Crise 2.0: "Escravos" modernos?

 

 

 

Num outro artigo da série sobre a Crise 2.0 tratei da questão do desemprego entre os jovens ( Crise 2.0: Desemprego, Juventude e Rebelião) , mas hoje lendo o MetroNews, vi uma matéria muito boa sobre o tema com o título: Aumento do desemprego cria “geração perdida” na Europa. Apesar de curta traz alguns depoimentos e números até já usados  anteriormente.

O desemprego atinge de forma implacável os mais jovens na Europa, esta população da faixa etária de 16 a 24 anos, na Espanha está 50% fora do mercado de trabalho, na Grécia 43%, na Itália 27,4 % e na França 21%. Países em melhor situação como Holanda os números também são expressivos, algo em torno de 16% de desemprego, mas mascarado pelo emprego parcial.

Segundo Anne Sonnet, economista da OCDE, “essa é uma situação é terrível. Em alguns países o desemprego dobrou em dois anos” (via MetroNews). Para parlamentar europeia, a  dinamarquesa Emilie Turunen: “o desemprego juvenil é uma ameaça séria para toda a sociedade e não é levada a sério pela União Europeia e por seus estados membros”.

Ainda, diz Anne “quando a crise financeira atual terminar, recém-formados terão mais facilidade de entrar no mercado de trabalho. Mas quem já está desempregado, a procura continuará difícil” continua ela, “Na América do Norte, por exemplo, não há perspectivas positivas para os próximos dois anos.  No entanto, a Aústria e a Alemanha registraram baixos índices de desemprego atualmente. A Alemanha agora tem menos desempregados do que há dois anos”. Reforça o que venho afirmando a Crise na Europa beneficia, ainda, a Alemanha, daí sua resistência em “salvar” a UE nos moldes tradicionais.

A italiana, Francesca Quartarulli, 25 anos moradora de Milão, a parte mais rica da Itália, conta que pouco adianta a formação “Meu diploma é inútil: as empresas querem profissionais com experiência”, diz que passar dia e noite procurando oportunidade, se arrepende de ter feito faculdade, poderia ter gasto com viagens, pois assim saberia melhor o que fazer da vida. “Minha idéia agora é mudar de país, de repente para o Reino Unido. Acho que terei chances para encontrar um emprego descente lá. Para ser sincera, aqui na Itália é preciso lutar até para achar um trabalho como escravo. Por isso acho que mudar de país é a única luz que vejo no fim do túnel”. No Euroews uma ótima reportagem assistam ao link Não há país para os jovens em Itália .

No site PressEurop tem o resumo de uma matéria do jornal dinamarquês The Politiken, que reproduzo abaixo”, é de 27 de junho, antes do agravemento de Grécia e Espanha, mas muito significativa:

“Não há trabalho para os jovens na Europa”, é o título de primeira página do diário Politiken, que apresenta dados do Eurostat, segundo os quais 20% dos jovens europeus com menos de 25 anos estão desempregados, 5% mais do que há três anos. À frente, os jovens espanhóis (mais de 45% não têm trabalho), seguidos pelos eslovacos, lituanos e gregos. A este fenómeno não escapam os países com economias relativamente estáveis, como a Suécia, nota o Politiken, onde mais de 20% dos jovens estão desempregados. A Dinamarca, por enquanto, é exceção, com uma taxa de desemprego de “apenas” 12%.

Uma situação que estará prestes a mudar e que vai provavelmente agravar-se na Europa, com conseqüências a longo prazo, estima Jesper Rangvid, professor da Copenhagen Business School: “Quando grande parte de uma geração está ausente do mercado de trabalho, os países perdem ‘know-how’ e experiência importantes”, explica ao diário dinamarquês. Também a Grécia, que vai ter de aplicar um plano de austeridade económica drástico, para obter a ajuda dos outros Estados-membros da UE e do FMI, irá ver-se provavelmente confrontada com uma fuga em massa de cérebros, em especial jovens licenciados, a médio prazo”.

Uma matéria da EuroNews, no link dá conta dos sem tetos na Grécia, culpar diretamente o aumento às medidas de austeridades: Nova geração de sem-abrigo cresce na Grécia. “Um Natal ao relento e sem o conforto familiar espera um maior número de gregos. O aumento de 25 % de sem-abrigo é denunciado pela associação Klimaka”.

 

 

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4 respostas em “Crise 2.0: "Escravos" modernos?

  1. Jovens sem emprego vagando pelas ruas, velhos com 900 euros de aposentadoria… que mundo será esse em breve? Desculpem a insistência, só lembro de Mad Max nessas horas.

    • Claro que vao dizer alguns : mas 900 euros ? … e no Brasil…? So que na Europa o custo de vida ‘e muito maior…. a moeda titubeia…. a previsao ‘e desalentadora e as assistencias sociais ,se existiam, estao sendo canceladas….. tudo bem ao contrario do Brasil.

      • exatamente, com 900 euros vc mal paga o aluguel. felizmente os remédios são de graça (pelo menos na França e e na Inglaterra).

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