Crise 2.0: Beco sem Saída?

 

 

Protesto na Grécia - Pelado, nu com a mão no Bolso - Foto: AP

Semana passada os ministros de Economia de todo o mundo se reuniram em Tóquio para debater as perspectivas do mundo em crise, não com olho no caos presente, mas o que nos reserva nos próximos anos. A Reunião conjunta do FMI e Banco Mundial foi precedida de um documento do FMI analisando as economias e realinhando as suas estimativas de 2012 e 2013. Aqui, na série sobre a Crise 2.0, repercutimos este estudo, em particular na questão sobre o Brasil, no post Crise 2.0: Avanços e Limites do Brasil, segundo FMI.

 

Agora, findada a reunião, vamos tentar olhar a questão mais geral, seguiremos os dados gerais do FMI e seu ajuste para baixo do crescimento dos dois anos:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ora, os números são inequívocos de que, no começo de 2012, o FMI projetou uma realidade de crescimento e de saída da crise, que não se cumpriu, ao contrário, na maioria dos casos, piorou. As principais economia mundiais, os EUA e a UE estão em posições delicadas, no caso dos EUA, o baixo crescimento não garantiu um ciclo virtuoso, que projete uma janaela de crescimento mais amplo, o desemprego continua muito alto assim como os salários tiveram baixa recuperação.

 

A UE sofre várias crises simultâneas, as maiores e significativas são as da Espanha e Itália. Ambas terão mais dois anos duríssimos, mesmo com os cavalares ajustes fiscais, a situação apenas se tornou mais dramática, com o desemprego crescente, fuga de cérebro e desagregação social. Até mesmo França e Alemanha começa a sentir o peso da crise do sul, as projeções são de crescimento baixo, no caso alemão, e de próximo de Zero, no caso francês. As baixas perspectivas lançam uma onda de pessimismo geral, como bem observa Celso Ming, na coluna do 08 de Outubro:

“As novas projeções sobre o desempenho da economia global do Fundo Monetário Internacional (FMI) são bem mais pessimistas. Em vez de ceder, a crise tende a se aprofundar, sem sinais de reversão. Não se vê disposição política entre os dirigentes do mundo para resolver o principal problema: o excessivo endividamento dos países avançados – principalmente dos Estados Unidos e de praticamente toda a área do euro”.

 

As políticas econômicas, hoje, são determinadas pelos BC( FED, BCE e BoJ), que jogam juros ao limite da irresponsabilidade, agindo por conta própria, pela absoluta falta de líderes políticos com capacidade e disposição de pensar à frente, apontando para um novo acerto mundial, isto parece fora de questão, Ming observa que, exceto Brasil e BC Alemão não há críticas à política de emissão de moedas e juros:

“O FMI está entre as instituições globais que cobrem de elogios essa atitude até agora inusitada dos bancos centrais, como esforço consistente capaz de estancar o colapso econômico mundial.

Por motivos diferentes, as ortodoxas autoridades do Banco Central da Alemanha (Bundesbank) e as bem menos ortodoxas do governo brasileiro são as únicas que condenam sistematicamente essas políticas. Os alemães denunciam a disposição do BCE de agir como emprestador de última instância aos tesouros dos países da área do euro como fonte de problemas presentes (encorajamento a mais despesas irresponsáveis por parte dos governos) e futuros (sobretudo mais inflação).

Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, denunciam essa política monetária expansionista como causadora de distúrbios cambiais. Tanto para a presidente como para o ministro, além de não tirar a economia mundial da encalacrada, esse jogo dos bancos centrais gera efeitos colaterais perversos”.

 

Parece-nos, mais uma vez que a crise perdurará por mais tempo no horizonte, alguns economistas falam que apenas em 2018 todos os ajustes teriam seus efeitos desejados e um novo ciclo se abriria, ou seja 14 anos de cris( 2005 a 2018).  Num último esforço, Celso Ming faz uma provocação, sobre as soluções parciais dos BCs:

“Outro jeito de analisar o mesmo fenômeno é ponderar que, embora não tenha removido o impasse central, a atuação dos grandes bancos centrais impediu um mergulho no imponderável. Também pode-se dizer que, em compensação, vem amortecendo o ajuste, agora sem prazo visível para se completar. Esse é o tipo do sempre adiado desfecho que o Fausto de Goethe condena quando adverte: “Melhor um fim com terror do que um terror sem fim”.

Com base nesse princípio, alguém ainda perguntará se um fim mais rápido da crise, ainda que mais doloroso, não seria melhor do que esse arrastar sem fim, mesmo que aparentemente menos dolorido. Nesse caso, a política dos grandes bancos centrais terá contribuído para o adiamento de uma solução”.

 

Ou seja, até um arguto analista burguês, percebe o tamanho da piaba, imaginem vocês do lado dos trabalhadores, o tamanho do rombo em suas vidas. É preciso lutar e mudar URGENTE!

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