Crise 2.0: Efeito Dominó – Grécia, Portugal…de novo

 

casa_porto_ja_era_divulgacao.jpg

(Estadão – Diário Económico)

 

Estamos voltando ao cenário do efeito dominó, das quedas em sequência, aquilo que ano passado tratamos na série Crise 2.0 , que começou com Irlanda, desceu para Portugal e Espanha, e derrubou a Grécia, depois abalou a Itália. Recentemente, vimos a mesma Grécia ser oferecida com descontos ( Crise 2.0: Grécia – a 70% de desconto ) aos seus credores, mas infelizmente não para aqui, mesmo não tendo acordo sobre a dívida grega o dominó se move para derrubar Portugal.

A história se repete como farsa ou tragédia, o movimento do ano passado foi para derrubar governos e economias, agora este novo “jogo” é derrubar qualquer soberania, que ainda exista, ontem no post Crise 2.0: Europa sob jugo alemão , tratamos mais uma vez da estratégia alemã de privar estes países endividados de qualquer autonomia. Nem bem terminamos o artigo, recebemos mais informações da explosão da dívida portuguesa, os astronômicos 17,3% para os títulos de 10 anos, uma clara indicação de default.

A situação é caótica a queda brusca no poder de compra e empobrecimento rápido e vertiginoso, ontem no Diário Económico duas matérias que dão o norte sobre o impacto da crise no país. A primeira mostra que os imóveis em Portugal chegam a ser oferecidos com até 70% ( que número cabalístico). Houve uma queda em 7,2% nas vendas em 2011.

A outra é a análise do sociólogo Elísio Estanque, autor do livro ‘Classe Média: Ascensão e Declínio’ , ele diz ao Diário Económico que “A classe média “está em risco de um empobrecimento muito rápido” que pode levar a um “descontentamento mais amplo na sociedade portuguesa” e ao “enfraquecimento do sistema socioeconómico e do sistema democrático”

Ele diz ainda  que “a classe média que Portugal conseguiu edificar” foi criada num “processo muito rápido, pouco consistente, que resultou sobretudo da expansão do Estado social e que, na sequência dos anos 80 do século passado, sujeita a um discurso mais ou menos eufórico orientado para o consumo e para um certo individualismo, criou um conjunto de expectativas relativamente às oportunidades do sistema”.

“No entanto, a crise económica que Portugal enfrenta está a defraudar essas expectativas, considerou Elísio Estanque, explicando que isso levará a uma alteração da sociedade a partir da insatisfação dos jovens”.


Em Davos o economista e acadêmico norte-americano Kenneth Rogoff alertou que ” a reestruturação da dívida soberana de Portugal irá, inevitavelmente, seguir a da Grécia e há uma elevada probabilidade de que a Irlanda e a Espanha terão de realizar a mesma remodelação dos pesados endividamentos de seus bancos”. (Associated Press)

Disse ainda durante uma entrevista que ” a atual melhora nos mercados de títulos da dívida de países periféricos da zona do euro é “uma ilusão”. Segundo o economista, o Banco Central Europeu está “financiando esses títulos e é essa razão da queda dos spreads (de juros).”

“Que será necessária uma reestruturação na Grécia e em Portugal está claro e, provavelmente, também na Irlanda, onde deve ser suficiente remodelar as dívidas dos bancos, assim como na Espanha, se for considerada a dívida do setor privado e dos grandes bancos”, afirmou. “A Itália é um caso a parte e o que deve estar ocorrendo por lá é apenas uma questão de liquidez”.( Associated Press)

O Desemprego em Portugal bateu os 13,6% no fechamento de 2011, provando que as medidas de austeridade e privatizações seguem na contra-mão do emprego. A situação é de piora geral, mas a imposição da banca segue sendo cumprida fielmente.

 

Crise 2.0: Espanha e os Skrotinhos

 

 

(Angeli)

A Espanha várias vezes comentada aqui na série Crise 2.0 , ver links abaixo

  1. Crise 2.0: Direita,Volver!!;
  2. Crise 2.0:”ambiciosas e surpreendentes”;
  3. Crise 2.0: Uma realeza decadente
  4. Crise 2.0: Privatizadores, agora privatizados;
  5. Crise 2.0: A desarmada espanhola

 

Despachou seu Ministro da Economia, Luis Guindos ( ex-Presidente do Lehaman Brothers e FMI) para Bruxelas e depois para Davos com o objetivo, segundo El País, de vender a marca “Espanha”. O momento não podia ser mais constrangedor para estas apresentações:

“Guindos apareceu em Davos para vender a marca “Espanha” em mais um dia de chumbo, o dos 5,3 milhões de desempregados, uma taxa de desemprego que é praticamente um recorde mundial”. (El País, 31/01)

 


 

Lendo o texto lembrei de antigos personagens do cartunista Angeli, os “Skrotinhos” , eles sempre repetiam bordões para constranger com quem dialogavam, ou melhor sacaneavam. Pois eis que que Guindos faz o mesmo, leiam as pérolas:

“O compromisso da Espanha com a austeridade é total“, foi a frase que mais se escutou Guindos dizer em suas manifestações. Muito perto dela, “o compromisso da Espanha com a redução do desemprego é total

Tudo para Guindos é Total, inclusive a reforma trabalhista e bancária, como diz uma fonte do jornal El País :

“A ideia é fazer política de oferta: o mandato dos eleitores passa por aprovar uma reforma trabalhista dura ou muito dura, e quanto aos bancos, uma nova reforma financeira sem pôr dinheiro público”

E a repetição, como mantra ou à lá Skrotinhos:

“A Espanha tem alguma opção que não seja a austeridade neste momento? Nenhuma. A Espanha tem de fazer seus deveres, lançar sinais claros ao mercado, cortar e reformar tudo o que for necessário, demonstrar que é um país sério para recuperar a credibilidade perdida. Só assim voltará a confiança”.

O outro par, o Ministro da Fazenda repete:

“Todas as comunidades autônomas deverão apresentar equilíbrio ou superávit orçamentário”, anunciou o ministro da Fazenda, Cristóbal Montoro.



O Ministro vendeu a si mesmo, sua imagem, mas não a do seu país. A série de reuniões com Ministro da finanças Alemã Wolfgang Schäuble, o francês, François Baroin, e o comissário de Assuntos Econômicos, Olli Rehn. A sua primeira reunião em Davos foi Christine Lagarde, a diretora-gerente do FMI.

Um país que continua a cair pelas tabelas, a cada revisão das agências de riscos mais queda, na Última da S&P e Fitch desceu dois degraus, assim como Itália. Mesmo assim manda um Ministro apenas repetir obviedades e prometer mais castigo ao povo espanhol como forma de demonstrar “compromisso” com a austeridade, eis a profunda tragédia espanhola.

 

Crise 2.0: O Estado para nos salvar

 

 

 

Acompanhar diariamente o que passa no mundo tem sido uma tarefa complicada, cansativa, mas muito prazerosa, esta série sobre a Crise 2.0 tem me ajudado demais a entender um pouco da realidade de vários países, mesmo à distância, também a conhecer as figuras proeminentes do pensamento econômico mundial, passei a ler com mais atenção Paul krugman e seu cortante humor, os refinados textos de Martin Wolf. Acompanhar com mais frequência as colunas de Celso Ming. Procurar neles e em outros mais informações relevantes na construção de uma atualização de um pensamento vigoroso, o de Marx.

 

Ideólogos Neoliberais: Os novos convertidos

 

 

 

Interessante constatar as mudanças de pensamento, inclusive de empedernidos membros do Consenso de Washington, como o Senhor Larry Summers que militou contra o Estado ativamente, mas que de repente, em Davos se converte a defensor do Estado. Passa a  pedir que o Estado redirecione o capitalismo, que o bem estar da população ( Educação e Saúde) seja o motor para um novo desenvolvimento. Ora, ora, ele  é o mesmo que tantos males causou aos países em desenvolvimentos com as receitas salgadas de privatizações e desmantelamento dos incipientes estados nacionais, agora aparece para pedir a volta do Estado? como se nada tivesse acontecido.

É preciso ficar atento, um falcão assim, não falar por si, grande interesses o acompanham, não é um convertido, mas as palavras dele faz parte de um novo esforço dos grandes grupos econômicos reinventarem o Estado e dele recompor sua taxa de lucro.  As questões apresentadas por esta imensa crise desafiam os grandes teóricos, os EUA o paraíso do liberalismo estatizou o sistema bancário, impôs uma série de medidas para que o sistema não evaporasse, gastou cerca de 5 trilhões em menos de 2 anos. Estatizou grandes empresas, como a GM, que é tem seu controle pelo Estado, na campanha dos Republicanos umas das bandeiras é privatizar a GM.

 

O poder dos BCs: A Força do Estado

 

 

 

Hoje lendo a coluna do Celso Ming verificamos o tamanho do rombo provocado pela crise, e o tamanho por outro lado do esforço do Estado para mudar o jogo:

“Quarta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) avisou que os juros ficariam próximos de zero não mais até meados de 2013, mas até o final de 2014. Indica que o dinheiro ficou tão abundante que seu preço (os juros) rasteja. O presidente do Fed, Ben Bernanke, planeja nova rodada de afrouxamento quantitativo.

Essa expressão do jargão financeiro surgiu em 2008, quando o Fed iniciou grande operação de recompra de títulos do Tesouro americano. Esse é um eufemismo criado para disfarçar “emissão de moeda”. Além do US$ 1,7 bilhão injetado na compra de ativos privados rejeitados pelo mercado a partir de 2008, o Fed fez duas grandes operações de afrouxamento quantitativo e, no total, recomprou mais US$ 900 bilhões em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O Fed acumula hoje US$ 2,9 trilhões em ativos em seu balanço”. (grifo nosso)

 

Do outro lado do Atlântico a “Bazuca” também é assustadora:

 

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, além de recomprar títulos soberanos num total de 213 bilhões de euros, criou nova linha de financiamento ilimitado para os bancos com prazo de três anos, denominada Operação de Refinanciamento de Longo Prazo (LTRO, na sigla em inglês), a juros de 1% ao ano. Por meio dela, colocou na economia outros 489,2 bilhões de euros no final de dezembro e já agendou repeteco em 29 de fevereiro, quando se espera dos bancos demanda equivalente. Somente nessas duas operações, o BCE poderá ter emitido ao final de fevereiro cerca de 1 trilhão de euros. Até lá, o total de ativos em seu balanço poderá ter saltado para nível acima de 3,2 trilhões de euros.

 

Só assim podemos entender o que está por detrás desta “conversão”, desta mudança de paradigmas dos ideólogos neoliberais, como o mesmo Ming entrega: “O objetivo desses grandes bancos centrais é evitar o colapso do crédito e impedir o naufrágio de um Titanic bancário, capaz de produzir um tsunami.

Não há sinal de que esse mundaréu de dinheiro provocará inflação. Nos países de economia madura, a atividade econômica passa por longa fase de dormência, como ursos ao longo do inverno”.

No fundo querem se manter na proa do controle das grandes empresas, taticamente hoje pedem mais Estado, assim como ontem pediam “menos Estado”. São os mesmos que defendem a democracia como valor universal, desde que ela ajude nos seus ganhos, mas não há pudor também em defender uma ditadura, quer seja política, que seja Econômica.

 

 

 

Crise 2.0: Europa sob jugo alemão

 

 

(Foto AFP)

Bem, pelo que vejo, este blog com sua série sobre a Crise 2.0 cumpriu seu papel principal,  colocar o debate sobre as crises capitalistas no seu devido lugar: A concepção de Marx das Crise de Superprodução. Demonstrando que a crise não é a queda do capitalismo, menos ainda que ela aconteça quando o capital está em baixa. Ao contrário, quando ele está em alta, com superprodução de Capital, é que se tem a Crise. Mais ainda, esta série conseguiu analisar a dinâmica da crise, apontando a tendência na Europa do novo papel da Alemanha.

 

Ainda quando nada se falava sobre o papel central alemão, munido de alguns dados essenciais sobre o superávit das contas alemãs vs. déficits dos outros países, apontamos que a Alemanha provocava a crise, mais ainda deliberadamente a aprofundava, pois dela se beneficiava. Este insight foi de meados de agosto/2011 agora virou bordão comum: Alemanha devora a Europa.

 

Apontamos ainda que os planos de ajustes de: Portugal, Espanha, Grécia e Itália, eram supervisionados pela Alemanha, que impunha técnicos e revisores aos mesmos. Que os mandatários destes países, a quem denomino de “Sátrapas” (Crise 2.0: Os Sátrapas ), prestam uma vassalagem nunca dantes vista na história recente. Todo e qualquer passo, ação, eles se reúnem com Sarkhozy, uma espécie de imediato, ou sub-sala, para depois beijar a mão de Merkel pendido seu aval.

 

Neste fim de semana correu mundo a manchete de que a Alemanha quer participar diretamente da gestão grega, ela “quer instalar um “comissário de orçamento” da União Europeia na Grécia, com poder de veto sobre decisões de gastos do governo grego. Aceitar isso seria uma condição para a Grécia receber um novo pacote de ajuda financeira de € 130 bilhões, diz reportagem do Financial Times.

Cópias do plano da Alemanha estariam circulando entre os ministérios das Finanças dos países da zona do euro; uma delas teria sido obtida pelo jornal. Em Atenas, um funcionário do Ministério das Finanças da Grécia disse não ter conhecimento da proposta; em Berlim, um porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha se recusou a fazer declarações. (Dow Jones, 28/01).

Para quem acompanha esta série, parece matéria velha. Percebo que a Alemanha hoje impõe o ritmo e os pesados planos de austeridades de forma similar ao que FMI/Clube de Paris, fazia na América Latina nos anos 80/90 com a crise das dívidas externas. As famosas missões que eram recebidas no Brasil pelos presidentes, ministros da economia, BC e legislativo. Chegavam aqui impunham seus planos, exatamente como agora a Troika faz nestes países, sob a rigorosa supervisão alemã.

 

 

Cisne Negro – ou dualidade Sexual

 

 

Depois de quase um ano, finalmente assisti ao filme “Cisne Negro”, na época por um série de razões pessoais não pude,ou não quis vê-lo, o que realmente acabou se revelando de bom alvitre. Pois, agora assistindo, posso comentar com mais tranquilidade sem “entregar” a trama. O filme é espetacular, visual arrebatador uma atuação grandiosa de Natalie Portman, que passou por uma jornada de preparação,desde Padme de Star Wars, passando pela ousada Alice Ayres de  Closer, até a intensa Evey de  V de Vigança.

O filme é cheio de símbolos, uma forte carga psicológica, cujo centro é o Sexo, ou melhor a ausência dele, precisamente a repressão sexual da jovem Nina, dominada por uma mãe frustada com o sexo ou o produto dele(a filha), pois com a concepção dela, abreviou sua carreira, aparentemente não brilhante de bailarina. Nina passa a ser o objeto do sonho de sua mãe, os “erros” cometidos por ela não podem ser repetidos, nem que isto custe a vida dela.

O contexto de Nina é dominado pelos planos do consciente e inconsciente, o real e o imaginário se misturam na narrativa, a intensa produção onírica guia o cotidiano da jovem bailarina. A sua virtuosidade pode ser premiada com o papel principal no corpo de baile, mas por outro lado sua técnica perfeita sem dar asas ao humano pode lhe afastar do centro. O dialogo estabelecido no teste e pós-teste ao papel principal é revelador, Thomas, o diretor, é claro com ela, “você é a cisne branco, mas pode ser sua gêmea Negro? tem a sensualidade e sexualidade dela”.

 

Ora, a dualidade da peça dos Cisnes é a de Amor/Sexo, já tratado por nós na análise de Eros (amor fraternal – o Cisne branco, aqui acrescento) Vs. Afrodite ( Amor carnal, sexual – o Cisne Negro)  em literalmente identifico este duo:

“A dualidade amor/sexo já era definida na Grécia tinha dois deuses: um amor sexual, carnal, e outro o fraternal. Eros, o amor perfeito, fraternal… Quase assexuado, ou duplamente sexuado – Afrodite, que significa em Grego: Amor-do-Pênis o amor da ejaculação, do gozo, do prazer.

Afrodite é a personificação do sexo.. antes dela, os gregos só conheciam Eros e para eles todos os seres tinham os 2 sexos e copulavam entre si. A função sexual era apenas mecânica e reprodutora não havia beleza, leveza ou prazer carnal”. ( Cultura – O maior legado Grego )

Os pares também determinam na intensa luta provocada pela mãe de Nina e seu Diretor. Por várias veze Thomas inquire a jovem se ela é virgem, se tem prazer no sexo, por vezes a provoca para que ela deixe que aflore em si o cisne negro( Afrodite) o poder sexual, inclusive a aconselha que se masturbe. Na outra mão, a mãe faz lhe lembrar que o sexo a fez perder a carreira, que ela não se deixe seduzir por Thomas que tem a fama de usufruir dos favores de suas bailarinas. A luta é intensa a jovem tenta se masturbar mas ver a mãe, sexualmente a repressão tolhe seu talento.

A psiquê atormentada da jovem Nina faz com que ela se puna, no plano real/imaginário com cortes, o sangue lhe corre sempre às mãos, e mais uma vez recordamos antigos escritos nossos sobre culpa e sangue, Lady Macbeth, no Macbeth: Trono de Sangue .  Lavar as mãos com muita água corrente, para limpar as verdadeira sujeira da alma, o tema da água purificadoras já amplamente vista na Grécia antiga como o juramento pelas águas do Estige( rio do Hades – sem a conotação do “Infernum”) ou o mergulho reparador no Letes, o rio do esquecimento, a limpeza das faltas, culpas ou pecados. Ora, mesmo Jesus, que veio ao mundo sem pecado original, no mito cristão a virgem que pariu sem perder o hímen, precisa se banhar no rio Jordão e ser batizado por João Batista. Mais uma vez demonstrando a água, o líquido que limpa não apenas a sujeira do corpo, mas fundamentalmente a alma.

Nina não conhece o sexo, muitos menos o prazer, a própria sexualidade indefinida se deseja homem ou mulher,Lilly, a bela bailarina, causa-lhe mais confusão, cumprindo papel fundamental de fascinação/desejo sexual, mais uma vez os dois planos se misturam, uma relação sexual com Lilly, ou um sonho erótico é o confronto maior à mãe que lhe reprime. A satisfação e o medo acaba lhe imprimindo coragem para se livrar do quarto infantil que a mãe lhe aprisionou.

A catarse final se dará durante a estréia, Nina obcecada pelo papel, mas sem conseguir definitivamente ser Cisne Negro precisar ir além e, nas palavras de Thomas, antes do espetáculo: “Seu obstáculo é você”. As várias partes da queda inicial ao êxtase são de uma poesia intensa. A “luta” contra si, seu espelho, sua alma, só pode ser rompido com a violência, o hímen é rompido, o beijo intenso em Thomas tem efeito de um prazer maior, que se materializará no sangue da ex-virgem na morte de Eros/Cisne Branco.

 

 

Crise 2.0: Grécia – a 70% de desconto

 

 

 

Temos tratado, nesta série sobre a Crise 2.0, sobre a questão da Grécia em vários posts:

  1. Crise 2. 0: Presente Grego;
  2. Crise 2.0:Heroico Povo Grego;
  3. Crise 2.0: Os Sátrapas;
  4. Crise 2.0: A Nova Tragédia Grega

 

Hoje, parece que finalmente uma “solução” para questão da dívida pública será encontrada, óbvio com uma cara de pau extrema se anuncia que os bancos credores darão 70% de desconto do valor de face. O correto seria dizer, vamos ainda ter de retorno 30% daquilo que virou uma mina de exploração. Além disto, é sempre bom lembrar que estes mesmo banqueiros receberam sem “Proer” junto ao BCE em várias parcelas, desde 2008 mais de 1 trilhão de Euros foram repassados ao bancos.

O abundante capital dos anos gloriosos do início do Euro, emprestados a juros altos, desde sempre, aos gregos, portugueses e espanhóis, agora é cobrado de forma vil. Pouco, ou nada, importa se o país está falido, sem a menor condição de se manter de pé.

Vejamos a pérola que disse presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, à emissora de televisão alemã N-TV:“Colocamos sobre a mesa uma oferta muito atraente”, disse Ackermann, que também preside o lobby bancário IIF, sobre uma proposta em discussão em Atenas.

O IIF está coordenando uma oferta por parte dos credores do setor privado, conhecida como Iniciativa do Setor Privado (PSI, na sigla em inglês).

“São perdas de quase 70% que estamos preparados para assumir”, disse Ackermann em entrevista à emissora nesta sexta-feira. “Todos precisam fazer uma contribuição”. ( Dow Jones /Estadão 27/01)

A falta de respeito ao povo grego é imensa, um país ajoelhado, de pires na mão, a foto acima demonstra o caos que vive hoje a população grega. Para completar ainda vem o Sátrapa Papademos, o Primeiro-ministro biônico, imposto pela Alemanha/Goldman Sachs, exigir mais do povo. Obediente ao que manda Frau Merkel:

“(As negociações) estão em um bom caminho. Nessa base, o segundo programa para a Grécia será formulado, no qual a Grécia também tem de especificar novamente suas obrigações adicionais.”
Pergunto-me: Quais novas obrigações serão impostas à Grécia? Vassalagem, subserviência total não basta?
Parece que Pascal Lamy tem uma resposta, aqui numa entrevista ao excelente portal EuroNews, de ontem 26/01:
“Pessoalmente, penso que se a Grécia tivesse de saír da zona euro, os problemas não seriam mais fáceis de resolver. Não acho que despedaçar a zona euro seja uma boa solução. Pelo contrário, acredito que fortalecer a disciplina a nível comunitário é o caminho certo”.
Ou seja, apertar mais ainda os “malvados” gregos perdulários, jamais os farristas banqueiros com seus juros escorchantes e sedutores empréstimos. Os sonhos de ser “europeu” levou a Grécia ao pesadelo da miséria.


Crise 2.0: Merkel x Soros

 



Angela Merkel disse na abertura do Fórum Econômico Mundial que ainda há lições para serem aprendidas após a crise

 

(Foto de Vincenzo Pinto/France Presse)

 

Frau Merkel fala forte, como sempre, em Davos, local muito apropriado para o grande capital debater a Crise 2.0, mais relevante ainda, e sintomático que a poderosa chanceler da Alemanha fale na abertura oficial. O discurso foi mais uma vez um primor de autoritarismo. Sem meias palavras a Premier alemã apontou o dedo aos seus parceiros europeus por tudo de ruim que lá acontece.

Em síntese deixou claro  que “os problemas europeus, disse a chanceler, vão além da crise das dívidas soberanas e serão necessárias mais que políticas de austeridade para resolvê-los. Vários países têm dificuldades para competir e precisam de reformas estruturais – no mercado de trabalho, por exemplo – para crescer e criar empregos”. ( Estadão 26/01)

A toada é a mesma, para o grande público exige instituições fortes: Parlamento Europeu, Corte de Justiça e BCE, mas a boca pequena Frau Merkel atropela as instituições impondo planos de ajustes aos países credores, sem dó ou piedade. As autoridades da comissão europeia são constantemente confrontadas por Merkel, causando constrangimentos nas reuniões. A falácia de “mais Europa, para europeus” é uma afronta, que é simplesmente desmascarada pelo cartaz do manifestante solitário na Espanha:

 

"UE é de todos, não da Alemanha. Fora Merkel", diz cartaz em protesto na Espanha ainda no ano passado

(Susana Vera/Reuters – 8.dez.2011)

 

Segundo a Folha de S. Paulo, Merkel fará um artigo que será publicado conjuntamente por vários jornais europeus, cujo centro será o de que “Merkel afirmou que leva muito a sério a “infundada” percepção de que a Alemanha tenta impor seus pontos de vista a seus sócios europeus.

“A Alemanha é um importante país europeu e assume sua responsabilidade como tal”, afirmou. “Contudo, nenhum país pode arcar com a dívida de outro”, disse. (FSP 25/01). ( Um show de cinismo)

 

Duelo de Titãs: Merkel x Soros

 

George Soros Davos

 

Mas eis que surge um contraponto ao discurso de Merkel, o megainvestidor George Soros “disse ontem em Davos que os problemas do euro ameaçam o projeto político da União Europeia. Para ele, apesar de o euro ter sido concebido para apressar a união política entre os países europeus, a moeda única tem defeitos graves no seu projeto, e agora ameaça causar o efeito oposto.

‘Esses defeitos ativaram um processo de desintegração que tornou a união política mais difícil de ser alcançada hoje do que quando o euro foi introduzido’ (Estadão ,26/01).

Ele disse mais: “a política econômica europeia é ditada pela Alemanha, ‘porque em tempos de crise os credores sentam no banco do motorista’. E concluiu ruidosamente: ‘O problema é que a austeridade que a Alemanha quer impor vai empurrar a Europa na direção de uma espiral deflacionárias de dívidas’.

O nada bobo Soros teme que os ativos sejam “deflacionados”, como se a queima generalizada de Capital não fosse parte da solução da Crise, do ponto de vista do Grande Capital. O Megainvestidor não quer perder NADA, a MegaMinistra tem seus próprios interesses, de  outra fração do Capital. Ambos concordam: O europeu(trabalhador e povo) deve pagar a conta.