Crise 2.0: Separatismo Espanhol

 

 

Rajoy, o desastrado Presidente Espanhol ( Foto: El País)

Nada parece estar tão ruim que não possa piorar, isto cabe como uma luva para Espanha, os dados mensais ou trimestrais sobre a economia do país vão se tornando cada vez mais críticos. Nestes últimos dias aqui, na série sobre a Crise 2.0, estou dedicando mais atenção a “mãe de todas as batalhas do Euro”( Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio e Crise 2.0: UE, O Grande Jogo!), a possível/provável queda integral da Espanha, se pedir o resgate, a perda do que sobrou de soberania, dará mais força aos que querem a ruptura do país.

 

Os dados de ontem , sobre a correção do Déficit público de 2011, que subiu de 8,5% para 9,4%, hoje se completam com a informação de que a queda do PIB  no 3º trimestre foi de 1,7%, ainda maior que do 2º Trimestre, que foi de 1,3% , com um agravante, o PIB comparado de 2011 é menor, então a queda é mais acentuada. Com este números divulgados pelo BC espanhol, ainda precisa ser confirmado pelo Governo, a trajetória ruim vai continuar, pois as políticas aplicadas, em particular pelo governo de Rajoy é de mais recessão.

 

A agência Down Jones publicou as explicações do BC para o aprofundamento da crise, é devido aos ” esforços para reduzir os gastos do setor público tiveram um efeito de contração (na economia) durante os meses do meio do ano”, afirmou o banco central. “Nós vemos quedas no consumo e nos investimentos em todos os níveis do governo acima dos vistos em trimestres anteriores”. Ou seja, mais recessão, que  gera mais crise, e se retroalimentam, o que , segundo o BC espanhol “não pode ser descartada a possibilidade de o governo não atingir a meta de déficit orçamentário deste ano, que é de 6,3% do PIB, em boa parte por causa de deficiências na receita fiscal”.

 

É um momento extremamente grave, com lideranças tradicionais, da Direita e Centro sem saída, as eleições nas províncias comprovam o declínio dos maiores partido, principalmente do PSOE, que paga um preço maior pela crise, mas atinge também o PP, nas regiões autônomas as forças pela soberania regional vai ganhando mais músculos. A próxima eleição na região mais rica e mais rebelde, a Catalunha, se confirmadas as projeções levará a uma encruzilhada final, com grande chance de uma ruptura e surgimento de um Estado Catalão.

 

A crise aprofundou as diferenças, o país à beira do caos, com alto risco de perder sua soberania para Troika, internamente com as regiões autônomas se rebelando, difícil enxergar uma saída negociada. Hoje, no Senado, Rajoy, fez um discurso apelando ao diálogo com Artur Mas, o líder Catalão, de que todos perderão em caso de ruptura. Mas, como sempre o ameaçou, “ou aceita o pacto fiscal ou arque com as consequência”. Rajoy, nos parece, um elefante numa loja de cristais, acaba falando de forma desastrada, o que acirra os ânimos, até quando, teoricamente, propôs o diálogo.

 

Os separatistas se animaram com o exemplo do Reino Unido que aceitou o novo referendo escocês, assim, a Catalunha que o seu próprio plebiscito, o Governo Central e os tribunais recusam peremptoriamente. São muitas frentes de embates, para um governo tão fraco, os efeitos da crise funcionam como bomba relógio, a qualquer momento explode, ou externamente, com o pedido de resgate, ou internamente com a separação de ricas províncias.

 

Acompanhemos!!.

Cenas Eleitorais

 

Dilma eHaddad: Lula o inventor de Postes,que vai iluminando o Brasil ( (Foto: Eduardo Enomoto/R7))

 

De vez em quando você acha que já viu tudo na vida, mais ainda em política, mas a realidade sempre vem te desmentir, o que é muito bom, sinal que ainda temos muito a aprender. Mais ainda, não duvidar que a vida tem um surpresa, boa ou ruim, dependendo do ponto de vista, mas, importante, continuamos no “jogo”. Achar que já sabemos tudo ou conhecemos tudo, não é bom negócio. Quando se escreve, melhor ter em mente, que podemos descobrir algo mais, em nós ou nos fenômenos que analisamos.

 

Alguns fatos destas eleições de São Paulo e de outras cidades no Brasil, dão mais razão à ideia de que não devemos nos surpreender com eles, alguns são francamente pitorescos, para não falar outra coisa, como o caso do candidato do PSOL de Belém que teve apoio de Lula, do PT, fez vídeo pedindo voto, mas uma corrente interna do PSOL, pede “voto crítico” no seu candidato, é a Treva.Em Macapá, o PSOL, foi ao segundo turno, recebeu apoio do DEM e de várias forças da Direita, começando a viver no “mundo real” das alianças para se chegar aos governos. Militantes e correntes internas estão a condenar as alianças, até com um discurso de “ocupe PSOL”, morri.

 

Mas, aqui em São Paulo, o ex-candidato a Presidente da República pelo PSOL, o valoroso Plínio de Arruda Sampaio, líder da esquerda radical, chegou a cogitar votar no candidato da extrema-direita, Serra, porque o mais importante é “derrotar o PT”. É o velho movimento circular de extremos se unirem, depois esclareceu, que apenas achava “Serra mais competente”, mas que votará Nulo, que beleza!

 

Do lado da extrema-direita, Serra inovou, trouxe do Rio de Janeiro, o indefectível Pastor Mala(Faia), com sua proposta de “dar um cacete em Haddad e seu Kit Gay”. Ora, assim, como na eleição passada, o cada dia mais direitoso, candidato do PSDB, explorou o aborto, agora seria a homofobia. Em 2010, foi desmascarado em casa, sobre o aborto, agora, de novo, foi desmascarado, em sua gestão(sic)no Estado de São Paulo, também tinha um kit gay, em resumo ele virou o kich Gai(em japonês). Mas, Serra, não sossegou ,convocou FHC( quem?) para falar de Ética e dar um Up na sua desastrosa campanha, a primeira declaração do “príncipe” foi dizer que Serra estava se entregando aos extremistas de direita, pow!!

 

Quando achava que mais nada aconteceria, hoje, o mais “preparado” dos homens, Serra, diz que as escolas, em sua gestão(sic) fará de tudo para identificar os alunos, “propensos ao mundo criminoso”, para que sejam levados à Fundação Casa(ex-Febem). É caso clássico de X-9, Minority Report, neofascismo ao extremo, se enterrou de vez. A reação foi imediata nas redes sociais, a lembrança de Lombroso, a necessidade de ver em determinadas características o potencial agente criminoso, pode ser também o elemento para outros desvios mais graves como classificação ideológica, comportamental, separando as pessoas por suas questões sexuais ou religiosas.

 

Para fechar, Serra, tem em  Soninha Francine,ex-Vj da MTV, ex-vereadora do PT, uma ardorosa defensora, ela resolveu cometer um texto “contra a baixaria petista”, no meio do artigo  mandou um tremendo FDP, para Haddad, tudo isto no alto nível tucano de ser, depois, arrependida, apagou o palavrão. Outras vezes já escrevi sobre este caminho tortuoso de cruzar o rio ideológico ( ver o post As Margens do Rio ), o convertido se torna patético e raivoso, no seu novo perfil, destila ódio e nojo aos seus antigos companheiros de causa.

 

Pensando bem, ainda temos muito por ver, em especial neste campo, nem precisa esperar muito. De positivo, sob o meu ponto de vista, tem sido o desempenho de Haddad e Márcio Pochmamm, candidatos em São Paulo e Campinas, com a surpresa da capacidade de ambos em se comunicar e manter um nível de proposição, sem se mostrarem pedantes ou populistas, gratas lufadas de inteligência e  de energia neste campo.

Crise 2.0: UE, O Grande Jogo!

 

Cristobal Montoro, Ministro Espanhol, Eurogrupos, más notícias. Foto: LUIS SEVILLANO El País

 

O clima azedo da cúpula da UE é apenas mais um capítulo da Crise que assola de forma drástica o velho continente, conforme estamos tratando aqui, na série sobre a Crise 2.0. O que parecia um vinho de primeira, a Zona do Euro, agora mais parece um vinagre de terceira, os conflitos cada vez piores, demonstram a incapacidade dos atuais líderes de ir em frente, no último post, Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio, vimos que a guerra Hollande x Merkel se acirrou, mais ainda porque a Alemanha está em processo eleitoral, e a Chanceler corre riscos se “amolecer”.

 

A resolução principal, foi jogar para o Eurogrupo uma decisão sobre a questão das dívidas, mas especificamente se a ajuda diretamente aos bancos, dos países em situação mais precária, sem onerar ainda mais as finança públicas destes países. O Eurogrupo, seu comitê executivo, via EuroStat, anunciou uma revisão dos números de 2011, em particular os da Espanha, tornando ainda mais sombria sua situação. O déficit público anunciado, já alarmante, 8,5% do PIB, na verdade foi pior, 9,4%, uma trágica coincidência, o mesmo da Grécia, só perdeu para o da Irlanda que foi de 13,4%. O motivo foi uma série de ajuda aos bancos e não pagamento de obrigações tanto do Governo Central como das províncias.

 

Os dados divulgados servem para pressionar o governo Rajoy, para que faça o pedido de resgate, pois as condições são completamente desfavoráveis. Entretanto, é preciso dizer que a situação geral é de déficit fiscal acima dos 3% estabelecido pela UE, dos 27 membros, nada menos que 17 estão com o mesmo problema, de Espanha, Grécia, Irlanda e Portugal. Conta a favor da Espanha, que em 2011, a relação PIB x Dívida Pública era menor, por exemplo do que a da Alemanha ( 69,3% x 80,5%). Os dados gerais são: A Espanha ainda estava abaixo da média da UE (82,5%) eo euro (87,3%) e países como a Alemanha (80,5%) e França (86%) . Os países com maiores níveis de dívida pública em 2011 foram a Grécia (170,6% do PIB), Itália (120,7%), Portugal (108,1%), Irlanda (106,4%) e Bélgica (97,8 %). No outro extremo, mentira Estônia (6,1%), Bulgária (16,3%), Luxemburgo (18,3%), Romênia (33,4%), Suécia (38,4%) e Lituânia (38, 5%).

 

Os Dados de 2012, devido o resgate dos bancos espanhóis, que pela regra atual, entrará na conta do Governo Espanhol levando sua dívida pública a mais de 90% do PIB, tornando inviável uma reação de curto prazo. Este é o centro do problema, se o resgate for feito diretamente aos bancos, A Espanha ainda terá uma relação PIB x Dívida, abaixo do 80%, norma da UE, mas se não houver acordo, a dívida subirá a patamares inaceitáveis.  Malandramente, segundo o Estadão do dia 19 de Outubro: “Mas no mês passado a Alemanha, Holanda e Finlândia reabriram o acordo de junho, dizendo que precisava haver uma separação entre o “legado” de dívida tóxica –aquela que tem pesado por tempos sobre os bancos da Espanha e da Irlanda— dos futuros problemas no setor. A recapitalização direta por meio do ESM só seria possível para a agitação que houver quando a nova autoridade de supervisão estiver implementada, disseram os ministros das Finanças dos três países.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pressionou em relação a esse ponto em uma cúpula da UE nesta sexta-feira.”Não haverá nenhuma recapitalização direta retroativa. Se a recapitalização for possível, só será possível para o futuro, então acho que quando o supervisor bancário estiver funcionando não teremos mais problemas com os bancos espanhóis. Pelo menos espero que não”, disse ela em entrevista à imprensa”.

 

O que no fundo se quer é jogar ao Estado Espanhol, irlandês ou grego o Lixo Tóxico, salvando não apenas parte da banca espanhola, no caso específico, mas principalmente os banqueiros alemães que têm ali enterrados mais de 20% de toda dívida do país. Um resgate seletivo, a parte boa já estaria capitalizada e a parte ruim, se tornaria crédito podre, que a Espanha, como Estado, assumiria o pagamento aos credores.  Assim se desvenda o por quê de Merkel se opor aos acordos, como típica representante da banca alemã ela luta por eles, pouco se importando o impacto no já sofrido povo espanhol.

 

A própria União Bancária e orçamento controla do esta no centro do embate de Merkel e Hollande,  “pois a chanceler alemã,  exigiu uma autoridade mais forte para a Comissão Europeia vetar orçamentos nacionais que violem as regras da UE, mas o presidente francês, François Hollande, disse que a questão não está na agenda, e a prioridade é avançar com uma união bancária europeia. Falando ao Parlamento alemão horas antes da cúpula, Merkel tentou desacelerar a corrida para criar um único supervisor bancário, afirmando que a qualidade é mais importante que a velocidade.

A Alemanha, relutante em ver seus bancos sob supervisão externa, insiste que uma supervisão europeia deve cobrir apenas grandes bancos estrangeiros e rejeita qualquer garantia de depósito conjunto que possa levar países mais ricos a ajudar os bancos em seus parceiros mais fracos” (Estado de S Paulo, 20/10/2012).

 

Nem há tanto mistério assim, muitas vezes apenas precisamos desembaralhar as cartas para entendermos quem tem a mão do jogo. Quem defende quem e o que.

O Poeta do Amor – Vinicius de Moraes

 

Os geniais Vinicius e Tom

 

“De  todos nós(poeta), Vinicius foi o único que viveu como Poeta” ( Carlos Drummond de Andrade)

 

Impressionante como um dia (19/10/1913 – Jamais Morreu) apareceu e cresceu um Poeta, um Dionísio, ali na Gávea, no mais brasileiro de todos os lugares do Brasil, o Rio de Janeiro. Assim como Públio Ovídio, se dedicou a escrever e cantar o amor e a poesia, que nos redime e nos lembra: Somos Humanos, viemos com uma missão especial ao mundo, a terra, viemos Amar. Apenas o poeta consegue nos lembrar desta grandiosa missão, que abandonamos a todo momento, a qualquer dificuldade da vida.

 

A poesia brotou cedo, nosso deus/poeta do vinho e do mel, tem uma trajetória única, Advogado, Diplomata, mas os versos, sempre falou mais alto na mente e coração, depois o corpo e alma  o fizeram se dedicar completamente a sua missão, transformar em lirismo o Amor. Uma virada completa, o abandono da gravata, do terno e o risco de viver da doce “malandragem”, um espanto para época. O mundo finalmente resgatou o Dionísio, assim se tornou mais belo, louco e alegre, como é próprio do Ditirambo.

 

A vasta obra de Vinicius e seus amores, teve início no momento mágico do Rio de Janeiro, dos anos 50, com o encontro dos geniais Tom Jobim, João Gilberto, os pais daquilo que virou a Bossa Nova. O inquieto poeta e  a necessidade de conhecer o novo o levaria aos braços dos jovens Baden Powell e sua descoberta da artes mágicas da Bahia. As parcerias com Carlos Lyra e Toquinho completam um panorama de tanta riqueza cultural e sons. Chico Buarque, Pixinguinha e quem se  aproximasse mais teria um verso e uma música, era uma profusão criativa de espantar.

 

As letras, as músicas, a bela voz, seus homéricos e conhecidos porres criativos. As várias mulheres com quem amava e casava, numa competição com Pablo Picasso, era sua eterna fonte de inspiração e inquietude. Segue em 5 blocos o espetacular “Mosaicos – A Arte de Vinicius de Moraes”, programa produzido pela TV Cultura em 2009, faz um panorama destes parceiros e suas lindas histórias com o poeta. Recomendo também o documentário mais longo sobre Vinicius

 

De difícil demais escolher uma música, são pelo menos duas ou três dezenas de clássicos, mas como hoje é sexta escolho duas tanto que mais me aprazem.

 

 

Samba de Bênção – Vinicius de Moraes e Toquinho

 

 

Pela Luz dos Olhos Teus – Vinicius de Morais

 

 

 

Vinicius de Moraes – Parte 1/5

 

 

Vinicius de Moraes – Parte 2/5

 

 

Vinicius de Moraes – Parte 3/5

 

 

Vinicius de Moraes – Parte 4/5

 

 

Vinicius de Moraes – Parte 5/5

 

 

Vinicius de Moraes – Documentário completo

 

Crise 2.0:UE – do Amor ao Ódio

 

A luta aberta nas ruas de Atenas, ontem, mais uma Greve Geral

 

Ao final de mais uma cúpula dos líderes da UE, se percebe o clima de derrota generalizado, uma reunião que delega à outra a decisão que esta não toma, por absoluta falta de acordo. Mais uma vez, tem sido assim, desde que Hollande assumiu a presidência da França, houve um duro e ácido debate entre Merkel e ele, com a Chanceler alemã impondo-lhe mais uma derrota. Quem nos acompanha aqui, na série sobre a Crise 2.0, já compreendeu o que tem de fundo neste embate entre os dois países. O artigo de ontem Crise 2.0: UE – De Cúpula em Cúpula, já apontava estas questões.

 

A Alemanha com seu poder econômico inconteste, esmaga as posições políticas contrárias, por mais que uma aliado dileto, a Espanha, esteja para explodir, Merkel permanece insensível ao que se passa no restante da UE. Age como se todos os países devem continuar a lhe prestar vassalagem, não como engrenagem de uma união política e econômica. Mais de uma dezena de artigos aqui já demonstrei como a Alemanha cresceu e se reposicionou graças a UE, que nos momentos mais complicados de sua unificação, lhe foi completamente solidária, mas que, agora, com seu poder recomposto, trata os demais parceiros como delinquentes e irresponsáveis.

 

Esquece a Alemanha que a UE lhe garantiu mercado cativo aos seus produtos, sem barreiras, além de franquear o controle de fluxo de capitais, tudo isto se deu graças a relação de União, princípio norteador da UE, mas que Merkel faz questão de pisotear, como sua viagem provocação à Grécia na semana passada, agindo como antigos imperadores romanos ia visitar suas “colônias”, apenas para lhes mandar um recado: Eu Mando. Os sátrapas locais agiram de forma violenta reprimindo os manifestantes, com polícia e ajuda dos neonazistas locais.

 

Ontem, em Bruxelas, não foi diferente, o duro embate Hollande x Merkel, sobre as bases de resgate espanhol, disfarçado de “União Bancária”, uma forma mais branda de lhe emprestar dinheiro do resgate, que era defendida por Hollande, foi rechaçada por Merkel. A proposta de união bancária foi jogada para 2014, uma sinalização que teremos mais 15 meses de mais tragédias locais. Esta claro, que não sobrará outro caminho à Espanha que não seja o do Resgate e a entrega do poder local para Troika. A resolução de ontem foi passar ao Eurogrupo (reunião do ministros da Economia da UE) a tarefa de coordenar os novos resgates e, inclusive, exigir mais garantias da Espanha.

 

Merkel usou de uma tática já conhecida, chega a reunião com uma posição extremada, era contra a União bancária, assim como era contra o EuroBônus, bate a reunião inteira, divide os que defendem as posições contrárias e no final repassa as decisões para órgãos que nada decidem. No caso do EuroBônus jogou para o BCE, nunca mais se voltou ao tema, o BCE usou a resolução e promoveu 3 QEs em 1 ano. Agora, no caso da união bancária, recairá para o Eurogrupo a decisão, o que parece não sairá do lugar. Esta dinâmica, mata politicamente a UE, pois acirram as diferenças e se torna claro quem manda, voltando, ao presente, os antigos ódios regionais.

 

Sobra, neste meio, figuras patéticas como Monti, o premier Biônico da Itália,  que aparentemente apazígua, intervindo no embate França x Alemanha, mas que no fundo apenas favorece a posição do mais forte, Alemanha. Este ganhar tempo, atinge de forma mais cruel a Espanha e Grécia, cujos governos locais estão falidos, dirigidos por capachos, mas que até na desonra geral, tentam manter alguma sobriedade. Ontem os gregos fizeram sua quinta greve geral em 2012, e os estudantes secundaristas ocuparam Madri, o caminho do desespero pela sobrevivência neste pequeno recorte de uma cena em Atenas, ontem:

“Anne Yannikou , uma advogada de 30 anos. O protesto tinha sido dissolvido, mas ainda havia tempo para mais prisões. Com sua jaqueta de algodão fino, Yannikou não é  a imagem típica de anarquistas atirando pedras. Mas, enquanto observava os últimos grupos se  enfrentando com a polícia, ponderou em voz alta: “Se apenas um pequeno grupo lutar não vai a lugar nenhum. Se todas as pessoas que vieram antes, e foi muito, muito mais do que o outro dia, enfrentar a polícia, se obtém melhores resultados. ” E onde levará os confrontos violentos? “Eu me considero uma pessoa educada, mas eu acho que não há mais violência. Tenho um filho e tive que ir morar com meu namorado. Mas a cada mês nós percebemos que não temos como subsistir. Estão roubando nossas vidas “, argumenta”. (El País, 19/10/2012)

 

Chocante e revoltante, bem-vindos ao Caos, uma típica criação mitológica grega, além da tragédia.

Mercadões e seus Sabores

 

 

Grande Bazar - Istambul

 

Uma coisa que me atrai em cidades grandes são os mercadões, apenas de ver as cores e as coisas vendidas ali, penso nos séculos passados e suas histórias ali passados, os encontros e desencontros da vida. Os rústicos quiosques de venda, ou os produtos ali do lado de fora, com o entrar e sair de compradores e curiosos. Os cheiros das frutas ou condimentos, das comidas vendidas dão o toque a mais. Aquela mistura de gentes, de lugares tão distintos ali, se confraternizando e vivendo as diferenças.

 

Ontem estava vendo um filme, cujo cenário era Istambul, a linda cidade que une Ocidente e Oriente, o Istmo, que de tantas histórias fez dela uma das mais importantes do mundo, mas o que mais curti foi ver o seu imenso mercadão. Recente, dois amigos, de lugares e experiências diferentes, estiveram em Istambul e me contaram exatamente a mesma impressão que tiveram daquele lugar imenso, colorido e misterioso. Ouvi de um de outro, me deu uma vontade de ir conhecer a cidade e seu mercadão. No filme, várias vezes vi as imagens dos produtos, das pessoas ali misturadas, confesso que me senti lá, sem nunca ter ido.

 

 

Ver-o-Peso e suas muitas especiárias

Minha primeira experiência com mercadão foi em Belém, no Ver-o-Peso, tinha quase 9 anos, meu pai me levou na viagem durante as férias de julho de 1978. Ao chegar em Belém fiquei na casa de tios de minha mãe, pois parte da família de meu avô tinha migrado para o Pará na década de 40 e 50, um foi levando o outro e ali se estabeleceram, e parte deles virou comerciante no já famoso Ver-o-Peso, o maior entreposto da Amazônia. Fiquei maravilhado, as frutas, ervas, plantas medicinais, especiárias, aquele colorido, nos olhos de um menino cheio de vontade de conhecer o mundo, foi uma experiência inesquecível.

 

 

O novo Mercado Central de Fortaleza e seu artesanato

 

Algum tempo depois, conheci o mercadão  de Fortaleza, quando me mudei para lá. Tinha uma tia que trabalhava nos correios e morava na Costa Barros e costumava passar no antigo mercado central, ainda em frente da catedral, agora fica ao lado. Era uma aventura passar por dentro, sinto o cheiro de batida e rapadura, como se estive andando por lá agora, são memórias de 30 anos atrás que se reavivam, quando penso em mercadão. Era, como todos mercadão, confuso, sons altos, negociações de preços, pechinchar era a ordem, lá se vendia de tudo, Fortaleza ainda não era cheia de turistas como hoje. Mas lá se via gente de várias lugares do Brasil e do mundo, o que me levou a uma conclusão: O lugar mais simples da cidade, é o mais universal.

 

 

Mercado Central de SP e as muitas frutas

Depois conheci vários mercadões, como o de São Paulo, antes de ser reestilizado, ainda mais cru, o vai e vem, as fruta que nunca tinha conhecido ali vendidos, o peixe vindo da Ceasa, aquelas ruelas de sotaques estranhos para mim, algo parecido com português, denunciando as origens distintas, dos donos de barracas, descendentes de estrangeiros, mesmo vivendo no Brasil e de mais de uma geração mantinham palavras e costumes de seus pais e avós. Depois virou point turístico, o famoso sanduíche de mortadela, os pasteis, mais parecido com cenário de novela, mas ainda vale a pena ir, quem não conhece o local.

 

 

Mercadão de BH e seus muitos Queijos

Outros mercados que fui conhecendo nas minhas viagens pelo Brasil e fora dele, o de Belo Horizonte é um exemplo de local maravilhoso de visitar, comer mexidão, provar queijos e doces, andar pelas galerias à toa. Trabalhei em BH algumas vezes, sempre que podia, ia ao mercadão, o prazer de andar por lá, comprar, provar os produtos, ouvir os sotaques locais, parar e ouvir as histórias, os folclores da cidade, da política, quase me sentia no interior, de tanta amizade e proximidade das pessoas, uma praça pública de alegria e sorrisos, no meio da confusão de gentes.

 

 

Mercadão de Santiago seus restaurantes

No Chile, em Santiago, fui também ao Mercadão local, me senti em “casa” com aqueles produtos, as variedades de coisas, os restaurantes convidativos, os sons, tudo parecia tão próximo de mim. Naquele povo que vendia, que gosta de conversar, nada lembra loja, ou shopping, em mercadão o que vale é o papo, mesmo em língua diferente, as pessoas se comunicam, se apresentam, não vendem uma marca, mas sim o amor que colocam nos seus produtos, pode ser o mais simples ou o mais sofisticado, além de ser primordial negociar, lhe fazer desconto, para que se saía feliz.

 

Tenho certeza que você também teu o seu Mercadão favorito, que tal nos contar?

Crise 2.0: UE – De Cúpula em Cúpula

 

 

Rajoy e Merkel - Nem a Direita se entende mais - Foto: EFE

Mais uma reunião de cúpula da UE em Bruxelas e muitas expectativas sobre as velhas questões que se avolumam, é  a quarta reunião desde 2011, quando Grécia e Espanha entraram em espiral de queda. Por uma coincidência esta série sobre a crise, ganhou força justamente com os artigos sobre a reunião de Setembro do ano passado, aquela que Merkel e Sarkhozy demitiram Papandreou, o primeiro ministro grego e impuseram um capacho ligado ao Goldman Sachs, Papademos. Dali, o Crise 2.0, cresceu e vem acompanhando com mais interesses estes encontros.

 

Li vários jornais europeus sobre a reunião e, mais uma vez o El País, consegue colocar a questão no seu devido lugar, a matéria ” Cinco Chaves para reunião”, é um primor, desde o título até as matérias internas, com propriedade diz que o Resgate da Espanha é o centro do debate sendo ele uma e principal chave do Encontro de líderes. Vejamos o que dizem: “A UE, com seu exército de 15 mil eurocratas e lobistas que pululam em torno das instituições, deixou definitivamente ser chato em 9 de maio de 2010 e, em seguida, tornou-se o alvo dessa maldição chinesa: “Que você viva em tempos interessantes” . Naquele dia (e da noite) começou a primeiro das 25 de cúpula para salvar a zona do euro a partir de uma crise que começou como uma pedra no sapato-Grécia, 2,5% do PIB da zona euro, e foi ampliado para engolir a Irlanda , Portugal e Espanha, que já foram resgatados e pôr em perigo a zona do euro. O  XXVI Episódio XXVI desta  corrida para salvar o euro vem em meio a um oásis (ou uma miragem, vamos ver): os mercados estão calmos, por uma vez parece não querer mais problemas, e na reunião de Chefes de Estado e de Governo impor um impasse , um olhar longe esperando por você nas próximas semanas para esclarecer o futuro imediato da Grécia e do segundo resgate da Espanha, os dois grandes elefantes na sala, todo ver o mundo, mas ninguém quer falar”.

 

Didaticamente o jornal divide em 5 pontos as questões : 1 )  Espanha – Esperando Rajoy – os analistas acham que o segundo resgate será pedido ainda outubro, mas Rajoy tenta despistar, é o jogo de quem vai piscar primeiro: Troika ou Espanha;  2) Grécia – O rapto da Europa, a sorte da Grécia seria definida depois de mais um acordo coma Troika, dando mais uns anos para que ela se adapte às regras do déficit fiscal da UE; 3) A União Bancária – questão já discutida em Junho, mas sem um cronograma, lembro que Setembro de 2011 aprovaram a União Fiscal, que até agora não deu em nada; 4) O longo prazo, as relações internas da UE, com a mudança de liderança e o crescente isolamento da Alemanha, os riscos de uma ruptura no seio da burocracia; 5)  Paris x Berlim – decorre da questão anterior, com a chegada de Hollande houve um novo equilíbrio, mas Berlim passará por eleições no próximo ano, o que pode mudar mais uma vez.

 

A conclusão é melancólica do El País: “Na reunião de Junho, com a máxima tensão nos mercados parecia optar por uma conjugação de esforços e mutualização dos prejuízos. Mas depois ele voltou atrás, e na reunião de hoje tende a deixar as coisas como elas estão, com alterações mínimas além de deixar o BCE entra em cena. E a Espanha -Sempre a Espanha- tem que se desculpar e pedir o resgate, é claro”.

Greve Geral na Grécia contra Planos da Troika - Foto: El País

Parece claro que a questão da Espanha é que vai prevalecer, o FMI comunicou ontem que estava oferecendo ajuda para um resgate da Espanha e Itália, como forma de facilitar as negociações, o que enfureceu Monti. A lógica é explícita, depois da “queda” espanhola, a Itália entra em foco, o FMI apenas se anteciparia, mas ainda tem que vencer a resistência espanhola em pedir o resgate, pois Rajoy sabe o seu significado, o governo local passa a ser mera figura decorativa, a soberania acaba de vez, todo poder passar às mãos da Troika, assim como acontece em Portugal, Irlanda e Grécia.

 

O ambiente externo à cúpula é de tensão, na Espanha a greve de três dias, dos estudantes secundarista, hoje recebe a adesão dos pais aos protestos. Na terça próxima, 23 de Outubro, o #25S , convocou mais uma vez o cerco ao parlamento, pois entrará em votação o orçamento 2013, com mais cortes e ajustes indicados pela Troika no seu Plano de Austeridade. Na Grécia, também hoje, começa uma nova Greve Geral, a segunda contra o governo eleito em junho, em menos de mês. Ontem uma grande manifestação de Advogados e Médicos, em Atenas foi duramente reprimida.

 

E pensar que a bem pouco tempo diziam que a Luta de Classes tinha acabado…Sigamos!!!