Crise 2.0: Abraço de afogados

 

 

 

“Mas no fim, entupindo-os de verdade, com um suspiro esfarias os encômios, para finalizares: “Filho, irmão, todos morreram”. (Henrique IV, Parte II, W. Shakespeare )

 

Introdução

 

A cada artigo sobre a Crise 2. 0 procurei dar relevância aos aspectos mais centrais da atual crise cíclica do capitalismo, buscando entendimento de um processo repetitivo em várias crises anteriores e ressaltando alguns novos fenômenos. O esforço de escrever solitário, sem prévio debate sobre várias circunstâncias, buscar dados coletar opiniões, torna o trabalho cansativo, mas o pior é o baixo retorno nos comentários e de contraponto, fico trabalhando às cegas, sem realmente saber se o rumo está correto.

Estes dias, particularmente, têm sido ricos devido à quantidade de dados e eventos, principalmente na Europa, de busca de saídas para crise, há, efetivamente, um esforço de governos, bancos, empresas, as leituras do que significado da crise parece convergir, mas as soluções estão longe de serem comuns. O ideário liberal, dos 90 e 00 permeia e aprisionam estas lideranças, as discussões apontam sempre rumo o “salvamento” da moeda, então austeridade fiscal, demissões, cortes de pensões e programas sociais são o alvo de cada 11 em 10 planos.

 

Os números do desemprego

 

Os dados do desemprego são alarmantes e nem assim as idéias de mais e mais cortes não estão entre as primeiras medidas. Num quadro geral temos:

1)      Zona do Euro (17 países) 10,3% de desempregados, total de 16,3 milhões de pessoas;

2)     Bloco Europeu( 27 países) 9,8% de desempregados, total de 23,6 milhões de pessoas;

3)     Desemprego entre os jovens 21,4% 5,5 milhões; (Grécia e Espanha a taxa de ambas 50% de desemprego entre jovens);

4)     Espanha tem maior taxa de desemprego europeu 22,8%, antes em setembro 22,5%;

5)     Grécia 18,3%, porém cresceu de 16%, um aumento explosivo reflexo das medidas de austeridades aplicadas em outubro;

6)     15 dos 27 países do Bloco Europeu tiveram aumento de desemprego;

7)     Como estamos repetindo a Alemanha segue a grande beneficiada da Crise, o desemprego diminui, chegando a menor taxa em 20 anos( caiu de 7% para 6,9%)

Mesmo diante de um quadro que tem se agravado os planos sugeridos são sempre medidas de restrição econômica o que leva a mais desemprego.

 

 

A “ajuda” americana e propostas de dissolução do Euro

 

 

Aproveitando do clima pesado que ronda Europa, Obama e sua trupe( maioria dela herdada de Bush, todos Morgan’s no peito), atraiu os dirigentes para um sessão de fotos, todos risonhos, mas entre uma foto e outra ofereceu um lastro em dólar para os principais bancos do mundo.

A coisa parece prosaica demais, mas devemos relembrar que o estopim da nova crise, ou a volta mais forte dela, foi à inundação de Dólares no mundo, de uma tacada só os EUA emitiu 600 bilhões em fevereiro deste ano, acirrando mais a disputa por “títulos soberanos”. A medida muito criticada na época, agora é renovada, com o nome “ação coordenada”, que interessante, não acham?

O dólar que quase sumiu como moeda cambiável, agora se propõe a salvar o Euro; visto de outra forma: os EUA querem sair de sua imensa crise, tentando faturar com os restos da zona do Euro. Realmente não existe vácuo em política, muito menos em economia. Os títulos “baratos” americanos voltaram com mais peso e efetivamente ajudam a sugar recurso para o outro lado do atlântico, devo admitir que seja uma jogada de mestre.

Concomitante a isto um grupo de empresas e bancos na Europa trabalha dia a dia com cenários de Zona do Euro reduzida, ou a volta de moedas locais, dois países são os alvos primários: Portugal e Grécia. Estas simulações dão conta que pela pequena importância econômica dos dois, não teria nenhum grande impacto, exceto a derrota política do bloco europeu.

Mas não satisfeitos, empresas começam a achar que os atuais governantes não acharam uma saída clara para crise e começam a gestar suas próprias soluções, o exemplo mais radical foi da Siemens, que criou um banco próprio, que centralizou seus ativos e converteu em títulos do BCE, para que não corra riscos de uma mudança de moedas locais. A gigante farmacêutica AstraZeneca abandonou seus ativos em Euros e passou a comprar títulos do tesouro americano.

Aos trabalhadores não sobra muita margem de manobra a não ser a migração entre países do bloco europeu ou uma nova busca da América, o sonho lindo e colorido da Europa unida, parece mais distante.

 

 

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5 respostas em “Crise 2.0: Abraço de afogados

  1. Caro,

    Eu não comento, pq não tenho muito a acrescentar. Mas acho seus textos sobre a crise muito claros e cheios de informações relevantes. Sempre retuito. Continue, por favor, não sei se você é “jornalista formado” (KKKKKKKKKKKK) mas acho q faz um belíssimo trabalho jornalístico.

  2. Pois é, achei a jogada “de mestre” também. Vivo gritando (sim, em caixa alta) “SINK THE BISMARCK”, porque ou o mundo afunda o Bismarck, ou seja, der führer Merkel, ou o Bismarck acaba com o mundo. Mas qual seria o Bismarck dessa nova guerra, a Crise 2.0? Não sei, os entendidos que descubram alguma vulnerabilidade da Alemanha, porque alguma há, né? Dói saber que o Obama descobriu umazinha… Eita crisezinha miserenta…

  3. Ah, esqueci de comentar que essas medidas do nosso governo pra sustentar o consumo me preocupam. Lá vai o brasuca se endividar de novo perto do Natal… O PIG adora falar da inadimplência do povão lá pro meio do ano, observem só!

  4. Pingback: Crise 2.0: Diário Dois Ponto Zero | Arnobio Rocha – Política, Economia e Cultura

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