Crise 2.0: O risco Merkel

Derrotados: Norbert Roettgen e Angela Merkel - Foto EuroNews

 

O processo de mudança na Europa, que já varreu 11 governos das mais diversas matizes políticas, analisado aqui pela série Crise 2.0, culminou, semana passada, para maior derrota da atual política econômica da Zona do Euro imposta pela Direita Alemã, liderada por Angela Merkel, a vitória socialista na França, significou que estes ventos se tornaram mais fortes, questionando os rumos seguidos pela Comunidade Europeia.

 

As lições das eleições francesas estão  reunidas neste post, Crise 2.0:Semana Francesa que traz o conjunto do debate espalhados por vários artigos e analises sobre a vitória de Hollande. Ali já apontamos que a maior derrotada no atual ciclo de renovações de lideranças, é sem dúvida a Senhora Merkel, que afiança e impõe o mais duro e perverso ajuste desde o pós-guerra. A revista alemã Der Spiegel chega a comparar, por exemplo, que o plano de austeridade grego imposto pela Chanceler alemã, via Troika ( Comissariado Europeu, BCE e FMI) é mais duro que o tratado de Versalhes contra a própria Alemanha, em 1919.

 

A ampla derrota do fiadores dos planos de austeridade na Grécia, França, agora aportou na própria Alemanha, o partido de Merkel, a CDU, foi varrido nas urnas no estado mais importante e mais rico da Alemanha, o Estado de Renânia do Norte-Vestfália. Precisamente ali, em 2005, o PSD de Schroeder sofreu um duro revés, que o obrigou a convocar eleições gerais, sendo derrotado por Merkel, agora a situação se inverte. É fato que Merkel ainda tem ampla maioria no Parlamento Federal, mas agora já sofre nos seus calcanhares o peso de sua política de austeridade.

 

Segundo Estadão de hoje: “A Renânia do Norte-Vestfália é o Estado mais populoso da Alemanha e tem uma economia do tamanho da Turquia. A região é a mais industrializada do país e considerada um termômetro da opinião pública alemã. Ontem, o debate europeu sobre crescimento e austeridade foi transferido para as urnas. Norbert Röttgen, pessoa de confiança de Merkel, liderou uma campanha propondo o acerto das contas estaduais. Já a vencedora, Hannelore Kraft, propôs uma reforma mais gradual das contas e insistia na necessidade de investir em educação e saúde.

Não por acaso, o resultado é uma derrota para Merkel. Não só seu partido perdeu a eleição como as ideias que defende para a Grécia foram rejeitadas. Röttgen, durante a campanha, chegou a alertar que a eleição seria um “referendo” sobre a posição de Merkel a respeito da dívida europeia e definiria se seu projeto “seria fortalecido ou enfraquecido”. (Estadão 14/05/2012)

 

A Aliança PSD(39%) e Verdes(12,2%) terá 51,2% do Parlamento local da Vestfália, enquanto a CDU teve apenas 25% dos votos um recuo enorme, ante os 35% que obteve em 2010. Até o Partido Pirata teve votação expressiva, 7,5%, parece ser agora o que os Verdes foram nos anos 70/80, a novidade descontente com a política tradicional, mas sem propor nada de novo, apenas revolta, o voto de protesto, que é amplo e forte.

 

A Primeira-ministra da Renânia, Hannelore Kraft do PSD, surge como a nova liderança a desafiar Merkel, as eleições nacionais, a princípio, só ocorreram em Setembro ou Outubro de 2013, mas a oposição já tem um nome, além de um programa, que consiste em abrandar o choque de ajuste, de austeridade, que propões ritmo mais lento e menos duro destas políticas, que a retomada e enfrentamento da crise tenha como eixo o crescimento, algo próximo do que defende Hollande. Efetivamente, sejamos francos, não é uma ruptura com a atual política, mas um sopro de esperança diante do desastre total.

 

A arrogante Merkel declarou, segundo o site EuroNews: “Foi uma derrota amarga e dolorosa, mas a CDU tem a tradição de festejar as vitórias em conjunto, e também de considerar que as derrotas são de todos nós. As minhas convicções não serão afectadas. O trabalho na Europa não será afectado porque não há necessariamente uma “contradição entre uma política orçamental sólida e o crescimento”. Quem ler assim parece que não lembra o quanto estava fora de questão, por parte de Merkel, qualquer menção à questão do Crescimento, agora a realidade impõe a ela que fale dele.

 

As pesquisas nacionais ainda dão a Merkel uma reeleição, mas sem maioria no Parlamento, o trator que ela passou nestes últimos 7 anos estão chegando ao fim. Seu parceiro de armas para imposição da vontade imperial dos planos de Austeridade, Sarkozy, foi derrotado, agora a própria Merkel passa a ter conflitos dentro da Alemanha. Os rumos impostos por ela e seu partido a toda a Zona do Euro, se mostraram fracassados, exceto a Alemanha, ninguém recebeu nada benigno, mas com a recessão apontada agora em maio, pelos dados econômicos, nem ela escapará, dos ventos de mudança.

 

O caso grego, que tratamos hoje cedo no post, Crise 2.0: Grécia, tchau Euro, vai apontar, em parte, os novos rumos da Zona do Euro, a saída ou não da Grécia, será debitada na conta da Alemanha, o efeito psicológico será devastador para os demais membros do Euro, não terá como ser visto como uma simples questão local, mas de todo um sonho de uma Europa unida. A base de fundação que prévia uma ampla colaboração, foi substituída por uma política hegemonista praticada pela poderosa e temida Alemanha. As feridas do passado serão sempre lembradas, as guerras, os campos de batalha, a fome e miséria.

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2 respostas em “Crise 2.0: O risco Merkel

  1. Quanto preconceito! Gente, não existe crescimento sustentado somente no credito dividas em cima de dividas e as futuras gerações? Alguém terá que pagar a fatura do cartão de credito.

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