Crise Mundial 2.0(2008-2011)

 

 

 

No ar; e tudo quanto nos parecia ser corpóreo se fundiu como ao vento nosso anélito. Oh!se tivessem demorado um pouco! (Macbeth, WS)


 

Apesar do esforço para acompanhar o desenrolar da crise mundial que se alonga desde setembro de 2008 até agora, sem nenhum sinal claro de uma reversão em curto prazo, não tenho dado conta de atualizar estes estudos e observações, pois me falta tempo e rigor científico e, apenas reproduzir matérias de jornais não serve para compreensão da dinâmica da crise.

Vamos pontuar os últimos relevantes fatos e tentar uma pequena analise destes, talvez pelo menos ajude a continuar na produção do debate:

1)      A crise da dívida americana e o não calote;

2)     Estouro das bolsas ou ajustes especulativo imediato;

3)     Nova crise do dólar que se derrete;

4)     O abismo de Itália e Espanha;

 

 

A crise da dívida americana e o não calote

 

Insisti várias vezes nos debates no Twitter Facebook de que os EUA não dariam calote na sua dívida, que o objetivo da extrema-direita americana, liderada pelo Tea Party/Republicanos, era “sangrar” Obama em praça pública, humilhá-lo ao extremo e fazer o pior acordo. Os financiadores de campanhas de Wall Street não deixariam seus financiados irem além da humilhação e prejudicar seus negócios.

Irrefletidamente vários debatedores, inclusive de esquerda, torciam pelo calote, uma atitude mais que irresponsável, pois a conta tanto do acordo e mais ainda de um calote recairá sobre as costas do trabalhadores, muitas vezes esquecemos a razão e ética, para destilar desejos juvenis e inconseqüentes, não olhamos a economia com o devido e necessário distanciamento, ou subestimamos que:

A)    De setembro de 2008 até 2010 houve um crescente enriquecimento dos bilionários americanos, com um aumento do número deles incomparável em qualquer momento histórico, nada menos que 31 novos bilionários em 2 anos;

B)    Os quatrocentos mais ricos americanos detêm mais renda do que 155 milhões de americanos, uma brutal concentração de rendas, graças aos pacotes bilionários de salvamento dos governos Bush/Obama;

C)    Os pacotes de salvamento giraram em torno de 5 trilhões de dólares ( quase três PIBs do Brasil), porém o retorno é de pouco mais de 57% , gerando um passivo de mais de 2 trilhões(1 PIB do Brasil) de calote privado, agravando mais ainda a dívida pública americana;

D)   Uma clara transferência de rendas do Estado, para os grandes grupos econômicos privados, demonstrando que este papo de estado mínimo é só para miriams, sardenbergs se iludirem, na hora H é o ESTADO quem paga a conta de quem o domina, no caso americano, nomeadamente o Morgan Stanley e seus clientes bilionários;

E)    Nestes últimos 3 anos o número de americanos abaixo da linha de pobreza, que recebem os Food Stamps pulou de 31 milhões em agosto de 2008 paras 45 milhões em julho de 2011, um aumento dramático da pobreza, o bolsa família deles é de US$ 137 por pessoa;

 

O orçamento aprovado no congresso americano aponta não apenas para não permitir o calote, pois aumentou o endividamento do Estado, na verdade apenas reconheceu os números atuais, de 99,7% da relação PIB x Dívida, mas apontou para a face mais cruel dele, corte no orçamento, não no socorro aos ricos, mas no corte nos gastos públicos, o que deve agravar a crise, o desemprego e assistência social, aponta para corte de impostos dos ricos e num pequeno corte nos gastos da conta estratosférica da defesa.

Uma ressalva, sem ele o caos seria instalado imediatamente e conta viria de uma vez só, atingindo o mundo de forma violenta, basta lembrar que os títulos da dívida americana remuneram as 75% das reservas cambias do Brasil, da China e da Rússia, imaginem os efeitos sobre estes países um calote americano?

 

Estouro das bolsas ou ajustes especulativo imediato

 

Esta semana, imediatamente após a aprovação do alongamento da dívida americana, começou um intenso ajuste especulativo nas bolsas de todo o mundo, em apenas três dias os números parece alarmante:

A)    Bovespa queda de 10%;

B)    Europa queda de 8%;

C)    EUA queda de 4%

D)   Ásia queda em média 6%;

 

Este movimento de intensa baixa é uma combinação de especulação pura e simples, de criar pânico e depois comprar em baixa, com a visão de que  o acordo americano e crise da zona do Euro apontam para uma recessão global. A versão 2.0 da grande crise de setembro de 2008.

Naquela época houve uma crise violenta de liquidez dos bancos que não davam mais créditos à produção e famílias, uma crise de confiança sobre os créditos podres que intoxicavam e especulavam as bolsas do mundo inteiro. Houve um choque “quase moral” com relação aos capitais especulativos, em particular os mais artificiais, denominados de sub-primes.

O movimento hoje aponta para outra direção a incapacidade dos estados nacionais de rolarem suas dívidas, a maioria privada, mas assimilados pelos governos durante a crise.

 

Nova crise do dólar que se derrete

 

 

O governo americano usou como vetor de saída da crise uma guerra cambial despejando apenas ano passado 600 bilhões de dólares no mercado mundial sobrevalorizando moedas e tornando suas mercadorias competitivas. Este movimento não teve um contra-ataque imediato.

Porém com a perspectiva de acordo da dívida americana ser o pior, como demonstrou ser, alguns Banco centrais começaram uma corrida para comprar dólar e evitar que suas moedas locais se valorizem frente a ele. Banco do Japão (BOJ) compras de dólares (US$ 12,6 bilhões) no mercado, para tentar segurar a valorização do iene. O Banco Central Suiço , O da Inglaterra recomprou 200 Bilhões de libras. Segundo Celso Ming

“O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, criticou asperamente a iniciativa do BOJ, observando que essas intervenções têm de ser coordenadas; não podem ser unilaterais. E, a despeito da posição contrária das autoridades monetárias da Alemanha, avisou que reiniciaria a recompra de títulos de dívida de Portugal e Irlanda, que vêm perdendo preço nos mercados. O BCE já detinha em carteira 78 bilhões de euros em títulos de dívida de países do bloco, especialmente desses dois. Além disso, reabriu leilões de liquidez ilimitada com vencimento em seis meses.”

 

O abismo de Itália e Espanha

 

 

As economias de Itália e Espanha (3ª e 4ª da zona do Euro) estão sob intenso ataque e desconfiança, as agências de riscos rebaixam seus títulos e seus relatórios apontam a impossibilidades delas de cumprirem os compromissos de suas dívidas.

A situação é dramática, pois mesmo a Alemanha e França injetando dinheiro na Grécia, não foram capazes de acalmar as especulações do default grego. Mas a situação italiana é muito mais complexa, sua dívida remonta a 1,8 trilhões de Euro, 120% do seu PIB. A economia em completa estagnação, crise de poder prolongada, nenhuma liderança política nacional consegue dar rumo sólido ao país, efeito Berlusconi corroeu as instituições republicanas.

Espanha com desemprego galopante, enfrenta protestos tem mais de 3 meses sem cessar, combinado com uma economia frágil, completa este cenário caótico. Parece claro que pouca ou nenhuma diferença faz a condução do PSOE ou PP, a maioria do povo espanhol já não espera mais, a ocupação das praças em Madri e Barcelona, e o boicote às eleições recentes demonstram isto.

 

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9 respostas em “Crise Mundial 2.0(2008-2011)

  1. Nao entendo os funerais a respeito da crise USA inventada. Ninguem menciona que as letras do tesouro USA segue e seguira sendo a mais cobicada no mercado, devido a realidade de que a economia do pais e solida. Por baixo das bolhas e mutretas estas letras sao garantidas pelas maiores reservas do mundo. Nao e faturado o elemento USA/China, um dos seus maiores credores. As duas economias estao intimamente coligadas. Uma caida USA nao facilitaria muito a vida na China. A China e praticamente a outra populacao que paga as mutretas USA, com suas mais de 50 mil fabricas USA, seus Wall MacDonalds e MacDonalds. Por outro lado a China empresta a 1%. Ate a “queda” do credito USA nao significa absolutamente nada.

    Nao ha duvidas de que o pais passa por faze de maluquice generalizada, e que se ao acordar logo vai sim esticar esta faze. So que, as coisas nao estao funcionado tao bem como os inimigos politicos de Bosama desejam por aqui. O gringo, antes anestasiados, super gordos e psicoticos despertam. Naopleao Bosama nao esta sofrendo os efeitos. o povo esta se dando conta e deve jogar este tea party a parede.

    As guerras vao desbotar logo logo e ali serao economisados muita da grana que sangra. O governo vai ser pressionado a criar uma saida.

    nada disto significa que USA nao continuara tentando freiar os BRICS, isto e dito na telepigao todos os dias. Cabe aos BRCS criarem medidas protetoras, comm ou sem crise. Pois com os gringos o negocio nao e so a vantagem economica que conta. Eles nao suportam perder poderes

  2. Pingback: Crise Mundial 2.0 – Desdobramentos | Arnobio Rocha

  3. È dai pra pior e bem pior, parece que se faz juz o ditado ” O rico cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres”, o primeiro impacto quem sente somos nós que fazemos a economia girar pagando os impostos e consumindo num mundo totalmente capitalista e hipocrita, quando os ricos vierem sentir é porque o negocio engrossou de vez.

  4. Em partes concordo com o comentários da Tania Guimaraes…”O gringo, antes anestasiados, super gordos e psicoticos despertam. Naopleao Bosama nao esta sofrendo os efeitos. o povo esta se dando conta e deve jogar este tea party a parede”

    De fato, eles estão acordando…veja o movimento Ocupe Wall Street e como no dia 15/10, chegou a nível mundial. Fora o movimento regionais na Espanha, na Italia, na Grécia…que são o que se destacam, fora outros. O mais incrível? A mídia não noticia. Porque? É mais do que visível agora de que não há imparciabilidade…rss
    Não duvido que virão novas revoluções por aí…de que tipo eu não posso definir, mas virão…
    A internet, em especial as mídias sociais, e a tecnologia móvel estão auxiliando o povo a tomar consciência de si, de que estão em maioria, da viabilidade de auto-gestão, auto-organização bem sucedida….aos poucos vai virá o tabuleiro político do mundo de cabeça pra baixo, qual direção, não se sabe…estão despertando para o real conceito de democracia/ república. Afinal, estamos todos nós, no mínimo, há 2 milênios adormecidos…

    E os quem estã no poder estão confusos em administrar a nova situação de consciência social…lembram de como o governo inglês lidou junto a população com os conflitos dos saques? A possíve crítica a internet?

    Como na música de Lulu Santos “…assim caminha a humanidade, como passos de formiga e sem vontade…”
    Pois é, não será de um dia para o outro, no mínino, o amadurecimento levará algumas décadas, mas já mostra sinais de serem irreversíveis.

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