Agosto e Seus Fados

 

Papa Gregório recebe o novo calendário

Como hoje chegamos ao último mês de agosto, mês considerado como turbulento, certo ou errado, o “mês do cachorro louco”, o do “mau agouro”. Sempre há uma história, uma mania, superstição, em torno de Agosto, alguns eventos contribuíram, apenas lembrar o suicídio de Getúlio Vargas, a renúncia de Jânio Quadros, o desaparecimento de D. Sebastião, na batalha de Alcácer-Quibir ( até hoje Portugal sonha com a volta triunfal dele). A morte de Augusto, ocorreu no Sextilis, o nome anterior do mês. Absorto nestas reflexões, fui, por curiosidade, pesquisar as origens destes nomes.

 

Agosto, mês de Augusto César (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus), efetivamente o primeiro Imperador Romano,  assim consagrado com o nome no calendário, logo após o Julho, de Júlio César, assim conversado, até nós, por séculos e séculos, sobrevivendo às reformas, grandes mudanças no mundo, mas que o inspirador império, nos legou, inclusive, no nome dos meses. Após a reforma geral proposta pelo Papa Gregório XIII, proposto em 24 de fevereiro de 1582, sendo iniciado em 15 de Outubro do mesmo ano, mas só se efetivou de forma ampla no Século XVIII, com a adesão da Inglaterra, ali, o maior império no mundo.

 

Numa rápida à wikipédia, temos uma explicação concisa dos nomes e significado dos meses, que passo a reproduzir abaixo, nomes estes inspirado no antigo calendário Romano, em sua duas versões. A primeira, conhecida como calendário de Rômulo, fundador de Roma, implantado em 753 A.C., a segunda, o calendario Juliano, criada por Júlio César em 46 A.C., alterado por Augusto em 8 D.C., sendo assim os devidos nomes e suas inspirações:

 

Meses do Ano (Fonte: Wikipédia)

  • JaneiroJano, deus romano das portas, passagens, inícios e fins.
  • Fevereiro: Februus, deus etrusco da morte; Februarius (mensis), “Mês da purificação” em latim, parece ser uma palavra de origem sabina e o último mês do calendário romano anterior a 45 a. C.. Relacionado com a palavra “febre”.
  • Março: Marte, deus romano da guerra.
  • Abril : É o quarto mês do calendário gregoriano e tem 30 dias. O seu nome deriva do latim Aprilis, que significa abrir, numa referência à germinação das culturas. Outra hipótese sugere que Abril seja derivado de Aprus, o nome etrusco de Vénus, deusa do amor e da paixão.
  • Maio: Maia Maiestas, deusa romana.
  • Junho: Juno, deusa romana, esposa do deus Júpiter.
  • Julho: Júlio César, imperador romano. O mês era anteriormente chamado Quintilis, o quinto mês do calendário de Rómulo.
  • Agosto: Augusto, primeiro imperador romano. O mês era anteriormente chamado Sextilis, o sexto mês do calendário de Rómulo.
  • Setembro: septem, “sete” em latim; o sétimo mês do calendário de Rómulo.
  • Outubro: octo, “oito” em latim; o oitavo mês do calendário de Rómulo.
  • Novembro: novem, “nove” em latim; o nono mês do calendário de Rómulo.
  • Dezembro: decem, “dez” em latim; o décimo mês do calendário de Rómulo.

 

 

Bem, depois disto, começo a dominar meus “medos” sobre agosto, mas é aquela frase: não creio em bruxas, mas, que exitem, existem….em agosto, então…

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Crise 2.0: Elite Corrupta Agrava Crise

 

Samaras, Premier Grego, busca na Suíça dinheiro dos sonegadores

Nos últimos anos se tem assistido em países como a Grécia, ou agora a Espanha, o abandono de sua rica elite, com o mínimo compromisso com suas nações, a maior prova se dá com a sonegação de impostos, que é combinada com a fuga de capitais, rumo aos paraísos fiscais “legais” ou não, como Suíça, Ilha de Man, Jersey ou Cayman. Aqui na série sobre a Crise 2.0, tratamos algumas vezes do tema, que se torna gravíssimo quando numa crise desta, os números destes saques aos banco se tornam ainda maiores.

 

O caso grego tinha já escrito sobre ele no post Crise 2.0: A omissão dos ricos na Grécia, hoje, o Estadão reproduz uma longa matéria da revista alemã Der Spiegel, justamente da tentativa do primeiro ministro Grego, Antonio Samaras, de fazer acordo com a Suíça visando repatriar os bilhões que os magnatas gregos depositaram lá, frutos de sonegação e evasão de divisas. Os números são chocantes, batem com os divulgados pela Transparência Internacional no seu relatório anual, que discutimos no post Crise 2.0: Corrupção fator de mais Crise.

 

Vale ler integralmente o texto da Der Spiegel, demonstra como agiu tanto a burguesia local, que sonegava e retirava dinheiro da Grécia, como os bancos suíços que abriram mais “guichês” para seus “clientes” gregos. O rombo nas contas públicas não será resolvido, mas a repatriação aliviaria as imensas pressões vividas pelo país. Outro ação mais radical e necessária do governo grego seria cobrar efetivamente os impostos dos ricos, coisa que não o faz, como escrevi no artigo Crise 2.0: A omissão dos ricos na Grécia, uma sofisticada rede de corrupção, faz com que não se cobre os impostos, além do escandaloso dos armadores gregos, que constitucionalmente não pagam impostos, mesmo representando mais 50% do PIB.

 

Há um estudo, de que “a elite global super-rica somou pelo menos US$ 21 trilhões escondidos em paraísos fiscais até o final de 2010, segundo o estudo The Price of Offshore Revisited, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network”.(BBC Brasil,  22/07/2012) . Não mais que 91 mil contas têm fundos maiores que o PIB dos EUA e Japão somados. “Segundo Henry,o valor é conservador e poderia chegar a US$ 32 trilhões.[…] lista os 20 países onde há maior remessa de recursos para contas em paraísos fiscais. No topo da lista está a China, com US$ 1,1 trilhão, seguida por Rússia, com US$ 798 bilhões, Coréia do Sul, com US$ 798 bilhões, e Brasil, com US$ 520 bilhões (ou mais de R$ 1 trilhão).(BBC Brasil,  22/07/2012)

 

No fim do estudo três conclusões aterradoras, que dão a pista sobre quem é que manda, qual a fração burguesa controla o mundo, o capital em toda sua dimensão:

  • No final de 2010, os 50 principais bancos privados movimentaram mais de US$ 12,1 trilhões entre fronteiras para clientes privados.
  • Os três bancos privados que manipulam a maior parte dos ativos offshore são UBS, Credit Suisse e Goldman Sachs.
  • Menos de 100 mil pessoas em todo o mundo detêm cerca de US$ 9.8 trilhões em ativos offshore.

Apenas um punhado de Bancos e de pessoas tripudiam dos demais 7 bilhões de habitantes do planeta, esta é a lógica do capital.

 

 

“Atenas quer dinheiro dos sonegadores ricos”

Acordo com a Suíça dá esperanças ao governo grego de obter bilhões de euros em receita, mas críticos veem poucas chances de sucesso


Der Spiegel, via jornal O Estado de S Paulo


Durante anos, a Grécia prometeu duplicar seus esforços contra a evasão fiscal. Somente agora, porém, Atenas finalmente vai assinar um acordo fiscal com a Suíça na esperança de gerar bilhões em receita. Os críticos não acham que o acordo fará muita diferença, porém. As negociações estão sendo conduzidas há anos. E, se tudo der certo, Grécia e Suíça finalmente concretizarão um acordo fiscal no próximo mês de setembro que poderá trazer bilhões de euros de volta a Atenas.

Espelhado em acordos da Suíça com Alemanha, Grã-Bretanha e Áustria, o objetivo são os bilhões de euros que Atenas estima que gregos afluentes tenham guardado no país alpino para não pagar impostos na Grécia. Após meses de atraso, a coalizão de três partidos liderada pelo premiê grego Antonis Samaras agora quer implementar o acordo o mais rápido possível, na esperança de trazer bilhões para o erário de Atenas. Mas há outra razão para a urgência: Samaras precisa mostrar que está levando as reformas a sério. A Grécia precisa desesperadamente vencer a luta contra a evasão fiscal galopante.

Por um lado, Samaras precisa mostrar-se resoluto no tratamento da questão aos credores internacionais de seu país. Aliás, a questão foi um tópico quando o premiê grego visitou a chanceler alemã Angela Merkel em Berlim na última sexta-feira. Por outro, o governo grego está ansioso para mostrar aos contribuintes honestos que seus compatriotas desonestos não vão se safar com tanta facilidade.

As primeiras discussões sobre o tratado fiscal bilateral entre Grécia e Suíça tiveram lugar há dois anos. No ano passado, circularam histórias na imprensa grega de que o acordo era iminente. Desde então, porém, pouca coisa avançou; os gregos com contas em bancos suíços não ficaram muito preocupados.

A demora, a se acreditar em Philippos Sachinidis, teve razões políticas. Sachinidis é hoje um parlamentar do partido socialista Pasok, mas no começo do ano ele foi, durante algumas semanas, o ministro das Finanças no governo do então primeiro-ministro Lucas Papademos. Seu mandato coincidiu com a assinatura dos acordos fiscais suíços com Alemanha e Grã-Bretanha.

“Dali em diante, nós poderíamos ter assinado o acordo com o governo suíço a qualquer momento”, disse Sachinidis a Spiegel Online. “Entretanto, tanto eu como meu sucessor fomos da opinião de que nosso mandato era limitado e que somente o novo governo grego poderia finalizar e assinar o acordo.”

Dimitrios Papadimoulis, um especialista sobre a questão na Coalizão da Esquerda Radical (Syriza), de oposição, vê a questão de maneira diferente. Ele acusa de inércia os partidos que estavam na liderança na época, o partido da Nova Democracia, de centro-direita, e o Pasok. “O acordo com a Suíça poderia ter sido assinado em qualquer momento de 2005.”

Pap
adimoulis vê uma única explicação para o adiamento. “O acordo está andando em ritmo de lesma porque os políticos gregos que são apoiados por empresários poderosos seriam afetados”, diz ele. Sachinides insiste, porém, em que “não houve pressão política para barrar o tratado”.

Cálculos espinhosos. Entretanto, mesmo que o tratado seja assinado em setembro, como se espera, não está claro em quanto isso beneficiaria o erário grego. Estimar quanto os gregos ocultaram na Suíça é um assunto espinhoso. Segundo os dados mais recentes divulgados pelo banco central grego, a quantia retida em contas de poupança privadas na Grécia diminuiu 35% desde que atingiu seu pico de quase 200 bilhões em junho de 2009. Uma grande parte desses 70 bilhões provavelmente foi para o exterior. Tanto bancos suíços como alemães mostraram um grande interesse em oferecer um novo lar para esse dinheiro. Nem todo dinheiro que sai da Grécia o faz sem pagar impostos, porém, Muitos gregos honestos foram impelidos a mandar seu dinheiro ao exterior temendo que o país pudesse abandonar a zona do euro.

Com suas leis de sigilo bancário, porém, a Suíça se tornou um destino particularmente atraente para depositantes ricos, em especial aqueles que estavam procurando guardar com segurança seu dinheiro não tributado. “Tenho informações confiáveis de que, após o início da crise, bancos suíços chegaram a abrir guichês extras para seus clientes gregos”, disse Papadomoulis, da Syriza. Alívio temporário. A Suíça, por sua parte, afirma que não tem ideia de quanto os gregos depositaram em bancos do país. “O governo suíço não mantém estatísticas sobre a soma de depósitos gregos na Suíça”, disse um porta-voz do ministério das Finanças suíço à Spiegel Online.

A corretora financeira suíça Hevea fornece a estimativa mais exata, calculando que os gregos guardaram cerca de 20 bilhões na Suíça, 99% dos quais não foram reportados às autoridades fiscais gregas. A estimativa é muito inferior a outras, mas ainda assim poderia significar uma arrecadação inesperada para Atenas.

O anteprojeto de acordo permite reter impostos de 20% a 30% dos ativos no exterior não declarados, o mesmo nível que o acordo alemão. Uma tributação dos 20 bilhões nessa base não reabilitaria completamente o orçamento grego, mas seria ao menos um alívio temporário.


Legalizar ganhos ilegais.

 

O debate público sobre o acordo fiscal entre Grécia e Suíça parece similar à discussão alemã sobre seu tratado fiscal com a Suíça no começo deste ano. Na Grécia, como na Alemanha, os críticos temem que o acordo seja frouxo demais e dê aos sonegadores a chance de legalizar de maneira barata seus ganhos obtidos de forma ilegal.

John Christensen, que chefia a Tax Justice Network, uma organização que promove a transparência fiscal internacional, é um dos críticos mais contundentes do acordo fiscal. “Seria um acordo terrível para a Grécia”, explica Christensen. Numa análise dos acordos fiscais suíços com Alemanha, Áustria e Grã-Bretanha, sua organização descobriu 15 brechas diferentes que os sonegadores poderiam usar para se esquivar dos requisitos com ajuda bancária.

Como esses acordos basicamente garantem o sigilo bancário na Suíça, diz Christensen, os sonegadores ricos poderiam, por exemplo, canalizar seu dinheiro para agências em Cingapura ou Hong Kong, criando fundações anônimas.Com tantas brechas, ele continua, o sonho de limpar o orçamento de Atenas com o arrocho sobre os sonegadores fiscais será precisamente isso: um sonho.(TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK)

Crise 2.0: QE e Crise Terminal

 

 

Mais vez, reafirmamos, aqui na série sobre a Crise 2.0, que nos afastamos de toda e qualquer análise de Crise Terminal do Capitalismo, esta onda de pensamento, sempre ganha força, nos períodos de crise de superprodução de capital, mas somem, quando o capitalismo entra em novo ciclo, a questão que nos vem à mente: Por que se dá este comportamento? qual a origem de tais pensadores. Aqui mesmo, ano passado, debatemos um artigo de Leonardo Boff sobre a “crise terminal”, no post Crise 2.0:Crise Terminal?. Mas o tema sempre volta com novas roupagens, temos que mais uma vez nos posicionar.

 

Esta semana escrevemos o artigo Crise 2.0: O Futuro Incerto do Euro, em que apontamos vários e graves problemas da retomada na Zona do Euro, na mesma semana que os EUA estão para anunciar mais um QE(Quantitative easing ), um afrouxamento da base monetária, ou mais precisamente uma enxurrada de dólares, que em última análise provoca desvalorização geral de produtos dos EUA, barateando sua produção, para induzir um crescimento mais consistente, pois os dados atuais dão conta de uma nova recessão em 2013. O BCE nem isto consegue, pois, ao contrário do FED, há divergências graves por ser BC de vários nações, não de um país. A Alemanha, a maior delas se opõe frontalmente a qualquer nova emissão de moedas.

 

Celso Ming, do Estadão, nestes dois dias escreveu duas ótimas colunas debatendo o tema, que vai mais além, qual a saída para crise, como sair do atoleiro? Escutemos o que ele nos diz: “Os grandes bancos centrais continuam sob formidável pressão para que façam mais e mais para tirar a economia da estagnação (caso dos Estados Unidos) ou de um agravamento da atual paradeira (caso da área do euro)”. Continua ele: “Desde 2008, os grandes bancos centrais têm imprimido moeda, para além da fronteira do que seria considerada ação responsável, com o objetivo de recolocar as grandes locomotivas econômicas em funcionamento”.

 

Na falta de líderes políticos que conduzam os países a uma saída política e econômica, sobrou aos BCs a tarefa, os instrumentos serão “técnicos”, mas mesmo estes já não respondem à demanda, conforme o mesmo Ming constata, primeiro sobre os EUA: Os obstáculos que esses dois grandes bancos centrais têm agora à sua frente para acionar novamente seus mecanismos heterodoxos não são da mesma natureza. O Fed enfrenta principalmente uma questão técnica: os juros básicos estão abaixo da linha d’água. […]O Fed poderá derrubá-los alguma coisa a mais? Sim, poderá. No entanto, mesmo que seja bem-sucedido, parece improvável que essa redução adicional dos juros baste para reativar a economia e puxar para baixo os índices de desemprego, hoje nos 8,3% da força de trabalho.

 

Quanto à Zona do Euro, o caso é mais complexo, assim expôs o articulista do Estadão: “Há algumas semanas, Mario Draghi avisou que não demoraria a agir. E é o que pedem insistentemente os dirigentes dos países asfixiados pela dívida. Mas ele enfrenta outro tipo de obstáculo: a feroz oposição da Alemanha a que se emita moeda para recomprar títulos dos países altamente endividados (como Espanha, Itália e Portugal) e, de tal modo, tente derrubar os custos de cobertura, hoje insuportáveis, dos seus rombos orçamentários. Para os alemães, essa operação não passaria de mutualização (ou federalização) de dívidas, isto é, não seria nada mais do que repassar para todos os países da área de uma conta que cabe apenas aos super endividados”.

 

O que o leva, desoladamente, a concluir que apenas a transformação da Zona do Euro em Estado único poderia ser a solução mais adequada ( sobre isto,escrevi um post em 13/10/2011 Crise 2.0:Estados Unidos da Europa?), vejamos o que fala Ming: “Mesmo que, em nome do objetivo maior – fazer de tudo para defender a moeda –, o BCE consiga recomprar esses títulos, ainda não estaria assegurado o resgate do euro. Isso depende do que os países sócios da área ainda não se atrevem a fazer: criar uma união fiscal capaz de submeter o controle dos orçamentos a um poder central, o que, por sua vez, subentende a unificação política da área, a criação dos Estados Unidos da Europa”.

 

O debate remete ao parágrafo inicial, de que os advogados da crise terminal, ou de que o capitalismo cairá de podre, esquecem o mundo real, partem para análise segundo seus desejos, como bons idealistas(no sentido hegeliano), substituem a realidade concreta por uma abstração, quando sabemos que o Capital não é uma ficção uma nuvem ou algo que se dissipe no ar. Retomar Marx, seu método, é a única forma de não cairmos no ceticismo ou na paralisia política, pois se o Capital vai cair, por que se deveria lutar?

Não Olhe Para Trás

 

 

A frase continua martelando na minha cabeça: “Não olhe para trás”, o interdito imposto por Hades ao Herói Orfeu, conforme falamos no post Orfeu, de que ele vai sair do Infernum, desde que não se voltasse para trás, pois sua amada Eurídice, o seguia, mas não lhe era permitido desconfiar de estava atrás dele. Uma prova terrível, que era vencida com certa facilidade, mas a dúvida lhe assaltou, será que ela o seguia mesmo? Ele que enfrentara tantos riscos de ir até aquele lugar, o mundo das sombras, mas qual a certeza que Hades realmente lhe devolveu Eurídice. Já quase na saída, ele fraqueja e se volta.

 

A questão se torna maior, pois é o dilema terrível que nos persegue, o não olhar para trás, mais que a prova, a proibição que nos é imposta, para não ficarmos no eterno retorno de se voltar ao passado, preso à fatos ou momentos da vida, que na maioria das vezes não nos deixa a seguir em frente. Mesmo os problemas, cujas soluções não nos pareceu adequados, para o instante, não pode ter o peso de nos paralisar e continuar a viver, o desapego, ou melhor, o entendimento correto de que a vida em toda sua complexidade, segue, portanto o passado já não nos pertence, virou história, boa ou má.

 

A crueza da afirmação acima, é uma nota mental, hoje em especial, pois nesta data, um ano atrás perdi um sobrinho muito querido, com menos de 18 anos, uma tragédia terrível, um sofrimento atroz aos pais, aos familiares, uma violência que tornou menos doce nossas vidas(A vida segue, mas nem sempre). Recuando mais um ano, neste mesmo dia, a pequena Lelê, voltou a ser internada, tinha passado 75 dias, ficou 4 em casa e voltou a se internar por mais uma semana, o longo tratamento que ela se encontra, que caminha para seu final, assim esperamos ansiosos, no ensinou o valor de viver cada dia presente, com esperança de sempre um dia seguinte melhor.

 

Agora, as reflexões que fazemos, os nossos pesares, as dores que vivenciamos, o duro reconstruir e como nos readaptamos a cada situação, para manter fé na vida, nas pessoas, de que o dia de amanhã será melhor, não é simples, estas marcas estão na nossa pele, nos envelheceu, nos fez mais contidos, mais reticentes. Muitos valores tolos, se foram, o que é bom, mas o frescor de sonhos de uma primavera, já não é o mesmo. O tempo nos cura, ainda não sei se completamente, mas a sentença será sempre a mesma, com seu sentido psicológico e filosófico: Não olhe para trás.

 

 

 

Serra, História Repetida Feito Farsa

 

O repeteco eterno

 

Nada como ter um candidato repetido, que repete as mesmas coisas, todas as eleições, parece uma praga, os mesmo bordões e as mesmas mentiras. Caso clássico era o de Maluf, tudo e qualquer coisa repetia: “foi Maluf que fez”. Temos também o Eymael e sua marchinha desde 1989, não importa em q eleição lá vem: Ei ei mael o democrata cristão”. Definitivamente não dá mais, de 1989, até agora, são 12 eleições que ele repete. E o tal do Levy Fidelis e seu aerotrem? só mudou o desenho, mas a porcaria da mentira é a mesma, nem o 23 anos depois o futurismo chegou ao tal trem voador, apenas a cara de pau do cidadão.

 

Mas há casos mais sofisticados, como o de José Serra, o eterno candidato, que diferente dos nanicos, ou de Maluf, se elege, localmente, prefeito e governador, mas odeia administrar qualquer coisa, o que gosta mesmo é de fazer campanha, desconfio que se tivesse sido eleito Presidente, daria um jeito de renunciar, se candidatar a Presidente do mundo. Mas o mais interessante é que não importa se a campanha que ele faz é para Presidente, Governador ou Prefeito, os slogans e a apresentação é a mesma, quase rouba de Maluf o bordão de que “tudo fez”. O homem é um colosso, sabe tudo, faz tudo, inicia tudo, uma pena que não termine nada, que despreze seus eleitores e cidadãos abandonando seus cargos, e se apresentado como “novo”, blá blá.

 

Em 2010, fiz o texto abaixo, que, a exemplo dele, foi repetir e republicar, apenas para demonstrar a farsa que é sua candidatura, o mais fake do candidatos fakes, pois não traz nada de novos, apenas uma grife montada em cima de uma mentira, de que seja “grande administrador”. Em sua homenagem o REPETECO:

 

Texto do post  Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra

 

“Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos – Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos “Lusíadas”(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o “Da Costa”;

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: “o Trololó Petista”

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA”

 

Orfeu

 

 

Desde ontem venho pensando em voltar a tratar do mito de Orfeu, que falei de forma rápida, dentro de um contexto, quase incidental, no post Ciúme Mortal, sem entrar em maiores detalhes do complexo mitologema dele. A sua imensa paixão por Eurídice tantas vezes cantada, interpretada e recriada, prova da força e dimensão do mito, a imagem de sua cabeça, já sem o corpo, que fora despedaçado, ainda a repetir o nome de sua amada, que ecoa de um lado ao outro do rio Hebro, ficou na minha mente, nestes dias mais ainda, sem uma razão certa do por que.

 

Orfeu, filho de Calíope, a mais importante das nove musas, em enlace com rei Eagro, na muitas variações o rei é substituído por Apolo, o que seria seu pai mítico, em oposição ou complemento ao pai mortal. Logo Orfeu se identifica pelo lado materno com a música, o canto, pelo lado “paterno” com a lira e  a cítara, que se atribui a ele a introdução de mais duas cordas, totalizando as nove, em homenagens às musas. Seu enorme talento musical, tanto tocando instrumentos, como sua bela e suave voz, acalmava e enternecia os mais ferozes animais, a natureza parava para ouvi-lo, num transe único.

 

O herói trácio, teve longa iniciação nos mistérios, tendo vivido em várias partes do mundo, numa longa formação religiosa, que incluiu o Egito, que trouxe para Grécia a ideia da expiação das faltas e dos crimes,  o que no futuro, uma religião saída do judaísmo beberá da mesma fonte, além do conceito de vida eterna, imortalidade da alma, entre outras coisas, que o cristianismo absorveu do orfismo.  Orfeu fez parte da grande aventura dos argonautas( Jasão, Medéia e os Argonautas ), ao retornar dela, casou-se com sua metade da alma, a bela ninfa Eurídice. Um amor intenso e eterno, que teve sua convivência física abreviada quando o apicultor Aristeu tentou violar Eurídice, esta em fuga pisa numa serpente e é morta por sua picada.

 

Desesperado Orfeu, desce ao Hades, o mundo inferior, armado apenas com sua cítara e a bela voz, vai encantando a todos no infernum, os perigos cessam até que ele chega frente a frente com Plutão e Perséfones, que comovidos diante de tanto amor, permitem que ele leve sua esposa, mas com uma condição: Ele irá à frente sem poder olha para trás, só deve virar-se quando atingir o mundo dos vivos. Tomado pelo pavor de não ser seguido, assim como a esposa de Lot, ele olha para trás e verá sua esposa morrer pela segunda vez. Aqui está claro que se trata de um rito iniciático, uma catábase, uma descida, para cumprir um signo, conhecer a vida além da morte, que se completa com sua anábase, a subida, como o herói ainda não estava plenamente preparado ele olha para trás, atitude que o orfismo repudiará no futuro, pois ele tem o desprendimento total.

 

Como Junito nos ensina, há um longo significado do “olhar para trás”, mas precisamente  o tabu das direções,  como dos pontos cardeia, com simbologia tão rica, assim nos apresenta a questão o mestre: “O matriarcado sempre deu nítida preferência à esquerda: esta pertence à feminilidade passiva; a direita, à atividade masculina, já que a força está normalmente na mão direita e foi, através da força, da opressão, que a direita, o homem, execrou a esquerda, a mulher. O tabu dos canhotos sempre foi um fato consumado. Diga-se, aliás, de passagem, que um dos muitos epítetos do Diabo é Canhoto. A superioridade da esquerda estava, por isso mesmo, ligada ao matriarcado, entre outros motivos porque é a noite (oeste) que dá nascimento ao dia, lançando o sol de seu bojo, parindo-o diariamente. Daí, a cronologia entre os primitivos ser regulada pela noite, pela Lua; daí também o hábito, desde tempos imemoriais, da escolha da noite para travar batalha, para fazer reuniões, para proceder a julgamentos, para realizar determinados cultos, como os Mistérios de Elêusis e o solene autojulgamento dos reis da Atlântida”.. .

 

Donde dirá, ainda,  Junito:  “É assim que olhar para a frente é desvendar o futuro e possibilitar a revelação; para a direita é descobrir o bem, o progresso; para a esquerda é o encontro do mal, do caos, das trevas; para trás é o regresso ao passado, às hamartíai, às faltas, aos erros, é a renúncia ao espírito e à verdade.[…]Orfeu foi o homem que violou o interdito e ousou olhar o invisível. Olhando para trás e, por causa disso, perdendo Eurídice, o citaredo, ao regressar, não mais pôde tanger sua lira e sua voz divina não mais se ouviu. Perdendo Eurídice, o poeta da Trácia perdeu-se também, como indivíduo, como músico e como cantor. É que a harmonia se partiu”.

 

Como dissemos outrora sobre a morte de Orfeu, que ao perder Eurídice, ele se recusa a amar qualquer outra mulher, o que leva as  Mênades a despedaça-lo, o que também tem um profundo conteúdo iniciático, o jovem aprendiz é simbolicamente despedaçado, assim “renasce”, preparado para vida e uma nova jornada. Até a separação da cabeça, crânio também serve a este proposito, pois é nela que reside a psiquê, ou melhor o inconsciente, para os antigos a consciência morava no peito, precisamente no coração. Assim a alma, ter-se-ia liberada ao se separar corpo e cabeça, num rito único para os iniciados nos mistérios.

 

Derivado dos cultos à Orfeu uma rica coleção de ritos individuais, em oposição a religião estatal coletiva, dedicada a Apolo ( Apolo – O Exegeta Nacional), enquanto este prega o rito, quase sem fé uma união cívica, religião-estado-sociedade, com suas festas e tradições. No orfismo há uma valoração individual, nas ações terrenas que lhe garantirá um pós-morte digno de frequentar um patamar, que não a mansão dos mortos, uma escatologia, não vista no panteão grego. A purificação apolínea, de perdão ao homicídio, era uma continuidade do “bem viver”, enquanto a visão de purificar-se em Orfeu é pelo “bem morrer”. A superação cármica do destino traçado, mudando seu pós-vida.

 

Por fim o orfismo é muito comum confundido com o pitagorismo, isto se dá pelas semelhanças de alguns valores: Dualidade corpo-alma, crença na imortalidade da alma, punição do Hades(inferno, que os cristão absorveram) e prêmio do Paraíso(campos elísios, também na doutrina cristã). A necessidade de uma vida voltada a fazer o bem, para que o futuro seja agraciado com um lugar junto aos “eleitos”.  Mas a diferença se dará na forma de organização, as sociedade pitagoristas se reunião como seita, com conventos e ritos, muitos deles foram base para o cristianismo. A palavra do líder religioso era “lei”, não podia ser contestada.  Enquanto o orfismo era aberto, sem muita sofisticação, seus grêmios educacionais não impunham normas ou participação polític
a, o que no pitagorismo era fundamental, a intervenção na polis.

Crise 2.0: O Futuro Incerto do Euro

 

 

Burocratas da Troika visitam Portugal

Desde julho de 2011 acompanho com mais empenho o desenrolar da Crise que atinge o coração do Capital, os artigos se sucedem naquilo que denominamos de a série sobre a  Crise 2.0. Quase que toda semana aparece um “cronograma” de reuniões, encontros, seminários e/ou acordos bilaterais que estampam que neste ou naqueloutro se fechará solução para a Crise, em particular o futuro do Euro. Lembro que no ano passado Sarkhozy, ex-presidente francês, era o campeão de “salvar o Euro”, a maior prova de seu fracasso, foi sua derrota para um quase azarão, François Hollande.

 

Com a queda de Sarkhozy, que cumpriu este papel, nem Hollande, muito menos Merkel, não tomaram para si, esta bandeira, o que acaba nas mãos inapropriados, de tipos medíocres como, Monti ou Rajoy. O primeiro é um premier biônico, imposto pela Troika à Itália, em substituição ao bufão Berlusconi, mas, em seu quase um ano de mandato, é um fracasso completo, já o segundo, eleito graças ao boicote dos “indignados”, com ampla maioria, afundou a Espanha a um patamar jamais visto na democracia, a economia e a sociedade em frangalhos. Temos assim um quadro em que as quatro maiores economias não têm líderes capazes de retomar com respeitabilidade a bandeira do Euro, ou da Europa unida, eis o centro do problema.

 

Sobrou então aos burocratas da Troika, FMI, BCE e Comissariado da UE, semanalmente dizer que quer “salvar o Euro”. O italiano Mario Draghi, Presidente do BCE é o que mais alenta o sonho de ser “salvador”, mesmo com suas desastradas declarações, como no caso espanhol, de que não era função do BCE salvar países. Draghi, agora parece decidido a encarar com mais afinco o papel, a sua delegação de poderes é precária, os constantes vetos da Alemanha, limita suas decisões, sem autonomia, ele tem se especializado em marcar reuniões, que marcam novas reuniões, para que destas possa sair alguma solução de consenso, o que parece ser um ganhar tempo, uma acomodação, para ver o que acontece.

 

No auge da crise espanhola, Draghi deu uma declaração de que faria todos os esforços para ajudar Espanha e Itália, dias depois de negar ajuda, mas desde 26 de julho, virou uma espécie de fiador, em particular no caso do resgate espanhol, o prazo dado foi 06 de setembro, mas um lado e outro ficam marcando posição. Rajoy diz que pode pedir o resgate, mas quer conhecer o plano de resgate do BCE, já Draghi diz, que mostrará o plano de resgate, desde que Rajoy peça a ajuda, neste meio tempo, ganham tempo, até o início de setembro, mais de 40 dias nestas idas e vindas. Agora se publica que a situação não se resolverá em 06 de setembro, nem em 14 de setembro na reunião dos ministro das finanças da Zona do Euro, talvez em fim de setembro, em nova reunião da comissão europeia. São muitos adiamentos, prova de que não há solução alguma.

 

A última semana foi uma prova de como há um vácuo de lideranças, o primeiro-ministro grego, Antonio Samaras, fez sua mini-turnê de “beija-mão” em Berlim , Paris e Bruxelas, com objetivo de pedir mais tempo para começar a cumprir as obrigações do ajuste draconiano imposto ao país, ou em suas palavras: “quero ar, me deixem respirar”, que se a Grécia sair do Euro o padrão de vida cairá 70%, que em apenas três anos de crise, a economia caiu 35%. Mesmo com este apelo,ele foi amplamente rechaçado por Merkel e Hollande, ambos defendendo a posição dos banqueiros de seus países que detêm 66% da dívida grega, mesmo tendo recebido uma parte via resgate, querem a integralidade do falido estado grego, daí exigem mais rigor no ajuste.

 

Dois dias depois, novamente Merkel e Hollande, declaram que não querem a Grécia fora da Zona do Euro, é uma “sopra e morde” terrível, mas que eventualmente há alguma declaração sincera, como retrata o El País, h0je, de que“o alemão Jörg Asmussen, um dos seis membros da Comissão Executiva do BCE, disse ontem em uma reunião em Hamburgo que os detalhes técnicos e operacionais da compra de dívida estãi “em desenvolvimento”. Asmussen disse que “os mercados estão a colocar um preço sobre um rompimento da zona do euro” e que qualquer intervenção do BCE tem de ser paralela a uma intervenção similar de fundos de resgate europeus”.

 

Cada vez mais se percebe que há uma luta de bastidores das mais terríveis, sem nenhum sinal de solução, apenas a consciência de que o “Deus Mercado” continua a especular e ganhar, que seja na queda grega, espanhola ou italiana, que os custos se tornam mais altos, quanto mais se adia uma tomada decidida de posição, o futuro do Euro é incerto, pior para Europa, pior para o mundo.