Crise 2.0: Separatismo Espanhol

 

 

Rajoy, o desastrado Presidente Espanhol ( Foto: El País)

Nada parece estar tão ruim que não possa piorar, isto cabe como uma luva para Espanha, os dados mensais ou trimestrais sobre a economia do país vão se tornando cada vez mais críticos. Nestes últimos dias aqui, na série sobre a Crise 2.0, estou dedicando mais atenção a “mãe de todas as batalhas do Euro”( Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio e Crise 2.0: UE, O Grande Jogo!), a possível/provável queda integral da Espanha, se pedir o resgate, a perda do que sobrou de soberania, dará mais força aos que querem a ruptura do país.

 

Os dados de ontem , sobre a correção do Déficit público de 2011, que subiu de 8,5% para 9,4%, hoje se completam com a informação de que a queda do PIB  no 3º trimestre foi de 1,7%, ainda maior que do 2º Trimestre, que foi de 1,3% , com um agravante, o PIB comparado de 2011 é menor, então a queda é mais acentuada. Com este números divulgados pelo BC espanhol, ainda precisa ser confirmado pelo Governo, a trajetória ruim vai continuar, pois as políticas aplicadas, em particular pelo governo de Rajoy é de mais recessão.

 

A agência Down Jones publicou as explicações do BC para o aprofundamento da crise, é devido aos ” esforços para reduzir os gastos do setor público tiveram um efeito de contração (na economia) durante os meses do meio do ano”, afirmou o banco central. “Nós vemos quedas no consumo e nos investimentos em todos os níveis do governo acima dos vistos em trimestres anteriores”. Ou seja, mais recessão, que  gera mais crise, e se retroalimentam, o que , segundo o BC espanhol “não pode ser descartada a possibilidade de o governo não atingir a meta de déficit orçamentário deste ano, que é de 6,3% do PIB, em boa parte por causa de deficiências na receita fiscal”.

 

É um momento extremamente grave, com lideranças tradicionais, da Direita e Centro sem saída, as eleições nas províncias comprovam o declínio dos maiores partido, principalmente do PSOE, que paga um preço maior pela crise, mas atinge também o PP, nas regiões autônomas as forças pela soberania regional vai ganhando mais músculos. A próxima eleição na região mais rica e mais rebelde, a Catalunha, se confirmadas as projeções levará a uma encruzilhada final, com grande chance de uma ruptura e surgimento de um Estado Catalão.

 

A crise aprofundou as diferenças, o país à beira do caos, com alto risco de perder sua soberania para Troika, internamente com as regiões autônomas se rebelando, difícil enxergar uma saída negociada. Hoje, no Senado, Rajoy, fez um discurso apelando ao diálogo com Artur Mas, o líder Catalão, de que todos perderão em caso de ruptura. Mas, como sempre o ameaçou, “ou aceita o pacto fiscal ou arque com as consequência”. Rajoy, nos parece, um elefante numa loja de cristais, acaba falando de forma desastrada, o que acirra os ânimos, até quando, teoricamente, propôs o diálogo.

 

Os separatistas se animaram com o exemplo do Reino Unido que aceitou o novo referendo escocês, assim, a Catalunha que o seu próprio plebiscito, o Governo Central e os tribunais recusam peremptoriamente. São muitas frentes de embates, para um governo tão fraco, os efeitos da crise funcionam como bomba relógio, a qualquer momento explode, ou externamente, com o pedido de resgate, ou internamente com a separação de ricas províncias.

 

Acompanhemos!!.

Crise 2.0: UE, O Grande Jogo!

 

Cristobal Montoro, Ministro Espanhol, Eurogrupos, más notícias. Foto: LUIS SEVILLANO El País

 

O clima azedo da cúpula da UE é apenas mais um capítulo da Crise que assola de forma drástica o velho continente, conforme estamos tratando aqui, na série sobre a Crise 2.0. O que parecia um vinho de primeira, a Zona do Euro, agora mais parece um vinagre de terceira, os conflitos cada vez piores, demonstram a incapacidade dos atuais líderes de ir em frente, no último post, Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio, vimos que a guerra Hollande x Merkel se acirrou, mais ainda porque a Alemanha está em processo eleitoral, e a Chanceler corre riscos se “amolecer”.

 

A resolução principal, foi jogar para o Eurogrupo uma decisão sobre a questão das dívidas, mas especificamente se a ajuda diretamente aos bancos, dos países em situação mais precária, sem onerar ainda mais as finança públicas destes países. O Eurogrupo, seu comitê executivo, via EuroStat, anunciou uma revisão dos números de 2011, em particular os da Espanha, tornando ainda mais sombria sua situação. O déficit público anunciado, já alarmante, 8,5% do PIB, na verdade foi pior, 9,4%, uma trágica coincidência, o mesmo da Grécia, só perdeu para o da Irlanda que foi de 13,4%. O motivo foi uma série de ajuda aos bancos e não pagamento de obrigações tanto do Governo Central como das províncias.

 

Os dados divulgados servem para pressionar o governo Rajoy, para que faça o pedido de resgate, pois as condições são completamente desfavoráveis. Entretanto, é preciso dizer que a situação geral é de déficit fiscal acima dos 3% estabelecido pela UE, dos 27 membros, nada menos que 17 estão com o mesmo problema, de Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal. Conta a favor da Espanha, que em 2011, a relação PIB x Dívida Pública era menor, por exemplo do que a da Alemanha ( 69,3% x 80,5%). Os dados gerais são: A Espanha ainda estava abaixo da média da UE (82,5%) eo euro (87,3%) e países como a Alemanha (80,5%) e França (86%) . Os países com maiores níveis de dívida pública em 2011 foram a Grécia (170,6% do PIB), Itália (120,7%), Portugal (108,1%), Irlanda (106,4%) e Bélgica (97,8 %). No outro extremo, mentira Estônia (6,1%), Bulgária (16,3%), Luxemburgo (18,3%), Romênia (33,4%), Suécia (38,4%) e Lituânia (38, 5%).

 

Os Dados de 2012, devido o resgate dos bancos espanhóis, que pela regra atual, entrará na conta do Governo Espanhol levando sua dívida pública a mais de 90% do PIB, tornando inviável uma reação de curto prazo. Este é o centro do problema, se o resgate for feito diretamente aos bancos, A Espanha ainda terá uma relação PIB x Dívida, abaixo do 80%, norma da UE, mas se não houver acordo, a dívida subirá a patamares inaceitáveis.  Malandramente, segundo o Estadão do dia 19 de Outubro: “Mas no mês passado a Alemanha, Holanda e Finlândia reabriram o acordo de junho, dizendo que precisava haver uma separação entre o “legado” de dívida tóxica –aquela que tem pesado por tempos sobre os bancos da Espanha e da Irlanda— dos futuros problemas no setor. A recapitalização direta por meio do ESM só seria possível para a agitação que houver quando a nova autoridade de supervisão estiver implementada, disseram os ministros das Finanças dos três países.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pressionou em relação a esse ponto em uma cúpula da UE nesta sexta-feira.”Não haverá nenhuma recapitalização direta retroativa. Se a recapitalização for possível, só será possível para o futuro, então acho que quando o supervisor bancário estiver funcionando não teremos mais problemas com os bancos espanhóis. Pelo menos espero que não”, disse ela em entrevista à imprensa”.

 

O que no fundo se quer é jogar ao Estado Espanhol, irlandês ou grego o Lixo Tóxico, salvando não apenas parte da banca espanhola, no caso específico, mas principalmente os banqueiros alemães que têm ali enterrados mais de 20% de toda dívida do país. Um resgate seletivo, a parte boa já estaria capitalizada e a parte ruim, se tornaria crédito podre, que a Espanha, como Estado, assumiria o pagamento aos credores.  Assim se desvenda o por quê de Merkel se opor aos acordos, como típica representante da banca alemã ela luta por eles, pouco se importando o impacto no já sofrido povo espanhol.

 

A própria União Bancária e orçamento controla do esta no centro do embate de Merkel e Hollande,  “pois a chanceler alemã,  exigiu uma autoridade mais forte para a Comissão Europeia vetar orçamentos nacionais que violem as regras da UE, mas o presidente francês, François Hollande, disse que a questão não está na agenda, e a prioridade é avançar com uma união bancária europeia. Falando ao Parlamento alemão horas antes da cúpula, Merkel tentou desacelerar a corrida para criar um único supervisor bancário, afirmando que a qualidade é mais importante que a velocidade.

A Alemanha, relutante em ver seus bancos sob supervisão externa, insiste que uma supervisão europeia deve cobrir apenas grandes bancos estrangeiros e rejeita qualquer garantia de depósito conjunto que possa levar países mais ricos a ajudar os bancos em seus parceiros mais fracos” (Estado de S Paulo, 20/10/2012).

 

Nem há tanto mistério assim, muitas vezes apenas precisamos desembaralhar as cartas para entendermos quem tem a mão do jogo. Quem defende quem e o que.

Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio

 

A luta aberta nas ruas de Atenas, ontem, mais uma Greve Geral

 

Ao final de mais uma cúpula dos líderes da UE, se percebe o clima de derrota generalizado, uma reunião que delega à outra a decisão que esta não toma, por absoluta falta de acordo. Mais uma vez, tem sido assim, desde que Hollande assumiu a presidência da França, houve um duro e ácido debate entre Merkel e ele, com a Chanceler alemã impondo-lhe mais uma derrota. Quem nos acompanha aqui, na série sobre a Crise 2.0, já compreendeu o que tem de fundo neste embate entre os dois países. O artigo de ontem Crise 2.0: UE – De Cúpula em Cúpula, já apontava estas questões.

 

A Alemanha com seu poder econômico inconteste, esmaga as posições políticas contrárias, por mais que uma aliado dileto, a Espanha, esteja para explodir, Merkel permanece insensível ao que se passa no restante da UE. Age como se todos os países devem continuar a lhe prestar vassalagem, não como engrenagem de uma união política e econômica. Mais de uma dezena de artigos aqui já demonstrei como a Alemanha cresceu e se reposicionou graças a UE, que nos momentos mais complicados de sua unificação, lhe foi completamente solidária, mas que, agora, com seu poder recomposto, trata os demais parceiros como delinquentes e irresponsáveis.

 

Esquece a Alemanha que a UE lhe garantiu mercado cativo aos seus produtos, sem barreiras, além de franquear o controle de fluxo de capitais, tudo isto se deu graças a relação de União, princípio norteador da UE, mas que Merkel faz questão de pisotear, como sua viagem provocação à Grécia na semana passada, agindo como antigos imperadores romanos ia visitar suas “colônias”, apenas para lhes mandar um recado: Eu Mando. Os sátrapas locais agiram de forma violenta reprimindo os manifestantes, com polícia e ajuda dos neonazistas locais.

 

Ontem, em Bruxelas, não foi diferente, o duro embate Hollande x Merkel, sobre as bases de resgate espanhol, disfarçado de “União Bancária”, uma forma mais branda de lhe emprestar dinheiro do resgate, que era defendida por Hollande, foi rechaçada por Merkel. A proposta de união bancária foi jogada para 2014, uma sinalização que teremos mais 15 meses de mais tragédias locais. Esta claro, que não sobrará outro caminho à Espanha que não seja o do Resgate e a entrega do poder local para Troika. A resolução de ontem foi passar ao Eurogrupo (reunião do ministros da Economia da UE) a tarefa de coordenar os novos resgates e, inclusive, exigir mais garantias da Espanha.

 

Merkel usou de uma tática já conhecida, chega a reunião com uma posição extremada, era contra a União bancária, assim como era contra o EuroBônus, bate a reunião inteira, divide os que defendem as posições contrárias e no final repassa as decisões para órgãos que nada decidem. No caso do EuroBônus jogou para o BCE, nunca mais se voltou ao tema, o BCE usou a resolução e promoveu 3 QEs em 1 ano. Agora, no caso da união bancária, recairá para o Eurogrupo a decisão, o que parece não sairá do lugar. Esta dinâmica, mata politicamente a UE, pois acirram as diferenças e se torna claro quem manda, voltando, ao presente, os antigos ódios regionais.

 

Sobra, neste meio, figuras patéticas como Monti, o premier Biônico da Itália,  que aparentemente apazígua, intervindo no embate França x Alemanha, mas que no fundo apenas favorece a posição do mais forte, Alemanha. Este ganhar tempo, atinge de forma mais cruel a Espanha e Grécia, cujos governos locais estão falidos, dirigidos por capachos, mas que até na desonra geral, tentam manter alguma sobriedade. Ontem os gregos fizeram sua quinta greve geral em 2012, e os estudantes secundaristas ocuparam Madri, o caminho do desespero pela sobrevivência neste pequeno recorte de uma cena em Atenas, ontem:

“Anne Yannikou , uma advogada de 30 anos. O protesto tinha sido dissolvido, mas ainda havia tempo para mais prisões. Com sua jaqueta de algodão fino, Yannikou não é  a imagem típica de anarquistas atirando pedras. Mas, enquanto observava os últimos grupos se  enfrentando com a polícia, ponderou em voz alta: “Se apenas um pequeno grupo lutar não vai a lugar nenhum. Se todas as pessoas que vieram antes, e foi muito, muito mais do que o outro dia, enfrentar a polícia, se obtém melhores resultados. ” E onde levará os confrontos violentos? “Eu me considero uma pessoa educada, mas eu acho que não há mais violência. Tenho um filho e tive que ir morar com meu namorado. Mas a cada mês nós percebemos que não temos como subsistir. Estão roubando nossas vidas “, argumenta”. (El País, 19/10/2012)

 

Chocante e revoltante, bem-vindos ao Caos, uma típica criação mitológica grega, além da tragédia.

Crise 2.0: UE – De Cúpula em Cúpula

 

 

Rajoy e Merkel - Nem a Direita se entende mais - Foto: EFE

Mais uma reunião de cúpula da UE em Bruxelas e muitas expectativas sobre as velhas questões que se avolumam, é  a quarta reunião desde 2011, quando Grécia e Espanha entraram em espiral de queda. Por uma coincidência esta série sobre a crise, ganhou força justamente com os artigos sobre a reunião de Setembro do ano passado, aquela que Merkel e Sarkhozy demitiram Papandreou, o primeiro ministro grego e impuseram um capacho ligado ao Goldman Sachs, Papademos. Dali, o Crise 2.0, cresceu e vem acompanhando com mais interesses estes encontros.

 

Li vários jornais europeus sobre a reunião e, mais uma vez o El País, consegue colocar a questão no seu devido lugar, a matéria ” Cinco Chaves para reunião”, é um primor, desde o título até as matérias internas, com propriedade diz que o Resgate da Espanha é o centro do debate sendo ele uma e principal chave do Encontro de líderes. Vejamos o que dizem: “A UE, com seu exército de 15 mil eurocratas e lobistas que pululam em torno das instituições, deixou definitivamente ser chato em 9 de maio de 2010 e, em seguida, tornou-se o alvo dessa maldição chinesa: “Que você viva em tempos interessantes” . Naquele dia (e da noite) começou a primeiro das 25 de cúpula para salvar a zona do euro a partir de uma crise que começou como uma pedra no sapato-Grécia, 2,5% do PIB da zona euro, e foi ampliado para engolir a Irlanda , Portugal e Espanha, que já foram resgatados e pôr em perigo a zona do euro. O  XXVI Episódio XXVI desta  corrida para salvar o euro vem em meio a um oásis (ou uma miragem, vamos ver): os mercados estão calmos, por uma vez parece não querer mais problemas, e na reunião de Chefes de Estado e de Governo impor um impasse , um olhar longe esperando por você nas próximas semanas para esclarecer o futuro imediato da Grécia e do segundo resgate da Espanha, os dois grandes elefantes na sala, todo ver o mundo, mas ninguém quer falar”.

 

Didaticamente o jornal divide em 5 pontos as questões : 1 )  Espanha – Esperando Rajoy – os analistas acham que o segundo resgate será pedido ainda outubro, mas Rajoy tenta despistar, é o jogo de quem vai piscar primeiro: Troika ou Espanha;  2) Grécia – O rapto da Europa, a sorte da Grécia seria definida depois de mais um acordo coma Troika, dando mais uns anos para que ela se adapte às regras do déficit fiscal da UE; 3) A União Bancária – questão já discutida em Junho, mas sem um cronograma, lembro que Setembro de 2011 aprovaram a União Fiscal, que até agora não deu em nada; 4) O longo prazo, as relações internas da UE, com a mudança de liderança e o crescente isolamento da Alemanha, os riscos de uma ruptura no seio da burocracia; 5)  Paris x Berlim – decorre da questão anterior, com a chegada de Hollande houve um novo equilíbrio, mas Berlim passará por eleições no próximo ano, o que pode mudar mais uma vez.

 

A conclusão é melancólica do El País: “Na reunião de Junho, com a máxima tensão nos mercados parecia optar por uma conjugação de esforços e mutualização dos prejuízos. Mas depois ele voltou atrás, e na reunião de hoje tende a deixar as coisas como elas estão, com alterações mínimas além de deixar o BCE entra em cena. E a Espanha -Sempre a Espanha- tem que se desculpar e pedir o resgate, é claro”.

Greve Geral na Grécia contra Planos da Troika - Foto: El País

Parece claro que a questão da Espanha é que vai prevalecer, o FMI comunicou ontem que estava oferecendo ajuda para um resgate da Espanha e Itália, como forma de facilitar as negociações, o que enfureceu Monti. A lógica é explícita, depois da “queda” espanhola, a Itália entra em foco, o FMI apenas se anteciparia, mas ainda tem que vencer a resistência espanhola em pedir o resgate, pois Rajoy sabe o seu significado, o governo local passa a ser mera figura decorativa, a soberania acaba de vez, todo poder passar às mãos da Troika, assim como acontece em Portugal, Irlanda e Grécia.

 

O ambiente externo à cúpula é de tensão, na Espanha a greve de três dias, dos estudantes secundarista, hoje recebe a adesão dos pais aos protestos. Na terça próxima, 23 de Outubro, o #25S , convocou mais uma vez o cerco ao parlamento, pois entrará em votação o orçamento 2013, com mais cortes e ajustes indicados pela Troika no seu Plano de Austeridade. Na Grécia, também hoje, começa uma nova Greve Geral, a segunda contra o governo eleito em junho, em menos de mês. Ontem uma grande manifestação de Advogados e Médicos, em Atenas foi duramente reprimida.

 

E pensar que a bem pouco tempo diziam que a Luta de Classes tinha acabado…Sigamos!!!

Crise 2.0: UE – Fim da Classe Média?

 

 

A desigualdade cresce na Europa - foto STEVEN GOVERNO / GLOBAL IMAGENS

 

O esforço intelectual para escrever sobre a crise é imenso e, muitas vezes, penso ser maior do que minha capacidade de elaboração. Nos mais de 250 artigos aqui,na série sobre a Crise 2.0, busquei trabalhar algumas ideias e trazer aos que me leem um panorama mais amplo possível sobre os rumos da economia mundial. De certo que nem sempre consegui atingir o objetivo, mas tenho tentado. O que mais procuro é aproximar a analise da realidade concreta, mas, com certeza, viver longe da Europa, por exemplo, pode dificultar uma compreensão mais acurada do que se passa.

 

Procuro trabalhar com diversas fontes, as mais antagônicas e usar minha experiência para filtrar os exageros e no final opinar de forma mais precisa sobre os fenômenos analisados. Outro dia, conversando com um amigo sobre a questão da crise ele veio dizer que o Crise 2.0 estava exagerando, que a situação da Espanha não era tudo aquilo que vinha escrevendo, pois ele tinha amigos que lá moravam, não era tudo isto. Ouvi, como sempre faço, mas, por coincidência ao chegar em casa leio um email de um amigo que dizia o oposto, que a Espanha estava muito pior. Concluí, o caminho que trilhei está mais próximo da realidade, pois os extremos opostos não estão satisfeitos.

 

Hoje, o El País, o grande diário espanhol, traz um rico debate sobre o futuro da Europa, são entrevistas, artigos e matérias, com lideranças da Europa e do resto do mundo, um amplo painel de ideias, que deveria ser lido por todos os amigos que acompanham esta série. Há uma longa entrevista com François Hollande, Presidente da França, que chega a ser melancólica, em poucos meses de governo já se depara com índices altos de desaprovação, além de se ver preso à armadilha da Troika, a austeridade, política central imposta pela Alemanha de forma irresistível à toda UE.

 

Uma das matérias sobre o futuro da Europa traz a realidade cinco famílias de classe média na Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Itália, os países mais ricos da Europa, demonstrando o declínio do famoso padrão de vida europeu, que, segundo a matéria era sustentando pelo Estado Bem-Estar Social, com suas bases saídas da segunda guerra e moldado pelo Plano Marshall, que serviu de contraponto ao leste europeu. Com a queda da ex-URSS, muitos dos valores e funções deste modelo começaram a ser questionados, mas apenas com o advento da grande crise, efetivamente, será quebrado.

 

Segundo,os professores  Sara Baliña e José A. Herce, da Escuela de Finanzas Aplicadas AFI, afirmam que “quando a crise entrar em sua reta final, serão pouquíssimos os países que poderão exibir ou que terão mantido os padrões de vida que sua população tinha antes de 2008″. “É inquestionável que a combinação de alguns anos, os próximos, de crescimento econômico reduzido e desemprego elevado vai provocar uma alteração estrutural das pautas de comportamento e gastos das famílias”, escrevem os professores”. (A erosão da classe média – El País, via Estadão, 17/10/2012)

 

O relato das famílias é particularmente comovente, o caso de Luis e Hortensia, casal espanhol de 57 e 48 ano de idade, ambos desempregados, que veem seu padrão de vida minguar mês a mês com a poupança sendo gasta, vivem da aposentadoria proporcional de Luis, de cerca de 1400 Euros, que são divididos em 600 Euros para pagar a hipoteca do apartamento, 300 Euros para pagar empréstimos . Lhes sobram 500 Euros, que são administrados com cuidado, acabam de cortar Tv a cabo/Internet e telefone que consumia 90 Euros. Nas palavras de Luis: Eu trabalhava e morava com alguma confiança, mas tudo mudou”, diz ele. “Emocionalmente, você se sente muito mal. Ainda tenho um pouco de suco para dar, não acho que é só o que me aconteceu. Em 57 anos, eu não tenho nenhuma opção para encontrar trabalho” (El País , 17/10/2012).

 

Mesmo, a prospera Alemanha, sofre com a desigualdade, que embora não esteja enfrentando os problemas sociais mais terríveis de Espanha, Grécia ou Portugal, o clima já não é de otimismo, pois os dados apontam para uma realidade complexa, o aumento do fosso entre os super Ricos e os pobres, segundo o El País, “ A cada ano, o Federal Statistical Institute estabelece quantas pessoas estão em risco de cair na pobreza, isto é, quantas pessoas têm menos dinheiro do que a média da sociedade. Apesar do crescimento econômico, o número aumentou ligeiramente em 2011. 15,1% da população está enfrentando o problema da pobreza. Segundo a definição de peritos em estatística, no caso, uma família com uma pessoa, este problema começa a partir de uma receita líquida de menos de 848 € por mês. Na Alemanha, um em cada sete crianças com menos de 15 anos que vivem de ajuda social. Na ex-RDA, é de um em quatro, na capital, Berlim, um em cada três.

Na Alemanha, a pobreza e a riqueza são herdadas; concordam tanto os economistas e especialistas em educação. Portanto, o pesquisador de mercado de trabalho mais conhecido no país, Joachim Möller, lança a seguinte advertência: “Quando a frustração dos pobres torna-se o álcool, letargia e crime, toda a sociedade sofre. Isso é algo que vemos na América. ” Mas “milagre trabalho” do país parece estar ainda longe de atingir uma situação” (El País 17/10/2012).

 

Em nossos trabalhos, em particular sobre o  novo Estado, Estado Gotham City, já enfrentamos esta questão sobre o fim do Estado de Bem-Estar Social, seu desmonte e as consequência do empobrecimento, este estudo em quatro artigos:

1) Definição geral do que é o Novo Estado, expresso no artigo Crise 2.0: O Novo Estado e mais seis pequenos ensaios que dão sustentação a tese;

2) Desta definição passei a analisar os atores em luta, primeiro o comportamento do grande capital, em especial o capital financeiro, a fração burguesa que domina as ações do Capital, aqui escrito no artigo – Crise 2.0: Novo Estado e o Capital;

3) O segundo vetor são os novos movimentos de resistência ao Novo Estado, que surgiu durante a crise, movimento, na maioria das vezes de negação geral, sem apontar saída, vistos aqui – Crise 2.0: Novo Estado e os Indignados;

4)  E o terceiro vetor é sobre  Crise 2.0: Novo Estado e os BRICS que tratamos das alternativas ao eixo central do capital (EUA, UE e Japão), surgida por iniciativa do Brasil, os BRICS, que se consolidou na atuação conjunta pós 2007;

 

A realidade começa a se tornar nua e crua aos antigos estados de bem-estar social, em poucos anos serão sombra do que foram, se nada for feito, é só questão de tempo.

Crise 2.0: Educação na UE – Geração Perdida

 

O Fracasso da Educação na UE - EMILIO MORENATTI (EFE)

As grandes crises desarrumam não apenas a economia dos países, mas, principalmente a vida das pessoas, em curto espaço de tempo, sistemas montados por décadas caem de forma irresistível em um ou dois anos de uma crise violenta como esta. Hoje a UNESCO divulga seus dados sobre Educação e a conclusão é alarmante, em particular na Europa, mais especificamente nos países mais atingidos pela crise, um grande retrocesso se deu em curto período, o que tende a piorar futuramente com os planos de Austeridade que se voltam contra Educação e Saúde.

 

Os dados espanhóis, tratados no El País, hoje, é o retrato mais fiel das opções econômicas e políticas, 1 em cada 3 jovens (15 a 24 anos) abandonou a escola sem completar o ensino médio, a media da UE é 1 em cada 5. O que, segundo o jornal, levou “os  responsáveis ​​pelo relatório, a classificar como “preocupantes” o número de abandono escola na Espanha, dado que é um país “duramente golpeado” pela crise e onde o desemprego juvenil superior a 50% em março deste ano . A falta de qualificação profissional dos jovens europeus, os  leva a desperdiçar o seu potencial, os faz perder as oportunidades de emprego e os impede de ajudar seu país de volta à prosperidade”, diz o estudo, que afirma que, em tempos de crise, a  Educação é a ferramenta é “mais essencial do que nunca.”

 

A maior prova de que a Educação é fundamental neste momento  de crise é que entre 2007 e 2009 as taxas de desemprego entre os jovens dispararam, mais ainda entre os que abandonaram os estudos prematuramente. Diz ainda o relatório, reproduzido pelo El País: “pelo menos um quarto da juventude espanhola, que deixou os estudos no final do primeiro ciclo do ensino secundário e um quinto dos que saíram depois escola continuam a procurar emprego. ” O alerta  final é que “A criação de empregos por si só não vai nos ajudar a sair da crise”, diz o relatório, porque “a Europa deve formar jovens com competências adequadas, a experiência prévia e capacidade de adaptação a novas tecnologias.”

 

Apenas em 2012 o orçamento para Educação na Espanha sofreu um corte de mais de 10 bilhões de Euros, com corte de 50 mil trabalhadores em educação ligados ao Governo Central e com mais 50 mil nas províncias, um quadro que tende a agravar-se nos próximos anos. Com baixa educação, não há como pensar num país que consiga competir com os demais parceiros, a sua produtividade é sempre mais baixa, sendo relegada à funções secundárias na cadeia produtiva, o que torna a recuperação ainda mais difícil.

 

Hoje, na Espanha, começa uma jornada de greve estudantil secundarista de três dias, justamente contra os cortes promovidos pelo governo central, da extrema-direita, liderado por Rajoy. A greve convocada pelo estudantes foi amplamente apoiada pela associação dos pais, o que levou a 70% de adesão, principalmente em Madri e nas grandes cidades. O Ministro da Educação, condenou a greve, chamando os grevistas de “Esquerdistas Radicais” e que a greve atinge apenas 20% dos estudantes. A reação no parlamento foi clara, condenando o ministro, que a cada vez que fala se torna “ainda mais incapacitado ao cargo”.

 

Numa reportagem da BBC sobre os jovens na Europa, eles denominam como “geração perdida” ou “desperdiçada”, assim iniciada: “Por causa da crise econômica e das medidas de austeridade adotadas por alguns governos de países ricos, um número crescente de jovens profissionais qualificados, na faixa dos 20 a 30 anos, estão desempregados. Frustrados, após terem se esforçado tanto para conseguir um diploma, eles vivem de bicos, da ajuda da família ou pensam em emigrar. A BBC Brasil ouviu a história de alguns desses jovens que fazem parte do que a imprensa e economistas de seus países vêm chamando de “geração perdida” ou “geração desperdiçada”

 

O panorama é francamente desolador, vale a pena ler os relatos que a BBC colheu em várias cidades europeias, problema muito comum a todos eles:  “Jovens com nível universitário trabalham com faxina e entrega de pizza“.

Crise 2.0: Novo Estado e os BRICS

 

BRICS e o impasse para o Novo Estado (Foto: Saurabh Das / AP Photo)

Esta semana tenho me dedicado a fundamentar o conceito sobre o “Novo” Estado, o que vem sendo gestado na atual crise,  que também defini como Crise de ciclo longo, ou depressão, não apenas uma crise cíclica. De tal sorte, para este grau de crise, todos os elementos combinados de queima de Forças Produtivas mais remodelação do Estado se faz necessário. Quem nos ler aqui, na série sobre a Crise 2.0, sabe do esforço teórico de encadear os fatos e reproduzir de forma simples, dentro de uma lógica política bem definida.

 

A questão do Estado, ou o novo estado ou ainda o Estado Gotham City, é a afirmação política e econômica, do grande Capital diante da Crise, os artigos anteriores têm o seguinte objeto:

 

1) Definição geral do que é o Novo Estado, expresso no artigo Crise 2.0: O Novo Estado e mais seis pequenos ensaios que dão sustentação a tese;

2) Desta definição passei a analisar os atores em luta, primeiro o comportamento do grande capital, em especial o capital financeiro, a fração burguesa que domina as ações do Capital, aqui escrito no artigo – Crise 2.0: Novo Estado e o Capital;

3) O segundo vetor são os novos movimentos de resistência ao Novo Estado, que surgiu durante a crise, movimento, na maioria das vezes de negação geral, sem apontar saída, vistos aqui – Crise 2.0: Novo Estado e os Indignados;

4) Para fechar, esta série, dentro da série, trataremos das alternativas ao eixo central do capital (EUA, UE e Japão), surgida por iniciativa do Brasil, os BRICS, que se consolidou na atuação conjunta pós 2007, é este o objeto deste novo artigo;

 

Vou começar pelo fim, uma conclusão geral sobre a alternativa apresentada pelo  BRICS, ou melhor pelo Brasil, mais particularmente a política do PT. A afirmação é: O PT, o Brasil e por conseguinte os BRICS, não se opõem ao Novo Estado, não criam outro Estado, diferente, mas objetivamente atuam como “Empate”, algo como os serigueiros que não permitiam o corte das árvores na Amazônia. O que na prática significa um embaraço geral ao centro do Capital, pois eles entraram em crise juntos, mas já não podem usar do restante do planeta, como antes, para exportar sua crise, ou, mais precisamente, sua saída, o Novo Estado.

 

A questão ganha contornos dramáticos quando lemos que , segundo o FMI “a economia global leverá pelo menos dez anos para sair da crise financeira iniciada em 2008, afirmou o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard” (Agência de notícias Reuters). Ora, dez anos numa economia tão interligada pode gestar novos centros de poderes, se o centro não os dominar completamente, como é o caso da China, e numa perspectiva maior os BRICS. Mas o que têm feito este bloco diante da Crise? de que forma forma atingidos?

 

Do ponto de vista da economia, vejo diferenças grandes, no combate à Crise, como descrevi no artigo Crise 2.0: Como Combater a Crise? UE/EUA x BRICS , em que comparo as políticas traçadas pelos BRICS, este “bloco econômico, informal, denominado de BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), tem se caracterizado por buscar alternativas diferentes da optada pelos EUA e pela UE para combater a crise. Desde 2008 buscam mais integração comercial e principalmente enfrentar a crise de forma comum, com incentivo ao emprego, grandes obras públicas, fortalecimento do mercado interno e a alternativa de financiamento produtivo.

O ambiente geral é complicado, se em 2007/2008 os EUA caíram economicamente, mas a Zona do Euro se manteve, com um detalhe a mais, a Zona do Euro é a maior financiadora da China, cerca de 25% do investimentos gerais, 15% do Brasil. Com a Crise de 2011 houve um fechamento de torneiras dos financiamentos externos, tão essenciais a estes países, devido a baixa poupança interna. Além disto, as importações da UE da China caíram 7% em 2012. O mesmo se deve repetir com o Brasil.

Os BRICS têm sido aguerridos  e por mais que tenham sobrevivido a atual crise, não estão imunes, recentemente se reuniram na Índia, buscando uma maior convergência de ações e intercâmbio, para que possam, de forma mais efetiva, protegerem suas economias e manter o crescimento econômico dos últimos anos. As duas políticas acertadas neste recente encontro são: 1) No comércio entre os BRICS, usar as próprias moedas; 2) Criar um banco de investimento do grupo; São medidas que dinamizam o comércio entre estes países, pois em parte não se precisa usar Dólar/Euro nas transações. O banco comum ajuda na questão de financiamento, diminuindo a dependência e do humor do mercado mundial.

Mais ainda, os BRICS se unem contra a chuva de trilhões imposta pelos EUA(FED) e UE(BCE), mais duas QE ( emissão massiva de moedas) que incentiva a especulação com as moedas locais, impondo sua valorização, causando um desequilíbrio das contas e tornando os produtos destes países mais “baratos” diante da produção local. O fluxo de capital com caráter especulativo desarruma as contas públicas de países como o Brasil.

O quadro se agrava, mas tanto Brasil, como China se mexem de forma sólida, dão a dinâmica aos demais, a Índia enfrenta com mais dificuldades a crise. Esta última semana a China lançou mais um pacote, a exemplo do PAC, aqui do Brasil, lá, segundo a Reuters  ”A China aprovou mais de US$ 150 bilhões em 60 projetos de infraestrutura para estimular a economia diante do maior desaquecimento em três anos, o que aumenta as esperanças de que o motor do crescimento mundial talvez tenha uma melhora a partir do quarto trimestre. Ações e futuros de aço saltaram diante do plano – um dos mais ambiciosos que a China revelou neste ano – de construir estradas, portos e pistas de aeroportos”.

A Saída apontada pelos BRICS é totalmente diferente das implementadas nos EUA e UE, mostrando que há sim, alternativas para combater a crise. O que falta na Europa, principalmente nos países mais afetados pela crise, são forças políticas para seguir este modelo, romper com o Euro e a Troika”.

 

Do ponto de vista do Estado, a China usa de conceitos de economia estatal centralizada, combinando com mercado e empresas privadas, o Estado é definidor de suas ações, uma ampla e competente burocracia vai levando o gigantesco barco, com mais de 1, 4 bilhões de habitantes, sinceramente não sei que outra for
mação política daria conta de tanta gente e tantas contradições. Os elementos da democracia, tal qual conhecemos no ocidente, dificilmente encontraremos no oriente, isto vale para China, Coréia do Sul ou Japão, são regimes muito específicos, mas que a democracia, na forma ocidental, sirva como parâmetro. O Novo Estado se faz presente pela Força e repressão, quando exército e forças de seguranças, usa de violência, para que os trabalhadores cumpram os contratos fabris de forma aviltante.

 

Índia com seu regime de castas, desigual, com divisão religiosa potencialmente explosiva e os seus mais de 1 bilhão de habitantes, está sendo gerido por uma nova elite política e intelectual que tentar dar uma unidade política a um país gigantesco que não parece disposto a assumir valores ocidentais, como seus. A entrada de grandes empresas dinamizou a economia do país, mas o atraso histórico e a crise começam a minar seu crescimento. A Rússia, com seu poder energético e uma frágil democracia, dominado por uma ex-burocratas da antiga URSS, que, durante o processo de privatização ficaram bilionários, mas vivem das lutas autoritárias entre eles pelo controle do Estado e as riquezas ainda geridas por ele. Parte do Novo Estado se afirmou na Rússia, mesmo fazendo parte dos BRICS, o Estado é claramente o identificado com o Centro do Capital, até no modelo do grupo de elite que o gere.

 

O Brasil foi extremamente penalizado nos anos 80, devido a crise da dívida, só efetivamente se readequando na gestão Itamar, quando lançou sua dolarização, uma moeda ancorada no Dólar, aquilo que era uma tática temporária virou ancora do poder. FHC, usando do prestígio da estabilidade conduziu uma série de desmontes do Estado, rumo ao Novo Estado, muitas características do que se propõe hoje, foi implementado no Brasil, sem grande resistência, os anos de hiperinflação, desarranjo econômico foi preponderante para baixa resistência.

 

Vários elementos estranhos ao ordenamento jurídico local, como as famigeradas agências, forma incorporados ao Estado, uma construção artificial do modelo dos EUA, diante de uma constituição de modelo europeu. Esta “ginástica”, sem mediação, levou ao esvaziamento do Estado, em particular no setor de Infraestrutura, como Energia, Estradas, Portos, Aeroportos e Comunicações. O que levou o Brasil, nas crises cíclicas, de 97, 98 e 99, a ficar sem política de Estado, redundando no apagão elétrico e na completa dependência do FMI.

 

Os governos Lula e Dilma houve uma readequação da atuação do Estado, mas sem mexer ou retomar o estado, não se opondo ao “Novo Estado. Os vários avanços econômicos no Brasil, de incorporação de amplas parcelas que viviam à margem da cidadania, sem emprego ou renda, ainda não se traduziu em avanços políticos, o nível de negociação para implementar qualquer mudança nos três poderes é extremamente lento, desgastante e que emperra o salto para frente do país.

 

O impasse é a marca deste período, a grande crise, talvez, tenha bloqueado uma politica mais afirmativa, de ruptura com o modelo FHC, do Novo Estado, isto em parte atrasa o Brasil, o  que nos parece de extrema urgência, só assim, pode-se efetivamente chegar em outro patamar de país e nação. O que foi feito nestes últimos 10 anos, não nos parece pouco, visto que, a pouco tempo, pensava-se em atrelar o Brasil ao EUA, como forma inexorável de vencermos nossas mazelas, com o PT se mostrou o contrário, isto é MUITO.

 

O Novo Estado, parece, se impor de forma desigual, no mundo, do lado dos BRICS houve bloqueio e empates, não a ruptura com a sua lógica.