Cenas Eleitorais

 

Dilma eHaddad: Lula o inventor de Postes,que vai iluminando o Brasil ( (Foto: Eduardo Enomoto/R7))

 

De vez em quando você acha que já viu tudo na vida, mais ainda em política, mas a realidade sempre vem te desmentir, o que é muito bom, sinal que ainda temos muito a aprender. Mais ainda, não duvidar que a vida tem um surpresa, boa ou ruim, dependendo do ponto de vista, mas, importante, continuamos no “jogo”. Achar que já sabemos tudo ou conhecemos tudo, não é bom negócio. Quando se escreve, melhor ter em mente, que podemos descobrir algo mais, em nós ou nos fenômenos que analisamos.

 

Alguns fatos destas eleições de São Paulo e de outras cidades no Brasil, dão mais razão à ideia de que não devemos nos surpreender com eles, alguns são francamente pitorescos, para não falar outra coisa, como o caso do candidato do PSOL de Belém que teve apoio de Lula, do PT, fez vídeo pedindo voto, mas uma corrente interna do PSOL, pede “voto crítico” no seu candidato, é a Treva.Em Macapá, o PSOL, foi ao segundo turno, recebeu apoio do DEM e de várias forças da Direita, começando a viver no “mundo real” das alianças para se chegar aos governos. Militantes e correntes internas estão a condenar as alianças, até com um discurso de “ocupe PSOL”, morri.

 

Mas, aqui em São Paulo, o ex-candidato a Presidente da República pelo PSOL, o valoroso Plínio de Arruda Sampaio, líder da esquerda radical, chegou a cogitar votar no candidato da extrema-direita, Serra, porque o mais importante é “derrotar o PT”. É o velho movimento circular de extremos se unirem, depois esclareceu, que apenas achava “Serra mais competente”, mas que votará Nulo, que beleza!

 

Do lado da extrema-direita, Serra inovou, trouxe do Rio de Janeiro, o indefectível Pastor Mala(Faia), com sua proposta de “dar um cacete em Haddad e seu Kit Gay”. Ora, assim, como na eleição passada, o cada dia mais direitoso, candidato do PSDB, explorou o aborto, agora seria a homofobia. Em 2010, foi desmascarado em casa, sobre o aborto, agora, de novo, foi desmascarado, em sua gestão(sic)no Estado de São Paulo, também tinha um kit gay, em resumo ele virou o kich Gai(em japonês). Mas, Serra, não sossegou ,convocou FHC( quem?) para falar de Ética e dar um Up na sua desastrosa campanha, a primeira declaração do “príncipe” foi dizer que Serra estava se entregando aos extremistas de direita, pow!!

 

Quando achava que mais nada aconteceria, hoje, o mais “preparado” dos homens, Serra, diz que as escolas, em sua gestão(sic) fará de tudo para identificar os alunos, “propensos ao mundo criminoso”, para que sejam levados à Fundação Casa(ex-Febem). É caso clássico de X-9, Minority Report, neofascismo ao extremo, se enterrou de vez. A reação foi imediata nas redes sociais, a lembrança de Lombroso, a necessidade de ver em determinadas características o potencial agente criminoso, pode ser também o elemento para outros desvios mais graves como classificação ideológica, comportamental, separando as pessoas por suas questões sexuais ou religiosas.

 

Para fechar, Serra, tem em  Soninha Francine,ex-Vj da MTV, ex-vereadora do PT, uma ardorosa defensora, ela resolveu cometer um texto “contra a baixaria petista”, no meio do artigo  mandou um tremendo FDP, para Haddad, tudo isto no alto nível tucano de ser, depois, arrependida, apagou o palavrão. Outras vezes já escrevi sobre este caminho tortuoso de cruzar o rio ideológico ( ver o post As Margens do Rio ), o convertido se torna patético e raivoso, no seu novo perfil, destila ódio e nojo aos seus antigos companheiros de causa.

 

Pensando bem, ainda temos muito por ver, em especial neste campo, nem precisa esperar muito. De positivo, sob o meu ponto de vista, tem sido o desempenho de Haddad e Márcio Pochmamm, candidatos em São Paulo e Campinas, com a surpresa da capacidade de ambos em se comunicar e manter um nível de proposição, sem se mostrarem pedantes ou populistas, gratas lufadas de inteligência e  de energia neste campo.

Por que o PT não Cresceu Muito Mais?

 

 

Dilma e Lula os maiores expoentes do PT

 

Um primeira análise geral das eleições identifiquei que o PT foi o grande vencedor, não apenas pelos números, com maior votação e crescimento, mas pela qualidade destes avanços, no texto Deu 13 na Cabeça, procurei demonstrar de forma concisa o que conseguir vislumbrar neste primeiro turno. Mas, vi em alguns amigos, um certo ar de triunfalismo, que, ao meu ver, isto nos leva a nada.

 

É verdade que deu PT na cabeça,mas não nos deixemos iludir por isto,tem um longo segundo turno, em cidades de vital importância para elevar ainda mais a vitoria da Esquerda. Segundo,sejamos precisos na avaliação, para fazermos uma reflexão criterioso sobre o significado do avanços e o limites, pois, com dois excelentes governos nacionais de Lula e este de Dilma, muito bem avaliados, deveríamos nos perguntar os por quês da vitória nas ser mais ampla?

 

Levantei algumas hipóteses para isto:

 

1) Só agora o PT se constituiu como partido nacional,nas grandes,médias e pequenas cidades, faltava política ampla;

2) PT ainda funciona de forma centralizada,em contradição com a dispersão política,precisa azeitar seus canais,combater caciquismos e o cupulismo;

3 )PT sempre priorizou as eleições gerais(presidência),o que era correto, porém criou um hiato, na elaboração de projetos  locais e chegar a todos os lugares do Brasil;

4) PT funciona com umbigo em São Paulo, sua origem, hoje com quadros envelhecendo, nem sempre bem, que tem que aprender a incorporar o novo,difícil;

5 )PT paga alto preço pelo Mensalão,não adianta relativizarmos, o peso de ser mais um partido “comum” teu seu preço,seria mais fácil a comunicação do resultados de seus governos, agora tem que se explicar porque usou as práticas comuns a todos os outros partidos, quando se pretendia diferente;

6) A soma geral destes fatores,inibe uma projeção maior. Lembremos que, historicamente, os  partidos que chegam à Presidência têm mais densidade nacional;

7) PT chegou ao Governo Central e não definiu seu modelo de Estado, este impasse, que tratamos no post ( Crise 2.0: Novo Estado e os BRICS ), acaba, também, por sinalizar um conservadorismo em temas sensíveis, com receio de que as mudanças possam criar problemas de governabilidade;

8 ) Obvio que a grande vitória neste primeiro turno,não pode ser subestimada, mas também não deve ser superestimada. Tem longo caminho pela frente, muitas ideias devem ser tabulados  para se mudar – Partido, Estado e Democracia;

9 ) PT não costuma ouvir os “de fora”,mesmo quem o apoia de longa data, seus dirigentes, mesmo os locais agem como burocratas e chegam com “soluções prontas”, o que afasta o diálogo e à adesão honesta dos de fora;

 

São apenas pequenas observações de um velho militante de esquerda, não petistas, mas que vota no PT. Com intuito de ajudar nas nossas reflexões,ações e autocríticas. Para qualificar o debate e os enfrentamentos.

As Margens do Rio

 

 

Toda vez que há uma eleição repenso os meus valores, minha conduta de cidadão, de militante e , hoje, de pensador. As coisas que decidimos na vida, os valores que assimilamos, mesmo na tenra idade, são para sempre, independe de onde estivermos, como pensarmos. O método de análise e a racionalidade ou a paixão nos  acompanhará, não adiantando dizer que já não somos mais os mesmo, é fato, mudamos, mas, em algum lugar da mente, ou pensamentos vamos nos encontrar com aqueles valores.

 

Abracei, muito cedo, uma visão de mundo, que foi sendo trabalhada, estudada, refletida e questionada. Entre as grandes reflexões e questionamentos, sem dúvida, se deu quando caiu o muro de Berlim, sobre estes temas escrevi recentemente a trilogia: 1)  A Perda da Inocência (Partido) I ; 2) A Perda da Inocência (Revolução) II e 3) A Perda da Inocência (Ideologia) III. Muitos amigos, companheiros e camaradas não aguentaram o baque e foram cuidar da vida, longe de militância. Alguns se tornaram absolutamente refratários a qualquer debate político, respeito-os, é uma opção de vida, de muitos que se doaram tanto, sem reservas.

 

Crescer, repensar ideias, ser convencido por outras melhores, faz parte da dinâmica da vida, é a nobre arte de amadurecimento, de melhor entendimento das coisas e dos processos. Tenho feito isto, o que me parece bom, tem me tornado melhor e mais feliz. Mudar e refletir sobre os ideais, de como tornar viável os sonhos e os projetos, é mais que uma obrigação, é a dialética da vida, confrontar modelos, possibilidades, escolhendo melhores ferramentar para um patamar maior, mas sempre com coerência e respeito aos valores de onde partimos.

 

Nestes processos de reflexões, houve aqueles que simplesmente negaram tudo, inclusive a si mesmos, ficam, hoje, devotando ódio ao que defendiam, chegando a uma agressividade que assusta, uma conversão dolorida, que deve torturar suas mentes, pelo menos os de boa-fé. Eventualmente, quando os encontro, não me olham nos olhos, a não ser quando fuzilam e destilam ódio, identificando em mim, talvez, a culpa de seus pecados, pois assim permaneci. Nem duvido de suas honestidade e honradez, mas, não posso deixar de pensar, se um dia defendiam aquilo como verdade.

 

Tenho um sonho na vida, envelhecer bem, sem precisar negar minhas ideias de quando era jovem, não significando que permaneça com as mesmas ideias, mas mantendo meus princípios e a utopia. Que reúna as condições materiais e de vida, para jamais me tornar refém de qualquer força que me obrigue a mudar de lado. Que tenha a sensibilidade de olhar sempre as pessoas sem desviar o olhar, ou expressar ódio, por aquilo que um dia defendi com tanta carinho e dedicação, pois nada me envergonharia mais do que isto.

 

A vida pode levar a caminhos diferentes, mas espero não cruzar o rio, por mais estreita seja a margem que esteja a seguir, pois viver não é fácil, e viver é perigoso demais.

Deu 13 na Cabeça

 

Jovem Haddad desafia o velho Serra (Foto: Eduardo Enomoto/R7)

 

Há várias leituras possíveis das eleições municipais, com vitórias e derrotas para todos os gostos, mas nosso recorte será um pequeno balanço dos principais partidos e suas tendências para as futuras eleições presidenciais, pois algumas disputas apontaram para este caminho. Como também o surgimento de novas lideranças, uma renovação no quadro nacional, o que sinaliza uma nova geração de políticos.

 

O PT se tornou o partido mais votado nacionalmente,  com 17,3 milhões de votos, superando o PMDB com 16,7 milhões e PSDB com 13,9 milhões de votos. Outro partido com grande desempenho foi o PSB que desponta como  uma alternativa ao PSDB como oposição, se decidir romper a aliança histórica como o PT. O nome do governador Eduardo Campos surge como figura de destaque. Aécio se impôs em Belo Horizonte, uma cidade que o PT administrou por tantos anos e deu a um neo-aliado, agora castigou o ótimo Patrus Ananias.

 

Num resumo da Folha de S. Paulo, mostra o desempenho nacional dos partidos: “Entre os partidos médios e grandes, PT e PSB foram as duas legendas com melhor desempenho nacional. Até 23h25 de ontem, o PT já havia assegurado 627 prefeituras (14% a mais que em 2008). Em número total de votos, o PT ultrapassou o PMDB e tornou-se o partido mais sufragado para prefeito no país, com 17,3 milhões de votos, uma evolução de 4% em relação a 2008. O desempenho proporcional do PSB foi ainda melhor. Cresceu 51% no total de votos e 41% em número de prefeitos eleitos. Nesta eleição, o PSB foi o quinto partido que mais elegeu prefeito.

O PSDB, principal sigla de oposição no plano federal, conseguiu manter a posição de segundo partido em número de prefeitos (688 eleitos), mas elegeu 13% a menos que em 2008. Em todo o país, candidatos tucanos tiveram 13,9 milhões de votos, queda 4% sobre 2008. Já o recém-criado PSD, liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, elegeu pelo menos 493 prefeitos ontem. Foram 219 vitórias a mais que o DEM, a sigla de origem de Kassab.

Das 83 cidades em que era possível acontecer segundo turno (as que têm mais de 200 mil eleitores), 50 terão novas eleições no próximo dia 28. Nesse grupo de cidades, o PT foi o partido que mais venceu no primeiro turno, com oito triunfos. PSDB e PSB elegeram 5 prefeitos em primeiro turno cada um. No fim do mês, PT e PSDB irão se enfrentar em pelo menos seis das maiores cidades: São Paulo, João Pessoa (PB), Rio Branco (AC), Pelotas (RS), Guarulhos e Taubaté (SP)”.

 

Segundo Turno

 

Pochmann um intelectual na disputa de Campinas (foto: Valeria Abras)


A grande vitoria do PT,  nestas eleições, foi sua renovação em importantes centro nacionais, em particular São Paulo com a ida ao Segundo Turno de Fernando Haddad, em Campinas com Márcio Pochmann. Ambos ligados às Universidades e intelectualidade, mas com grande contribuição em gestões do PT, Haddad como jovem ministro da Educação do Governo Lula e depois de Dilma. Pochmann como formulador de políticas públicas, como o Bilhete Único de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy, depois no IPEA renovando o pensamento e os métodos de análises dos dados estruturais, para um novo país.

 

Ambos disputam suas primeiras eleições, a exemplo de Dilma, foram se firmando como quadros políticos do PT na gestão do Governo Lula, fazem parte de uma geração que foi formada nas duas principais universidades do país, Haddad na USP e Pochmann na Unicamp. O ótimo desempenho na campanha, nos debates, com clareza de ideias e comunicação direta fez com que chegassem ao segundo turno destas importantes cidades.

 

Nestas duas cidades (São Paulo e Campinas), por estar aqui ao meu lado, acompanharei com mais participação e apoio, em especial São Paulo, pois, aqui, se travará uma grande batalha contra Serra, o candidato a candidato, aquele que JAMAIS cumpriu um mandato (Serra, História Repetida Feito Farsa ), que entra na disputa sem programa, projetos, cujas deficiências administrativas, personalismo  são prontamente escondidas pela mídia que lhe é fiel. São Paulo tem uma oportunidade histórica de eleger um jovem e promissor prefeito, com experiência na máquina estatal e com bons projetos para a cidade, em especial nos Transporte, Educação e Saúde. Desde já, me posiciono por sua eleição.

Eric Hobsbawm e a História

 

Hobsbawm - a história vista com rigor e classe

Começamos segunda-feira  e o primeiro dia de outubro com uma nota triste, faleceu Eric Hobsbawm, o maior intelectual marxista do século XX, historiador, conferencista e grande escritor, estava com 95 anos de idade, tendo cumprido uma longa jornada de vida com brilhantismo e reconhecimento mundial. Hobsbawm, nasceu em Alexandira, Egito, numa família de judeus, em 1917, logo se mudou para Europa, vivendo em Viena e Berlim, até se fixa em Londres.

 

Ainda muito jovem se tornou militante do Partido Comunista Britânico, em 1936, o que marcará sua opção intelectual, se torna professor e posteriormente presidente Universidade de Birkbeck. A sua influência mundial se dará no início dos anos 60 quando começou a publicar suas obras sobre história e movimentos sociais, uma visão marcadamente marxista com rigor e precisão. Seus livros passam a ter grande apelo no seio da esquerda mundial, a despeito das crises do leste e sua queda.

 

O mais marcante destes livros, foi a “Era dos Extremos”, pois traz ao debate a Revolução, desenvolvimento e a queda do “socialismo real”, um panorama completo, das lutas e vitórias dos trabalhadores, até a derrocada final, passando pelo burocratismo e a guerra. A crítica rigorosa, a escrita apaixonante, se sucede tornando o acesso mais fácil aos seus livros. Uma figura que conseguia levar centenas de pessoas aos auditórios de debates e palestras, como na FLIP de 2003, em Paraty, que foi convidado especial.

 

Numa entrevista ao jornal Pagina 12( Argentina), em janeiro de 2011, ele falou do Brasil, em especial de Lula, de sua importância histórica, que ela assim definiu com extrema precisão:(lula)”É o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles”. Depois diz mais em abril de 2011, numa reunião com Lula em Londres: “Lula ajudou a mudar o equilíbrio do mundo ao trazer os países em desenvolvimento para o centro das coisas”. Este olhar cirúrgico que muitas vezes falta-nos, nós que militamos à esquerda.

 

Depois da morte de Robert Kurz (Robert Kurz, Presente! ), recentemente, agora se vai Hobsbawm, a esquerda fica mais pobre intelectualmente, o vazio destes dois gigantes é difícil de ser preenchido. Neste momento que precisamos de forma urgente e desesperada de inteligência, rigor, criatividade e análises lúcidas da sociedade em ebulição com a Crise e com os novos atores no mundo, o Brasil em particular, temos estas duras baixas.

Das Heranças: FHC x Lula

 

 

Desde que assumiu a Presidência, Dilma, buscou uma relação cordial com o ex-presidente FHC, convidando-o para eventos, elogiando sua vida pública, querendo manter um espírito republicano e sem olhar o passado, visando superar os constantes choques e conflitos entre o governo Lula e o de FHC. Muitos de nós a criticamos por isto, mas a meu ver era o momento certo de tocar para frente o país e desarmar os combates, sem dar mais espaço para tiroteios inúteis, o excelente mandato de Lula, já enterrara as mazelas dos Governos anteriores.

 

Porém, invariavelmente, FHC, se aproveitando desta cordialidade e, por ausência de liderança na oposição, volta seguidamente a vestir armas e espezinhar o Governo Lula. Com o apoio midiático tentou ressuscitar seu governo, esquecendo-se como fora lastimável. Por vários meses, durante estes quase dois anos, a dupla FHC-Mídia, atacou Lula, atribuindo-lhe uma herança pesada à Dilma. Seguidamente, Dilma, contemporizava, punha panos quentes, e quanto mais assim agia, mais ácidas eram as críticas da dupla.

 

Ontem Dilma deu um petardo fatal em FHC, deixou de por panos quentes e mandou um direto, pondo o ex-presidente no seu devido lugar, a nota é um primor, clara e concisa:

“Citada de modo incorreto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo publicado neste domingo, nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, creio ser necessário recolocar os fatos em seus devidos lugares.

Recebi do ex-presidente Lula uma herança bendita. Não recebi um país sob intervenção do FMI ou sob a ameaça de apagão.

Recebi uma economia sólida, com crescimento robusto, inflação sob controle, investimentos consistentes em infraestrutura e reservas cambiais recordes.

Recebi um país mais justo e menos desigual, com 40 milhões de pessoas ascendendo à classe média, pleno emprego e oportunidade de acesso à universidade a centenas de milhares de estudantes.

Recebi um Brasil mais respeitado lá fora graças às posições firmes do ex-presidente Lula no cenário internacional. Um democrata que não caiu na tentação de uma mudança constitucional que o beneficiasse. O ex-presidente Lula é um exemplo de estadista”.

 

Vamos relembrar quais as “heranças” deixadas, tanto por FHC, quanto por Lula, para não termos dúvidas:

 

I – O que legou FHC a Lula

Situação Política e Econômica pré Lula:

  1. Janeiro de 1999 uma desastrada maxidesvalorização do real elevou de 1, 12 para 2,17 em apenas uma semana;
  2. O governo privatista FHC se esgotou em 15 dias após a posse;
  3. Os três anos seguintes foram de extrema letargia, baixo crescimento e todos os “ganhos” das grandes privatizações foram consumidos no imenso déficit das contas públicas;
  4. O maior caos político-administrativo foi o apagão energético. O Ministério de Minas e Energia esvaziado, sobreveio o maior vexame da história recente, país não podia crescer por falta de geração e/ou transmissão da energia produzida;
  5. Apesar da melhoria da economia em 2001 o governo politicamente estava derrotado;
  6. Iniciado o ano da sucessão a oposição comandada por Lula era amplamente favorita;
  7. Em Abril de 2002 o Dólar estava no cambio flutuante no valor de R$ 2,32. O risco país em torno de 800 pontos (dados do BC);
  8. A candidatura governista, da imprensa e dos empresários o Sr José Serra não alça voo é uma candidatura que ruma ao fracasso;
  9. Em meados de abril/2002 o Sr Luiz Fernando Figueiredo Diretor de Política Monetária do Banco Central modifica a política de prefixação de rendimentos dos fundos de investimentos. Antecipando os vencimentos dos títulos públicos fixados em dólar;
  10. A medida, aparentemente técnica, na verdade revela-se uma tentativa de golpear a oposição, pois com ela todos os índices econômicos são alterados radicalmente;
  11. Em um mês o dólar salta pra três reais, o risco país vai a 1500 pontos. A imprensa pró-FHC e seu candidato espalham boatos que a culpa deste desarranjo é a expectativa de Lula tornar-se Presidente;
  12. Este clima de terror eleitoral foi maligno para o país entre o primeiro e o segundo turno o dólar chegará a 4,04 e o risco pais a 2500 pontos, o IGPM que remunera aluguéis e tarifas públicas vai a 30%;

 

II – O que legou Lula a Dilma

 

Além de um ano espetacular, 2010, com crescimento vigoroso de 7,5%, com todos os indicadores econômicos em alta:

1)    14 milhões de novos empregos, taxa de desemprego mais baixa da história;

2)    De Janeiro de 2003 a Junho de 2010 43% a mais de empregos formais;

3)    Classe média aumentou em 24 milhões de pessoas;

4)    32 milhões de pessoas saíram da linha da miséria;

5)    Classe C tem mais poder de consumo de A+B juntas. Classe D emergindo e entrando firme no mercado;

6)    Salário mínimo foi de US $ 65 para 295 e quebrou a versão de que se aumentasse salário previdência, empresas iriam a falência;

7)    Brasil é 3º país  no ranking de investimentos mundiais;

8)    Petrobras fará a maior capitalização da América Latina por uma empresa, algo em torno de 25 Bilhões de Dólares, Pré-Sal vira realidade;

9)    Contas públicas em ordem;

10)  Diminuição da carga tributária de  36,1% para 33,58% do PIB em plena crise;

11)  8ª Economia mundial e perspectiva de ser a 5ª em 5 anos;

12)  Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016, abrindo ampla perspectiva de investimentos, obras e empregos;

 

 

Os números dizem por si só

 

III – Os desafios de Dilma

 

 

Mesmo com todos os ótimos indicadores, a política de combate à crise em 2008, com corretas medidas de incentivo à economia, trazem problemas presentes, principalmente porque a crise não se dissolveu em 4 anos, que era a avaliação do governo Lula, ela se prolonga, por, pelo menos, mais 4 anos, carregando um ambiente de baixo crescimento mundial, com queda de exportações e pressões inflacionárias. As tarefas, ou herança de Dilma, em geral são positivas, mas o entorno geral de crise, claro que
não é favorável, mas nada disto tem a ver com Lula, ou herança “pesada” como tentam imputar falsamente, FHC e a Mídia.

 

Muito há que se fazer, a dívida social é imensa, falta avanças mais na reforma agrária, falta resolver o problema do câmbio, combater a desindustrialização, diminuir impostos, mais política de inclusão social. Melhorar ainda mais a educação e a saúde pública. Mas sem dúvida muito foi feito apesar de todas as dúvidas de 2002. A questão da crise permanece como fator limitante para novos e ousados vôos, mas o país é muito melhor do que o deixado por FHC, esta é a realidade, que é dura para oposição capitaneada pelos tucanos e para mídia, sua aliada, que cobra “sangue” no embate político.

 

Agora, Dilma, o pôs na lona, parabéns, Presidenta!!!

 

 

Serra, História Repetida Feito Farsa

 

O repeteco eterno

 

Nada como ter um candidato repetido, que repete as mesmas coisas, todas as eleições, parece uma praga, os mesmo bordões e as mesmas mentiras. Caso clássico era o de Maluf, tudo e qualquer coisa repetia: “foi Maluf que fez”. Temos também o Eymael e sua marchinha desde 1989, não importa em q eleição lá vem: Ei ei mael o democrata cristão”. Definitivamente não dá mais, de 1989, até agora, são 12 eleições que ele repete. E o tal do Levy Fidelis e seu aerotrem? só mudou o desenho, mas a porcaria da mentira é a mesma, nem o 23 anos depois o futurismo chegou ao tal trem voador, apenas a cara de pau do cidadão.

 

Mas há casos mais sofisticados, como o de José Serra, o eterno candidato, que diferente dos nanicos, ou de Maluf, se elege, localmente, prefeito e governador, mas odeia administrar qualquer coisa, o que gosta mesmo é de fazer campanha, desconfio que se tivesse sido eleito Presidente, daria um jeito de renunciar, se candidatar a Presidente do mundo. Mas o mais interessante é que não importa se a campanha que ele faz é para Presidente, Governador ou Prefeito, os slogans e a apresentação é a mesma, quase rouba de Maluf o bordão de que “tudo fez”. O homem é um colosso, sabe tudo, faz tudo, inicia tudo, uma pena que não termine nada, que despreze seus eleitores e cidadãos abandonando seus cargos, e se apresentado como “novo”, blá blá.

 

Em 2010, fiz o texto abaixo, que, a exemplo dele, foi repetir e republicar, apenas para demonstrar a farsa que é sua candidatura, o mais fake do candidatos fakes, pois não traz nada de novos, apenas uma grife montada em cima de uma mentira, de que seja “grande administrador”. Em sua homenagem o REPETECO:

 

Texto do post  Os doze trabalhos de Hércules,digo Serra

 

“Depois de ler sobre tantas coisas “by Serra” resolvi pesquisar no Google e na imprensa isenta do Brasil e descobri a imensa e imortal obra deste cidadão, espanta-me sua modéstia em querer ser apenas Presidente do Brasil, com tão vasto currículo o céu não seria o limite, senão vejamos:

1) Criou e idealizou as Pirâmides do Egito, o Pathernon, os templos Maias;

2) Ensinou: Lógica, Álgebra aos filósofos gregos,alunos diretos – Sócrates,Platão e Aristóteles;

3) Preparou e treinou nas artes das guerras e política: Alexandre Magno e Júlio César;

4) Anunciou a vinda de Jesus a Maria e deu umas aulinhas de milagres ao infante,inclusive aquela parte de andar sobre as águas;

5) Derrubou o Império Romano, sozinho;

6) Foi o grande mecenas do Renascentismo e dava aulas a Dante,Galileu,Da Vinci, deixando que estes assinasse as obras,mesmo sendo TODAS by Serra;

7) Em Portugal fundou a escola de Sagres e incentivou a construção de caravelas, conheceu um tal Camões e por amizade deu os originais dos “Lusíadas”(by Serra,claro);

8 ) Para comprovar o funcionamento das caravelas veio ensinando a Cabral como chegar ao Brasil celebrou a primeira missa e ainda converteu o primeiro Indio,não era o “Da Costa”;

9) Criou as capitanias hereditária, descobriu a cana de açúcar, comercializou o Pau Brasil e descobriu o Ouro;

10) Foi a maior figura imperial,tendo atuação destacada no parlamento, são de sua modesta lavras:lei do ventre livre,dos Sexagenários e por fim a lei Áurea;

11) Fez de tudo na República: deu aulas ao Rui Barbosa,ensinou política externa ao Rio Branco, deu a Getúlio os projetos: CLT, CSN, Petrobrás. Foi dele a idéia de construir Brasília cedida à JK. Por fim deu umas viajadas ,mas voltou firme ao Brasil criando e doutrinando figuras de proa do tucanato, suas crias: FHC, Montoro, Covas. E não satisfeito criou o capítulo dos direitos sociais da CF de 1988. Fez os genéricos, o real e criou o Governo Lula;

12) Por fim cunhou a maior das frase para afastar qualquer questionamento: “o Trololó Petista”

Cheguei a conclusão que tudo foi :Serra que fez, papai quero meu DNA”