Tempo

 

 

“Every year is getting shorter never seem to find the
time.
Plans that either come to naught or half a page of
scribbled lines” ( Time – Pink Floyd)

Correndo atrás de mim mesmo, é o que tenho feito nestes últimos dois anos, a vida deu uma guinada, poderia ser apenas uma metáfora da famosa “crise dos 40”, mas infelizmente, quando estourou, não foi este o motivo. As situações extremas são definidoras de cortes radicais em nossas vidas, a perda de emprego, a morte de pessoas próximas, ou, no meu caso, uma doença grave na minha casa.

 

O meu problema em si, não permitiu, ainda, que grandes mudanças ou rupturas possam ser feitas, mas o caminho é este. O longo tempo de ansiedade, a sensação de mergulho radical, ou apenas a insegurança de dormir sem saber como será o dia seguinte, sem dúvida, acaba tirando a terra sob seus pés. A vida fica em suspenso, manter a racionalidade, algum fio de realidade, por mais difícil que seja é obrigatório, pois pirar é o caminho mais rápido e simples.

 

Este blog e a solidariedade, carinho de amigos reais ou virtuais, são fundamentais, para continuar acreditando no dia seguinte, na meta  a ser alcançada. O amor incondicional que alimentamos por nossos filhos torna-se o combustível da fé que tudo se resolverá, que por eles temos que perseverá, lutar, trabalhar, mesmo que a mente e o corpo, em geral, esteja desconectados do cotidiano da empresa. Muitas vezes a alienação sobre tudo me deixa preocupado, pois preciso justificar o salário e meu emprego.

 

A minha experiência, a capacidade de resolver alguns problemas complexos de forma rápida, são importantes demais, para que me mantenha sendo “útil” no dia-a-dia, além de uma rede de proteção dos colegas de trabalho. Confesso que tem dias que não tenho a menor vontade de encarar o que tem por fazer, uma sensação de impotência, aí respiro fundo, lavo o rosto e  grito internamente: Acorda, acorda, segue que ninguém fará por ti!!

 

O tempo teima em não passar, ou para que não estar presente, parece que voa, esta relatividade é muito complexa de entender e de aplicar a meu favor, escrever, mas escrever muito, virou um desafio, produzir, realizar, utilizar cada breve momentos que posso passar aqui e realizar. Sem perceber nos últimos 106 dias, escrevi 106 artigos, uma coisa meio doida, mas me fez bem, aí sinto o tempo “passar” de forma “útil”, que assim seja.

 

Vocês vão ter que me aguentar…

 

 

 

 

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9 respostas em “Tempo

  1. Nós aguentamos, pode deixar. E sempre te apoiando!
    Nós aguentamos, pode deixar. E esperando os novos posts!
    Nós aguentamos, pode deixar. E conversando e discutindo contigo!
    Nós aguentamos, pode deixar. E rindo!

  2. Força rapaz… existe um motão de gente a te observar e de alguma forma torcendo por vc e toda sua familia.
    A vida é assim mesmo, toca o barco!
    Estamos aqui.

  3. Aprender a conviver com o vazio, cada um com o seu, não é fácil.

    Eu mesmo, há algum tempo, venho lidando com o meu e até um tempo atrás, fazia o mais rápido e simples, como você diz, tentando fugir dele, de um modo que, se me preservou aquilo que tenho de integridade, me trouxe um tanto de dissabores e atrasos, maqueados como “o que me resta”.

    Felizmente, ao que parece, não é seu caso.

    Escrever tem te ajudado (e a ‘nosotros’!), pode ter um tanto da crise dos 40 aí sim, porque não, a doença, com certeza, mas o importante é identificar esses momentos, fazer o que estiver ao teu alcance para aprender a conviver com eles e ter certeza que tudo passa.

    Alegria, tristeza e momentos ‘sem graça’ existem, duram mais ou menos tempo, na maioria das vezes independente de nossa vontade, o que serve prá nos redimensionar, volta e meia, e o negócio é seguir “lavando o rosto e gritando internamente: Acorda, acorda, segue que ninguém fará por ti!!”.

    …E a certeza de que tem mais gente passando as mesmas dificuldades, também momentâneas e que torcem por nós, assim como torcemos por elas.

    Abraço!

  4. Doença na família é uma barra muito pesada, todos adoecem juntos e todos precisam estar saudáveis para ajudar aquele que é mais fragilizado fisicamente. Fisicamente somente, pq regra geral tem uma fortaleza que sustenta a todos.
    Viver é sempre a melhor alternativa para todos. Viver amando, escrevendo, criticando, fraquejando, rodando a baiana, chorando e cantando…
    Viva! Viva vc, viva sua família.
    E quer saber? Vc é que vai ter que aguentar a gente por aqui.

  5. Pingback: Carpe Diem | Arnobio Rocha – Política, Economia e Cultura

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