Crise 2.0: Agonia Grega

 

Fila da sopa em Atenas - Reuters

 

 

“Do céu o Imperador, a rebeldia
Minha à lei castigando, não consente
Que eu da cidade sua haja a alegria” (Canto II – Infernum – Dante)

 

A Grécia vive um caos generalizado desde julho/agosto de 2011, fizemos vários artigos sobre a ela nesta série Crise 2.0, os mais variados momentos que por mais dinheiro que entre no país, mais as condições se degradam, um buraco sem fundo. Várias vezes vimos a espada fatal sobre o povo grego, de que nada mais se faria, que o país será retirado da UE, mas estas “promessas”, ou melhor, ameaças, nunca foram cumpridas. Fica a pergunta, que tentarei responder, Por que estas ameaças não se cumprem?

 

Comecemos pelo última ameaça, a feita ontem por Merkel e Hollande, que concorda sobre a Grécia:  “O grande ponto de acordo entre Hollande e Merkel foi a Grécia. Para ambos, o país precisa encontrar o equilíbrio político nas eleições de junho e cumprir as cláusulas do programa de socorro que garantiu € 130 bilhões em empréstimos e o corte de 50% de suas dívidas com credores privados“. Um dia antes  diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde,  Perguntada em entrevista ao canal de TV France 24 se a Grécia poderia deixar a zona do euro, ela respondeu: “Nós certamente não esperamos, pelo ponto de vista do FMI… Mas nós temos de estar tecnicamente preparados para tudo.”

 

A Revista alemã Der Spiegel sugere que a Grécia deveria abandonar a Zona do Euro, pois:  “Apesar de o país estar sendo virtualmente governado pela Comissão Europeia e pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), a dívida da Grécia está maior do que nunca e a recessão está piorando. […] A Grécia está passando por um tratamento intensivo há anos, mas o paciente, em vez de se recuperar, está ficando cada vez mais doente” (Radar Econômico, Estadão, 14/05/2012).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os número apresentados ajudam a entender o tamanho da encrenca , como segue o mesmo a descrever a coluna do Estadão: “Para tentar sair da crise, o governo grego já recebeu € 240 bilhões em pacotes de ajuda do FMI e de países da zona do euro, obteve um desconto de € 100 bilhões em sua dívida com o setor privado e ainda teve uma ajuda de € 40 bilhões por parte de fundos da União Europeia. No total, o socorro ao país somou € 380 bilhões, o que equivale a quase duas vezes (177%) o PIB (produto interno bruto) grego”.

 

O Gráfico da Revista Alemã demonstra como a economia desandou de 2008 para cá, até ficar insolúvel:

 

Fonte : Revista Der Spiegel

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Percebe-se pela evolução PIB x Dívida como se acentuaram as curvas em sentido opostos, o desastre é evidente, mas ainda diante dos planos de austeridade impostos só fez piorar. Mas voltamos a pergunta por  que se quer “salvar”  a Grécia?

 

A primeira resposta é seguidamente dada e verdadeira: Os credores, em particular os bancos franceses e alemães estão com os créditos podres nas mãos, apenas uma pequena simulação de calote e abandona do Euro por Atenas, daria uma prejuízo imediato de 50 bilhões de Euros à banca francesa( isto explica porque Hollande não discorde de Merkel, sobre a Grécia). Segundo o último Ministro das Finanças francês, deve sair hoje, François Baroin, em entrevista à Rádio Europe 1:  “Se a Grécia deixar o euro, seu modelo econômico fracassará e não haverá mais um sistema bancário, o que custará à França 50 bilhões de euros líquidos, além dos valores mobiliários detidos por bancos e seguradoras em suas carteiras”. E continua: “A (Grécia) precisa fazer esforços. Se eles não querem fazer isso, se não houver governo e a instabilidade continuar, a questão (da saída da zona euro) passará a ser mais sensível”, acrescentou o ministro. As informações são da Dow Jones.

 

Os dados da FMI/OCDE, abaixo, demonstram o pouco peso da Economia grega em relação às demais da Zona do Euro

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A adoção de moeda própria seria um mergulho
maior na crise, mas é dada como certa por amplo espectro ideológico, Celso Ming nos diz numa bela coluna “A agonia Grega”: A hipótese de que a Grécia adote moeda própria começa a ser admitida abertamente por autoridades até do Banco Central Europeu – sugerindo que estão preparados para o tranco. Banqueiros, em geral tão comedidos em suas análises, não param de advertir para a possibilidade de acontecimentos nefastos. O último relatório de um dos maiores bancos da Espanha, o BBVA, alerta que o nível de tensão que vem por aí é pior do que o de 2008, após a quebra do Lehman Brothers – relatou nesta segunda-feira o diário madrilenho El País“.

 

E nos lembra, Ming,  que a questão não é grega, eis mais uma explicação sobre os porquês do resgate: O Prêmio Nobel de Economia de 2008, Paul Krugman, prevê a aproximação de alguns horrores: a adoção do racionamento de saques nos bancos (corralito) na Espanha (e não é nem na Grécia) e o desmonte do euro. Seu novo livro leva o título de O crepúsculo do euro[…] O que está em questão não é a imposição da austeridade ao povo grego, que alguns entendem ser excessiva, mas, sim, o risco de desintegração da área monetária, algo que nenhuma autoridade se atreveria a considerar há semanas”.

 

Concluí, assim, Ming:  “Até agora, um dos principais fatores que impediram o desfecho final foi o temor do que pudesse vir depois. As consequências mais sérias podem não ser o brutal empobrecimento do povo grego, o bloqueio das contas bancárias e a quebra de salários. O risco maior é de que os prejuízos não se circunscrevam ao povo grego, mas se espraiam pelo efeito contágio para as economias mais vulneráveis, como Irlanda, Portugal e Espanha.

Um dos maiores problemas desta crise é a falta de credibilidade das autoridades da área. Há meses, por exemplo, a saúde dos bancos da região foi submetida a um supostamente rigoroso check-up (os tais testes de estresse). Dirigentes da área proclamaram que só oito bancos teriam reforço patrimonial, de módicos 2,5 bilhões de euros. Entre bancos da Espanha que careciam de alguma transfusão de capital não estava o Bankia, que agora mostra rombo de 10 bilhões de euros e precisou ser socorrido pelo governo”.

 

O cenário catastrófico de um plano de saída, sugerido pela Der Spiegel, incluí a proposta de restringir acesso da população ao seu dinheiro, saques diários de apenas 20 a 50 Euros, de uso das forças policiais nas agências para impedir que a população invada os bancos. Aliás medida já pensada na Itália por Monti, de usar o Exército para evitar distúrbios. Coincidência ou não, nos dois últimos dias houve saque de 700 milhões de Euros na Grécia, as pessoas preferem guardar embaixo do colchão.

 

O cheiro de pólvora estar no ar.

 


 

 

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2 respostas em “Crise 2.0: Agonia Grega

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