@migos que viram Amigos

 

Sábado, feijoada e muito papo - Lufeba, Luzia,Maneco, Lê.Vitor e Edu

Depois de uma overdose de artigos sobre a Crise 2.0, em particular sobre o recrudescimento da situação da Espanha, volto aos meus prazeres, que é ler e escrever sem compromisso, ou objetivos mais “sérios”, apenas a doce curtição do ato de passar para o blog algumas emoções que vivo, depois de ouvir uma música, ver um filme, ou sair para confraternizar com meus amigos. Partilhar, risos, causar inveja, aos que não foram, estas coisas gostosas da vida, mesmo quando se tem uma série de preocupações outras.

 

O Encontro de Sábado

 

Neste sábado, graças ao querido amigo Luis Felipe,o @lufeba, voltamos a nos reunir em São Paulo, ele veio do Rio de Janeiro apenas pelo prazer de sentarmos num restaurante, conversar, brincar, trollar os presentes, falar “bem” dos ausentes. Foi uma bela tarde de sábado, os presentes, com nomes e arroubas, Eduardo Guimaraens(@justdu), Vitor(@imprenca), Luzia (@urbeslz), Cid Cancer (@cidcancer), Maneco(@magnesio), Maria Salete(@Salmagnoni), minha filha Letícia e Eu. Alguns ali não se conheciam pessoalmente, mas estávamos acostumados a nos falar via Twitter, rapidamente nos entrosamos.

 

Este movimento de reunir e fazer encontrar pessoas, é algo mágico, torna mais intenso o contato, o respeito e amizade, nem sempre falando a mesma língua, divergindo, concordando, mas com ouvidos abertos, sempre prontos para uma tirada mais espirituosa, uma boa piada, zoação. Transpor o virtual, sentir gente de carne e osso, ali sorrindo, trocando ideias, marcando mais encontros, pensando e fazendo planos, a realidade parece mais verdadeira, que a rede social nos aproximou, mostrando outras possibilidades. Enfim, foi excelente, tive que sair mais cedo, 17 horas, mas o pessoal esticou até umas 22 horas.

 

A viagem do Domingo

Marco e Márcia, abraçam carinhosamente Lê e Lu

 

 

No domingo, devido um pedido, muito choroso da minha filha menor, a Luana, acabamos assim do nada rumando para o Guarujá, apenas um bate e volta, sentir a brisa do mar, almoçar na praia, mesmo a distância, uns 90 km, não nos intimidou. Talvez se pensasse bem, não iria, mas a empolgação e o exemplo do @lufeba, que se manda do Rio para cá apenas pelo prazer de nos abraçar, valeu. Na hora lembrei do meu amigo, também de Twitter, Marco Lima( @limarco), ele mora lá, quem sabe nos encontraremos?pensei.

 

Liguei para ele, assim de surpresa, pois nesta semana tentamos almoçar em São Paulo e não deu certo, disse-lhe que estava indo ao Guarujá, qual sugestão de comida, restaurante e, se desse, podíamos nos ver e tomar um café. Foi muito mais do que isto, o Marco já o encontrara uma vez aqui, ano passado, tanto ele como nós passando por problemas de saúde, nos solidarizamos, como nos falamos sempre em datas festivas por fone. Mas, ontem foi muito especial, efetivamente nos conhecemos, na boa acepção da palavra.

 

Ele nos recebeu tão bem, minhas filhas e amim, nos levou a um excelente restaurante, mimou as meninas, cheio de carinho e atenção, um almoço primoroso, fez ainda a desfeita de não nos deixar dividir a conta, agora devemos em dobro, mas a Letícia e a Luana prometeram fazer um belo almoço. Depois fomos a sua casa, a doce Márcia, sua belíssima e amável esposa nos esperava, passamos uma tarde maravilhosa, acolhidos com tanto afeto, que tanto nos emocionou, as meninas saíram radiantes, com um sentimento de amor e alegria pela companhia de um casal tão belo.

 

Estas aventuras de encontrar pessoas, entrar nas nossas vidas, nós nas delas, é uma experiência espetacular, graças ao Twitter, Facebok, podemos conhecer tantas amigos, que vão além da @.

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500 Aventuras

 

500 Estão todos aqui

 

Bem, chegamos ao post de número 500, é uma baita vitória, uma pequena obra, que me orgulha, que tenho certeza que agrada aos meus amigos. De certa forma, este blog, já ocupa um espaço importante nas redes sociais, pois busca fomentar o debate, apresentar ideias, intervir nos campos que nos propomos, com conteúdo e originalidade. O blog ultrapassou em muito o seu projeto inicial, como os  números de posts dos diversos vetores que foi se abrindo, naturalmente, os temas se sucedendo como num crescente,expressa, hoje, uma maturidade do que penso sobre estes temas tão variados:

 

O compromisso inicial continua de pé, as variações dos temas, as divisões criadas para facilitar na hora de escrever e facilitar aos que recorrem aos temas foi sendo descoberto aos poucos, chegamos na configuração atual, no futuro faremos mais ajustes, talvez mudando o layout ou a forma de apresentação, depende tempo e capacidade criativa, os programas são fechados, não permitindo uma certa liberdade para criar, então vou adaptando como os limites que permitem. Também descobrindo como funciona as ferramentas.

 

As mudanças de conteúdo são as mais densas e que amim, mais interessam, o maior salto sem dúvida foi dado com a série Crise 2.0, como já falei anteriormente, surgiu quase por acaso, agora completa um ano, com  186 artigos, uma rica radiografia da maior crise do capital desde 1929, que ainda é tão subestimada no Brasil, talvez por não termos entrado diretamente nela, seus feitos aqui ainda não são sentido com tanta intensidade. Escrever sobre Economia Política, com  corte marxista, não é fácil, ler, reler os vários veículos do capital, filtrar as mensagens e dá uma nova roupagem é uma tarefa gigante.

 

Com o tempo foi ficando mais fácil, mas é um duro aprendizado. O tema Crise 2.0, ultrapassa as fronteiras, pois põe na ordem do dia a Política, tanto no aspecto conjuntural, geral ou local, quanto no plano estratégico. As novas tarefas que surgem, as alterações radicais no Estado, sua quase completa falência, enquanto continuamos com uma agenda(tática) de pedidos ao Estado/Governo. O coração do Capital, ainda tem como centro os EUA, Japão e Europa, mas a cada dia incorpora países, antes periféricos como China, Índia, Rússia e Brasil, que se apresentam como as novas fronteiras da acumulação capitalista, nas palavras de Delfim Neto ” O Brasil é o Peru que ainda tem farofa”.

 

O blog cresceu muito nas Reflexões, nos meus processos internos, nas minha dores, afirmações, conflitos, desaguei aqui tudo aquilo que me aflige. Os meus desejos estéticos, meus filmes, músicas, livros, também ganharam mais espaço, fazendo parte desta aventura. A mitologia grega, que foi fonte inicial do blog, recebeu vários artigos, um tema que é tão caro, que preciso de mais tempo para voltar a escrever, pelo menos como gostaria.  Enfim, é este conjunto de coisas e temas que chegamos aos 500 posts, vamos dobrar mais uma marca.

 

Por enquanto, obrigado, me aguentem um pouco mais.

 

Balanço e Perspectivas do Blog

 

Novas Perspectivas

 

Finalmente mais um semestre se acabou, hoje, dia primeiro de julho é muito especial, como todo o mês, pois se vivo fosse meu querido avô Raimundo Lopes, faria 94 anos, aqui já o homenageei Ao meu Avô, Raimundo Lopes. Durante o mês ainda terei muitas emoções, como os 70 anos de minha mãe, algumas vezes lembrada e festejada, como neste post ( “Mãe”, a Minha Mãe na posse da Dilma), dia 07/07, uma festa linda faremos para ela e para meu pai( Pedro, 70 anos, Rocha ), que também fez 70 anos em abril. Para findar o mês, completarei 43 anos, é a idade chegando.

 

Este semestre que passou foi extremamente produtivo, finalmente comecei a ter uma regularidade em escrever diariamente, a passar para este espaço o conjunto de ideias que move meu dia a dia. As minhas angustias, aflições, emoções, como também um acompanhamento intenso da crise mundial, na série que denominamos de Crise 2.0, uma contribuição ao debate sobre o caráter da Crise e seus desdobramentos. Avancei muito mais do achava neste trabalho, com mais de 170 artigos publicados, sei que não dei refresco aos que me leem, mas também, espero, que se torne fonte de consulta e debates.

 

O blog mais do que duplicou nestes últimos seis meses, até 31 de Dezembro de 2011, havia publicado 213 posts, agora chegamos aos 477, um acréscimo de 264 novos artigos, uma regularidade de quase 1,5 artigos por dia, que se intensificou nos últimos 3 meses com exatamente 2 ao dia. Fiz algumas mudanças no blog, principalmente na interação com as redes sociais, deixei de publicar um a um artigo aos meus seguidores do Twitter, perdia muito tempo e notei que, além de não ter retorno, notava um certo incômodo em receber os links. Melhor deixar vir espontaneamente. O resultado é ótimo, mais tempo para ler e escrever, sem me preocupar se estou sendo um estorvo na sensibilidade alheia.

 

Também houve uma pequena mudança na estrutura do blog com a separação de mais um tema: Filmes&Músicas, que agora tem espaço próprio, também reclassifiquei alguns posts e criei um subdivisão de Roteiros, que ajuda na leitura de alguns assuntos maiores, como foi o caso da Crise 2.0, Homero, Músicas, Tragédias Gregas e outros. Sei que alguns chegam ao blog não sabem como ler, ou como se localizar, penso que os roteiros ajudam a ler de forma cadenciadas os temas de interesses. Tenho procurado variar os temas, exceto sobre Crise 2.0, para melhor balancear o Blog.

 

Por fim, como sempre, a busca é a mesma, desde o primeiro dia do Blog, tornar público o que penso, compartilhar ideias, experiências e debates. Nem sempre, consigo, fazer de forma clara, são os meus limites de comunicar, transformar em texto, com o tempo, vamos ajustando e melhorando. Aos amigos que frequentam este espaço, muito obrigado pelo carinho e força.

Por que escrever o Blog?

 

Blog é um barquinho sempre pronto para partir

Hoje, o dia foi mais do que corrido, só agora pude ver o blog, tinha publicado um novo artigo sobre a Crise 2.0, porém sinto que o blog está uma calmaria sem fim, as mudanças do último mês reduziu muito o trabalho, principalmente o de divulgação, aos poucos vejo que as leituras constantes são as que dão retorno e refletem o que é o blog, o que se propõe. Claro que seria muito bom que tivesse acesso massivo, mas não é o objetivo maior, assim, como está, me agrada. Os temas trabalhados serão melhor explorados, com o tempo ganho.

 

Trabalhei muito pelo formato final do blog, para que seu visual fique mais atraente e que facilitasse a leitura, além de permitir mais interação, também procurei subdividir alguns temas, o que também ajuda a segmentar os interesses, alguns podem me ler por política ou por mitologia, as divisões levam a uma procura mais rápida pelo assunto que mais lhe agrada. Claro que pode melhorar mais ainda, mas este formato foi o que de melhor encontrei, cada vez que troco ou simulo uma troca apresenta algum problema, fiquemos assim por enquanto.

 

Percebi nestes 31 meses que há muitos leitores que vem aqui, leem, mas os comentários são escassos, acabo ficando num dilema, se é por falta de interesse, ou por comodidade, seria ótimo que houvesse mais interação, mais participação, críticas do que preciso mudar, talvez estilo de escrever, ou mesmo os temas eleitos. Fico no escuro, mas vou em frente. Estimulado a escrever mais, estes últimos seis meses foram intensos, consegui publicar quase 3 artigos a cada 2 dias, parece que quanto mais publico, mais aparece coisa a falar. Sei que muitos amigos deixaram de acompanhar o dia a dia do blog, não tem problema, nem eu dou conta de revisar ou reler os textos mais antigos, vou repensar estas questões em julho.

 

Por enquanto é isto, vamos em frente, agradecendo sempre o carinho e paciência dos que aqui frequentam, é um desafio enorme de manter firme a decisão de escrever diariamente, o que me impulsiona é a abertura de fronteiras intelectuais, até então desconhecidas. A nossa tradição é oral, em quase todos os campos, na academia há um esforço enorme para que haja mais publicação, que se registre as experiências, então, para mim, que estou longe da academia, acaba sendo um prazer, saber que posso daqui produzir conhecimento, debates e compartilhar com tantos as minhas experiências e prazeres.

 

Como sempre, vamos avante!

 

O momento do Blog

 

Estes dias a produção do blog ficou voltada quase que integralmente para análise da Crise 2.0, claro que justificado pelas notícias da Espanha, que sofreu um terremoto contínuo nos últimos 30 dias, balançou mais que vara verde, e finalmente quedou-se no sábado passado, com o “resgate” que não é “resgate”, mas que a levou-a a pior situação e descrédito internacional. Mas a dinâmica da Crise não mudou, agora ameaça de forma avassaladora a Itália, então meu pouco tempo tem sido de ler e analisar quase que hora a hora os desdobramentos da Crise.

 

Isto me afastou de outros temas, que me são caros. Mas espero retomar à medida que a questão da Crise seja totalmente explorada e analisada. Neste meio tempo fiz uma importante mudança no blog, talvez imperceptível, mas eficaz, pelo menos para mim, deixei de divulgar post a post nas redes sociais, o trabalho extra era desgastante, além de sentir uma certa rejeição aos links enviados. Então, salvam-se todos, os incomodados e amim, que me livro da obrigação de ter que enviar os tais links.

 

Fato que muitos deixaram de vir ao blog, mas aqueles que me liam, virão, assim espero. O que tenho feito é manter uma boa quantidade posts, trabalhando melhor os temas, dando chance de que tenham todo dia novas leituras, as mais variadas, todas produzidas por mim, sem precisar de terceiros, muitas vezes, publicados à revelia. Cada vez, me convenço de que blog é para apresentar o novo, apenas republicar não agrega valor. Quando o fizer, eventualmente, se for relevante, se justifica, mas não é o caminho para que se possa efetivamente ter alternativa à mídia tradicional.

 

O que tenho feito muito nestes dias, além de escrever bastante e refletir, é ouvir música, redescobrir jóias antigas, ou outras leituras de velhos e maravilhosos clássicos. É uma forma de relaxar, acalmar o espírito, abrir o cérebro para novas ideias, novos rumos, incrementar o blog com mais diversidade e cultura. Revelar o que faz a minha cabeça, sem me preocupar com patrulhas ou politicamente corretos, ouço o que quero, nem “toca a passarinha” o que venham a pensar de mim. Aliás, uma coisa que nestes últimos tempos me ensinou, vou abstrair de qualquer maledicência, simplesmente ignorar, relevar.

 

Este pequeno editorial é para certificar aos meus amigos, leitores, os rumos que estamos agora a trilhar, agradecendo sempre os comentários, as participações, vou fazendo conforme manda a cabeças, o tempo e a velocidade das mãos. Tenho muita vontade de escrever, fazer mais, mas nem sempre isto se transforma em artigos, outras condições acabam embargando os desejos. Então, assim vamos.

Da Arte de Blogar – Roteiro

 

Navegar, iluminar

 

Os que me acompanham a mais tempo sabem exatamente como sou, tanto no blog, como também nas redes sociais: briguento, chorão, reclamador, mas coerente com o que escrevo e penso. Tranquilamente, notaram que não sou de alterações radicais de pensamento, amizades, referências, é verdade que aos poucos vamos nos revelando, talvez algumas facetas surpreendam, mas no geral, não sou de “causar”.  Outro aspecto, marcante, não sou de me alinhar com determinadas figuras, principalmente as que demonstram incoerência ou falta de lealdade nos embates.

 

Admito, sou sectário, busco fugir de qualquer personalidade que não alternar demais de posições ou humor, mais ainda, não me associo de forma alguma a eles, mesmo que estejam defendendo algo que concorde, temo que mudem, como na maioria das vezes o fazem. Sou muito “básico”, talvez “bronco”, mas prefiro esta segura distância, até isolamento, do seguir as correntes ou movimentos, que penso ser apenas modismo, ou, na maioria das vezes, mero oportunismo, como defesa de causas que não lhes dizem respeito, mas para “ter” posição, ou aparecer bem no lance, aderem.

 

Este blog se alimenta de muitas e variadas fontes, desde que seja bem explicada, pela minha linha de pensar, a que serve cada citação, nada é gratuito, por exemplo, ao transcrever parte de texto ou artigo de jornais ou revistas, não entra à toa, elas embasam ou servem de contraponto ao que penso. Aqui você não verá o copiar/colar que tanto mal faz à vida inteligente de um blog, deixando claro que é apenas como concebo esta arte; ou se cria, ou recria, não se copia, pois assim nada acrescentaria. Pois este blog é de formulação, pode ser pobre, mas é original, prometo melhorar sempre, mas sem qualquer artifício de que não venha de mim.

 

Sobre a questão de blog e blogueiro fiz alguns posts clarificando minhas posições e defesas da arte de blogar, que podem ser lidas aqui:

  1. Blogueiro:Pequeno Ditador?
  2. As dores e prazeres de blogar
  3. A encruzilhada dos blogs
  4. Dos Blogs
  5. Dos Blogs II

 

 

Bem, isto aqui não é manifesto, apenas ajuste de conduta e reafirmação de posição, que, de vez em quando, se faz necessário, principalmente aos que agora acessam este espaço, ou mesmo aos mais antigos, é a certeza que o compromisso que assumi, continua de pé, escrever sempre, mas com coerência, respeito pelos que me seguem,  que saibam que aqui encontram notícias novas ou velhas mas vestidas com nova roupagem, com análises, que pode agregar algo diferente do que antes existia.

 

Os temas foram se espalhando, alguns vieram para ficar outros tiveram uma importância em determinada época ou momento, mas que a chama não se apagará, certo que voltarei a eles, no momento certo. O fio condutor geral continua a ser a política, mas nunca se limitou a ela, ou que seja vinculada a um projeto imediato, provisório, conjuntural. Procuro ir um pouco além, ajudando a debater temas, posições políticas e ideológicas, ligadas à esquerda, a um corte bem definido, sendo, mais ainda aqui, coerente com estes ideais.

400 Portos

 

“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande ” (Fernando Pessoa)

 

Escrever é antes de tudo um ato de vida, de celebração dela, as letras que vão aparecendo e tornando sua existência mais rica e interessante. Iniciar este blog não foi tarefa fácil, os receios de que não se sustentasse, que fosse apenas uma empolgação momentânea, fez com que adiasse. O medo era tão grande que não conseguia rascunhar nada, mesmo tendo muita coisa escrita, principalmente resumos e comentários sobre livros, poderia ser o ponta pé inicial, mas tinha pavor em transportar para algo público.

 

Sem dúvida a vaidade de ser criticado, ou até ridicularizado pelo que viria a escrever, também foi outro fator para desanimar a iniciativa. Lia muitos blogs, me identificava, opinava nos comentários, percebia que poderia até falar melhor sobre determinados assuntos que achava que dominava, mas me faltava a coragem decisiva de começar. O primeiro passo que dei foi entrar no Twitter, por volta de julho de 2009, ali passei a conviver mais estreitamente com uma infinidade de blogueiros, isto me deu mais certeza, que era possível escrever um também.

 

Passei mais uns 4 meses maturando a ideia, pois vi que muitos blogs morriam cedo, me lembravam pequenas empresas, que abriam cheia de expectativas, em um ano, 80% fechavam, em 5 anos apenas 4% continuavam a funcionar. Bem, muitos blogs também tinham esta dinâmica, de começar, depois a coisa não durava mais que 2 ou 3 posts, como sou teimoso, não queria algo assim comigo, tinha em mente que, se fosse criar um blog, tinha que perdurar, teria determinação pelo menos para escrever uns 10 artigos.

 

Enfim, dia 23 de novembro de 2009, abri o blog com a este artigo: Primeiras Palavras, por uma boa coincidência comecei ali publicando uma música do MadreDeus, O Navio, bem não sei se intencional, mas é mais ou menos o que é este blog, um pequeno navio, no meio do mar, sujeito às tempestades, e como foram grandes nestes dois anos e meio, mas a nau continua a navegar, singrando parando em tantos portos que fui descobrindo mês a mês, tornando o blog um pouco melhor, mais interessante, pelo menos para mim, que é o que mais importa.

 

A evolução do blog foi natural, me lembro que ao ler um livro sempre é difícil chegar na página 100, parece um marco, depois fica mais fácil, aqui para chegar ao post 100 passe 1 ano e meio, exatamente em maio de 2011, publiquei, sem perceber aquela que era a centésima postagem: Crônicas do Japão XIII: Miyajima, fé e poesia. Mais outra feliz coincidência, estava escrevendo sobre o Japão, minhas aventuras naquele país, coisa de 16 anos atrás, justamente o post 100 me lembra a bela ilha de Miyajima, minha Nau, ali aportou e me encheu de fé e poesia.

 

Agora um ano depois chego ao post 400, um número grande, incrível, quase inacreditável, mas aqui estamos, as mudanças foram enormes, desde o primeiro, mais ainda desde o centésimo, a maturidade e a forma de escrever se tornou mais simples e rápida. Os textos começam a brotar com facilidade, o prazer de realizar este blog aumentou sensivelmente. Tem sido o lugar que desafoguei todos a sorte de males que tenho enfrentado, mas não trago para cá, ódios ou mágoas, mas reflexão de um ser, muitas vezes atormentados pelas dores.

 

Mas continuo a navegar, nunca a frase dos antigos,  do General Pompeu, tornada imortal por Fernando Pessoa, caiu também para definir este espaço: “Navegar é preciso; viver não é preciso”. Mais significado ganha quando se ler todo o poema, que tanto bate com meu atual estado de espírito:

Navegar é preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 
“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase, 
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar. 
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. 
Só quero torná-la grande, 
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade; 
ainda que para isso tenha de a perder como minha. 
Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue 
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir 
para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa