Crise 2.0: Um Erro Histórico e Trágico dos Alemães(Soros)

O bilionário George Soros - Foto : Reuters

 

 

Esta semana corrida e com significativas mudanças nos rumos da condução da Zona do Euro, acompanhada “bit a bit” aqui, na série sobre a Crise 2.0, com três artigso sobre esta reunião dos líderes, os dois primeiros : Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise? que trata dos bastidores e documentos prévios, e o segundo Crise 2.0: Cúpula do Euro – Hollande 1 x 0 Merkel, e finalmente a parte mais palpável das resoluções, consolidadas e analisadas no terceiro artigo: Crise 2.0: Efeito Balotelli – Hollande 2 x 0 Merkel.

 

Como tenho feito nas últimas sextas-feiras tenho indicado algum trabalho mais de fundo, artigos acadêmicos ou de articulistas que apontem análises e caminhos sobre a atual Crise, hoje, não será diferente, segue a interessante entrevista com um dos “papas” do mercado financeiro, o mega-investidor(Especulador) o Senhor George Soros. A importância da entrevistas, trechos dela, feita pela revista alemã Der Spiegel, é entender o que pensa e como age na crise estas figuras de proa.

 

Diante do caos que se apresenta, a atual Crise, George Soros defende um Plano Marshal, como saída, tendo a Alemanha no papel que foi dos EUA na condução daquele plano no pós-guerra. Depreendemos disto que, para Soros, a atual crise é tão devastadora, quanto a foi a segunda guerra. Uma visão que pouco difere de alguns analistas, de “esquerda”, como Krugman. As informações e a argúcia de Soros, impressionam.

 

Aqui, em inglês,  o link da Der Spiegel ( “‘A Tragic, Historical Mistake by the Germans”‘ abaixo, os trechos traduzidos pelo Estadão. Vale a leitura e o debate.

 

 

‘Um erro histórico e trágico dos alemães’

A Alemanha não quer participar de nada que se assemelhe ao Plano Marshal na crise do euro e será odiada por isso

29 de junho de 2012 | 3h 10
SPIEGEL ONLINE – O Estado de S.Paulo

 

 

Com os chefes de Estado e governo da União Europeia reunidos em Bruxelas para encontrar uma saída para a crise do euro, o investidor George Soros está pessimista. Para ele, é muito difícil que se encontre uma solução e o tempo está ficando curto. Em entrevista à Spiegel Online, ele alerta que a Alemanha pode se tornar uma odiada potência imperialista. A seguir, trechos da entrevista.

Na Alemanha, que foi o motor da integração europeia, as pessoas discutem abertamente a possibilidade de uma saída da zona do euro. Muitos alemães acreditam que seria mais barato retornar ao marco alemão do que permanecer preso a uma união monetária combalida. Eles estão certos?

GS Não há dúvida que um afastamento do euro será muito prejudicial e muito caro, tanto financeira como politicamente. E o maior prejuízo será da Alemanha. Os alemães precisam ter em mente que, na verdade, até agora não sofreram nenhuma perda. As transferências foram todas feitas na forma de empréstimos e eles somente sofrerão prejuízos se esses empréstimos não forem resgatados.

Contudo, pesquisas apontam que muitos alemães não acreditam que os empréstimos fornecidos à Grécia ou outros países serão resgatados. A preocupação deles é de que a Alemanha está à mercê do resto da Europa.

Mas este seria o caso só se o euro desaparecesse. Temos presenciado uma tremenda fuga de capital, não só da Grécia, mas também da Itália e da Espanha. Todas essas transferências resultarão em créditos a serem reivindicados pelos bancos dos países credores dos bancos centrais dos países devedores. Acho que os créditos reivindicados pelo Bundesbank excederão 1 trilhão no fim deste ano.

Se a zona do euro entrar em colapso, esses créditos podem perder todo o valor. A chanceler Angela Merkel estaria apenas blefando quando flerta com a ideia de uma saída da Alemanha da zona do euro?

A Alemanha pode deixar a zona do euro, mas isso ficará incrivelmente caro. Acabei de ler o relatório do ministério alemão de Finanças, que estima os custos de uma saída da zona do euro em termos de emprego e atividade econômica, e em ambos os casos eles são reais. E como a situação é esta, a Alemanha sempre fará o mínimo para preservar o euro. Fazendo o mínimo, contudo, ela perpetuará uma situação em que os países devedores da Europa terão de pagar um ágio tremendo para refinanciar sua dívida. O resultado será uma Europa em que a Alemanha é encarada como uma potência imperialista, não amada nem admirada pelo restante da Europa – mas odiada e rechaçada porque será vista como uma potência opressora.

Por que a Alemanha deve assumir toda culpa? Afinal, outros países da UE se esquivaram às necessárias reformas e viveram além dos seus recursos.

Não há nenhuma dúvida que os países que contabilizam hoje uma dívida muito grande não realizaram as reformas estruturais que a Alemanha levou a cabo e, por isso, estão em posição de desvantagem. Mas o problema é que essa desvantagem vem se tornando cada vez mais pronunciada por causa das políticas punitivas adotadas. Hoje a Itália precisa gastar 6% do seu PIB, anualmente, para se nivelar com a Alemanha porque precisa pagar muito mais para refinanciar sua dívida. Diante dessa situação desvantajosa, o país não encontra maneira de suprir essa brecha de competitividade com a Alemanha.

Mais uma vez, qual é essa responsabilidade da Alemanha?

É a responsabilidade conjunta de todos que participaram da introdução do euro sem compreender as consequências. Quando o euro foi introduzido, os órgãos reguladores permitiram que os bancos adquirissem quantidades ilimitadas de títulos governamentais sem uma reserva para o capital social. E o Banco Central Europeu (BCE) descontou todos os títulos governamentais em condições iguais. De modo que os bancos comerciais acharam vantajoso acumular títulos de países mais debilitados para obter alguns pontos- base extras.

Os alemães lembram o nascimento do euro muito diferente. Eles acham que precisaram renunciar ao marco alemão para que as nações da UE concordassem com a reunificação alemã.

Verdade. A integração da Europa foi liderada por uma Alemanha que estava sempre disposta a pagar um pouco mais para chegar a um compromisso que todos aceitassem, pois estava ansiosa para conseguir o apoio europeu à reunificação. Esta foi a “visão de longo alcance”, que criou a União Europeia.

Atualmente não precisamos de uma visão similar?

Quero traçar um paralelo entre o que ocorre com a zona do euro neste momento e o que sucedeu após a 2.ª Guerra, quando o sistema de administração monetária de Bretton Woods foi criado para governar a economia global. Na época, os EUA eram o centro daquele sistema e o dólar a moeda global dominante. Era um mundo livre dominado pelos americanos. Mas os EUA conquistaram essa posição fornecendo imensos fundos para a reconstrução da Europa por meio do Plano Marshall. E se tornaram uma potência imperialista benevolente e, por isso, se beneficiaram enormemente.

Como essa situação pode ser comparada à que nos encontramos hoje?

A Alemanha está hoje numa posição similar, mas não quer participar de qualquer coisa que se assemelhe ao Plano Marshal. E se opõe a qualquer união de transferência para o resto da Europa.

O Plano Marshal, embora importante, era equivalente a uma pequena fatia do PIB dos EUA. Os pagamentos potenciais referentes ao programa de socorro do euro podem ser muito maiores do que a Alemanha conseguirá arcar.

Bobagem. Quanto mais amplo e convincente for um programa de redução da dívida, menos probabilidade ele tem de fracassar. E lembre-se, da mesma maneira que a Alemanha foi grata aos EUA pelo Plano Marshal, a Itália ficaria grata à Alemanha por ajudá-la a reduzir seus custos de refinanciamento. E se a Alemanha colaborar, poderá estabelecer as condições. E a Itália ficará satisfeita em atender essas condições, pois vai se beneficiar. Não reconhecer esta oportunidade é um erro histórico e trágico dos alemães.

O ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schaeuble afirmou que chegou a hora de adotar medidas corajosas. E esboçou ideias para uma união política mais estreita na Europa.

Schaeuble representa a Alemanha de Helmut Kohl. Ele é o último alemão pró-europeu e uma figura trágica, pois sabe o que precisa ser feito, mas também sabe dos obstáculos no caminho e não consegue encontrar uma maneira de vencer tais obstáculos. De modo que ele está de fato sofrendo.

Qual seria seu conselho para o ministro Schaeuble?

O problema-chave é a restruturação da dívida na zona do euro. Enquanto o peso da dívida não for reduzido não existe probabilidade de os países mais debilitados na UE reconquistarem a competitividade.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO – Para Estadão, 29/06/2012

 

Crise 2.0: Efeito Balotelli – Hollande 2 x 0 Merkel

Hollande, jeito manso,mas decidido - GEORGES GOBET (AFP)

Ontem a noite escrevi sobre o primeiro dia da Cúpula do Euro, o evento mais importante do ano, até aqui, que fazemos questão de acompanhar com muito interesse aqui, na série sobre a Crise 2.0, com este, é o terceiro artigo sobre esta reunião dos líderes, os dois primeiros : Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise? que trata dos bastidores e documentos prévios, e o segundo Crise 2.0: Cúpula do Euro – Hollande 1 x 0 Merkel, traz os cometários sobre o primeiro dia de reunião.

 

Ainda sob o impacto da derrota alemã na Eurocopa, e o drible da vaca que Hollande aplicou em Merkel, trazendo para seu lado e incentivando as resistências aos planos alemães, ontem um surpresa maior: Espanha e Itália(finalistas da Eurocopa), se uniram e numa verdadeira tática de guerrilha, Monti e Rajoy, declararam que iriam obstruir qualquer decisão, se os dois países saíssem de mãos abanando. Uma grande comoção causou aos 17 membros a forma decidida como os dois agiram.

 

Recuemos um pouco, precisamente ao mês de maio, com a vitória de Hollande, três dias depois ele debutou na cúpula do Euro, o clima começou a ser diferente, Merkel, sem seu capacho e porta-voz oficioso, Sarkozy, teve dificuldade de conduzir a reunião. Sejamos claros, a burocracia de Bruxelas, além de temer, odeia Merkel, pois ela invariavelmente despreza os documentos preparatórios, durante as cúpulas, ignora os acordos e ditava aquilo que era conveniente à Direita Alemã, um caos. Com Sarkozy servindo de suporte, facilitava esta ações, chegavam a humilhar os técnicos e burocratas.

 

Porém, naquela cúpula, Hollande, não seguiu o script Merkel, se impôs como referência contrária. Houve um impasse enorme, sem nenhuma decisão concreta, mas três situações se agravavam simultaneamente naquela semana: Grécia sem governo, tinha que fazer nova eleições, segundo a crise dos bancos espanhóis explodira, o tamanho estava se tornando visível e terceiro a Itália embiocava pelo mesmo caminho espanhol, com bancos e dívida pública explodindo. Mario Monti, fez um apelo para que nova reunião extraordinária fosse feita, no final de junho, pois em meados de junho teriam as eleições parlamentares francesas( que definiria a maioria), a nova liderança grega. Além de tempo para ver como evoluiria a situação dramática de Espanha e Itália.

 

Pois bem, as eleições gregas deram uma frágil solução de continuidade à crise, mas a crise espanhola assumiu o posto de bola da vez, associada aos impactos na Itália( ambas amplamente analisadas nesta série). A parte boa, é que Hollande venceu e ficou em folgada maioria no Parlamento francês, dando-lhe mais músculos para agir no front externo. Na semana anterior à reunião, Hollande lançou um “PAC” francês, sinalizando que vai cumprir a promessa de campanha, nem que aumente a dívida francesa. Os documentos preparatórios no fundo elencou os problemas: 1) PAC do Euro( 120 Bi, Merkel teve que engolir, a primeira concessão em 2 anos); 2) Questão Bancária qual solução aplicar;3) A recapitalização e socialização das dívidas;

 

O ponto do PAC, foi vencida por Hollande, a contragosto Merkel aceitou. Mas aí entrou em cena a questão dos bancos espanhóis e italianos. A tendência era resgate via Estado. Monti e Rajoy, já sem ter mais como seus países suportarem mais endividamento, fizeram uma quase greve, ameaçando que ninguém sairia da sala sem ajudar. Foi um pandemônio, Hollande aceitou os termos, desconfio que já sabia e os incentivou, tornando o caso mais forte. Segui-se uma tensa e dolorosa reunião de mais de cinco horas de debates, a solução final, para Alemanha, foi mais forte do que os dois gols do Balotelli.

 

A UE vai ajudar diretamente os bancos da Espanha e Itália, eles poderão sacar diretamente, sem pesar nas contas públicas, como estampa o El País de hoje,

“O acordo dos líderes da zona do euro abre a porta para recapitalização direta do sistema financeiro espanhol, mas apenas “ao estabelecer uma supervisão única e eficaz dos bancos na área do euro, que envolveu o BCE”, como deve ocorrer antes do final do ano. O empréstimo, de até 100 bilhões de euros, “seria baseado em condições adequadas”, o texto “, incluindo o cumprimento das regras relativas aos auxílios estatais, que deve ser específica para cada entidade para cada um ou sector da  economia e será formalizada em um Memorando de Acordo. “

Ao mesmo tempo, o acordo abre a porta para resgatar o fundo e seu sucessor, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE), intervir nos mercados para estabilizar pelo BCE, que vai agir como seu agente. Com esta declaração, que seria para a compra de dívida espanhola e italiana para deter a escalada do prêmio de risco está sujeito ao cumprimento de recomendações específicas emitidas pela Comissão Europeia para cada país “, e os outros compromissos que assumiram, incluindo os respectivos calendários. ” Novamente as condições previstas no Memorando de Entendimento”.

 

As palavras do líderes refletem o clima final, como também informa o El País:

O acordo provocou celebração em Espanha e Itália, os países mais no centro das atenções dos mercados. Primeiro-ministro italiano, Mario Monti, destacou que “a Europa é reforçada” a longo prazo, enquanto a curto, “evitou uma segunda-feira negra”, uma referência a uma possível investida dos mercados na segunda-feira no caso de não chegar a acordo. Enquanto isso, o presidente francês, François Hollande,sublinhou que, poucas horas depois do pacto, e foram “efeitos positivos sobre os mercados” . O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, o Conselho Europeu considera que “marcou uma maneira certa de lidar com a crise”, embora “um longo caminho a percorrer.” Salienta que não há condições macroeconômicas para a Espanha em troca de ajudar os seus bancos.

Ao contrário de seus colegas em países problemáticos, a chanceler alemã, Angela Merkel, sublinhou que o auxílio não é livre e, como Draghi, observa que “não há provisão para qualquer retribuição.” Merkel tem que fazer esta tarde que o Bundestag (Parlamento) e Bundesrat (Senado) dar luz verde ao Pacto de Estabilidade europeu, para as concessões concedidas hoje à noite, pode ter alguma dificuldade,  precisará que os social-democratas do SPD para conseguir os dois terços de votos necessário. Assim
tem se esforçado para apresentar o acordo como coerente com sua filosofia que a ajuda deve ter condições rígidas : “Nós não deixamos saída do sistema: Prestações, contrapartidas , condicionadas ao controle”.

 

É o efeito Balotelli.  Uma Europa quase em ruptura deve exigir mais do que apenas mais sacrifícios. O acordo é para salvar os bancos, mas sem passar pela punição dos já falidos estados de Espanha e Itália. Além de um pequeno alento, o lançamento do PAC para reativar a economia do bloco. Tudo isto parece  pouco, e é, mas se olharmos a apenas dois meses, nada disto seria possível. Hollande 2 X 0 Merkel.

 

Crise 2.0: Cúpula do Euro – Hollande 1 x 0 Merkel

 

 

Começamos a analisar a reunião da Zona do Euro, aqui na série sobre a Crise 2.0, com os primeiros documentos e declarações à imprensa dos principais líderes no post : Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise?, fiz questão de relembrar as outras reuniões e seus impasses, em regra oriundos da forma com que a Chanceler Alemã, Angela Merkel, trata seus parceiros, o desprezo pelas imensas dificuldades dos países mais atingidos pela Crise. Porém, com o agravamento da situação na Espanha e Itália, acendeu a luz vermelha geral.

 

A reunião da cúpula do Euro, convocada extraordinariamente , devido os impasses da anterior, com o longo embate entre Hollande, recém-eleito Presidente da França, exigiu uma série de debates preparatórios, convergindo uma aliança ampla, sob a liderança de Hollande, que tornou a posição alemã inviável. A Chanceler Merkel, fez suas devidas bravatas, para consumo interno do país, mas que a real politik  fez com que ela discretamente recuasse, como declarou hoje o Presidente francês: “…Felizmente, (a chanceler da Alemanha Angela) Merkel voltou-se para a direção que eu queria… Nós precisamos agir em apoio aos países que precisam: Espanha e Itália”. Não é pouca coisa. A polêmica entre Austeridade x Crescimento começa a tomar novos rumos.

 

Um dos tópicos mais importantes aprovados, já no primeiro dia, foi um pacote amplo de incentivo à economia de todo Euro, conforme as agência de notícias publicaram: “Os líderes da União Europeia reunidos em uma cúpula em Bruxelas deverão se comprometer com um pacto de crescimento no valor de 120 bilhões de euros (US$ 149,8 bilhões), que incluirá um aumento de 10 bilhões de euros no capital do Banco Europeu de Investimento (BEI) e a finalização de um plano para fortalecer a zona do euro até o fim do ano, segundo um documento preliminar com as conclusões da reunião.

O aumento de capital do BEI permitirá à instituição aumentar sua capacidade de empréstimo em 60 bilhões de euros. “É crucial aumentar o financiamento para a economia. Estão sendo mobilizados 120 bilhões de euros (equivalentes a cerca de 1% da renda líquida geral da UE) para medidas de aceleração do crescimento”, diz o documento. O acordo sobre um pacto para o crescimento representaria uma vitória política para o presidente da França, François Hollande, que fez pressão sobre o tema durante sua campanha eleitoral.Entr etanto, o pacote parece fornecer pouco dinheiro realmente novo para a economia e depende de ideais que estão circulando há algum tempo sobre como empregar melhor os recursos do BEI e os fundos contidos nos orçamento da UE. Muitas autoridades do bloco têm dito que não esperam que essas políticas produzam uma mudança significativa nas projeções para a economia da região. ( Dow Jones, via Estadão)


As notícias vindas dão certo ânimo, mesmo achando que o tempo perdido tornará mais caro o resgate, além de desconfiar de algumas razões internas, dos por quês deste “acordo” agora fiado por Merkel, desconfio que a saúde dos bancos credores, na maioria franceses e Alemães, das dívidas de Espanha e Itália, apressou uma tomada de posição mais pragmática, senão vejamos: As autoridades da zona do euro estão analisando uma variedade de opções destinadas a ajudar a Espanha e a Itália a lidarem com os altos custos dos seus empréstimos, enquanto os líderes da União Europeia realizam uma cúpula de dois dias, em Bruxelas, para discutir soluções para a crise financeira, reportou o The Wall Street Journal.

 

Os bastidores da cúpula reflete o que se passa no mercado financeiro, os títulos Espanhóis e Italianos estão com seus prêmios de riscos em níveis inaceitáveis, então começa a pesar na França e Alemanha o risco do caos total: “O foco das medidas de curto prazo será o de reduzir os custos de financiamento da Itália e da Espanha, através da criação de um mecanismo para comprar esses títulos tanto no mercado secundário, onde são negociados entre os investidores, ou quando forem leiloados pelo governo, afirmaram fontes europeias. No entanto, as conversações sobre as medidas de curto prazo ainda estão em seu estágio inicial e fontes alertaram que um acordo final pode não ficar pronto até o fim da cúpula da UE amanhã à tarde”. (Estadão, 28/12/2012)

Há saídas de todos os gostos, por exemplo, “O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, defenderá durante a reunião pela criação de um mecanismo semiautomático que poderia intervir nos mercados secundários quando os yields (retorno ao investidor) dos bônus de países vulneráveis aumentassem muito acima dos yields dos títulos da Alemanha” . Ou outra solução: “Em paralelo às discussões entre os líderes da UE, altos funcionários dos ministérios das Finanças da zona do euro discutiram também a compra de títulos no mercado primário, segundo um funcionário europeu. A ideia era que os funcionários do Ministério das Finanças resumissem as opções para os líderes da zona do euro discutirem durante um almoço amanhã, uma vez que a reunião maior de todos os 27 líderes da UE é longa, de acordo com outras fontes.

 


De concreto, percebe-se uma mudança de posição, paulatina, como se água tivesse finalmente batido no nariz dos líderes , mas permanece uma resistência  da Alemanha por medidas mais ousadas, mas agora está mais isolada, taticamente a própria Alemanha, começa a ceder, inclusive :Um compromisso possível seria submeter as condições ligadas ao apoio ao mercado de bônus à vigilância mais rigorosa das promessas de corte de gastos e reforma dos mercados de trabalho e sistemas de pensões já feitas pela Itália e Espanha. Em um sinal de uma mudança de humor, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse em entrevista ao The Wall Street Journal que a Europa pode ter de tomar no curto prazo medidas para deter o êxodo de capital do setor privado dos mercados de títulos da região e disse que havia uma número de instrumentos que poderão ser utilizados, inclusive compras diretas da dívida pública por parte de fundos de resgate da zona do euro.( As informações são da Dow Jones, Via Estadão)

 

A mensagem que ficou, no primeiro dia é uma vitória do presidente da França, François Hollande nas suas palavras: “Eu quero um pacto de crescimento com um número: 1% do PIB europeu, ou de 120 bilhões a 130 bilhões de euros. E nós vamos garantir que esse dinheiro seja gasto rapidamente”. E um recuo de Merkel, o que não é pouca coisa: . “Nós desenvolvemos um bom programa, especialmente com relação a investimentos para o futuro e mais oportunidades de emprego para os jovens. Nós precisamos de finanças públicas sólidas de um lado, e do outro crescimento e empregos”.


Fiquemos atentos!!!

 

#VaiCorinthians : Romarinho, Iluminado

 

A incrível calma de Romarinho - Foto: Globo Esporte

 

A ansiedade aumenta, o coração apertado, quase não falo com ninguém, todo o corpo, cabeça, pensamentos, vida, se direciona ao Corinthians, parece irracional, deve ser, mas não tem como ser diferente. Por mais que não gostemos, a verdade é que a Libertadores é nosso calo, aquele que nos cala, que nos torna pequeno, mesmo sendo gigante. Toda a nossa história se torna incompleta, quando não se chega ao patamar maior, principalmente se seus adversário já chegaram, não temos como negar a realidade.

 

De fato concreto é que a Libertadores efetivamente ganhou peso em São Paulo, com as vitórias do São Paulo, aquele timaço do Telê, até então ninguém deixaria de dormir se a perdesse. A coisa piorou com as duas derrotas para o Palmeiras, pesou demais, em particular na segunda, quando o Corinthians era mais estrelado, mas eles foram mais time. A sensação de derrota aumentou com os fracassos posteriores, motivo de piadas e chacotas.  A torcida fica cabisbaixa, arruma desculpa, mas no fundo sabe que todos eles estão certos.

 

Este peso incomodo já desmontou grandes equipes, mas este ano tudo parece diferente, a eliminação ridícula frente ao Tolima, deixou marcas profundas, mas serve de combustível para um novo momento. Pela primeira vez, o técnico não caiu, mesmo que merecesse, houve um voto de confiança, no escuro, mas que se mostrou extremamente correto. Para quem não sabe, naquele fatídico, foi o primeiro que Paulinho e Ralf começaram a jogar juntos, dali nasce o que temo hoje.

 

Como sempre, desde a primeira fase, o Corinthians estava eliminada, não passaria pelo Cruz Azul e Nacional, até o Tachira era apresentado como mais forte que o Tolima, a síndrome da Libertadores aconteceria já ali. Classifica em primeiro do grupo, segundo geral, pegaria o “poderoso” Emelec, a chacota era : Emelec x Emeleca. Para piorar, na semana anterior, eliminação do paulista pela Ponte Preta, tudo conspirava para mais um vexame, troca de goleiro, tensão, juiz fraco, jogo ruim, mas a decisão fica para Pacaembu. Aí os cabeças de planilha sacam as estatísticas, Corinthians SEMPRE foi eliminado em casa. Passamo, sem convencer, segundo todos.

 

Vem o Vasco, os mesmos diagnósticos, dentro de São Januário, um caldeirão, o Corinthians vai tremer, a derrota é certa, não foi, polêmica de arbitragem, para temperar. Mas a volta, sim a volta, de novo Pacaembu, volte ao parágrafo anterior, SEMPRE eliminados no Pacaembu. Um gol do Vasco fará o time perder a cabeça, a torcida invadir o gramado, Bem esta história contra o Vasco leia aqui: Paulinho e Riquelme – Lances Geniais.

 

Mesmo assim, nada de credibilidade, foi apenas um golpe de sorte, pois agora sim, enfrentaria aquele que é o maior time de todos os tempos, o Santos, com Neymar já antecipando que só se preocupa com a final contra o Boca, ou seja, jogos contra o Corinthians serviria apenas para “treinar” o Santos. O palco é a Vila Belmiro, o alçapão, de lá ninguém escapa, será simples, o espetacular Santos contra o perdedor de Libertadores. Vencemos lá. Ah, mas tem o jogo da volta, onde? no Pacaembu, releia os parágrafos anteriores, SEMPRE foi eliminado, se tomar um gol tremerá, Neymar nunca joga mal mais que um jogo, Ganso estará melhor, ou seja, Santos franco favorito, a história foi outra, leia aqui:  #VaiCorinthians.

 

A explosão de emoção começou com  Paulinho, depois com Emerson na Vila, a tensão contra o Santos no Pacaembu, vencida com a frieza de Danilo, foi o máximo que o Corinthians podia fazer, pois, agora terá pela frente um dos maiores campeões de todos os tempos, a mítica Bombonera, lá este time sem título, passaporte, craques, vai tremer, vai se curvar diante de Riquelme e companhia. Vamos rir dele, era este o discurso, quase unânime é que ontem o Corinthians acabaria, com este prognóstico, não tem como assistir ao jogo sem temer.

 

Mas para quem ia ser eliminado na primeira fase, depois pelo Emelec, depois pelo Vasco, finalmente pelo Santos, que nunca foi a final da Libertadores, era melhor curtir o momento, entender o que é a Bombonera e sua mística, aprender, afinal só se ganha quando se aprende. Os mais afoitos já diziam que agora o Corinthians já tem o status do São Caetano, Atlético Paranaense, Fluminense, tudo isto nos honra, não tomo como provocação, pois é verdade. Ir à bombonera já é uma glória, enfrentar a apaixonada torcida do Boca mais ainda.

 

Segurar o jogo milimetricamente, partir só quando houver certeza, é a tarefa que Tite incutiu nos seus jogadores, um primeiro tempo perfeito, sem riscos, com umas boas estocadas. A saída de Jorge Henrique, acaba por desmontar um intricado esquema de proteção ao gol, muda o esquema, Boca cresce, era natural, mas sem grande perigos, até o lance do gol. A torcida se apavora, o time reage de forma serena. Aí, entra o imponderável do Futebol, que o torna mágico, Tite chama um garoto, Romarinho, 21 anos, que até 3 semanas jogava no Bragantino, que se tornou uma espécie de fornecedor de jogadores do Corinthians( Felipe, Paulinho, Moradei, Zelão, Bill).

 

Romarinho já tinha espantado a torcida quando domingo com um time reservas, fez dois golaços diante do Palmeiras, já passou a ser visto como promissor, mas foi inscrito recente para as finais da Libertadores, jamais tinha saído do Brasil, jogo internacional de qualquer importância. Ele entra, um minuto depois, Paulinho, o melhor do time, rouba uma bola de Riquelme, na intermediária da defesa e parte com ela rumo ao ataque, toca para Emerson que se livra da falta e do beque grosso, enfia entre as pernas de Schiavi, Romarinho tem diante de si: A Bombonera vibrante com o 1 X 0, o excelente goleiro do Boca, e aquela trave. Eis que o garoto, simplesmente, esquece tudo isto caminha firme olha o goleiro e sutilmente encobre o goleiro, a bola entra de mansinho.

 

A Bombonera parou, fica estática, flash nos camarotes, Maradona resignado aplaude, percebe que algo anormal acontece ali. A verdade o Corinthians não ganhou nada, tem mais 90 minutos para fazer deste grupo o maior vencedor de sua história, mas antes de tudo, continuem assim, sérios, íntegros, seguros de sua força, respeito ao grande rival, principalmente ao nosso histórico. E como sempre:

 

#VAICORINTHIANS

 

Crise 2.0: Espanha – Só há remédio(Euros) para Bancos

 

Rato ao Centro, aos banqueiros tudo Foto CARLES FRANCESC - El País

Alguns fatos nesta fase atual da crise são realmente chocantes, tenho procurado abstrair-me de uma análise passional, aqui na série sobre a Crise 2.0, mas é quase impossível ficar impassível diante das contradições  assim tão flagrantes como agora a pouco me deparei na capa da página online do El País, o maior periódico espanhol, uma manchete sobre a auditoria no Bankia, que confirma o rombo e sua “nacionalização”, e logo abaixo uma manchete sobre o “Medicamentazo”, o corte nos subsídios a 450 remédios.

 

A manchete que  estampando que o Bankia tem um rombo de 13.6 bilhões de Euros,  que já recebeu, 4,5 bilhões em 2010, agora se candidata a receber mais 19 bilhões de Euros, o atual presidente diz abertamente que o conselho todo deveria sair, para facilitar sua nacionalização. Uma reunião tensa em que o antigo Presidente, ex-chefe do FMI, e uma das maiores figuras da extrema-direita espanhola, Senhor Rodrigo Rato, saí chamuscado, por sua gestão temerária, não obstante, o Governo do PP, o partido de Rato, vai salvar-lhe a pele, evitando inclusive sua ida ao parlamento. O representante do Estado, novo presidente do Bankia, deu ultimato: Ou se demite ou será demitido?

 

A tensa reunião começou com o ultimato e a renuncia coletiva, novos controladores nomeados, mas a crise continua, pois o Governo Espanhol tem menos da metade do necessário para irrigar o banco, tentando salvar alguma coisa, sua falência total seria um desastre, pois controla um carteira imensa de clientes, além do desemprego em massa que provocaria. Mas como salvar um banco sem punir exemplarmente seus ex-controladores? A gestão que enganou a população e as instituições, tendo ainda indenizados vários executivos que saíram do banco. Um desastre, comandado por Rodrigo Rato.

 

 

Desmonte Social

 

Ana Grosso Mato, cortando na Saúde, pra dar aos bancos - Foto CLAUDIO ALVAREZ - El País

 

Mas a segunda manchete é mais revoltante o governo vai cortar os subsídios de 456 medicamentos, um prejuízo a mais para, a já tão punida, população mais pobre do país. A economia anual será de 440 milhões de Euros “como parte de um esquema para alcançar uma economia do setor de saúde de 7 bilhões de euros. A ministra da Saúde, Ana Mato, apresentará o plano para cortar os subsídios para 456 medicamentos para os governos regionais, que são responsáveis pelos setores de saúde e educação. Os pacientes que precisarem dos medicamentos terão de pagar com dinheiro próprio.(Agencia Dow Jones)

 

Conforme diz o El País, a medida entrará em vigor imediatamente, sendo domingo o dia final para os subsídios, e mais que a medida desagradou as províncias não controladas pela Direita espanhola  “As poucas comunidades que não estão nas mãos do PP, Catalunha, País Basco, Andaluzia e Astúrias, criticaram a falta de informação e a pressa com que o Governo apresentou a proposta de excluir centenas de medicamentos comumente usados ​​no financiamento público . Alguns, como o diretor catalão, Boi Ruiz, disse que soube da informação por parte dos meios de comunicação na noite anterior.Assim, o medicamentazo se tornou uma centro da reunião inter-regional de Saúde, que reuniu os líderes regionais e Mato, embora os pontos em questão eram muitos. (El País)

 

A questão é não há dinheiro para os remédios, para saúde, educação, o pouco que sobra vai para os banqueiros, mas tem gente que ainda acha o PP não seria um retrocesso diante do governo de Zapatero,  que foi muito ruim, mas o que se constata é uma piora significativa, a maioria consolidada do PP impõe um método de “passar o rodo”, nas palavras do El País, em qualquer oposição, vão implementando um desmonte acelerado do Estado, não sobrará nada.

 

Até quando? Cumprirão tudo o que a Troika mandar? Rajoy o verdadeiro terror do povo espanhol. Os planos de Austeridades matam a economia e o povo, não há remédio.

Do Estímulo Escolar

Estimular, mas sem virar máquina!

 

Das coisas que me dão mais orgulho, hoje em dia, é, sem sombra de dúvida, o desempenho escolar das minhas filhas, principalmente pela condições adversas que enfrentamos nos últimos dois anos, seria normal se houvesse uma queda de rendimento, um desestimulo, tanto da Letícia, quanto da Luana. Mas ao contrário, elas estão mais dedicadas, nos enchendo de felicidade, com cada pequena vitória, esforço, não apenas em notas, mas no entendimento que significa a escola e a boa formação.

 

Vivemos quase que todo o dia longe de casa, nos encontramos nos jantares e nos fins de semana, o acompanhamento mais próximo do andamento da atividades escolares, são feitos em pequenas janelas de tempo, espremidos pelo horário de dormir e atrapalhados pelo cansaço, que tira a paciência e a atenção. Ou as crianças tomam para si esta imensa responsabilidade, que é estudar por conta própria, ou ficam na dependência destes pequenos hiatos de tempo, que podemos ajudar. Por uma felicidade, nossa, as duas estudam bem, ajudamos, mais como complemento do que como fonte principal do estímulo.

 

Maravilhoso olhar o desempenho no debate de matérias que estão estudando, na argumentação mais sólida, mas que também se expressam em boas notas, comemoradas e perseguidas de forma natural, sem estresse, apenas ficamos atentos quando algo escapa, ou uma dificuldade detectada. No geral seguem firmes, confiantes, nos alivia um pouco a carga geral de questões que somos obrigados a responder, natural de viver numa cidade corrida, numa busca por um equilíbrio financeiro, compatível com o que precisamos oferecer de melhor para elas. Este retorno, claro, nos faz continuar, pois parte do nosso trabalho está bem recompensado.

 

A maior responsabilidade  é nossa, dos pais, mas devemos compartilhar com nossos filhos que eles são os maiores  beneficiados se entenderem que estudar é parte prazerosa da vida, que a boa formação depende do esforço deles, não é uma obrigação, um fardo, mas antes de tudo uma gostosa diversão.  Que tudo que enfrentarão na vida, quer seja na escola, faculdade, ou na vida, dependerá de como enfrentaram as escolhas, de como venceram as dificuldades. As provas escolares, trabalhos, são parte do estudo, que todos passam por elas, não tem outro caminho, ou facilidade, principalmente de quem vive daquilo que trabalha.

 

As escolas poderiam/deveriam mudar, tornar mais atraente o estudo, envolver os pequenos cérebros, que aprendem facilmente todas as novidades do mundo, como intenet/Tvs/Jogos, trazer para sala de aula o que desperta e estimula o conhecimento. A equação não é simples, os passos parecem lentos, lutamos contra um sistema muito fechado, que em parte deu certo, mas a geração que chega é bem mais complexa, precisa de uma conquista, uma abordagem diferente. Expus estas coisas na última reunião, sobre o Segundo Grau da Letícia.

 

A escola informa que o centro dos exames, tanto Enem, como vestibulares, estão calcados em interpretação de problemas, soluções e principalmente escrever/responder corretamente aquilo que lhe foi proposto. A gama maior de pressão sobre os garotos será na redação, não importando se em português, história, mas também em física e matemática. Neste sentido propus que eles poderiam estimular os garotos a ter blogs, as “redações” com normas e padrões, que seriam feitas via posts. A própria crítica seria dos colegas e dos professores, uma interação com as redes sociais, que tão bem eles dominam.

 

Publicar, escrever, pensar, ler, enfrentar a crítica, expor ideias e pensamentos, é uma prática comum em redes sociais, por que não aproveitar para escola? Claro, que não seria obrigatório, mas servirá como estímulo, uma aproximação amigável, da escola, com uma prática tão ampla e comum no meio deles.

Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise?

 

Mais uma cúpula da Zona do Euro, Há saídas?

Hoje os líderes europeus da Zona do Euro, participam de mais uma cúpula na tentativa de achar uma saída organizada para crise, não custa relembrar as reuniões anteriores comentadas aqui na série sobre a Crise 2.0, desde julho do ano passado, quase um ano, acompanhamos estes eventosCrise 2.0: Estados Unidos da EuropaCrise 2.0: A ruptura do Bloco Europeu; Crise 2.0: Novos Tempos na UE?) , sempre as expectativas vão baixando, proporcionalmente ao aumento da crise. Os planos mirabolantes dos burocratas de Bruxelas, com seus papers que logo vão para lixeira, quando os “líderes” entram na sala.

 

Rapidamente, apenas para relembrar, nos dias que antecedem estas cúpulas, aparece um dirigente dizendo que está salvando a Europa, Sarkozy era o que mais gostava de praticar este teatro. Ele se apresentava como o salvador, o homem que iria mediar os conflitos, entre os desvalidos ( PIIGS) e a poderosa Alemanha, mas, invariavelmente, nos primeiros momentos da reunião, passava a atacar os pobres, reforçando a posição alemã. Na famosa reunião que definiu os critérios de exclusão dos países que saírem da meta fiscal, foi exemplo típico. A França levou a proposta do Eurobônus, mas saiu de lá com a espada na mão expulsando o Reino Unido, em nome da Sra Merkel.

 

O cenário desta reunião extraordinária, pedida pela Itália, parece que o destino é o mesmo, como Hollande não cumprirá o papel de Sarkozy, cabe ao premier italianos, Mario Monti, que não é Belo, bancar a farsa burlesca, mas com um agravante, seu país afunda perigosamente, junto com a Espanha, então não há teatralidade possível, melhor seria a sobriedade, pois a situação italiana nunca esteve tão frágil. Mesmo assim, Monti, insiste na representação:

“Por sua vez, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, disse que uma solução na cúpula é necessária para interromper a crise da dívida soberana, acrescentando que ele está pronto para ficar em Bruxelas até domingo para tentar fechar um acordo. “Um acordo entre a Alemanha e a França é necessário, mas não suficiente”, afirmou Monti em um discurso no Parlamento, destacando que a Itália está desempenhando um papel central na tentativa de alcançar soluções concretas para combater a crise, ao centrar foco no estímulo ao crescimento e estabilização dos mercados”.

 

Bem acima do Parlamento italiano a bolsa de Milão afunda, a ciranda financeira chegou aos raios da loucura, a rolagem da dívida italiana que, neste ano, deverá alcançar os incríveis 500 bilhões de Euros, está sendo feita na sua maioria em títulos de curtíssimos prazos, com juros exorbitantes, que sobem e encostam nos mesmo valores dos da Espanha, que já são parecidos com os da Irlanda, Portugal e Grécia. A loucura não tem limites. Como diz a nota no Estadão de hoje:

“Os custos de empréstimos de seis meses da Itália subiram para 2,957 por cento em um leilão na quarta-feira, nível mais alto desde dezembro, ampliando a pressão sobre o governo conforme ele busca, em uma cúpula da União Europeia nesta semana, medidas concretas para aliviar as tensões no mercado. Há um mês a Itália pagou 2,1 por cento para vender papéis de seis meses. A venda de 9 bilhões de euros em títulos nesta quarta-feira aconteceu antes de uma oferta de papéis de cinco e dez anos na quinta-feira, para até 5,5 bilhões de euros. A relação oferta e demanda foi de 1,6 vez, em linha com o que foi visto há um mês. Na terça-feira, a Espanha pagou 3,24 por cento para vender títulos de seis meses. A Itália viu seus custos de empréstimos de dois anos subirem para 4,71 por cento”.

 

Esta pressão quase que diária e semanal, paralisa o Estado, a soma de crises, exaure as forças de qualquer governo, mais ainda de um que é Biônico, caso de Mario Monti, que foiimposto pela Troika, agrava a situação política e social. Agora aparece como se fosse um vetor que pode ajudar sair a Europa da crise, mas não dá conta nem de sustentar a Itália. Se bem que, a lógica está correta, sem a Zona do Euro ajudar, todos caíram, um a um, sem a menor compaixão alemã. Basta ver o caso da Espanha, que luta desesperadamente por apoio, mas suas súplicas caem no vazio. Agora vai apelará  na esperança que “A cúpula dos líderes também discutirá uma maior união bancária no bloco monetário, junto com o plano apresentado em um relatório pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, completou De Guindos.

“Acredito que o Eurogrupo fará algumas contribuições importantes a respeito disso e, como o primeiro-ministro (Mariano Rajoy) disse antes, acho que a possibilidade de injeção direta de capital aos bancos estará em discussão”, disse ele ao Parlamento. A Espanha pediu a ajuda de até 100 bilhões de euros para recapitalizar seus bancos, embora as atuais regras determinem que ajuda monetária europeia vá primeiro para o Estado, ampliando os já altos níveis da dívida pública”.

 

Hora, se ajuda passar pelo Estado, como determinam as regras, mais a Espanha afundará,  os documentos preparatórios dos burocratas de Bruxelas pedem que ” Os países da zona do euro deveriam transferir a supervisão de seus bancos para um supervisor europeu – possivelmente o Banco Central Europeu (BCE) -, ter seu próprio ministro de Finanças, submeter os orçamentos dos países-membros a um controlador central e, em última instância, compartilhar suas dívidas. Estas seriam as principais propostas incluídas em relatório de sete páginas que começa a ser debatido amanhã em uma cúpula de dois dias em Bruxelas”.

 

Mas não animam tanto pois, como diz bem o EstadãoMas os formuladores do relatório propõem que ele deve ser concluído até dezembro, com a apresentação de uma versão” As propostas são ambiciosas, mas vagas. Por exemplo, não define claramente quais instituições devem assumir as novas competências no âmbito europeu.  […] isso poderia desencadear uma longa – e provavelmente difícil – revisão da união monetária, que não só exigirá mudanças no tratado europeu, mas também nas constituições nacionais, e referendos em alguns países. As duas partes centrais do relatório são a união bancária e a fiscal que os líderes vêm discutindo nas últimas semanas, depois de enormes perdas que levaram a Espanha a pedir um socorro de até 100 bilhões para recapitalizar seus bancos em dificuldades.

 

Aqui começa um problema que vai se repetir na cúpula, a chanceler alemã, Angela Merkel, é contra qualquer partilha inclusive disse ontem numa reunião de al
iados que “Europa não teria compartilhamento total da responsabilidade da dívida “enquanto eu viver”. A maior força econômica da Europa não aceitará dividir as responsabilidades, pois ela é a maior beneficiária, por enquanto, do caos geral ao sul. A Alemanha, já mostramos em números( Crise 2.0: O (não)Mistério da Força Alemã), várias vezes aqui, não quer mudança alguma, pois o modelo lhe é favorável. O tempo exato que isto perdurará, é que é o ponto.

 

As atenções mais uma vez se voltam ao que sairá desta reunião, Hollande tem sido o contraponto essencial ao “passeio” alemão, mas sua França, está em posição delicada, não no mesmo ponto de Espanha e Itália, mas com ameaças terríveis de uma economia paralisada, com crescimento ZERO, pois mais um ano, tecnicamente em recessão. Hollande sabe os limites que tem seu país, mas a afronta de Merkel é uma coisa que não é fácil de engolir. Vive como abutre no meio do caos.