Crise 2.0:"Faremos tudo para Salvar o Euro"

 

Draghi: BCE das boas intenções? Foto : Hannelore Foerster/Bloomberg

As olimpíadas estão rolando a todo vapor em Londres, no entanto do outro lado do canal da Mancha, temos jogos bem mais interessantes, pois a Crise parece procurar um novo campeão, sem medalhas, mas com muito ouro e prata, como fazemos aqui na série sobre a Crise 2.0, procuramos localizar e entender o intenso jogo de vida e morte do capital, seus principais representantes, que hoje não se confunde apenas com uma nação. Assim como nos jogos olímpicos, que atletas de um país pode defender o outro, aqui no jogo do Capital não há tantas fronteiras, e num aparente consenso TODOS dizem defender o Euro.

 

Desde quando fizemos o roteiro da agonia espanhola ( Crise 2.0: Espanha em Chamas – um Roteiro), em que o juiz abriu a contagem para o nocaute, chegou até 8, houve uma desesperada corrida pela Europa do Ministro das Finanças  da Espanha(Crise 2.0: Espanha a Esmolar na Europa) para que não deixasse seu país sucumbir. Guindos esteve em Paris, depois Berlim, foi ao Eurogrupo, conseguiu uma declaração forte de Mario Draghi, Presidente do BCE, de que “faria de tudo para que salvar o Euro”. Em contradição do que dissera dias antes, de que o “BCE não era para salvar países”. No jogos tão tensos, em que uma “braçada” define o resultado, uma palavra mal colocada empurra um país ao limbo, longe da disputa de medalhas.

 

Como também lembramos no artigo Crise 2.0: A Pletora do Capital, de que a responsabilidade da crise no Euro é a Alemanha, parece que ela começa a se mexer. Semana passada, Merkel, reunida com Hollande também disse:  “faremos de  tudo para salvar o Euro”. Por fim, ontem o primeiro-ministro biônico da Itália, imposto pela Troika, Mario Monti, que não é belo, esteve em Paris, novamente ouviu de Hollande que: “faremos tudo para salvar o Euro”. Todos satisfeito, Monti rumo para Madri, se encontra com o decadente Rajoy.

 

A frase repetida como mantra de todos os líderes: “Faremo tudo para salvar o Euro”, amenizou um pouco a combalida situação espanhola, os índices prêmio de risco e Yelds recuaram a bolsa se recuperou, mas nada muito animador, pois ficamos no terreno das intenções, como bem lembra hoje Celso Ming, no seu artigo no Estadão: “Ajoelhou tem que rezar […] Os mercados festejaram na semana passada ou porque acreditaram ou porque lhes convinha acreditar. Falta começar a reza. Falta saber quais serão as medidas heroicas em gestação no BCE para tirar o euro da encalacrada em que está”.

 

Ming, arrisca duas hipóteses ventiladas pelo mercado como solução de ajuda à Espanha e Itália:  “Recomendação insistente de analistas de várias tendências é de que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF), e, futuramente, a instituição que suceder-lhe, o Mecanismo Europeu de Estabilização (ESM), seja autorizado a operar como banco. Assim, poderia levantar recursos ilimitados no BCE (o que um tesouro não pode fazer)e, portanto, recomprar os títulos de dívida que não encontrassem mercado. Variação do mesmo movimento, mas sem intermediários, seria o BCE voltar às compras de títulos no mercado financeiro, prática da qual se ausentou nas últimas 20 semanas”.

 

No Entanto o prórpio Ming desconfia de que ambas não resolveria o problema, pois  “Essas duas opções esbarram com obstáculos sérios. Essas recompras de títulos teriam por objetivo criar mercado para eles e, em consequência disso, derrubar seu rendimento (yield), para que os lançamentos de dívida nova pudessem ser realizados com juros bem mais baixos. À medida que o BCE fizesse essas intervenções, derrubaria artificialmente os juros, impedindo que se estabelecesse a percepção do que fosse título bom e título ruim. Em outras palavras, o BCE estaria agindo para que os títulos de países encrencados parecessem tão bons (ou quase) quanto os da Alemanha. E, se os títulos de pior qualidade fossem equiparáveis aos de boa qualidade, ficaria também prejudicado o nível adequado de capital exigido dos bancos que carregassem essas dívidas em seus balanços”.

 

Ming ainda lembra sobre a expansão da base monetária (QE), já feita em Dezembro(2011) e Fevereiro(2012), mas sem resultados práticos ,  segundo ele fracassou por “Dois problemas: (1) o BCE já lançou duas LTRO, uma em dezembro e a outra em fevereiro, no valor total de 1 trilhão de euros, e, aparentemente, não conseguiu mudar o quadro geral da área; e (2) corresponde a gigantesca emissão de moeda que poderá contribuir para empurrar a inflação.

 

Sem muito esperança concluiu o artigo, Ming: “O risco é que, ajoelhado ou não, o BCE não puxe nenhuma reza. Se não fizer nada, como não vem fazendo hoje, a esperança tem tudo para se transformar em gigantesca decepção”.

 

Quando escreve sobre economia, sem a ideologia pesar, Ming, consegue nos passar um panorama perfeito da Crise que está encalacrando toda a Europa, cheguei exatamente a mesma conclusão dele, passada uma semana, de muito ” salvar o Euro”, sem ação efetiva, começa a soar o alarme de que não passava de palavras ocas, ontem a bolsa e os índices da Espanha e Itália tiveram piora, o tempo joga contra, não dá para ficar em declarações. Hoje, BCE, se reunirá, antes o BundsBank já começou a pressionar Draghi, para conter seus arroubos, ou seja, que ele não tem poder de decisão.

 

Assim caminhamos, no sonho do Ouro ou do Euro olímpico…acompanhemos

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