Crise 2.0: Europa – uma nova fase de Incertezas

 

 

 

“tudo em medonho caos rui e se precipita,

trovejando e silvando até o fundo abismo

das voragens que atulha o horrendo cataclismo.”

( Fausto – Goethe)

 

 

À beira do Caos

 

Agora não se trata mais de fazer jogo de cena, a situação da EU veio definitivamente à nu,  depois de um mês de intensas negociações e promessas, os sócios majoritários resolveram jogar ao mar os pesos “mortos”, sem dor nem piedade. Já não se trata mais de salvação das economias periféricas, agora é salve-se quem puder.

Depois de duas cúpulas amplas, algo inédito, na última quarta-feira, dia 26 de outubro, o que parecia um salvamento para Grécia, perdão de 50% da dívida, olhando mais de perto, foi apenas a desculpa para que os bancos credores recebam os valores “perdoados” através de o Fundo de Estabilização Europeu.

Nada mais mascara a situação, vou repisar alguns grandes número para que fixemos o tamanho real da crise 2.0 no lado Europeu:

1)   Houve um encolhimento de 2 Trilhões de Euros na Economia da Zona do Euro, algo como um Brasil e meio;

2)   A Economia cresceu próxima de Zero em 2008, encolheu 4,3% em 2009, cresceu 2% em 2010, e perspectiva de crescimento inferior a 1% em 2011;

3)   1 em cada 2 jovens espanhóis está desempregado;

4)   Em 2007 a Espanha tinha 1,7 milhões de desempregados(7%), hoje tem 5 milhões (21,5%);

5)   A Grécia perdeu 11% do PIB nos anos de 2009 e 2010. Sua dívida pública saltou de 120% do PIB para 180%;

6)   A França, segunda maior acionista da EU reduziu sua previsão de crescimento de 1,75%, para 0,9%;

7) a Itália tem dívida pública maior que seu PIB, seus títulos tiveram antecipação de vencimento ou não rolagem da dívida devido ao desastroso governo Berlusconi;

 

Década Perdida

 

O ex-presidente do Banco Central Suíço, Jean Pierre Roth, disse: “A Europa está entrando em uma nova fase de incertezas que pode durar uma década” (Estadão, 30/10/2011). No mesmo jornal uma longa entrevista do ex-Economista-Chefe do FMI, entre 2001 e 2003, Kenenth Rogoff, deu uma visão sombria sobre a Europa: “É muito provável que um ou até mais países deixem a Zona do Euro”. Inclusive o que dizíamos seguidamente( Ver Crise 2. 0: Estados Unidos da Europa ) , ele confirma, de que só restou aos governos europeus pedir que China e demais membros dos BRICS que os salvem.

Mas a conclusão mais forte e contundente dita e repetida na cúpula da Zona do Euro é que os anos 10, do atual século, será uma década perdida. Vejam bem, estamos ainda no mês 10 do ano 1 desta nova década e o pessimismo é que os próximos 9 anos e 2 meses serão apenas para recompor o que foi/é a Zona do Euro.

A alemã Der Spiegel, vai mais fundo na análise e diz que os políticos europeus manipulam os seus cidadãos, não expondo claramente o tamanho da Crise, e nos bastidores só enxerga duas opções para Zona do Euro:

A)     Governo central forte, algo como Estados Unidos da Europa, um tiro no escuro, pois nenhum político sabe o real significado disto, fora a falta de um Bonaparte que os lidere;

B)   Reduzir a Zona do Euro apenas àqueles países que realmente têm economia e padrão de consumo comum, excluindo os que não se adéquam além de erigir novas barreiras a eles;

Ambas as soluções possíveis são de apenas desespero e com graves conseqüências, políticas e no segundo caso, Social. Abandonar, por exemplo, a Grécia a própria sorte, seria provocar um caos sem tamanho, piorando ainda a sua crise.

A pressa europeia de salvar os bancos é inversamente proporcional à preocupação com o empobrecimento e miséria que volta a grassar na Europa, um desemprego explosivo, principalmente entre os jovens, uma situação desesperadora que atingem países inteiros.

E assim a cena fecha, mas os próximos atos prometem sangue e tragédia…

 

 

#Ocupe: Novo, Velho

 

 

Viajando nos seus pensamentos o carro rola pelas ruas no frescor da manhã de São Paulo, as imagens que se formam na minha mente são de uma época não vivida, mas parece familiar, a voz rouca e provocativa da Pearl toca mais forte meu coração e os versos são estranhamente complementares ao que vivo, no real e imaginário:

Time keeps movin’ on,

Friends they turn away.

I keep movin’ on

But I never found out whyI

keep pushing so hard the dream,

I keep tryin’ to make it right

Through another lonely day, whoa.

 

Realmente meu diálogo interno é buscar razões e explicações para determinados fenômenos de hoje, que aparentemente, parecem novos, mas são tão antigos e com resultados já previsíveis, mas não se pode chocar os que vivem esta viagem, a música da Janis Joplin não veio ao acaso, saída diretamente daqueles anos em que “Paz e Amor” eram as palavras de ordem rebelde.

 

 

Mergulho em 1968

 

 

Os vários movimentos sincronizados ou não sacudiu, o mundo em 1968, sem internet, sem facebook, twitter, saindo de Praga e sua primavera, que durou até seu tórrido verão, da resistência das rádios livres que não colaborava com a invasão soviética e seus tanques nas ruas. Dubcek é preso em Moscou renuncia e finda o sonho libertário.

 

Passa pela rebeldia do maio francês, um país sublevado, as assembléias gigantes que todos falam, todos decidem, ninguém da ordem, estudantes secundaristas e universitários e depois ampla massa trabalhadora em greve, De Gaulle se escondendo numa base militar alemã, e do jeito que veio se foi esta onda revolucionária, contraditoriamente os Gaullistas no calor da rebelião convocam eleições, vencendo-as de forma arrasadora.

Os ventos libertários chegam aos EUA, que vivia uma intensa guerra interna, assassinato de Martin Luther King e Robert Kennedy, a guerra de massacre no Vietnã, as manifestações pelo fim da guerra, os festivais alternativos de rock, a juventude se rebela e balança as estruturas das universidades, os hippies, frutos de uma época que questionou o país, mas não fez a revolução. No fim do ano Richard Nixon se elege nos EUA.

O Brasil mergulhado na ditadura não passou incólume aos ventos de 1968, as manifestações estudantis após a morte de Edson Luís ainda em março sacudiu a agitou a sociedade, nomeadamente os estudantes e intelectuais no seu auge a passeata dos cem mil, mas, sob forte pressão da ditadura, o movimento sofre um duro golpe com a queda do congresso da Une em Ibiúna, 1200 estudantes são presos, em dezembro o xeque-mate: AI5 e golpe dentro do golpe.

Don’t expect any answers, dear,

For I know that they don’t come with age, no,

no.
Well, ain’t never gonna love you any better,

babe.

And I’m never gonna love you right,

So you’d better take it now, right now.

 

 

Acordando no 2011

 


 

Começam a sair os primeiros escritos dos movimentos de #ocupe aqui no Brasil, mas o que leio é que, os que agora se rebelam, aqui no Brasil,  pensam:

 

1) A história acabou, começa com eles;

2) São refratários a qualquer ordem política (capitalista ou socialista);

3) Rejeitam os partidos políticos;

4) Tudo é autônomo;

5) Não têm plataforma política, o que querem constrói na discussão;

 

Este movimentos são fundamentais, a revolta contra o sistema, em especial no coração do capitalismo, que há uma massa de desempregados, uma base social clara que o define, como venho analisando na série sobre a Crise 2. 0, em particular o que trata o Desemprego, Juventude e Rebelião , mas a falta de plataforma a rejeição à história e aos partidos me deixou preocupado para que rumo seguem, mas o dialogo é fundamental para avançar na luta atual.

Assim como são os primeiros manifestos, lembrei das antigas comunidades hippies de Arempebe e nos velhos Hippies que viraram chatos Yuppies incorporados pelo mercado, consumindo como se não houvesse passado ou futuro. Pergunto-me, para onde irão os novos filhos da Era de aquário, que rejeitam a história e o mundo?

 

 

Romário:O poeta dos gols

 

 

Futebol está no sangue, no inconsciente coletivo do brasileiro, temos o privilegio de ter em nossos campos forjados grandes gênios da bola, deles o maior: Pelé. Mas falar dele é ser redundante, pois Pelé está acima de qualquer comparação, talvez não seja deste planeta, infelizmente não o vi em campo, pois no estádio o jogador maior, maior fica, dentre os que vi em campo os que mais me impressionaram foram: Romário, Ronaldo, Zico, Sócrates e Dida (goleiro).

Ontem vendo o jogo da seleção feminina ouvi a voz inconfundível do maior centrovante que o mundo já viu, dentro da área ninguém jogou mais que Romário, a incrível capacidade de fazer gols impossíveis e de tornar simples aquela jogada improvável transformando-a em Gol. Romário é o poeta dos gols, abaixo pesquisei alguns deles, são de tirar o fôlego e chorar de emoção, aquele baixinho, marrento, mas fatal diante de um goleiro, a rede sempre foi o destino de sua bola, algumas vezes parece que ele baila, ou vibra no ar.

 

1) Neste vídeo apresentam alguns gols de Romário no Vasco ou no Flamengo, mas um é especial aos 14 Segundos vejam que ele tinha 19 anos e despontava no Vasco, um pequeno vacilo do zagueiro ele encobre o goleiro Zé Carlos, num balãozinho impossível/improvável e completa simples de cabeça, um COLOSSO!!!

 

 

2) Brasil 3 x 2 Holanda – jogo truncado, Aldair dá um chutão para frente, Bebeto pega na ponta esquerda cruza com força, a bola vem a quase 70 cm de altura, Romário vem correndo no meio da área, aí começa um passo de balé, eleva o corpo de ponta de pé salta vai de encontro a bola, na única forma que ela realmente vá parar no fundo das redes, é um momento sublime um bailarino, um gênio, um cálculo perfeito, como diz o mestre Miguel Nicolelis, a bola é extensão do seu corpo, seu cérebro coordena perfeitamente o movimento para que tudo seja perfeito e foi!! De lambuja no terceiro gol do Brasil, Romário se esgueira e a bola passa “matando” o goleiro no gol do Branco. GENIAL!!!

 

 

 

 

3) Aqui uma seleção de 11 gols sensacionais do Romário, impossível destacar qual o mais belo, vejam e revejam.

 

 

Obrigado Romário por todas as alegrias de vê-lo em campo, mesmo nunca vestindo a camisa de meu clube, mas o prazer de ver sua obra de arte incomparável, nos clubes e na Seleção Brasileira, não temos como pagar.

 

Crise 2.0: de Maastricht a Bruxelas

 

 

Ficheiro:MaastrichtAltstadt.jpg

Maastricht

 

Sonhos de uma noite de inverno

 

Nas telas dos cinemas mundiais os filmes 1492 – A conquista do paraíso de Ridley Scott e Batman – o retorno, uma versão sombria, gótica, de Tim Burton prendem a atenção dos expectadores, alheios ao que acontece na pequena Maastricht (Holanda), uma cidade milenar encravada entre Alemanha e Bélgica, banhada pelo Rio Maas (Mosa). Lá o mais importante evento europeu dos últimos séculos está se concretizando.

Reunidos em Maastricht os líderes europeus estão assinando o tratado, que além de mudar o nome de Comunidade Europeia para União Europeia, muda as bases de todos os acordos anteriores, iniciados com o tratado de Roma em 1957.

O mundo ocidental vitorioso contra a União Soviética, que fizera uma revolução socialista, mas que ficara incompleta, um misto de capitalismo de estado com regime autoritário, uma antítese do modelo socialista, mas que ficara marcada como socialista. Em agosto de 1991 o último ato se completara da queda as ex-URSS, a deposição de Gorbachev por Boris Yeltsin. No lado europeu a custosa unificação alemã, após a queda do muro de Berlim, também já estava equacionada.

O tratado de Maastricht era a consolidação final deste momento auspicioso tudo era festa e fogos, pelo novo acordo, em 10 anos, seria adotado a nova moeda, substituindo as moedas locais, seus três eixos foram:

1)   Legislação comum: Energia, Ambiente, Saúde, Educação, Agricultura, Telecomunicações, Investigação e Desenvolvimento;

2)   Política Externa e Segurança comum do bloco;

3)   Cooperação Jurídica e policial;

Os padrões adotados para a verdadeira unificação, baseada numa moeda forte, eram os da maior economia, a alemã, mesmo que padecendo dos custos da unificação com a sua parte oriental. Os países determinantes deste novo momento eram: Alemanha, França e Itália. Os compromissos era que todos os membros passassem a desfrutar das vantagens da riqueza e opulência dos maiores. Porém, já em Maastricht o primeiro país a cair fora do acordo foi a Inglaterra,  com o pretexto de não mudar sua moeda, repudiou a futura moeda comum. Interessante notar que a Inglaterra vivia uma situação econômica complicada devido a radical e fracassada experiência ultra liberal de Tatcher, mas empáfia falou mais alto.

 

Bem vindos ao Clube

 

Os anos seguintes coincidem com uma ampla circulação de capital pelo mundo, em particular na Europa, países inteiros foram redefinidos em novos padrões de ganhos e de economia, casos clássicos de Espanha e Portugal, cujas economias eram muitos frágeis e distantes do padrão da nova União. Os bancos emprestavam e financiavam os novos sócios, gerando uma riqueza artificial, mas que naquele momento era absolutamente secundário, o importante era que todos tivessem fichas no cassino.

Dos sócios fundadores da União o primeiro a entrar em crise permanente foi a Itália (ver Crise 2. 0 – Itália um case de insucesso ) , os ecos dos anos 70 de ampla disputa política e guerra mafiosas, culminou com a famosa “Mãos Limpas” que varreu os partidos tradicionais em poucos meses, uma nova ordem fundada extremamente frágil abriu flanco para o surgimento do burlesco neofascista, o magnata Berlusconi. A decadência italiana é evidenciada nos seu empobrecimento nos últimos 15 anos.

Enquanto Alemanha e França se tornaram os verdadeiros sócios majoritários da Europa unida, se criou, ainda que não desejado, uma série de países dependentes. Mas a adoção do Euro mascarou a realidade por mais 6 anos, troca simples de moeda injetou um novo ânimo em 2002.

Porém, com a grave crise americana de 2008, a realidade europeia veio à nu, os números de enriquecimento artificial dos países menores tornou claro quando os bancos começam a cobrar a fatura, que em primeiro lugar é devida pelos governos locais, com seus imensos déficits, em segundo das empresas e famílias que se endividaram achando que teriam crédito para sempre no cassino. Esta realidade tem sua maior mostra nos números de desemprego e baixa expectativa de crescimento.

 

“Favor passar no guichê do Cassino”

Amanhã uma cartada decisiva será jogada em Bruxelas as muitas especulações sobre o que se decidirá estão tomando conta dos jornais, blogs, analistas e políticos. A primeira tentativa de fechar um “plano decisivo” no domingo falhou, um profundo desacordo se estabeleceu e a decisão ficou para dia 26.

As escolhas não são fáceis os números impedem uma decisão “simples” é um jogo de muitas perdas porque falta uma liderança forte e confiável e mais que isto uma política clara que não sacrifique ainda mais a população mais empobrecida, que aponte para o crescimento e criação de empregos. Porém, até agora, o que se aponta, assim como fez os EUA, é salvar os bancos e banqueiros, com a criação de um colchão de salvamento de 2 trilhões de Euros. Até o burlesco premier italiano tripudiou:  “nenhum país da União Europeia deve ousar falar em nome de nenhum governo eleito” e que “ninguém está em posição de dar lições”

Olhando para os números da Zona Euro, está mais do que claro, que não haverá um acordo, sim uma imposição dos mais fortes, ou quebrará em definitivo os sonhos daquele fim de inverno da tão próxima e tão distante  Maastricht.

 

#Fimdomundo, Uma crônica

 

 

 

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias” (Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)

 

 


“De hoje não passou, finalmente chegou o fim, meio decepcionado, com tantas promessas de fim do mundo, eu já fôra vítima de mais de 10 profecias de que ele acabaria, mas quando dava meia noite ou meio dia, aqui, já que do lado do mundo outro dia ameaçava chegar, sempre fracassava. Sentia-me enganado por ter me preparado e, nada.

 

Esta coisa do fim do mundo começou, para mim, na primeira semana de fevereiro de 1979, eu nem tinha 10 anos ainda, olha que injustiça, e o SkyLab ia cair na terra e o mundo podia acabar. Aquilo me deu uma tristeza tão grande que do dia 7 para 8 de fevereiro eu nem dormi direito, achando que realmente o SkyLab fosse destruir a terra. Tudo mentira, ele se espatifou no pacífico, já destruído na reentrada, na atmosfera. Acho que nasci de novo em 8/2/1979.

Definitivamente o mundo ia acabar em março de 1986, o cometa Halley viria para uma nova passagem, desta vez tão próxima à órbita terrestre que a força da gravidade o atrairia causando uma explosão 1000 vezes maior que as duas bombas atômicas, vocês nem podem imaginar, morreria imberbe, com 16 anos, aquilo era inaceitável, confesso que aquele março foi longo, acabou substituído por uma busca de uma luneta que desse para ver o cometa, passou longe dos olhos e do coração, todos salvos.

 

 

Comecei a desconfiar que estas coisas de queda de laboratório espacial, cometa, asteróides não iam acabar assim do nada a vida na terra, tinha que ser algo mais forte, poderoso, uma divindade, pronto, deve ser isto. Como toda virada de milênio, os famosos profetas do fim do mundo brotam aos montes. Mas eles se desentediam quanto ao ano, ou dia, uns diziam ser 31 de dezembro de 1999 ou 1º de Janeiro de 2000. Agora ferrou sofrer por dois dias não dar, pior trabalhando, maldito bug do milênio, atrapalhando a preparação do fim do mundo.

No dia 31 de Dezembro, Evandro Bernabé está de prova, lá pelas 9:30 ele e eu, estávamos de plantão na Telesp Celular( hoje Vivo), esperando informes da Nec do Japão se tinha algum pânico com a virada do ano no oriente, conseqüentemente a interrupção do funcionamento das centrais telefônicas por erro de Software. Ficamos lá até as 13 horas e nada. Voltamos as 22 horas para ver o que aconteceria com a virada do ano 2000 no Brasil, até aquela hora nenhum problema houve em nenhum lugar no mundo, mas nossa ceia foi lá na gerência de redes. Para piorar nem 31/12 nem 1º de janeiro o mundo acabou.

Mais uma vez os planos do mundo acabar foram adiado, já tava ficando chato demais, ainda lembro que 2011 tivemos duas tentativas fracassadas de acabar o mundo, um certo Harold Camping, previu que em 21 de maio a “ira de Deus” iria destruir o mundo, os pecadores e maus, exceto os da seita dele, todos morreriam sem piedade, não funcionou, ele veio a público e disse que errara apenas o solstício, mas corrigiu a data para 21 de outubro, novamente não aconteceu, assim neste dia chegou o “fim do mundo” para um avatar com mais de cem nome: Khadafi, Gadafi, Kadhaffi, Ghadaff, etc. Este conheceu o fim  do mundo de morte matada.

Melhor nem lembrar de 2012, aquele ano foi tenso demais, passamos o tempo todo esperando para que naquele dia especial tudo acabasse, a data bem precisa, 21 de dezembro de 2012, até filme já tinha sido feito, parecia muito correto, desta vez não tinha como falhar, até os Maias(não a família do Fim do Mundo carioca) tinham garantido que era neste dia, infelizmente, tanta preparação e nada. Rolou tudo, Copa no Brasil, Olimpíadas, Corinthians campeão da libertadores, e nada do fim do mundo. Acabei, frustado, desistindo da idéia.

A data de hoje é imprecisa, infelizmente não sei dizer quando, porque ele veio de surpresa, protestei, pois não me preparara devidamente, mais ainda, pois no oriente eles ganharam 12 horas a mais que nós, aquilo não se faz, porém por um novo acordo, o mundo acabou em partes fragmentas, obedecendo a costumes e horários, para que alguma justiça fosse feita, mais resignado, aceitei, e assim foi”.

 

Crise 2.0:Heróico Povo Grego

 

 

 

 

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“Filhos dos gregos, ide, salvai nossa pátria, vossas mulheres e filhos, os tempos de vossos deuses e os túmulos de vossos ancestrais; é por todos eles que hoje deveis combater” ( Os Persas – Ésquilo)

 

O heróico povo Grego resistiu à invasão Persa, lutando contra o incrível exército comandado por Xerxes, filho de Dario, que partiu para conquistar toda a  Grécia. O general Leônidas (Filho de Leão ou o Leão de Esparta) com apenas 300 homens de sua guarda pessoal resistiu até o último homem, atrasando em muito o rumo do exército Persa.

O mítico combate no estreito de Termópilas, em que os 300 combatentes Espartanos se vêem sozinhos enfrentando uma armada de 200 mil homens, dá a dimensão do que o povo grego já fez para preservar seu país, sua história e cultura. Mesmo quando já não havia mais o que fazer, Xerxes manda mensagem para que Leônidas deponha as armas, a resposta é célebre: “venha tomá-las de mim”. Confirmando a frase das mães e esposas aos heróis na partida: “Meu filho, volta com teu escudo, ou em cima dele”.

 

“Tesouros sem súditos que os defendam, de nada valem; e, sem tesouros, dias não há de esplendor sem sequer para o mais forte estado.” ( Os Persas – Ésquilo)

 

 

Lembrar este passado glorioso de feitos cantados em versos e prosas e, ver o destino funesto que hoje passa o povo grego, dá dor no coração e profunda solidariedade, para que se unam e vença as novas provações. Enquanto o parlamento grego votava as mais duras penalizações ao seu povo, na desesperada tentativa de agradar aos seus novos feitores: Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI, o povo heróico, os filhos Leônidas, estava nas ruas.

 

As medidas aprovadas são calamitosas, corta ainda mais os já rebaixados salários de 700 mil funcionários públicos, corte nas pensões acima de 1200 Euros, a chantagem que o primeiro ministro fez é vergonhosa, desrespeita a memória e a história deste povo, reduz apenas isto: “Escapar à falência”. Como se houvesse falência maior que a moral. Os números assombrosos de desemprego, próximos aos 20%, que chegam aos inacreditáveis 45% entre os jovens.

 

Do lado de fora do parlamento o verdadeiro espírito grego, 200 mil manifestantes entram em choque com a polícia na quinta greve geral apenas em 2011. Um país assim não pode, não deve ser destruído, nem humilhado apenas para salvar meia dúzia de banqueiros franceses ( 39% da dívida grega) e Alemães(27% da dívida grega), que irresponsavelmente especularam com os títulos públicos gregos. Agora angelicalmente aparecem como vítimas da má gestão grega.

 

As migalhas ao governo prometida não somam 8 bilhões de Euros, uma ninharia comparada aos 95 bilhões que França e Bélgica deram semana passada ao Dexia. 11 milhões de gregos vivendo sob o julgo da miséria, das incertezas, vivendo na Europa em trabalhos precários, numa tentativa desesperada de manda dinheiro aos parentes que ficaram. O cidadão de segunda categoria, mas com o passaporte CE, é o que sobrou ao malogrado ingresso da Grécia na Zona do Euro.

 

 

Crise 2.0: Desemprego, Juventude e Rebelião

 

 

O desemprego, em particular na juventude, é a questão mais dramática da atual Crise 2.0, é o combustível das manifestações de resistência que seja na “Primavera Árabe”, na Plaza Del Sol na Espanha ou no #Occupy Wall Street. Os números são espantosos a tabela abaixo já dar a dimensão na Europa e é melhor  do que qualquer análise.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Reparem que os números comparativos do 1º Trimestre de 2008 e os do 1º trimestre de 2011 o desemprego cresceu explosivamente na Espanha, Grécia, Irlanda, Portugal e Itália (para ficarmos nos PIIGS). Mesmo Holanda que aparentemente é estável há uma manipulação de números, pois o trabalho “parcial” é contado como emprego, se usada a metodologia comum o desemprego entre os jovens chegaria aos 18%.

A situação crítica retroalimenta a Crise 2.0, segundo a OIT esta já considerada uma geração perdida, pois no futuro os jovens atuais serão mais pobres que seus pais, podendo levar seus filhos a condições de vida e educação inferior aos seus avós, uma contradição terrível para uma sociedade em mutação e acesso a alta tecnologia e informações. Este é o ponto central da revolta dos jovens, apoiados, inclusive, por seus pais. A Luta é a única saída para sair deste labirinto.

Numa reportagem de 1º de julho de 2009, do Estadão, sobre o relatório de desemprego da OIT eles dizem:

Para a OIT, a maior incidência de desemprego entre os jovens se deve às transformações econômicas e sociais pelas quais o País passou nas décadas de 80 e 90, como o baixo ritmo de crescimento econômico e a desestruturação do mercado de trabalho.

O relatório ainda observou que a tendência à demissão é mais comum entre os jovens pelo hábito da faixa etária de deixar seus postos de trabalho com mais frequência do que os adultos, uma vez que costumam ter menos responsabilidades a cumprir com família e agregados. Ele ainda mostra que, embora o crescimento econômico seja uma condição necessária para a redução do desemprego juvenil, não é condição suficiente. São necessárias também políticas específicas voltadas para melhorar o padrão de inserção dos jovens no mundo do trabalho.

Atentem que o ano de 2009 os números vinham carregados com dados da crise de 2008(Crise 1.0), mas no final da reportagem a OIT aponta que em 2011 será o ano da retomada do crescimento e do emprego. Vivemos 2011 e a Crise 2.0 jogou por terra estas expectativas.

 

“Occupy Wall Street”

 

A questão é também extremamente dramática nos EUA, a taxa oficial de desemprego é 9,1 %, cerca de 14 milhões de desempregados para uma população economicamente ativa de 155 milhões. Porém para população jovem o desemprego é 24,6 % se o corte for entre os adolescentes de 16 a 19 anos  (dados do Departamento do Trabalho EUA) e de 30% se pegarmos dos 18 aos 29 anos ( Pesquisa Gallup).

Esta reportagem do portal G1 mostra números alarmantes entre Jovens, e mostra a exclusão social dos negros:

“Os dados mais recentes sobre o desemprego nos Estados Unidos, divulgados pelo Departamento do Trabalho, revelam um cenário com quase nenhum avanço nos últimos meses, no qual os jovens são os mais afetados.

Se entre a população geral, a taxa de desemprego é de 9,1% (patamar inalterado desde julho), entre os adolescentes (16 a 19 anos) o índice sobe para 24,6%.

Essa taxa é cerca de três vezes maior que a registrada entre homens (8,8%) ou mulheres (8,1%) com idade acima de 20 anos.

Segundo o Departamento do Trabalho, 14 milhões de americanos estão desempregados. Desses, 6,2 milhões estão há mais de seis meses procurando emprego.

Enquanto a taxa é de 8% entre americanos brancos, sobe para 11,3% entre a população hispânica e para 16% entre os negros.”

 

Cinicamente o Governo Obama, segundo esta matéria, ver com bons olhos o movimento de rebeldia contra Wall Street, mas como bem alerta Paul Krugman, de todos os planos de salvamento dos Bancos e banqueiros que consumiu 5 trilhões de dólares (2 trilhões totalmente perdidos) apenas 2 bilhões foram gastos para salvar municípios e estados falidos e apenas 200 milhões em programas de requalificação dos trabalhadores desempregados.

Os números são fundamentais para entendermos o que se passa no mundo, qual a real base social da rebelião no centro do capitalismo, a combinação de desemprego e empobrecimento leva à revolta. Os jovens olham para frente e vislumbram um futuro sem perspectivas, agora percebe que precisam lutar no presente, para construir outro mundo possível, menos miserável do que o atual.

Sinto muito dizer, mas não é o Twitter ou Facebook que faz a rebelião.