uma pedra em um deles, fazendo parecer que fôra o outro, ambos entrariam em luta até a morte. Por fim Medéia faz adormecer o dragão que protege o Velo de Ouro. Jasão o mata durante o sono.

Perplexo com o cumprimento da tarefa, pelo estrangeiro, sem desconfiar do ardil, Eetes, recusa-se a permitir que Jasão se vá e leve o Velo. Preso nos muros da cidade, mais uma vez, a determinada Medéia ajuda-o. Seqüestra o próprio irmão e foge com Jasão. Eetes percebe a fuga e convoca seu exército para persegui-los. Medeia para atrasar a perseguição do pai, mata o irmão, despedançado-o, jogando cada parte dele num lugar. Eetes perde grande tempo, juntando os pedaços do filho, facilitando a fuga dos Argonautas.

 

O retorno para Iolco

 

 

A viagem de retorno é extremamente acidentada, os crimes cometidos por Medéia revolta os deuses, apenas Hera, que a protege. A nau passará por vários e assombros perigos, saindo da Cólquida (Geógia), atravessam o Mar Negro, navegam pelo Danúbio até o Adriático, mas a ira de Zeus faz com a Nau se perca no mar acaba chegando rio Erídano (Pó) e Ródano por fim desemboca no Mediterrâneo, aí chegam às costas da Sardenha. Na ilha de Eéia, a ilha de Circe, a feiticeira, tia de Medéia a recebe, purificando-a, para que assim continuem a viagem, mesmo ela recusa-se a receber o impuro Jasão. Refeitos parte rumo a Iolco, passam pelo mar das sereias e graças a voz de Orfeu, não enfrenta problemas, mas uma nova tempestade os joga para costa africana. Depois ainda enfrentam Cila e Caribdes. Até aportarem primeiro em Creta e a livram do gigante Talos que amendrotava a Ilha de Minós. Depois vão direto a Corinto e consagram a Nau ao Deus Posídon.

O retorno a Iolco com velo de ouro é a garantia da devolução do trono por Pélias ao sobrinho Jasão, porém mais uma vez o rei recusa-se a cumprir a promessa. Medéia usando de suas artes mágicas convence as filhas de Pélias de que podem rejuvenecê-lo, desde que o cozinhe com determinadas porções que só ela tem. Para isto Medéia pega um velho carneiro e o corta em vários pedaços, joga-o num caldeirão, surgindo dele um belo cordeiro. As filhas de Pélias certo do poder mágico apresentam-se ao pai milagre, este desejoso de juventude para combater o sobrinho, aceita. Claro que as filhas só percebem o ardil quando o pai já se acha morto. Acasto, filho de Pélias assume o trono de Iolco.

Mais uma vez Jasão e Medéia têm que abandonar uma cidade. Eles se exilam em Corinto, sendo bem recebidos por Creonte (não confundir com o outro Creonte, de Tebas, irmão de Jocasta), passam a viver tranquilamente nos arredores da cidade, criando seus dois filhos. É desta parte que se inicia a famosa tragédia Medéia de Eurípedes.

 

A traição de Jasão a Medéia

 

Creonte já envelhecido não tendo sucessor ao trono de Corinto resolve oferecer a Jasão sua filha Glauce (ou Créusa) em casamento, para isto ele tem que repudiar Medéia. Jasão sem pensar muito aceita prontamente a oferta, assim cumpriria o destino de ser rei.

Desolada e mortalmente ferida pelo abandono, Medéia, prepara novos ardis para amaldiçoar a traição do marido, a quebra da jura de amor. Medéia apela para sua mãe à deusa da noite sombria, Hécate. Medeía tece um lindo véu e uma tiara e manda que os filhos ofereçam a futura esposa de Jasão, numa forma de demonstrar que aceitava o novo enlace do marido.

“Se ela aceitar estes atavios e com eles se engalanar, perecerá horrivelmente e, com ela, quem a tocar: tal o poder dos venenos com que ungirei meus presentes” (Med,787-789)

Irrefletidamente a jovem encantada com a beleza do véu e da bela tiara, veste-o e põe à tiara na cabeça, rapidamente ambos pegam fogo, o pai tenta ajudar a filha, mas a maldição dos objetos afeta qualquer um que o toque. Creonte morre queimado junto à filha, seu palácio se incendeia. A população se revolta contra Jasão e sua ex-mulher.

Medéia, ainda não satisfeita, mata os próprios filhos, no templo de Hera, sua protetora, em suas palavras:

“Mas aqui mudo minha maneira de falar

e gemo sobre o que terei de fazer a seguir:

matarei meus filhos queridíssimos e ninguém pode salvá-los.

E, quando tiver aniquilado toda a família de Jasão,

sairei desta terra, expulsa pelo assassinato de meus filhos

queridos, e pelo crime horrendo que tiver ousado cometer.”(Med 790-796)

Medéia foge para o exílio mais uma vez, vai viver em Atenas sob a proteção do juramento de Egeu. Lá acaba encontrado o seu funesto destino. Uma variação do seu mito dar conta que ela volta para Cólquida e ajuda o seu pai a retomar o trono perdido, para o irmão Perses, nesta versão Medéia não morre, ela é transportada para ilha dos bem-aventurados (ou Campos Elísios) tornando-se esposa do Herói Aquiles. Em suas palavras encontramos a sua melhor definição:

“a paixão é mais forte em mim do que a razão” (Med 1079)

 

Quanto a Jasão se une a Peleu que era inimigo de Acasto, e com a ajuda dos Dioscuros (Castor e Pólux) seus companheiros no Argonauta, derrotam as tropas do rei e destroem a cidade. Jasão assume o trono da cidade destruída, mas atormentado pelo passado, abandona o trono entregando-o ao seu filho Téssalo. Durante o sono sob o Argonauta acaba morto com a queda de uma viga que se desprende da nau.

 

O que seriam Jasão e Medéia?

 

Os atos heróicos incompletos de Jasão tornam o conhecido como herói indeciso e vacilante, incapaz de cumprir seu destino. Desde abandono de Hipsípila, rainha de Lemnos, grávida de gêmeos, quando ainda do início da viagem à Cólquida, com a promessa de retorno, jamais cumprida. Até a quebra da jura de amor a Medéia. Passando pelo erro grave de aceitar a ajuda de Medéia na tarefa que era sua, a conquista do Velocino de Ouro, não foi uma tarefa verdadeiramente heróica.

Sua união a atormentada Medéia, que representa as forças ctônicas das antigas deusas orientais, compõe o quadro da tragédia dos dois personagens. Atados por destinos funestos, apenas Medéia efetivamente foi o que sempre a natureza esperava dela, seus ardis fazem parte do seu ser. Medéia é a personificação de divindades orientais que chegaram à Grécia, mas que perderam força no culto, mas permaneceu viva na memória, na psique do povo.

Em oposto, Jasão, cuja natureza de Herói não se cumpriu plenamente. Seu legado mitológico é a primeira viagem do ocidente ao oriente, feito depois repetido na guerra de Tróia. A navegação marinha tem em Jasão seu primeiro capitão do mar e o Argonauta o primeiro barco. Os heróis portugueses lembravam os Argonautas quando vieram à América. Assim como a conquista do espaço é parte desta mesma tradição, que fincou suas pegadas no inconsciente coletivo.

Alguns links interessantes sobre Jasão e Medéia:

O Livro  Euripedes – Medeia

Maria Callas interpretou Medéia no cinema em 1969 de Pier Paolo Pasolini (grande filme)

Bem-vindo Companheiro Lula

 

 

 

 

Hoje com grata surpresa deparei-me com a notícia de que o ex-Presidente Lula veio definitivamente para Internet com a entrada no ar de forma decidida do Instituto Cidadania uma excelente iniciativa sem dúvida, que quero parabenizar e reproduzir seu primeiro post-vídeo de boas-vindas.

 

 

Sorte companheiro, espero que este pequeno espaço possa dialogar com sua grande caminhada.

Crise 2.0: Itália – um "case"de insucesso

 

 

“Deixai, ô vós que entrais, toda a esperança” (canto III, Infernum – Dante)

 

 

Perspectivas da economia e política italiana

 

 

Semana passada no Artigo sobre Europa ( Um fantasma ronda a Europa ), antecipei que e os problemas da zona do Euro parecia apenas da periferia:

 

“O reflexo deste imenso endividamento é a degola das economias mais periféricas, como Grécia, Portugal, Irlanda e mais presente Espanha. Estes países que receberam grande inversão de capitais para se adequarem à zona do Euro, hoje estão totalmente insolventes, tecnicamente falidos, vivendo da esperança de aporte da Alemanha e do FMI.”


Mas comecei a debater com os amigos que na minha opinião a  próxima economia a cair seria a italiana, por aspectos peculiares do seu desenvolvimento econômico e em particular a crise de representação política, os dois aspectos se retroalimentam incessantemente pelo menos desde 1992, com a operação mãos limpas:

1)      A operação mãos limpas foi um amplo processo político e judicial de limpeza das instituições republicanas;

2)     Os partidos tradicionais Democracia Cristã, Socialista e o Comunista sofreram duro golpe de credibilidade com a demonstração das suas relações incestuosas com a máfia;

3)     O resultado foi uma ampla reorganização no espectro político partidário italiano, mas que foi incapaz de evitar o pior: o ressurgimento burlesco do neo fascismo;

4)     Reagrupados em torno de figuras exóticas, em particular o magnata corrupto Berlusconi, rapidamente chegam ao poder, galvanizando a descrença generalizada nos políticos tradicionais;

5)     A chegada da Zona Euro inicialmente amenizou a situação interna de perda de competitividade e importância da economia italiana;

6)     A necessidade de canalizar recursos e reestruturar as economia que aderiam ao Euro, em certa medida beneficiou a Itália a não se foco de problemas;

7)     Mas a cambaleante economia local com altos índices de desemprego ou sub-emprego, larga precarização do mercado de trabalho jamais escondeu uma economia em crise acentuada;

8)    A combinação de governos bufos e economia baseada em grande endividamento público vão minando a Itália;

 

Uma economia em constate queda


A dívida pública é hoje de 1,80 trilhões de Euro, cerca de 120% do PIB, com um problema gravíssimo de vencimento dos seus principais títulos com valores superiores a 200 Bilhões de Euro até dezembro de 2011. Todo o foco da autoridade econômica européia está no resgate de Grécia e Portugal, com uma ampla preocupação no que se passa na Espanha e Irlanda.

 

A atual crise da dívida italiana não poderia vir em pior momento, pois internamente o Governo farsesco de Berlusconi está a cada dia em pior situação, seus problemas judiciais se acentuaram com a perda da ação do grupo Fininvest para Benedetti ex-controlador da Mondadori, que o premiê usurpou o controle em 1991. Além desta ação o premiê ainda enfrenta outras por corrupção, fraude e agora de incitação de menor à protituição.

 

Nem dentro do próprio governo há quem o defenda, a capa de primeiro ministro lhe é fundamental para dar-lhe proteção. Enquanto a economia caminha rumo ao desastre o bufão se diverte. Seria cômico se não fosse trágico. A irresponsabilidade parece que não tem fim, mas pouco há de esperança e alternativas. Entre um governo e outro de Berlusconi a coalização de centro-esquerda fez um péssimo governo. As máfias agem abertamente, o país se esfacela politicamente. O norte rico, ainda rico, não quer saber do sul cada vez mais pobre.

 

Quem vai pagar a conta?

 

 

A principal bolsa italiana, a de Milão teve dois críticos pregões na sexta e segunda(11/07) as agência de riscos, Moody’s e SP se debruçam na analise da economia italiana e os principais bancos dizem: “Enquanto as preocupações sobre a Espanha existem há tempos e já estão refletidas, os temores sobre a Itália são mais recentes”, aponta o Barclays Capital. (DCI, 12/07). A velocidade da contaminação e o tamanho do rombo não se sabe ainda, hoje formalmente a Itália é a terceira economia da Zona do Euro e uma de sua principais fiadoras.

 

Como sempre as soluções apresentadas pelas autoridades tanto italianas como da zona do Euro é que se monte pacotes econômicos de ajuste fiscal. Berlusconi  apresentou o seu propondo corte de 48 bilhões de Euros no orçamento, insuficientes para resgatar so 200 bilhões que estão a vencer, mas suficiente para jogar no colo dos trabalhadores mais uma vez a solução para crise.

 

Corte acentuado numa economia que “cresceu”0,1%  no semestre, com altas taxas de desemprego, elevada carga tributária, não faz o menor sentido, apenas alimenta as “boas” notícias para especuladores e agências de riscos. O reflexo para juventude, maior contingente de desempregado é mais desesperança. Quando voltarão a lutar?

“Do céu o Imperador, a rebeldia
Minha à lei castigando, não consente
Que eu da cidade sua haja a alegria” (Canto II – Infernum – Dante)

"Meia noite em Paris" ou em nossa alma

 

 

 

 

 

 

Viver olhando o retrovisor ou achar que o passado, não vivido por nós, é sempre melhor, cria certa ilusão de presente e futuro, como se a vida real e concreta fosse ruim ou por outro lado de que nossa existência é pouco significativa pois tudo de bom já fora feito ou criado, os gênios, os espetaculares artistas, heróis sobrando ao presente apenas olha pra trás.

 

O filme “Meia noite em Paris” traz uma profunda reflexão sobre um desejo corrente e comum de reviver uma época gloriosa, muitas vezes influenciada por nossas afinidades eletivas com escritores, cantores, pintores, grandes gênios que de repente freqüentam o mesmo lugar, no mesmo lapso temporal. Fôra assim na Grécia antiga, em particular no Século V e IV anterior a era cristã, ou durante o renascimento na Itália, mas no caso do filme é centrado na Paris do fim dos anos 20 do Século passado.

 

O fim da primeira grande guerra concentrou em Paris uma constelação de geniais artistas de vários lugares do mundo, era como se ali houvesse a necessidade de se gestar nova esperança à humanidade recentemente destruída pela força irracional da I guerra mundial. Esta reunião informal e a interação destes é uma retomada do Homem sob o animal, as festas as experimentações dão a medida de que algo de bom sobreviveu aos horrores da guerra.

 

A viagem afetiva, cultural, que nos propõe Woody Allen bate profundamente na alma, pois estamos num momento de extrema mutação da humanidade, os valores éticos e moras estão sendo pisoteados e destruídos pelo desejo desenfreado de poder e riqueza. O sogro do “Tea Party” em contraposição ao futuro genro “abobalhado” (Comunista) sonhador dá a medida dos novos embates da alma humana.

 

A “fuga” do roteirista, aqui ele se apresenta como alguém que vende a sua alma em troca de dinheiro, mas que vai a Paris numa tentativa de se redimir escrevendo algo além de diversão fast food. A grande fantasia de passar a noite com seus ídolos é nosso reencontro coletivo com o que temos de melhor na humanidade: Cultura, prazer e humanismo. A anabase (descida ao Hades – assim como fizera Dante para reencontrar suas referências) de Gil Pender (Owen Wilson – ou seria o próprio Woody rejuvenescido (?)) é a mais perfeita combinação de reflexão consciente e viagem onírica. Ali Gil Pender vira alguém de valor, ele pode ser ele mesmo.

 

A mais fascinante viagem é leitura de um livro bem ambientado, mas que genialmente Woody Allen nos dar oportunidade de descer a este mundo, viver, ouvir aqueles gênios como se um de nós fosse. A Catabase (retorno, subida) de Gil é seu perfeito entendimento e, nosso, é claro, de que viver o presente é tão ou mais importante do que ficar preso ao passado. A mensagem de sólida formação cultural, ética do passado nos torna melhores e mais interessantes no presente, podemos ser os continuadores destes. O fio que nos liga e nos molda no presente é o humanismo que jamais perdemos.

 

Woody Allen nos presenteia com esta obra prima, nossa alma sai cantando do cinema com Cole Porter ( Let’s do It ) , enamorado com a beleza e sensualidade de Adriana (, a caracterização surreal de Dalí, as aulas Gertrude  Stein e para fechar a frase do sogro “Tea Party” que manda Gil encontrar “Trotsky”, genial!

 

 

Crise 2.0:Um fantasma ronda a Europa: Dissolução do Euro?

 

 

 

 

“Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha.” Marx-Engels

 

 

Archivo:15-m.png

(puerta del Sol -Madrid- Espanha)

Relembrando o que escrevi em início de maio de 2011 sobre os problemas da economia mundial, particularmente pós-queda do “Muro de Wall Street” (15 de Setembro de 2008), a analise era centrada no imenso endividamento público das economias centrais e os vários planos engendrados tanto pelos EUA como pela Europa (Zona do Euro), segue in verbis:

“Segundo matéria do caderno de Economia do Estadão deste domingo, 24/04/2011, “A dívida de um punhado de países ricos aumentou em US$ 16 trilhões (mais que o PIB americano) desde 2007, e atinge hoje US$ 42 trilhões, ou 61% do PIB global, representando uma das principais ameaças à recuperação da economia mundial”.

E depois:

“A dívida pública que havia fechado 2007 em 26 trilhões, algo próximo a 47% do PIB mundial explodiu em menos de 3 anos para 42 Trilhões, apenas neste trio: EUA/ EU e Japão. Chegando assim a 61% da produção de riqueza anual de todos os países do planeta.”

Fechando com:

Segundo os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida bruta do governo americano saltou de 62% do PIB em 2007 para projetados 99,5% em 2011 (e deve chegar a 112% em 2016). “Hoje, a dívida está entre US$ 14 trilhões e US$ 15 trilhões.”

 

País Divida Pública 2007 Divida Pública 2011 %PIB %PIB
EUA 8,7 15,2 62 99,5
Zona do Euro 8,2 11,3 66 87
Japão 8,2 13,3 188 229

Fonte FMI

 

Agravamento da crise: Grécia e Portugal, Revolta na Espanha

 

Neste último mês e meio houve um recrudescimento das condições gerais das economias do PIGS ( Portugal, Irlanda, Grécia e eSpanha). No começo de junho Martin Wolf, principal editor e principal editor do Financial Time escreveu o provocante artigo : “Opções inaceitáveis na zona do Euro” em que, logo na primeira frase diz:  “A zona do euro, como foi concebida, fracassou” e mais relevante sintetizar num parágrafo a concepção central do Euro :

Supostamente, a zona do euro deveria ser uma versão atualizada do padrão-ouro clássico. Países com déficit externo recebem financiamento privado do exterior. Se esses financiamentos secam, a atividade econômica diminui. O desemprego, então, provoca queda dos salários e preços, provocando uma “desvalorização interna”. No longo prazo, isso deveria proporcionar saldos financiáveis nos pagamentos ao exterior e nas contas fiscais, embora somente depois de muitos anos de sofrimento. Na zona do euro, porém, grande parte desse financiamento flui por meio de bancos. Quando a crise vem, os setores bancários famintos por liquidez começam a entrar em colapso. Governos sujeitos a restrições de crédito pouco, quase nada, podem fazer para impedir que isso aconteça. Esse, então, é um padrão-ouro mantido por esteróides injetados no setor financeiro.

Olhando mais profundamente percebemos claramente os indicadores que levaram as economias periféricas da zona do Euro à bancarrota:

1)      Para entrar na zona do Euro: Portugal, Espanha, Irlanda e Grécia foram “agraciadas” com generosos empréstimos. Enricaram artificialmente;

2)     Cada um ao seu modo “gastou” o dinheiro recebido sem parcimônia, Portugal e Espanha comprando empresas na América Latina, posto que não podiam comprar na Europa;

3)     Estes países tinham um desenvolvimento tecnológico muito abaixo em relação aos países centrais com baixa produtividade, e padrão salarial inferior;

4)     Padrão de vida destes países sempre foi muito inferior aos de França/Alemanha/Inglaterra, como poderiam ter moeda comum?

5)      Engenharia de Maastricht foi inflá-los artificialmente, ajuste fiscal pesado, combinado com endividamento, tudo ia “bem” até 2008;

6)     Com a explosão da crise em 2008 os bancos exigiram liquidez imediata e q a conta vem sendo cobrada agora PIGS(Portugal,Irlanda,Grécia e Espanha) Têm que pagar

7)      As explosões sociais na Espanha, Grécia, com certeza chegaram a Portugal, a conta é alta, os sacrifícios serão enormes;

 

Economias falidas

 

O reflexo deste imenso endividamento é a degola das economias mais periféricas, como Grécia, Portugal, Irlanda e mais presente Espanha. Estes países que receberam grande inversão de capitais para se adequarem à zona do Euro, hoje estão totalmente insolventes, tecnicamente falidos, vivendo da esperança de aporte da Alemanha e do FMI.

As imensas subvenções européias ao sistema financeiro fez saltar o déficit publico de 3,3% em 2007 para 6% em 2009 e 2010, com cortes orçamentários para 2011 reduzir para 4,4%, sobrando assim pouco alento em salvar estes países que irremediavelmente sofrem todas as conseqüências do desastre econômico, apenas Espanha tem hoje 20,1% da população economicamente ativa desempregada. Portugal numa crise de governabilidade.

Números da Crise dos PIIGS
País Deficit Público Divida Pública x PIB Desemprego
Portugal 4.0 82.9 12.4
Italia 2.8 100.1 8.1
Irlanda 6.7 63 14
Grécia 5.3 117.2 15
eSpanha 5.3 60.9 20.9

Fonte FMI

Esta realidade catastrófica é exposta neste momento de aparente calmaria, depois do colapso profundo de 2008 e 2009, 2010 ficou numa zona de baixa turbulência, pois o EUA provocou uma guerra cambial terrível despejando apenas ano passado 600 bilhões de dólares no mercado mundial sobrevalorizando moedas e tornando suas mercadorias competitivas.

Porém estas imensas dívidas pública, que provoca um déficit fiscal de 10% ano nos EUA, ameaça qualquer perspectiva, em curto prazo, de uma leve recuperação, o custo social é altíssimo, programas sociais, incentivos aos trabalhadores e desempregados são cortados e, paradoxalmente, produziu uma ampliação dos bilionários nos EUA nos últimos 3 anos. O resgate estatal se deu justamente para socorrer os mais ricos.

Por fim Martin Wolf arremata:

A zona do euro precisa optar entre duas alternativas intoleráveis: inadimplência e dissolução parcial ou socorro oficial sem prazo definido. A existência dessas opções prova que uma união duradoura necessitará, pelo menos, uma integração financeira mais profunda e maior apoio fiscal do que inicialmente previsto. Como se dará o encaminhamento político dessas alternativas? Realmente, não tenho idéia. Pergunto-me se alguém tem.

 

A “solução” do Capital

 

 


FOTOS RICARDO NUNO/GRÉCIA

A Grécia aprovou um duro ajuste fiscal, que atinge profundamente os trabalhadores, tantos os aposentados atuais como os futuros. O que sobrou de serviço público passará por uma “limpa” de redução de funcionários ou de rendimentos. A imposição destas medidas, aprovados no parlamento, foi a condição para que FMI e BCE dessem as migalhas para a Economia grega pague seus compromissos externos vencidos. Uma onda de violentos protestos se segue.

Ontem Portugal teve sua dívida pública avaliada como “crédito podre” pela Moody’s, não custa lembrar que esta e outras agências qualificavam o Lehman Brothers como AAA duas semanas antes da sua completa falência. Ontem jogaram a economia portuguesa no limbo. (como seria bom se todos vissem o filme Inside Job).

A Espanha foi sacudida por imensos protestos desde fim de maio com ocupação das principais praças de Madrid e Barcelona. 22,5% da população economicamente ativa está desempregada, mas entre os jovens de 18 a 25 anos chega a 40%. A desastrosa politicamente econômica tanto de PSOE e PP, ameaça todo o país.

Ontem também um estudo da ONU aponta para 15 milhões de pessoas que passam fome na Rica Europa, algo improvável a 3 anos. Poucas são as saídas apresentadas, todas elas apenas aprofundam a velha cantilena do FMI, sem lançar qualquer perspectiva de melhoria das condições atuais destes países. Hoje alguns países voltaram a controlar fronteiras na Europa e impõe duras leis aos imigrantes.