Os Vingadores

 

 

No post anterior, HQ Marvel , mostrei minha relação histórica com os HQs em particular com os da Marvel, também lembrei dos vários filmes baseados neles que foram produzidos para o cinema. Em particular, nos últimos anos um conjunto de adaptações foram lançadas visando chegar à série “Os Vingadores”. Os dois filmes do Homem de Ferro com Robert Downey Jr, que foram excelentes, a figura do ator tornou o filme mais célebre, o que fez aumentar as expectativas para o grande filme que se anunciava.

 

Ano passado, Capitão América (com Chris Evans) e Thor foram lançados. Como já falamos antes, o primeiro foi um primor de adaptação, talvez a melhor de HQ já feita, eu pensava que a Batman, Cavaleiro das Trevas, era insuperável, me enganei, pois a do Capitão América realmente é muito bem feita. A versão do Thor, para mim, não justificou um filme autônomo, pela qualidade do filme, bem abaixo dos demais. Também não considero os dois filmes do Hulk, como preparação aos Vingadores, prova disto foi a troca de ator que interpreta David Banner.

O filme “Os Vingadores”, foi grandioso, mesmo com tantas atores e estórias paralelas, o resultado final é muito bom, é uma preparação para pelo menos mais dois outros, pois a sensação é que pode ser melhor ainda explorado, o que, após os  créditos finais, se mostra que ele vai continuar. Para nós que curtimos na infância e juventude os quadrinhos destes heróis, muito nos empolga, esperamos que venham mais e melhores filmes, baseados nestes heróis da Marvel.

 

A marca deste filme, foi o humor, em particular os mais cortantes e sarcásticos de Tony Stark(Homem de Ferro – Robert Downey Jr), bem adaptado ao contexto, mais uma vez ele brilha intensamente, provoca os demais, quase a convidá-los, se divirtam, aqui é uma “doce bobagem”, o que resume bem a diversão fácil, sem preocupar com um conteúdo mais denso ou sub-texto político. Robert Downey Jr parece que sacou bem a brincadeira, assim como a “seriedade” de Chris Evans está bem de acordo com o personagem.

 

Mas as grandes atuações do filme fica por conta do espetacular Samuel L Jackson e Scarlet Johansson, ele simplesmente incorpora um Nick Fury surpreendente, nos quadrinhos não era negro, mas ele dá um corpo a um personagem, numa grande atuação, o roteiro lhe favorece, mas ele vai além, ele domina a cena, no meio de grandes atores, como sempre, ele se sobressaí, não importando se o filme é sério, ou uma diversão, Samuel dá um brilho especial, suas aparições e poder de cena é realmente espetacular, vale o ingresso.

 

Scarlet Johansson, agora ruiva, mais sensual do que nunca, faz o melhor personagem do filme, o papel parecia menor, mas ela atua muito bem. A sua Viúva Negra é misto de sensualidade e inteligência, que a atriz incorpora com grande vigor, empresta toda sua arte, inteligência e sua extrema beleza. A estória, ainda não explorada, da personagem, é ressaltada nos ótimos diálogos dela com Loki, outro grande personagem. O momento que ela revela o porque de sua alcunha é excelente.  Uma trama paralela se desenvolve ali, que talvez seja objeto de mais um filme.

 

O conjunto do filme dá uma boa diversão, Mark Ruffalo, faz um ótimo Hulk, mais próximo do cientista atormentado, extremamente inteligente, mas parece que chegou a “festa” de última hora, não estando à vontade no papel, no geral vai bem. Por fim, mais uma vez Thor não brilha, insisto, porque, para mim, nas estórias em quadrinhos é sempre o personagem mais formidável, a mitologia envolta dele, mas ainda não pegou no breu. Talvez o ator não esteja à altura, o critério da beleza tenha decidido, não o talento. Ficou mais uma vez devendo.

 

 

HQ Marvel

 

 

No final dos anos 70, penso que 1979, ou no início de 1980, comecei a colecionar revistas dos HQ(Heróis em Quadrinhos) da Marvel, ainda morava em Bela Cruz, interior do Ceará, então estas revistas chegavam em pouca quantidade, mas de vez em quando alguém trazia mais números nas viagens a Fortaleza. Os colecionadores de revistas na cidade, éramos uns 8 ou 10: Neil Sedaca( o sacristão do Padre Odécio), João Jaques,  Valter Peru, Raimundinho, Claudinei e Eu. Quando um comprava, emprestava ao outro e também negociávamos entre nós.

 

Naquela época a revista de maior sucesso entre nós era Tex, quadrinhos sobre o velho oeste americano, em preto e branco. Ainda lembro quando começaram a produzir aquelas revistas coloridas, a que mais gostava era justamente os HQs, que traziam: Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Namor, Hulk. Eventualmente eles se juntavam nas estórias paralelas, especiais, dos Vingadores, comandados pelo Nick Fury.  Depois que mudei para Fortaleza, em 1981, o acesso à bancas de revistas se tornou maior, economizava meus trocados e pedia para minha mãe comprar, por muito tempo ainda comprei os HQs.

 

Minha história com aqueles heróis coloridos e estranhos vem de longe, sempre que tem alguma adaptação ao cinema volto no tempo. As primeiras adaptações foram do Superman e Batman, que são da DC, concorrentes da Marvel, depois vieram as do Homem Aranha(Marvel), aí começaram a melhorar os roteiros e temas com a série Marvel dos X-Men, os filmes todos muito bem adaptados. A resposta da DC foram os últimos dois Batmans, baseados na série do Frank Miller, O Cavaleiro das Trevas, com muito mais estória, conteúdo e tema para debate.

 

Capitão América - Chris Evans

 

A Série dos Vingadores estava sendo preparada, com os dois filmes do Homem de Ferro, que usou e abusou do humor sarcástico, com grandes atuações de Robert Downey Jr, que salvou sua carreira e deu vida a um grande personagem. Manteve um padrão adquirido com os filmes da Série X-Men, depois duas novas adaptações Marvel: Capitão América e Thor. Particularmente, acho a do Capitão América a melhor adaptação feita até hoje, a construção do personagem, o trabalho de elaboração do filme, o roteiro coerente com as origens do herói.

 

Homem de Ferro - Robert Downey Jr

 

A rica estória de Thor, se perdeu num roteiro muito confuso, toda origem de Asgaard, os feitos do herói, a disputa do poder com seu irmão Loki, no geral redundaram num filme estanque, sem fluência. Começa bem em Asgaard, mas caí muito quando Thor chega à terra. Parece que havia a necessidade ter um título a mais antes do filme conjunto, talvez isto justifique, mas infelizmente o resultado é dos mais fracos.  Até Nathalie Portman não trabalha bem neste filme, uma coleção de erros, que poderia ser evitada.

 

Thor - Chris Hemsworth

 

 

Penso que seria mais rico ter contado a estória da Viúva Negra, ou uma adaptação melhor de Hulk, outro que teve filme bem abaixo do personagem. Esta preparação para o filme que engloba todos eles, ficaria mais interessante se houvesse uma coerência de adaptações, não apenas filmes para preencher lacunas e busca de dinheiro, por exemplo, Matrix, começou com um filme genial acabou num caça-níquel de baixa qualidade, assim como Piratas do Caribe e tantos outros. Deste mal, não sofreu a série X-Men, da mesma Marvel, que consegui sempre fazer filmes cada um melhor que o outro.

 

Homero – Um Roteiro

 

 

 

Ilíada - Homero

 

“Com sacrifícios e preces amáveis, com libações e fumaça das oferendas, os homens os conquistam pelas súplicas, quando alguém transgrediu e errou” ( Ilíada ,Canto IX, Homero)


Como a atividade de blogar é muito dinâmica, os textos publicados se perdem com facilidade entre um e outro, também pela minha “produtividade” ter aumentado no último ano, resolvi fazer pequenas sínteses de estudos, artigos, para facilitar novos leitores com roteiros temáticos que vão além da categorias que hoje compõe o blog. Esta tentativa de trazer para hoje, textos mais antigos e , muitas vezes dará uma unidade lógica de meus pensamentos, teses e ideias. Assim, também, facilita o diálogo e a retomada de temas.

 

Estou voltado, nestas últimas semanas, aos estudos sobre Grécia Antiga, meu ponto de partida sempre foi a Ilíada e Odisseia, as obras fundamentais do mundo grego, dentro delas estão gestadas todos os vetores para que os temas fossem tão, maravilhosamente, ampliados, tanto nas tragédias, como comédias. Para além delas na história, estética. Inicialmente comecei a publicar os resumos sobre as duas obras aqui:

  1. Ilíada – Ficha de reseumo(1996)
  2. Odisseia – Resumo

Logo depois, publiquei duas analises focadas na questão política e Psicológica das imortais obras de Homero, os estudos foram feitos por vários anos de acumulo de debates e visões coletadas sobre elas. Procuro trazer as ideias centrais e reflexos delas nestes campos:

  1. Análise de Ilíada/Odisséia – Visão Política
  2. Análise de Ilíada/Odisséia – Visão Psicológica

 

São estudos gerais, que tentam, primeiro, tornar a leitura atrativa, dando uma visão resumida dos temas delas, segundo, as análises servem para dar um sentido mais próprio do que representavam Ilíada e Odisseia para a sociedade grega, os traços políticos(valores sociais, leis, influências, Estado, Poder). Óbvio que a influência no imaginário, nos arquétipos, mitos, deuses, tem um profundo peso naquele homem, daquela sociedade, que magistralmente compreende sua realidade e a descreve por força de sua psiquê. O que faço é alinhavar estas ideias e trazer aos meus amigos que me leem, algo que fiz tanto e tanto oralmente, não como objeto de puro diletantismo, mas para que eles conheçam mais profundamente este mundo que tanto nos ajudou a sermos o que somos: Humanos.

 

Recentemente, como falei acima, retomo o estudos dos livros essenciais ao mundo ocidental, pensava em publicar poema a poema e analisá-los um a um, tanto da Ilíada como da Odisseia, mas não sei é o local adequado, a ideia não estar afastada, mas adiada, talvez um outro veículo, mas específico seja o caminho. Mas resolvi, pelo menos publicar umas criticas mais pontuais as duas obras:

  1. Ilíada, leituras
  2. Traduções Gregas

São posts com objetivo de voltar a dialogar com os textos de Homero, uma oportunidade de poder amar perdidamente como antes, além de uma crítica sobre traduções e contextos analisados da Ilíada.

 

Agora com este roteiro de Homero, espero ajudar, para que vocês também se animem a ler e amar o maior bardo grego, a se enfronhar neste mundo cheio de mistérios e sonhos, a se reconhecer em homens, heróis e deuses. Saber que no fundo, tudo aquilo, somos nós de forma humana, mítica ou etérea.

Crise 2.0: Desafios do Brasil

 

 

A construção desta série Crise 2.0 tenho prucurado, em regra,  sempre escrever meus posts integralmente, com raras exceções publico alguma matéria que não seja minha, pelo menos em boa parte dela, faço referência às fontes, citando parte de textos alheios, pois não foram feitas para este blog. Como poderia reproduzir um texto, por exemplo, de Paul Krugman ou Matin Wolf? melhor buscar os trechos que embasem nosso raciocínio, que ajude a dar amplitude a uma ideia.

 

A questão do Brasil tenho tratado aos poucos, para dar uma opinião mais balizada, buscando entender avanços e retrocessos econômicos, força e fraqueza, alguns posts estão sedimentando minha visão, espero que este ajude um pouco mais, estes outros artigos, fazem parte deste caminho:

  1. Crise 2.0: Dilma nos EUA
  2. Crise 2.0: Questões do Brasil
  3. Crise 2.0: Momento Brasil
  4. Crise 2.0: Tsunami Monetária

 

Questão Brasil:  Financial Times

 

Ontem no Radar Econômico do Estadão, de autoria de Sergio Guedes Crespo, ele reproduz trechos de uma matéria do Financial Times sobre o O Brasil. O post é muito bem escrito, assim como o texto original, vou destacar algumas partes e indicar que leiam integralmente aqui Classes A e B são nova aposta no Brasil, diz ‘Financial Times’. O artigo é revelador, pois traz um gráfico conciso do que mudou o Brasil, desde o início do Governo Lula, a mudança de paradigma econômico, agora com  reflexos sociais mais claros.

 

“Depois do forte crescimento da chamada “nova classe média” no Brasil, agora é a vez de os estratos A e B chamarem atenção de empresas nacionais e estrangeiras, segundo uma reportagem doFinancial Times.

A classe C, definida nesse contexto como as famílias com renda mensal entre R$ 1,734 e R$ 7.475, cresceu 60% entre 2003 e 2010 e deve aumentar mais 12% até 2014, segundo o economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Bargas.

“Mas mais impressionante será o crescimento das classes A e B”, diz o FT. O perfil das pessoas desse grupo, no qual a renda familiar é maior que R$ 7.475, é mais parecido com o que os países ricos chamam de classe média e alta, observa o jornal.

No Brasil, o número de pessoas na camada A/B deve chegar a 29 milhões em 2013, o dobro do que havia em 2002, segundo Neri. A expectativa é de que esse estrato cresça mais rapidamente nos próximos anos, relata o jornal”.

 

Agora vem o gráfico chave da matéria, tanto do FT como do Estadão:

Financial Times

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A primeira leitura deste gráfico é assim definida pelo FT: “Diferentemente da China e da Índia, a história de crescimento do Brasil tem mais a ver com a redistribuição de renda do que com rápida expansão econômica”. Estas duas linhas sintetizam muito bem o que acontece no Brasil, qual a linha perseguida pelos governo de Lula e agora de Dilma. Nossa maior ganho, não foi certamente o crescimento chinês, mas a substancial melhora nos indicadores sociais. Alterar uma ordem vigente não é simples ou rápida, mas pode ser feita.

 

As mudanças também no aspecto político são assim descritas: “Há um tsunami político vindo para o Brasil”, disse Chris Garman, diretor do  Eurasia Group, maior empresa do mundo de análise de risco político. Complementa ainda “O crescimento do grupo de pessoas mais bem educadas e com mais poder econômico está mudando o tecido político e social brasileiro”.

 

Desafios Locais: A Democracia

 

Às vezes me pergunto – Quando cairá a “ficha” dos analistas locais? parece que nunca, movidos pelo ódio político-ideológico, umbilicalmente ligados aos eternos “donos do poder”, são incapazes de compreender/analisar o novo Brasil( Economistas ou humoristas ). O que, para mim, acaba atrasando a construção mais rápida de um concesso político, uma agenda, para que o país entre definitivamente em outro patamar. É fundamental que os novos agentes sejam representado e possam se constituir como elemento dinamizador de uma nova época.

 

A democracia é um processo custoso, em que se precisa amarrar fio a fio os acertos políticos, passado, presente e futuro, a busca de uma maioria política e social, construída com bases programáticas que rompam com as mazelas históricas, que se negocie saídas justas e perenes. Alguns falam que a China fez, é verdade, mas, a que custo? O processo de construção é autoritário, Brasil tem oportunidade de fazer diferente. Mas parece que tanto à Esquerda, mais ainda à Direita, só enxergam a “força” como forma de ir em frente.

 

Mesmo parecendo lento, alguns largos passos foram dados, podia se dar muito mais e maiores, é verdade também, mas, o mais importante é que não se retroceda, se caminhe olhando para frente, enfrentando cada embate, dentro do jogo democrático, buscando novos campos e alternativas. A impaciência, pelas mazelas históricas, não pode ser a questão que limite, ou não se reconheça os avanços, deve-se cobrar mais, pedir mais, mas, com o entendimento do se conseguiu, em menos de uma década, sem ruptura política e institucional. O Brasil virou referência, tem que aproveitar e efetivar mais mudanças.

 

 

 

Das Inspirações

 

 

Praia do Icaraí(CE)

 

Amigos, ontem me perguntaram: de onde vem sua inspiração? pensei, pensei e…não respondi. É fato, que de novembro de 2009 até maio de 2011 escrevi 100 artigos, desde então, em menos de um ano, foram mais 251 novos, bem não vou me deter nestes números, pois eles falam por si, em quantidade, mas não revelam o essencial, que eu mudei, e muito. A percepção é interna, mas que se reflete externamente.

 

Dito assim de outra forma, senti uma urgência incrível de falar, escrever, dizer o penso, mas não por apenas dizer, mas intervir no mundo que me cerca, dando algum sentido a minha vida. As razões nem sempre são claras, mas as mudanças que experimentei na vida, foram bruscas demais, dolorosas demais, o sentido de urgência, de tempo, me fez mudar. O que antes era apenas um passatempo, o blog, virou o meu desafogo, o lugar em que posso falar, falar, jogar ao mundo a minha angústia, o meu viver.

 

As inspirações que tenho são de ordem lógica, lúdica e às vezes onírica. As primeiras são, sem falsa modéstia, acumulo de anos de leitura, vivência, participação política e amadurecimento intelectual. Por muitas vezes estas inspirações “lógicas” são travadas pelo receio, de que as elaborações fossem  de baixo conteúdo, então, por vaidade, melhor ficar na oralidade, pois, sendo assim, o que você pensa não pode ser contestado, exceto para aqueles que te ouvem diretamente. Ao escrevermos, a coisa muda de figura, você torna palavra, aquilo que você pensa, em particular os conceitos que você tem de: Vida, Política, Filosofia, Literatura. Assim, você se expõe completamente, torna público quem efetivamente é.

 

As inspirações lúdicas, por outra via,  são as de ordem pessoal, os fatos de sua vida, trajetória, os feitos de sua existência, como se estabeleceu cada coisa  no seu mundo. É uma oportunidade de contar sobre si, descascar as camadas de cebola sobre si.  Contar causos, pelo menos de como você viu, os mais próximos, agradecem quando escrevo sobre nós, nossas famílias, parentes, ou fatos de que gostamos. Determinado acontecimento de minha vida, agora escrito, esclarece, joga luz, aos que participaram, muitos até protagonizados por eles, mas agora contados por minhas palavras. Parece que ganha mais relevo quando falo de coisa antigas, sinto o coração bater mais forte de pessoas próximas ou distantes quando são tocadas pelos relatos.

 

A última, talvez a principal, são as razões oníricas, as produzidas pelos sonhos, mais precisamente, pela psiquê, aquelas que estão em nós, que contam uma realidade vivida por nós, ou por alguém distante, mas se circunscreve na maior aventura humana: Sonhar. Repensar o mundo, as coisas, os sentidos, muitas vezes as alegorias que faço, entremeando, por exemplo, Economia mundial com um deus grego, é para mostrar, não erudição, mas de como o mundo é feito de fantasia, arquétipos, mitos. Aproximar de mundo, ou assuntos tão díspares, e apresentar elementos comuns, palpáveis, talvez aqui resida a arte de escrever.

 

Espero que tenha dito, assim, quais são as minhas inspirações, o que me move, tornar um pouco de mim, mais próximo, ou distante, de alguém que eventualmente me ler, mas, nem sempre, me compreende. Saiba que aqui reside um ser humano, cheio de emoções, paixões, dores e alegrias, que compartilha, sempre que possível, aquilo que sente e vê.

Crise 2.0: Austeridade(As Fúrias)

 

As Erínias(Fúrias) atacam Orestes - William-Adolphe Bougereau(1862)

 

Nestes debates sobre a Crise 2.0, tema recorrente sem dúvida é a questão da Austeridade, sempre, em qualquer lugar do mundo o velho discurso liberal que atribui a falta de Austeridade levou país tal a falência, ou outro à dificuldade, então sacam da cartola, antes era só FMI, com seus Chicago’s Boys, agora também a Troika ( Comissão Europeia, BCE e olhem só – FMI). Estes agentes, as Erinias(Fúrias) modernas, saem a perseguir os países pecadores.

 

Lembremos dos anos 80 e 90 o papel nefasto do FMI e do Clube de Paris que deixavam em polvorosa a América Latina, com suas “missões”, que eram recebidas com medo, receio pelos Presidentes, BCs e Ministros das Finanças. Vinham auditar e impor mais sacrifícios aos países já em situações de penúrias, era a suprema humilhação, falta de soberania absurda. Os últimos que aqui, no Brasil, aportaram falando grosso foi durante o mandato de FHC, pois este governo várias vezes foi com pires na mão pedir ajuda ao FMI. É uma triste lembrança, que, espero, jamais se repita.

 

Mas na Europa, em particular na Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal estes agentes, quase mitológicos, que por uma incrível coincidência, as Erínias(Fúrias) são três: Aleto, Tisífone e Megera, como são três a Troika , que, ao visitar, apavoram os aparvalhados governos locais. A cada visita que faziam à Grécia, o parlamento se reunia, eram recebidos pelo Primeiro-Ministro, pelo BC local, todos pedindo desculpas por qualquer falha. Mas, não satisfeitos, impuseram O tecnocrata PapaDEMos no governo.

 

Esta situação se repete em Portugal, Espanha e Irlanda, as “missões” são recebidas com temor desmedido, não há sombra de homens e de soberania nestes países, os governos submissos só dizem AMÉM, pedem perdão pelos erros, que não sejam punidos pelas Erínias modernas. Invariavelmente a palavra de ordem destes agentes é a mesma: Austeridade. Que traduzindo significa – mais sacrifícios, mais medidas duras contra a população que já paga uma imensa dívida do desemprego, da desesperança, perda de aposentadorias e expectativa de vida.

 

Os economistas de várias matizes já chegaram a mesma conclusão: Austeridade não resolve, ao contrário, piora muito a situação econômica de países em crise. Leiamos o que nos diz Paul Krugman, talvez o maior crítico dos planos de austeridades:

“Os resultados eleitorais recentes na Europa parecem ter elevado a consciência de uma maneira que literalmente anos de dados econômicos não conseguiram: a doutrina da austeridade que regeu a polícia europeia é um grande fiasco”.

(…)

“Essa coisa de austeridade foi inventada do nada e de alguns exemplos históricos duvidosos para servir os preconceitos da elite. E agora os resultados são que os keynesianos estavam totalmente certos, e os “austerianos” totalmente errados – com enorme custo humano.

Gostaria de poder acreditar que isso realmente seria suficiente para prosseguirmos e analisarmos o que pode ser feito, agora que sabemos que as ideias por trás da política recente estavam todas erradas. Mas isso é otimismo injustificado, imagino. Ninguém admite que esteve errado, e as ideias “austerianas” têm um  claro apelo político e emocional à prova de qualquer evidência”. (25/04/2012 NYT)

(Num artigo mais de fundo, ainda em 1/6/2010 Krugman já alertava para o fracasso Myths of Austerity )

 

Celso Ming ainda insiste que não há outra saída, senão a velha Austeridade, mas não afirma com tanta convicção:

Economistas de renome, como Paul Krugman e Joseph Stiglitz, também avisam que são terapias que, além de exigir enorme sacrifício da população, impedem o crescimento, causam desemprego e agravam a crise.

 

Ele, porém dá os números da Crise:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entretanto, Celso Ming,  volta a defender a Austeridade como única saída:

“Hoje é a própria Alemanha quem mais impõe sacrifícios aos demais sócios do bloco do euro. Ou seja, a receita prevalecente são cortes orçamentários, aumento da arrecadação e reformas que reduzam salários e aposentadorias.

Por maiores e mais disseminados que sejam os protestos e as recomendações em contrário de consagrados economistas, ainda está para aparecer quem aponte saída melhor. O problema não é só o tamanho da dívida da maioria dos países da área do euro. É o rombo orçamentário anual, alto demais, de quase todos (veja a tabela). Ou seja, as dívidas sobem todos os anos em relação ao PIB, a menos que cresçam menos do que o PIB”.

 

Ora, estamos diante do pensamento da Troika em estado bruto, como não acham solução melhor, vamos continuar apostando no que conhecemos, mesmo sabendo que não dá tão certo. Mas aí se valem que na Alemanha “deu certo”, uma mentira, escamoteada, por um fato fundamental:  Alemanha, tem padrão produtivo elevado, alta tecnologia, exporta capital, seu ajuste se deu quando havia afluxo de muito capital, exatamente o oposto de hoje.

 

Só sobrou ao Capital, através de sua longa manus ,  a Troika, ou melhor, as Erínias ( Fúrias), perseguir os mais pobres, impor sua: Austeridade. Que só serve aos trabalhadores, pois os ricos recebem, sempre, mais capital do BCE e do FED.

 

Traduções Gregas

 

 

 

“Zeus obteve por sorte o vasto céu, com sua claridade e suas nuvens” (Homero, Ilíada)

 

Desde muito tempo que leio alguns clássicos, sem dominar a língua em que originalmente foi escrito, sinto uma perda no sentido exato dos termos, isto se torna pior na poesia, pois ao traduzir versos, a necessária rima, impõe uso de palavras que, em muitos casos,  dificilmente se ajusta ao que está na língua matriz. Mas, talvez, não seja o maior dos problemas, o esforço de verter uma poesia é imenso mesmo, as perdas e adequações são inevitáveis, para que, em português em particular, tenham um sentindo geral, não literal do que foi escrito

 

Para mim, o maior problema são as traduções de livros de língua não latinas ou de inglês, como grego, russo, até alemão, pois, em geral, para aportar no português, usa-se o francês ou italiano como meio. Ou seja, há uma dupla tradução, para que tenhamos em mãos o livro. Um exemplo de clássico que chega a nós por esta via indireta é a Ilíada, raramente há uma tradução direta do Grego, a ideia geral não perdemos, mas as sutilezas do texto, a beleza das alegorias e metáforas são definitivamente esquecidas.

 

Outra coisa que é terrível, mesmo quando há tradução direta do grego, novamente Ilíada ou Odisseia, como exemplo, são as traduções dos nomes dos deuses e/ou personagens para a forma latina, parece bobo, mas isto deprecia demais o valor e o real conteúdo do nome de cada deus. Esta despreocupação, é própria dos que não estudam a fundo a mitologia grega em comparação a mitologia romana, não é verdade que Zeus seja Jupiter, apesar de parecerem os mesmo a noção encerrada no “nome” é totalmente diferente. Os deuses romanos, são apenas sombra da força do que eram os gregos, a “tradução” já incorpora uma ideologia própria do Estado Romano.

 

Vejamos o caso na definição de Junito de Sousa Brandão:

 

“ZEUS, em grego Ζεύς (Zeús), divindade suprema da maioria dos povos indo-europeus. Seu nome significa o que ele sempre foi antes de tudo: “o deus luminoso do céu”. O indo-europeu dieu provém de dei-uo, “brilhante, luminoso”, donde o latim diuus, deus, com o mesmo sentido. Em sânscrito Dyäus, com aposição de pitar, para indicar o “papel do chefe de família”, tem-se Dyäus pitar, equivalente de Ζεύς πατηρ (Zeus patér), “o chefe, o senhor, o pai do céu luminoso”. Em latim, IOU, que provém de *dyew, com a junção de piter (pater), gerou Iuppiter, que tem o mesmo significado que Dyäus pitar. No a.a. alemão Tiu>Ziu se tornou o deus da guerra, aparecendo o mesmo nome igualmente em inglês, sob a forma Tuesday, “o dia de Zeus”. Em francês, “o dia de Júpiter” surgiu primeiramente com a forma juesdi, depois jeudi, que é o latim iouis dies, “dia de Júpiter”. Aliás, os inúmeros epítetos gregos de Zeus atestam ser ele um deus tipicamente da atmosfera: ómbrios, hyétios (chuvoso); úrios (o que envia ventos favoráveis); astrápios ou astrapaîos (o que lança raios); brontaîos (o que troveja)”.

 

Ora o sentindo grego de Zeus “deus luminoso do céu”, mas a tradução latina, era Ju Piter , o Deus Pai, uma única forma que se perde a essência, não terrena, do grande deus do olimpo. O Zeus grego é ligado aos fenômenos da natureza, atribuídos a ele: Chuva, Ventos, raios e trovejo, claro que Zeus, como já expomos longamente no post : Zeus Pai: O Deus Estado,  se torna o senhor dos deuses, o pai , mas é muito longe da redução latina, perfeitamente casada com os interesses políticos, Ju (Iou) Píter.

 

O Mesmo Junito, tece a crítica, que temos pleno acordo:  “Se o Zeus helênico se fez o ditador inconteste do Olimpo, o Júpiter, ao descer para Roma, tornou-se Stator, Iuppiter Stator, quer dizer, o “Júpiter Estator”, que está de pé, firme, como uma “estátua”, em defesa não apenas dos interesses de sua cidade, mas também do império romano”.

 

Neste mesmo sentido Martin Heidegger( citado por Junito), fundamenta a questão da “tradução” de Roma sobre a Grécia:  “É pois verídico, pondera judiciosamente Heidegger, que essa tradução de termos gregos para o latim não é, em hipótese alguma, algo tão inofensivo, como se pensa até hoje. Essa tradução, aparentemente literal (e, por isso mesmo, aparentemente salvaguardante), é, na realidade, uma tra-dução (de trans-ducere, transpor para além), uma transferência da experiência grega para um outro universo do pensamento. O pensamento romano retoma as palavras gregas sem a apreensão original correspondente ao que elas dizem, sem a parole grega”.

 

Uma lista de Deuses e heróis gregos com sua “tradução” romana

 

Deuses Gregos Romanos
Afrodite (Citeréia, Cípria) ……………. Vênus (Citeréia, Cípria)
Apolo (Hélio, Febo, Lóxias, Pítio) Apolo (Febo, Lóxias, Pítio)
Ares …………………………………………. Marte
Ártemis (Hécate, Selene) ……………… Diana (Hécate)
Atená (Palas) ……………………………… Minerva (Palas)
Crono ……………………………………….. Saturno
Deméter …………………………………….. Ceres
Eros ………………………………………….. Cupido
Géia …………………………………………. Terra
Hades Dite (Plutão)
Plutão
Hebe …………………………………………. Juventas (Hebe)
Hefesto ……………………………………… Vulcano
Hera ………………………………………… Juno, Lucina
Héracles, Alcides ……………………….. Hércules (Alcides)
Hermes …………………………………….. Mercúrio
Héstia ………………………………………. Vesta
Leto …………………………………………. Latona
Moira ……………………………………….. Fado, Parcas
Perséfone, Core …………………………. Prosérpina (Perséfone)
Posídon …………………………………….. Netuno
Réia …………………………………………. Cibele (Réia)
Tânatos …………………………………….. Morte
Urano ………………………………………. Céu
Zeus …………………………………………. Júpiter

 

A belíssima tradução do poeta maranhense da Ilíada, feita ainda no século XIX, serve como curiosidade pelo português da época, assim como a miscelânea do uso dos nomes latinos aos deuses gregos, mesmo a tradução tendo sido feita, diretamente do grego. Por um lado é rica por não ser tradução “dupla” (Grego-latim-português), mas empobrecida quando optou pelo uso latino dos nomes.

Ilíada – tradução Manoel Odorico Mendes

 

Ainda não li a tradução completa feita por Haroldo de Campos, que parece muito boa, pelos trechos lidos, mesmo achando que ele use de muitas adequações, próprias de um poeta que “recria” o poema clássico. As ótimas traduções direto do grego, para mim, são as de Mario da Gama Kury e de Junito de Sousa Brandão, ambos estudiosos da língua e dos costumes de época.