Crise 2.0: Espanha – 25S

 

Espanha à venda - Foto: El País

Hoje, a Espanha está fervilhando pelos protestos, o evento chamado 25S , convocado pelo movimento social para enfrentar a política de Austeridade, imposto pela Troika (FMI, BCE,UE) aos países em crise na Zona do Euro, em particular Irlanda, Portugal e Grécia. De forma violenta, cortando os direitos sociais dos trabalhadores, provocando mais desemprego e miséria. No caso espanhol, entrou em crise ainda durante o governo do PSOE, que aceitou as políticas da Troika, porém com a vitória do PP, estas medidas forma aprofundadas de forma mais radical, só resta a reação do povo, é que esperamos e apostamos aqui na série sobre a Crise 2.0.

 

Desde que iniciamos estas análises, a Espanha esteve em relevo, pois em julho de 2011, era o auge do movimento do “Indignados” que contestava o decadente governo de Zapatero, PSOE, que vinha sistematicamente aplicando as políticas impostas pela Troika, o que elevou o desemprego a patamares insustentáveis. As eleições antecipadas foram boicotadas pelos Indignados, abrindo espaço para ampla vitória do PP, partido de direita, dominado pela ala mais radical, que mistura explosiva de ideologia e fanatismo religioso. Com mãos livres, o eleito, Mariano Rajoy, que não mostrara nenhum programa de governo durante a campanha, imediatamente impôs planos de ajustes mais radicais e piorou radicalmente a situação do país ( tem uma série de artigos aqui : Crise 2.0: Espanha em Chamas – um Roteiro ).

 

Os índices sociais pioraram de forma dramática, com o desemprego atingindo 1 em cada 4 trabalhadores, e mais de 50% dos jovens, agravado que estes não trabalham e também não estudam, pois até os cursos de reciclagem foram cortados dentro dos planos de austeridades. A educação foi atingida com a demissão de  50 mil trabalhadores da área, apenas no governo central, em muitas províncias se cobra até a “merenda escolar”. Na área de Saúde, o governo da extrema-direita não deixou por menos, além de cortar o orçamento, proibiu o atendimento dos “sem papéis”( estrangeiros atraídos na época do boom econômico), uma situação vexatória e desumana, mais de 500 mil sem proteção hospitalar. As farmácias de remédios populares sofreram restrição de orçamento com o corte de 450 tipos de remédios que eram distribuídos com preços módicos ou gratuitamente.

 

Os índices econômicos são assustadores, a Espanha faliu rapidamente, todos os seus parâmetros pioraram, em apenas 14 meses houve uma fuga de capitais equivalente a mais 1/3 do PIB, a dívida pública explodiu, em 3 anos duplicou, apenas em 6 meses cresceu 15%, mesmo com todas as medidas de austeridade, o empobrecimento é visível, com bolsões de misérias até nas principais cidades. Mesmo com este caos, o Governo da Direita arrumou dinheiro para salvar os banqueiros, começando com o Bankia, dirigido por um dos principais líderes da extrema-direita, Rodirgo Rato, Ex-Chefe do FMI e figurão neofascista do PP, em dois anos fez um rombo de 23 bilhões de Euros, o que levou toda a banca espanhola para lama. O resgate intermediário foi pedido à Troika no valor de 100 bilhões de Euros, mas já se verificou que precisará pelo menos o dobro.

 

A administração da direita é um fracasso absoluto, agora enfrenta a falência das províncias e um movimento de separação da Catalunha(que também faliu), os sentimentos pela autonomia aumentou fortemente no meio da crise, sobrando apenas ao governo neofascista as ameaças de intervenção violentas. Aqui lembramos o papel que real que o atual Estado cumpre, que denominamos de Estado Gotham City ( Crise 2.0: O Estado Gotham City ), todos os setores do Estado sofreu violentos cortes, exceto o aparelho repressivo, no caso espanhol houve aumento de 30% no orçamento de 2012. O reflexo disto é a matéria do El País, hoje, dizendo que as forças de segurança estão à postos esperando o 25S , com mais de 1500 homens, com câmeras espalhado prontas a identificar precisamente cada manifestante. Logo acima, outra matéria mostra a vice-presidente, Soraya Santamaria, ameaça com medidas de força a Catalunha rebelde.

 

Depositamos nossas esperanças para que o atual momento de crise seja enfrentada com força e rebeldia pelos trabalhadores, semana passada em Portugal e Grécia houve imensas manifestações que relatamos aqui ( Crise 2.0: UE – Protestos Anti-Austeridade), assim como na Espanha. Mas, este  25 de Setembro, veio com a promessa de ser muito mais que uma grande manifestação, a ideia é questionar o poder central, exigir um processo constituinte, alguns chegaram a comparar com a Revolução do Cravos. As primeiras notícias da Espanha são de que o governo está com medo, colocou todo contingente de repressão para impedir que os manifestantes cheguem ao parlamento, vejamos o desdobramento.

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