Cenas Eleitorais

 

Dilma eHaddad: Lula o inventor de Postes,que vai iluminando o Brasil ( (Foto: Eduardo Enomoto/R7))

 

De vez em quando você acha que já viu tudo na vida, mais ainda em política, mas a realidade sempre vem te desmentir, o que é muito bom, sinal que ainda temos muito a aprender. Mais ainda, não duvidar que a vida tem um surpresa, boa ou ruim, dependendo do ponto de vista, mas, importante, continuamos no “jogo”. Achar que já sabemos tudo ou conhecemos tudo, não é bom negócio. Quando se escreve, melhor ter em mente, que podemos descobrir algo mais, em nós ou nos fenômenos que analisamos.

 

Alguns fatos destas eleições de São Paulo e de outras cidades no Brasil, dão mais razão à ideia de que não devemos nos surpreender com eles, alguns são francamente pitorescos, para não falar outra coisa, como o caso do candidato do PSOL de Belém que teve apoio de Lula, do PT, fez vídeo pedindo voto, mas uma corrente interna do PSOL, pede “voto crítico” no seu candidato, é a Treva.Em Macapá, o PSOL, foi ao segundo turno, recebeu apoio do DEM e de várias forças da Direita, começando a viver no “mundo real” das alianças para se chegar aos governos. Militantes e correntes internas estão a condenar as alianças, até com um discurso de “ocupe PSOL”, morri.

 

Mas, aqui em São Paulo, o ex-candidato a Presidente da República pelo PSOL, o valoroso Plínio de Arruda Sampaio, líder da esquerda radical, chegou a cogitar votar no candidato da extrema-direita, Serra, porque o mais importante é “derrotar o PT”. É o velho movimento circular de extremos se unirem, depois esclareceu, que apenas achava “Serra mais competente”, mas que votará Nulo, que beleza!

 

Do lado da extrema-direita, Serra inovou, trouxe do Rio de Janeiro, o indefectível Pastor Mala(Faia), com sua proposta de “dar um cacete em Haddad e seu Kit Gay”. Ora, assim, como na eleição passada, o cada dia mais direitoso, candidato do PSDB, explorou o aborto, agora seria a homofobia. Em 2010, foi desmascarado em casa, sobre o aborto, agora, de novo, foi desmascarado, em sua gestão(sic)no Estado de São Paulo, também tinha um kit gay, em resumo ele virou o kich Gai(em japonês). Mas, Serra, não sossegou ,convocou FHC( quem?) para falar de Ética e dar um Up na sua desastrosa campanha, a primeira declaração do “príncipe” foi dizer que Serra estava se entregando aos extremistas de direita, pow!!

 

Quando achava que mais nada aconteceria, hoje, o mais “preparado” dos homens, Serra, diz que as escolas, em sua gestão(sic) fará de tudo para identificar os alunos, “propensos ao mundo criminoso”, para que sejam levados à Fundação Casa(ex-Febem). É caso clássico de X-9, Minority Report, neofascismo ao extremo, se enterrou de vez. A reação foi imediata nas redes sociais, a lembrança de Lombroso, a necessidade de ver em determinadas características o potencial agente criminoso, pode ser também o elemento para outros desvios mais graves como classificação ideológica, comportamental, separando as pessoas por suas questões sexuais ou religiosas.

 

Para fechar, Serra, tem em  Soninha Francine,ex-Vj da MTV, ex-vereadora do PT, uma ardorosa defensora, ela resolveu cometer um texto “contra a baixaria petista”, no meio do artigo  mandou um tremendo FDP, para Haddad, tudo isto no alto nível tucano de ser, depois, arrependida, apagou o palavrão. Outras vezes já escrevi sobre este caminho tortuoso de cruzar o rio ideológico ( ver o post As Margens do Rio ), o convertido se torna patético e raivoso, no seu novo perfil, destila ódio e nojo aos seus antigos companheiros de causa.

 

Pensando bem, ainda temos muito por ver, em especial neste campo, nem precisa esperar muito. De positivo, sob o meu ponto de vista, tem sido o desempenho de Haddad e Márcio Pochmamm, candidatos em São Paulo e Campinas, com a surpresa da capacidade de ambos em se comunicar e manter um nível de proposição, sem se mostrarem pedantes ou populistas, gratas lufadas de inteligência e  de energia neste campo.

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Por que o PT não Cresceu Muito Mais?

 

 

Dilma e Lula os maiores expoentes do PT

 

Um primeira análise geral das eleições identifiquei que o PT foi o grande vencedor, não apenas pelos números, com maior votação e crescimento, mas pela qualidade destes avanços, no texto Deu 13 na Cabeça, procurei demonstrar de forma concisa o que conseguir vislumbrar neste primeiro turno. Mas, vi em alguns amigos, um certo ar de triunfalismo, que, ao meu ver, isto nos leva a nada.

 

É verdade que deu PT na cabeça,mas não nos deixemos iludir por isto,tem um longo segundo turno, em cidades de vital importância para elevar ainda mais a vitoria da Esquerda. Segundo,sejamos precisos na avaliação, para fazermos uma reflexão criterioso sobre o significado do avanços e o limites, pois, com dois excelentes governos nacionais de Lula e este de Dilma, muito bem avaliados, deveríamos nos perguntar os por quês da vitória nas ser mais ampla?

 

Levantei algumas hipóteses para isto:

 

1) Só agora o PT se constituiu como partido nacional,nas grandes,médias e pequenas cidades, faltava política ampla;

2) PT ainda funciona de forma centralizada,em contradição com a dispersão política,precisa azeitar seus canais,combater caciquismos e o cupulismo;

3 )PT sempre priorizou as eleições gerais(presidência),o que era correto, porém criou um hiato, na elaboração de projetos  locais e chegar a todos os lugares do Brasil;

4) PT funciona com umbigo em São Paulo, sua origem, hoje com quadros envelhecendo, nem sempre bem, que tem que aprender a incorporar o novo,difícil;

5 )PT paga alto preço pelo Mensalão,não adianta relativizarmos, o peso de ser mais um partido “comum” teu seu preço,seria mais fácil a comunicação do resultados de seus governos, agora tem que se explicar porque usou as práticas comuns a todos os outros partidos, quando se pretendia diferente;

6) A soma geral destes fatores,inibe uma projeção maior. Lembremos que, historicamente, os  partidos que chegam à Presidência têm mais densidade nacional;

7) PT chegou ao Governo Central e não definiu seu modelo de Estado, este impasse, que tratamos no post ( Crise 2.0: Novo Estado e os BRICS ), acaba, também, por sinalizar um conservadorismo em temas sensíveis, com receio de que as mudanças possam criar problemas de governabilidade;

8 ) Obvio que a grande vitória neste primeiro turno,não pode ser subestimada, mas também não deve ser superestimada. Tem longo caminho pela frente, muitas ideias devem ser tabulados  para se mudar – Partido, Estado e Democracia;

9 ) PT não costuma ouvir os “de fora”,mesmo quem o apoia de longa data, seus dirigentes, mesmo os locais agem como burocratas e chegam com “soluções prontas”, o que afasta o diálogo e à adesão honesta dos de fora;

 

São apenas pequenas observações de um velho militante de esquerda, não petistas, mas que vota no PT. Com intuito de ajudar nas nossas reflexões,ações e autocríticas. Para qualificar o debate e os enfrentamentos.

Deu 13 na Cabeça

 

Jovem Haddad desafia o velho Serra (Foto: Eduardo Enomoto/R7)

 

Há várias leituras possíveis das eleições municipais, com vitórias e derrotas para todos os gostos, mas nosso recorte será um pequeno balanço dos principais partidos e suas tendências para as futuras eleições presidenciais, pois algumas disputas apontaram para este caminho. Como também o surgimento de novas lideranças, uma renovação no quadro nacional, o que sinaliza uma nova geração de políticos.

 

O PT se tornou o partido mais votado nacionalmente,  com 17,3 milhões de votos, superando o PMDB com 16,7 milhões e PSDB com 13,9 milhões de votos. Outro partido com grande desempenho foi o PSB que desponta como  uma alternativa ao PSDB como oposição, se decidir romper a aliança histórica como o PT. O nome do governador Eduardo Campos surge como figura de destaque. Aécio se impôs em Belo Horizonte, uma cidade que o PT administrou por tantos anos e deu a um neo-aliado, agora castigou o ótimo Patrus Ananias.

 

Num resumo da Folha de S. Paulo, mostra o desempenho nacional dos partidos: “Entre os partidos médios e grandes, PT e PSB foram as duas legendas com melhor desempenho nacional. Até 23h25 de ontem, o PT já havia assegurado 627 prefeituras (14% a mais que em 2008). Em número total de votos, o PT ultrapassou o PMDB e tornou-se o partido mais sufragado para prefeito no país, com 17,3 milhões de votos, uma evolução de 4% em relação a 2008. O desempenho proporcional do PSB foi ainda melhor. Cresceu 51% no total de votos e 41% em número de prefeitos eleitos. Nesta eleição, o PSB foi o quinto partido que mais elegeu prefeito.

O PSDB, principal sigla de oposição no plano federal, conseguiu manter a posição de segundo partido em número de prefeitos (688 eleitos), mas elegeu 13% a menos que em 2008. Em todo o país, candidatos tucanos tiveram 13,9 milhões de votos, queda 4% sobre 2008. Já o recém-criado PSD, liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, elegeu pelo menos 493 prefeitos ontem. Foram 219 vitórias a mais que o DEM, a sigla de origem de Kassab.

Das 83 cidades em que era possível acontecer segundo turno (as que têm mais de 200 mil eleitores), 50 terão novas eleições no próximo dia 28. Nesse grupo de cidades, o PT foi o partido que mais venceu no primeiro turno, com oito triunfos. PSDB e PSB elegeram 5 prefeitos em primeiro turno cada um. No fim do mês, PT e PSDB irão se enfrentar em pelo menos seis das maiores cidades: São Paulo, João Pessoa (PB), Rio Branco (AC), Pelotas (RS), Guarulhos e Taubaté (SP)”.

 

Segundo Turno

 

Pochmann um intelectual na disputa de Campinas (foto: Valeria Abras)


A grande vitoria do PT,  nestas eleições, foi sua renovação em importantes centro nacionais, em particular São Paulo com a ida ao Segundo Turno de Fernando Haddad, em Campinas com Márcio Pochmann. Ambos ligados às Universidades e intelectualidade, mas com grande contribuição em gestões do PT, Haddad como jovem ministro da Educação do Governo Lula e depois de Dilma. Pochmann como formulador de políticas públicas, como o Bilhete Único de São Paulo, na gestão de Marta Suplicy, depois no IPEA renovando o pensamento e os métodos de análises dos dados estruturais, para um novo país.

 

Ambos disputam suas primeiras eleições, a exemplo de Dilma, foram se firmando como quadros políticos do PT na gestão do Governo Lula, fazem parte de uma geração que foi formada nas duas principais universidades do país, Haddad na USP e Pochmann na Unicamp. O ótimo desempenho na campanha, nos debates, com clareza de ideias e comunicação direta fez com que chegassem ao segundo turno destas importantes cidades.

 

Nestas duas cidades (São Paulo e Campinas), por estar aqui ao meu lado, acompanharei com mais participação e apoio, em especial São Paulo, pois, aqui, se travará uma grande batalha contra Serra, o candidato a candidato, aquele que JAMAIS cumpriu um mandato (Serra, História Repetida Feito Farsa ), que entra na disputa sem programa, projetos, cujas deficiências administrativas, personalismo  são prontamente escondidas pela mídia que lhe é fiel. São Paulo tem uma oportunidade histórica de eleger um jovem e promissor prefeito, com experiência na máquina estatal e com bons projetos para a cidade, em especial nos Transporte, Educação e Saúde. Desde já, me posiciono por sua eleição.