Crise 2.0: O Estado Gotham City

 

A sombria Gotham City, paradigma do "Novo Estado"

 

Em março deste ano, fiz um longo artigo aqui na série sobre a Crise 2.0, tratando da questão do Estado e atual crise  Crise 2.0: Uma tese, o papel dele, até desembocar na explosão do neoliberalismo,mas acabei mostrando uma visão macro, mas de vez em quando há necessidade de compreender sua melhor definição, ou como atua de forma mutante, sempre a serviço do Capital, ou da fração do Capital que domina e dá a dinâmica da economia. As reflexões não fecham o quadro geral, mas apontam algumas tendências, e são estas que mais nos interessa.

 

O Estado, que surge desta crise, começou a ser gestado nos anos 80, e teve na queda do muro de Berlim, seu maior ganho. Desde ali,  não mais preocupado em atender as demandas sociais, ou fazer contraponto, ao leste europeu, sem estas obrigações amplas, a diminuição dele, o corte das garantias, virou a obsessão do Capital. A redefinição do papel do Estado, seu tamanho, alcance, foi paulatinamente sendo trabalhado, tanto do ponto de vista econômico, como político, mais ainda sobre o aspecto ideológico.

 

Esta redefinição é bem clara, uma parte da burocracia é cortada, as empresas privatizadas, preservando-se apenas o aparelho repressivo, na maioria dos países ele permanece intacto. Até a indústria armamentista, de composição majoritária estatal, foi “terceirizada”, o controle do processo é do Estado, por óbvio, não se perde a força maior, da coerção e ameaça. Saúde e Educação, foram fortemente atacadas, nos países mais periféricos, que ainda começava um incipiente estado de bem estar social, nem tiveram inteiramente implementado, já sofreram o baque do “novo modelo”. Nos países centrais o desmonte se deu de forma mais lenta, principalmente na Europa Central.

 

Mas, na atual crise, este desmonte virou regra geral, os volumes de recursos gerais do Estado com centralização, arrecadação de impostos, forma integralmente entregue aos grandes bancos e empresas, apenas os EUA gastaram cerca de 5 trilhões de Dólares para “salvar” a economia, com uma ampla ampliação da base monetária, mesmo assim patina, mas com tudo o Senhor Larry Summers, um ideólogo dos Democratas, que assumiu o liberalismo extremado diz, sobre as funções do Estado: “Além disso, se não houver uma regulação punitiva, as inovações na tecnologia de informação, as redes sociais e as novas descobertas de petróleo e gás natural parecem ser fontes de investimento e criação de empregos”.

 

O que assistimos na Europa, é um indício claro da selvageria do “novo Estado” que passo a chamar de Estado Gotham, o esvaziamento das funções sociais, com cortes gigantescos na Saúde e Educação, o paradigma, hoje, representado por Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda. Alguns dirão, mas estes nunca foram do clube dos ricos, ou tiveram estado de bem estar social, concordo, mas o que dizer de Itália, que caminha para mesmas medidas de austeridades da Troika? Ou a agenda 2010, imposta a Alemanha pelos Social-Democratas, que os fez perder o poder para direita de Merkel. A expressão deste estado Gotham é clara. Fiz alusão a ela no post Batman: Capitalismo ou Barbárie?

 

“A visão ultraliberal do roteiro de Miller, coincide com a Direita radical dos Estados Unidos, que se mostrou recentemente no Tea Party, o Estado é “inimigo” do povo, serve apenas para manter uma burocracia corrupta e falida. O heroísmo individualista, que pune os corruptos, não os levando ao julgamento legal, ou tribunais, no limite, os elimina fisicamente. A inspiração da “Liga das Sombras”, ainda mais radical que propõe a limpeza total e ampla de Gotham City(EUA), como se fosse purificar a humanidade, de tão corrupta e decadente civilização. A doutrina do império, mesmo com seu liberalismo exacerbado não tolera os radicais, ainda que coincida o diagnóstico de que Gotham e a civilização precise de uma limpeza.

 

O Batman é a expressão de um estado de exceção, a Lei Dent, equivale ao Patriot Act 1, que regeu os EUA pós a queda das torres gêmeas, todas as garantias individuais estavam suspensas, o aparelho estatal visível nos filmes coincide também com a do império, só se enxerga a polícia e o poder coercitivo do Estado. As fundações privadas comandam as redes sociais de proteção, não o Estado, a Fundação Wayne sustenta hospitais, escolas e creches. A prisão de Blackgate, pode ser a mesma de Guatánamo, os presos tanto numa como em outra estão sujeitos ao regime de exceção, não cabendo progressão de pena, revisão, ou qualquer prerrogativa de Direitos Humanos.

 

A metáfora vai mais fundo, se no segundo episódio o caos total assombrou Gotham, assim como as queda das torres gêmeas assustou Nova York, o hiato de 7 ou 8 anos de uma aparente “paz” forçada pela lei Dent/Act 1, só terminará simbolicamente com a queda da bolsa de valores, a quebra dos bancos alimentadas pela ampla especulação, ou no filme a invasão direta, com transferências de valores, da maior empresa: Wayne Enterprise. A arte imita a vida, o herói é novamente chamado, para evitar a queda total. A leitura do conflito é bem definida, o poder do capital, também pode destruí-lo.

 

Poucas vezes um filme de ação, aventura conseguiu ser tão instrutivo. Bane, o anti-herói toma o poder em nome do povo, uma caricatura de “socialista” ou dos “Occupys”. Todos são convidados a tomarem o poder, mas ali, na visão tipicamente de criar um caos, uma barbárie, com tribunais de exceção com um louco, Crane, como juiz supremo, a condenação se dá em segundos, morte ou morte, pois o exílio é o caminho da morte.  A bomba de Neutro, apocalíptica é armada. Nada ou ninguém será capaz de desmontar, a redenção de Gotham/Nova York, é certa, nem que seja pela sua destruição completa”.

 

A receita parece clara, de como agirá o Capital, minha dúvida é: Como reagirá o outro lado?A Classe trabalhadora, o povo em geral mais massacrado, vai tolerar, esta combinação de exclusão, repressão, sutil ou aberta, contra si, ameaçando, muitas vezes, em alguns países, até a sobrevivência mínima? O que faremos?

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Crise 2.0: O que aconteceria se o Euro acabasse?

 

Euro: Uma moeda, 17 países e uma terrível Crise

Um artigo interessante sobre a crise na Zona do Euro, mas precisamente sobre as consequências de uma ruptura radical, com o fim da moeda, foi escrito por um grupo de analistas em cabeçados pelo guru atual, Nouriel Roubini, Professor da Universidade e Nova York . O artigo é um exercício, uma especulação, que busca mostrar o cenário do fim do Euro. O resultado é aterrador, logo no título, já se tem ideia do tamanho do problema.

 

Para eles, o fim do Euro, significaria uma “parada cardíaca” para toda Europa, que inicialmente atingiria de forma inapelável a banca, mas depois toda a economia, os serviços a indústria, o comércio e o emprego. A lida do artigo é importante, pois faz um raciocínio mais generalizado das consequências da queda da moeda comum. Abre, também, o debate das fragilidades de um mercado comum que tem como eixo apenas a moeda, os limites impostos por este viés, que tanto potencializou o início da UE, agora pode vir à lona.

 

Publicamos na íntegra, como contribuição aos nossos debates e estudos sobre a Crise 2.0, aprendemos muito com estes articulistas, com a imensa capacidade de abstração, os cenários e suas consequências, este é o caminho para quem quer, pelo menos entender a atual crise.

 

Fim do euro seria ‘parada cardíaca’ para a Europa

Fragmentação econômica da Europa interromperia, a curto prazo, os fluxos transacionais de bens, serviços e capitais, com risco de calotes múltiplos

22 de agosto de 2012 | O Estado de São Paulo
Autores:
Nicolas Berggruen  – presidente do Council for the Future of Europe
Mohamed A. El -Erian Ceo da Pimco
Nouriel Roubini Professor da Universidade e Nova York

 

Vozes respeitáveis na opinião dominante estão concluindo que a zona do euro pode não ser mais sustentável. Nessa visão emergente, a Europa faria melhor dividindo-se agora do que mais tarde, quando os custos seriam muito maiores. Mas essa opinião vai longe demais. Ninguém deve duvidar: se a zona do euro se fragmentar totalmente, a Europa fracassará como mercado único e a União Europeia também poderá desmoronar.

No curto prazo, uma fragmentação seria o equivalente econômico e financeiro de uma parada cardíaca para a Europa. Os fluxos transnacionais de bens, serviços e capitais seriam interrompidos na medida em que preocupações com as denominações em moedas sobrepujariam o cálculo de valor normal. Os grandes descompassos entre moedas alimentariam uma tensão financeira corporativa, podendo até causar calotes múltiplos. O desemprego aumentaria. E a provisão de serviços financeiros básicos, dos bancários aos seguros, seriam reduzidos, com uma alta probabilidade de corridas aos bancos nos membros mais vulneráveis da zona do euro.

Os controles proliferariam – já que as economias fracas tentariam limitar a fuga de capitais e as economias fortes resistiriam às entradas excessivas. No processo, o próprio funcionamento do Mercado Comum que sustenta o projeto de integração europeia seriam solapado. A balcanização de bancos, mercados financeiros e mercados de dívida pública que já está havendo seria seguida pela balcanização do comércio de bens, serviços, trabalho e capital, e um retorno ao protecionismo comercial e financeiro.

Os países que a essa altura já estão atolados em vários anos de gestão da crise têm amortecedores internos limitados, se é que têm algum, para absorver novos choques. Por conseguinte, as rupturas econômicas e financeiras provavelmente alimentarão uma agitação social e a disfunção política – solapando ainda mais o suporte nacional à integração europeia. Embora o impacto da catástrofe seria sentido principalmente pelas economias fracas (anteriormente periféricas), os países mais fortes (anteriormente centrais) também seriam substancialmente atingidos.

 

Analisemos cada caso em separado.

 

Com o retorno a suas moedas nacionais, as economias mais fracas da zona do euro poderiam recuperar o controle de um conjunto mais amplo de instrumentos de política econômica. Com isso, elas teriam meios melhores para buscar os ganhos competitivos que são fundamentais para restaurar a dinâmica do crescimento e gerar empregos.

Mas para a eficácia disso seria preciso uma hábil gestão de uma grande desvalorização monetária. Eles teriam de contrabalançar pressões inflacionárias significativas e os custos mais altos de importações, ruptura de canais de transmissão bancários e monetários e custos de risco crescentes. E, com a Europa toda arruinada, eles descobririam que as vantagens de preço obtidas pela desvalorização correm o risco de ser erodidas por um colapso da demanda regional. Ademais, dado o descompasso das moedas, um retorno em larga escala às moedas nacionais poderia envolver também uma série de calotes, junto com algumas reestruturações coagidas e uma conversão forçada de ativos em euros nas novas moedas nacionais depreciadas.

As questões de demanda regional e calotes também são importantes para as economias mais fortes. Apesar dos ganhos obtidos em diversificação comercial, incluindo uma maior reorientação para países emergentes, uma quantidade significativa de suas exportações ainda é vendida na Europa. O colapso desse mercado se somaria aos prejuízos causados pela demandas financeiras em acelerada erosão sobre o calote de economias mais fracas de suas dívidas em euros, tanto diretas como via a provável necessidade de recapitalizar instituições regionais. A reestruturação de dívidas, e mesmo os calotes puros e simples, enfraqueceria os balanços das instituições de crédito, aumentaria a própria dívida (porque elas terão os mesmos ativos, mas obrigações maiores) e seus custos de capital. E a classificação AAA da Alemanha e de outros membros centrais da zona do euro também ficariam em risco.

Depois, há o restante do mundo. A Europa ainda é a maior zona econômica e a mais interligada financeiramente. Como tal, rupturas inevitavelmente seriam transmitidas para o restante do mundo.

E, com os Estados Unidos já em dificuldade para manter um crescimento econômico e uma criação de empregos significativos, ocorreria uma recessão global.

Tudo isso tem a ver, é claro, com a razão porque todas os pronunciamentos políticos têm repetidamente buscado descartar uma dissolução da zona do euro; é também por isso que os líderes de outros países exerceram pressão sobre seus congêneres europeus para enfrentarem a crise regional de maneira mais determinada e holística.

Mas palavras e persuasão moral são absolutamente insuficientes para barrar as forças da dissolu
ão que foram capacitadas por importantes falhas de projeto e alimentadas por anos de respostas políticas mais táticas que estratégicas, mais sequenciais que simultâneas, e mais parciais que abrangentes.

Somente com a compreensão da enormidade dos riscos que enfrentam, os líderes da Europa terão a possibilidade de superar as persistentes tensões internas e convergir para uma resposta potencialmente capaz de virar o jogo.

E somente então eles conseguirão convencer uma cidadania cética da necessidade de tomar medidas realmente sem precedentes – primeiro, reformar a zona do euro numa união mais coerente que é menor, menos imperfeita, e mais robustamente planejada e operada; segundo, garantir que essa zona do euro reformulada possa avançar na geração de crescimento e empregos; e terceiro, salvaguardar o funcionamento mais geral da União Europeia.

Depois de brigarem e se desentenderem por tanto tempo, os líderes europeus já não têm ao seu dispor uma solução limpa, relativamente barata e altamente garantida para a crise regional.

O que eles têm é algum tempo – embora não muito – para tentar defender a integridade do projeto de integração regional dando passos ousados agora, a começar por uma união econômica, fiscal e bancária, e avançando para uma união política.

Mas o resultado não é garantido, e haveria inevitavelmente rupturas imediatas. Mas tudo isso se apequena ante a catástrofe que a Europa e o mundo experimentariam se a Europa continuar com uma abordagem que continua demasiada pequena e tardia.

A Alemanha e o centro precisam decidir corajosamente se acreditam que a zona do euro pode sobreviver e em que formato. Se a resposta for sim, a busca de uma união imperfeita precisaria ser acompanhada de um financiamento oficial maciço – tanto fiscal como do Banco Central Europeu – para a periferia atenuar o doloroso ajuste via austeridade, reformas e desvalorização interna.

Se decidiram que a zona do euro não é viável tal como é, e que uma união menor não é alcançável, os custos de dissolvê-la desordenadamente mais tarde do que dissolvê-la agora seriam muito maiores. O que não deve e não pode continuar é a zona do euro permanecer no seu meio termo indefinido atual. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

 

 

Crise 2.0: UE – Crise está apenas na Metade

 

Pessoas esperam os restos dos supermercados em Madri

É sempre válido repetir algumas questões que balizam estes escritos de Economia Política, em particular, aqui na série sobre a Crise 2.0, a primeira delas e principal é o centro da crise, mas precisamente a reafirmação de que ela acontece no ápice do Capital, jamais em baixa, é quando todas as condições melhores da economia acontecem, ela explode, ou seja, na SuperProdução de Capital, o motivo é bem simples, a taxa de lucro foi comprimida, alta de empregos e salários, tensionam para baixo a lucratividade. A crise é parte fundamental do ciclo do Capital, não é estranha a ele, não é uma anormalidade, sim, componente do processo.

 

Esta reafirmação se dá, justamente porque venho insistindo, como os que me leem, para entendermos, juntos, os movimentos das classes dominantes, que aparentemente são cruéis demais( e são), mas que na verdade são os movimentos essenciais para que o Capital se recomponha. A Crise abre a época da revolução, principalmente aquelas de grande monta, foi assim em 1871, com a comuna de Paris, em 1917 com a Revolução Russa. Mas quando estas vagas históricas não são aproveitadas, o capital empurra os seus ajustes ao extremo, para que tenha uma novo patamar em sua taxa de lucro.

 

Como escrevi outras vezes, a crise se dá em momento anterior aos fenômenos que hora assistimos, nos EUA aconteceu em 2005, na Europa em 2008. Nos EUA aparentemente, para o observador comum, ou o economista vulgar, ela aconteceu em 2008, com a quebra dos bancos, ou na Europa, em 2011 com a quebra generalizada de Portugal e Grécia, que se prolonga agora com a falência da Espanha. Isto não é uma questão secundária, saber o momento que o Capital atinge seu ápice, ao contrário é fundamental, para quem quer agir de forma coerente e aproveitar o momento em que o capital está em recomposição, portanto mais frágil.

 

Algumas observações e conclusões são feitas com base na experiência e intuitiva, a confirmação vem depois, como demonstrei no gráficos sobre os EUA e sobre Europa em posts anteriores. Hoje a agência de classificação de riscos vem confirmar algumas de minhas conclusões, no seu relatório ela diz explicitamente que a Crise chegou na metade, que “a turbulência que atinge Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha desde 2008”. E são bem diretos, quanto aos objetivos: Segundo a agência, as reformas estruturais feitas até aqui não devolveram o equilíbrio necessário às economias da Europa, mas avançaram em áreas como a balança comercial e a competitividade do trabalho. A Moody’s elogia a queda do custo da mão de obra na Espanha, mas adverte que a Itália ainda está longe de recuperar a competitividade”.  (Estadão, 22/08/2012)

 

Apenas mudaria a palavra competitividade para Lucratividade, mas o relatório vai mais fundo: “as reformas estruturais nos países periféricos da zona do euro melhoraram o quadro de turbulência, “mas ainda não resolveram totalmente os desequilíbrios externos que se desenvolveram nesses países antes da crise”, afirma a agência. “A correção está na melhor das hipóteses na metade, segundo cada país em questão, e poderá tomar ainda vários anos.” O documento da Moody’s serve também como panfleto em defesa das reformas estruturais na Europa – em linhas gerais marcadas por programas de privatização, redução do funcionalismo público, flexibilização do mercado de trabalho e redução do custo do trabalho. “Esta análise ilustra igualmente a importância fundamental das reformas estruturais para aumentar a competitividade de maneira sustentável”.

 

A lógica é a da queima imediata das forças produtivas, de forma acelerada, os programas são bem claros e radicais, a próxima cartada grega é o corte de 40 mil funcionários públicos, medida similar ao que a Espanha tomou. A morte do velho estado de bem estar social é o centro da luta, na Espanha o atendimento público será limitado, não mais universal, proibido ao estrangeiros, criando uma crise humanitária, o que já acontece na Grécia, com o aumento em mais de 1400% dos casos de doenças sexualmente transmissíveis. O corte também nas aposentadorias, nos salários, uma geração de sem tetos se forma nas maioria cidades destes países, pessoas que vivem dos restos dos supermercados.

 

Mesmo diante de todos estes retrocessos, pelo que se constata no relatório da Moody’s, ainda não chegamos à metade do processo de crise, que mais esforços de cortes serão necessários, o que apenas confirma o que estamos falando aqui, tem pelo menos um ano. A saída do Capital é esta, qual seria a outra alternativa?

Crise 2.0: UE – O faz de conta, que não acontece

Monti:UE pode se dividir ainda mais entre - Norte(ricos) e Sul(pobres).

 

Uma semana sem escrever aqui na série sobre a Crise 2.0, desde que publicamos os três últimos artigos, pois eles deram a tônica dos passos que se seguem na Europa, o caminho do abismo “consciente” de Espanha, depois do sacrifício de Portugal, Irlanda e Grécia. A sequência dos posts:

  1. Crise 2.0: 30 anos da Crise das Dívidas da América Latina
  2. Crise 2.0: A Recessão da Zona do Euro
  3. Crise 2.0: O Resgate “envergonhado” da Espanha

Demonstra que, guardadas as devidas proporções, temos uma história que se repete como tragédia, um modelo que se torna repetitivo, inclusive na queda violenta.

 

Hoje a frase lapidar de Monti,que não é Belo, primeiro-ministro biônico da Itália, confirma o que dissemos : A maior tragédia para a Itália e para a Europa seria ver o euro se tornar, por conta de nossos erros, um fator que desperte preconceitos do norte contra o sul do bloco, e vice-versa. Esse risco existe”. A situação se agravou de tal forma, que os líderes, mesmo os mais comprometidos com a Troika,como Monti, não conseguem esconder suas frustrações e fracassos.

 

Como diz a nota da agência dow jones:  “A Itália, terceira maior economia da zona do euro, está mergulhada em uma profunda recessão e os italianos tem visto uma série de pacotes de austeridade, reformas e aumentos de impostos para tentar conter o débito fiscal do país. Mario Monti já havia alertado o restante da Europa que o país precisa de “espaço para respirar no mercado” para ter alguma chance de se afastar de uma crise da dívida, além de resistir ao contágio de nações mais fracas, como a Espanha”.

 

O apelo é dramático, mas não só de Monti, mas principalmente da Espanha, que mesmo os indicadores “acalmando” nestes duas semanas, ainda são alarmantes, Prêmio de Risco tinha chegado aos 649 pontos está em 470 e Yelds que bateu 7% agora em 6,3%. O ambiente é de pré-resgate, o que levou a este “respiro”, nos níveis tão corrosivo que estava, levaria a Espanha a uma queda à la Grécia, agora pode ficar numa situação intermediária, algo como Portugal. Mas não há outra saída, pelo menos visível até agora.

 

Por parte da Alemanha, não há qualquer recuo, ao contrário, semana passada Merkel ameaçou violentamente a Grécia, caso viesse a pedir renegociação de qualquer ponto. Mas a questão é, nem precisa pedir, a Grécia não vai cumprir os pontos, é fato. Na prévia do encontro entre Samaras, primeiro-ministro grego e Merkel na próxima sexta, a chanceler mandou seu Ministro da Economia, Philipp Rösler, falar grosso com os gregos, mais uma vez os ameaçando e humilhando, como reporta a Der Spiegel: “Quem exerce uma política decisiva de reforma ganha a Solidariedade Europeia. Quem não seguir as regras e quebrar compromissos assumidos não pode esperar ajuda financeira”.

 

Ainda não satisfeito, Rösler, afirmou, mais uma vez na Der Spiegel: “a zona do euro só alcançará uma nova confiança na moeda única se as regras e regulamentos estiverem presos a uma resolução maior. A Europa e o euro não podem falhar por causa de pessoas que recusam reforma”. Pouco se preocupa em quais condições miseráveis se encontra o país, o burocrata que apenas que CUMPRAM, não importa o custo social, humano e político da resolução. Estes países entram num jogo de faz de conta, cujo resultados são desastrosos.

 

Desconfio que não há qualquer liderança na Europa, nem fora dela, capaz de criar um novo ambiente, pactuado, para socializar as grandes perdas, um novo plano Marshall, que faça renascer o velho continente. Nesta toada insana, há poucas, ou nenhuma esperança. O risco maior é contaminar o mundo inteiro, inclusive o Brasil.

Crise 2.0: O Resgate "envergonhado" da Espanha

 

Rei e Rajoy,com pesar, anunciam ajuda aos desempregado(Foto BALLESTEROS (EFE))

A desoladora situação espanhola já amplamente discutida aqui série sobre a Crise 2.0,  no final de julho reuni num post o conjunto de análises sobre a Espanha – Crise 2.0: Espanha em Chamas – um Roteiro, mas não se completa o quadro, apenas dar uma visão geral da questão. As idas e vindas, o desenrolar frenético dos acontecimentos, nem sempre consigo escrever e debater os ricos fatos. Uma coisa que me deixou intrigado era saber por que a Espanha não caiu logo? Todos os elementos da crise geral do Capital e da específica, Crise da Dívida estavam presentes, mas não se chegava ao final.

 

Ontem li um grande artigo do jornal Valor Econômico, escrito por Clauda Safatle, que historiou  a crise das dívidas da América latina, resolvi publicar integralmente, com apenas um pequena introdução no post Crise 2.0: 30 anos da Crise das Dívidas da América Latina. Ali percebi que os acontecimentos frenéticos daqueles anos nervosos, 1982 e 1983, são extremamente parecidos com o que aconteceu com Irlanda, Portugal, Grécia e Espanha, até os personagens são os mesmos (FMI), assim como as soluções sãos as mesmas. Mas também ali, podemos notar, que não se chegou ao extremo, pois um sofisticado jogo de gato-rato se estabeleceu por meses.

 

Quando se tinha certeza que o Brasil falira, um pequeno empréstimo adiava ou melhor prolongava a dor, parecia uma brincadeira sadomasoquista, mas ninguém deixava o jogo. Até as primeiras cartas de intenções com o FMI foram sabotadas, ambos os lados sabiam que nada daquilo era real, ninguém cumpriria o que se escrevia. Foi exatamente isto que passei a perceber que tanto Grécia, como Espanha, estão na mesma situação, que se encontrava México e Brasil. O fundo do poço é sempre mostrado por um lado e pelo outro, para pressionar uma saída, mas digna, como disse Delfim Neto :” Só quando se está no abismo é que aparece uma melhor solução”.

 

Para minha surpresa, hoje, uma matéria do El País, demonstra claramente, como o jogo está sendo jogado. O BCE, autoriza saques da banca espanhola, para que ela não quebre, Paul Volcker do FED, fazia isto com o Brasil, mas de maneira “informal”, com dinheiro do FED, ou do Tesouro ou dos bancos privados, malandramente de vez em quando, alguém dizia que não daria mais dinheiro, apenas para “esticar a corda”. É mais ou menos como vem “toureando” a crise da banca espanhola, Mario Draghi, às vezes diz que “não vai salvar estado, não é função do BCE”, depois diz o contrário “faremos tudo para salvar o Euro”. Agora entendo o peso de cada frase.

 

Em apenas um ano o BCE permitiu que os bancos espanhóis sacassem 376 bilhões de Euros,, somados ao montante anterior, chegou ao rombo de 402 bilhões,  isto significa 175% a mais que o pacote de “salvamento” grego, que em tese deu 240 bilhões de Euros. Estes saques do BCE, podem ser visto melhor visualizado no gráfico do El País:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este valor está em linha com os saques, ou sangria de Euros dentro da Espanha, a desconfiança geral fez com que neste mesmo período saísse do país, cerca de 300 bilhões de Euros, 20% do PIB, aqui visto como “fuga de capitais”. Agora a equação “fechou”. Mais crítico ainda, esta tomada, com juros baixos(0,75% ao ano), em tese deveria ser para recompra dos títulos espanhóis, já super valorizados, com prêmio de 2,6% em três meses. Mas, nem assim a “patriótica” banca espanhola se comportou, prefere aplicar “fora” do país, que tenham títulos mais “confiáveis”. É uma tragédia.

 

Como diz o jornal espanhol: “De acordo com dados do balanço de pagamentos útlimos publicados pelo Banco de Espanha, fuga de capitais ao exterior a partir de Espanha aumentou em maio, após a eclosão da crise Bankia. E não só pelos movimentos de investidores estrangeiros, uma vez que os bancos espanhóis  optou por investir seu dinheiro em outros mercados interbancários”. A decadente burguesia espanhola, seus bancos e empresas, se lixam para o destino do país, usam a “bandeira” para captar dinheiro barato, que deveria servir para baixar o prêmio de risco e os juros, mas ao invés disto, busca “oportunidades” mais seguras e rentáveis. É caótico e desolador.

 

Para fecha a sessão da vergonha alheia, hoje, Rajoy e o Rei, símbolos da extrema-direita e do fracasso do país, anunciam que vão “ajudar” 200 mil, do 5 milhões de desempregados com 400 Euros, para evitar “mais miséria”.

Crise 2.0: BCE exige – Diminuam os Salários

 

Draghi, Presidente do BCE : O Capital sem "coração" (Foto: M. PROBST (AP)

Mesmo em “recesso olímpico”, série sobre a Crise 2.0, volto ao tema quando aparece algum evento muito relevante, como o que agora passo a escrever, o BCE, um dos pilares da Troika, recomenda que os países em crise promovam um plano que reduza as proteções trabalhista e diminua o valor do salários pagos, como forma de recomposição do emprego. A proposta é direcionada em especial aos países que estão com altas taxas de desemprego, entre eles: Espanha, Grécia e Portugal, por acaso os que estão sob “intervenção” da Troika.

 

No final de abrigo escrevi sobre os planos de Austeridades, mas precisamente sobre a troika (Crise 2.0: Austeridade(As Fúrias)), forma pelo BCE, FMI e UE, o que me lembrou as antigas Fúrias, personagens mitológicos, que agem de forma cruel sobre os países, exigindo punição de sangue, para reparar seus “pecados”. É assim que vamos vivendo cada nova recomendação, que impõe mais sacrifícios, em particular, aos que mais sofrem os efeitos da crise, os trabalhadores e o povo em geral. O desemprego galopante, agora o pedido que se reduza os salários e as proteções aos que ainda estão na ativa, a situação apenas piora.

 

Devo dizer, não se assustem, a recomendação do BCE é coerente e desejável, do ponto de vista do Capital, quando há crise de Superprodução, para se entrar em novo ciclo, a condição fundamental é a queima de Forças Produtivas, o que se realiza com o desemprego, redução de salários, queda de preços de bens e produtos. Para que haja a recomposição da Taxa de Lucros, o objeto do desejo do Capital, esqueçamos nossos valores morais e cristão, nada disto conta, o movimento do Capital é objetivo, materialista e não é dado a emoções juvenis, ou sentimentos nobres, de justiça, sem medo do “pecado”, não teme condenação de qualquer religião.

 

O exemplo de mudança, usado pelo BCE, são as “corajosas reformais trabalhistas” da Espanha, que, segundo Mario Draghi, se “tivesse feito antes, não teria todo este desemprego”. A recomendação é feita para que os demais países me crise, como Irlanda, Portugal, Grécia, Espanha e Itália, busquem mais reduções de salários e proteções, assim terão mais “competitividade produtiva”. Apenas esquece de dizer, este relatório, que são estes mesmo países que têm os piores salários de toda UE, nem mesmo assim, evitaram o desemprego, muito menos se tornaram competitivos. O buraco é bem mais embaixo. Já demonstramos o tamanho do desastre em vários posts, como neste: Crise 2.0: A Pletora do Capital.

 

Segundo o El País, a aposta central do BCE seria que “para “aumentar a competitividade”, o BCE considerou “urgente” de corte “os custos do trabalho e margens de lucro excessivo”, especialmente em países com elevada taxa de desemprego. Para o primeiro, o banco Central, sugere medidas “para reduzir o salário mínimo”, “relaxar leis de proteção ao trabalho”, “permitir que a negociação salarial a nível da empresa” e “abolir a relação entre salários e inflação.”

Mas reduzir os custos do trabalho não é suficiente para aumentar a produtividade “permanentemente”. O BCE dá como exemplos de medidas adicionais a tomar “privatização”, “a inovação nos processos de produção e na criação e invenção de novos produtos”, “fortalecer a formação de mão de obra” e “iniciativas para incentivar a criação de negócio. “

 

O BCE busca legitimar uma política mais radical, com corte ainda mais na carne, de países que viraram “sucatas” dentro do sistema produtivo do Capital, não havendo saída, que não virar apenas parte secundária de um acordo comercial cada dia mais oneroso para estas nações.

Crise 2.0: Cúpula do Euro, Há Saídas para Crise?

 

Mais uma cúpula da Zona do Euro, Há saídas?

Hoje os líderes europeus da Zona do Euro, participam de mais uma cúpula na tentativa de achar uma saída organizada para crise, não custa relembrar as reuniões anteriores comentadas aqui na série sobre a Crise 2.0, desde julho do ano passado, quase um ano, acompanhamos estes eventosCrise 2.0: Estados Unidos da EuropaCrise 2.0: A ruptura do Bloco Europeu; Crise 2.0: Novos Tempos na UE?) , sempre as expectativas vão baixando, proporcionalmente ao aumento da crise. Os planos mirabolantes dos burocratas de Bruxelas, com seus papers que logo vão para lixeira, quando os “líderes” entram na sala.

 

Rapidamente, apenas para relembrar, nos dias que antecedem estas cúpulas, aparece um dirigente dizendo que está salvando a Europa, Sarkozy era o que mais gostava de praticar este teatro. Ele se apresentava como o salvador, o homem que iria mediar os conflitos, entre os desvalidos ( PIIGS) e a poderosa Alemanha, mas, invariavelmente, nos primeiros momentos da reunião, passava a atacar os pobres, reforçando a posição alemã. Na famosa reunião que definiu os critérios de exclusão dos países que saírem da meta fiscal, foi exemplo típico. A França levou a proposta do Eurobônus, mas saiu de lá com a espada na mão expulsando o Reino Unido, em nome da Sra Merkel.

 

O cenário desta reunião extraordinária, pedida pela Itália, parece que o destino é o mesmo, como Hollande não cumprirá o papel de Sarkozy, cabe ao premier italianos, Mario Monti, que não é Belo, bancar a farsa burlesca, mas com um agravante, seu país afunda perigosamente, junto com a Espanha, então não há teatralidade possível, melhor seria a sobriedade, pois a situação italiana nunca esteve tão frágil. Mesmo assim, Monti, insiste na representação:

“Por sua vez, o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, disse que uma solução na cúpula é necessária para interromper a crise da dívida soberana, acrescentando que ele está pronto para ficar em Bruxelas até domingo para tentar fechar um acordo. “Um acordo entre a Alemanha e a França é necessário, mas não suficiente”, afirmou Monti em um discurso no Parlamento, destacando que a Itália está desempenhando um papel central na tentativa de alcançar soluções concretas para combater a crise, ao centrar foco no estímulo ao crescimento e estabilização dos mercados”.

 

Bem acima do Parlamento italiano a bolsa de Milão afunda, a ciranda financeira chegou aos raios da loucura, a rolagem da dívida italiana que, neste ano, deverá alcançar os incríveis 500 bilhões de Euros, está sendo feita na sua maioria em títulos de curtíssimos prazos, com juros exorbitantes, que sobem e encostam nos mesmo valores dos da Espanha, que já são parecidos com os da Irlanda, Portugal e Grécia. A loucura não tem limites. Como diz a nota no Estadão de hoje:

“Os custos de empréstimos de seis meses da Itália subiram para 2,957 por cento em um leilão na quarta-feira, nível mais alto desde dezembro, ampliando a pressão sobre o governo conforme ele busca, em uma cúpula da União Europeia nesta semana, medidas concretas para aliviar as tensões no mercado. Há um mês a Itália pagou 2,1 por cento para vender papéis de seis meses. A venda de 9 bilhões de euros em títulos nesta quarta-feira aconteceu antes de uma oferta de papéis de cinco e dez anos na quinta-feira, para até 5,5 bilhões de euros. A relação oferta e demanda foi de 1,6 vez, em linha com o que foi visto há um mês. Na terça-feira, a Espanha pagou 3,24 por cento para vender títulos de seis meses. A Itália viu seus custos de empréstimos de dois anos subirem para 4,71 por cento”.

 

Esta pressão quase que diária e semanal, paralisa o Estado, a soma de crises, exaure as forças de qualquer governo, mais ainda de um que é Biônico, caso de Mario Monti, que foiimposto pela Troika, agrava a situação política e social. Agora aparece como se fosse um vetor que pode ajudar sair a Europa da crise, mas não dá conta nem de sustentar a Itália. Se bem que, a lógica está correta, sem a Zona do Euro ajudar, todos caíram, um a um, sem a menor compaixão alemã. Basta ver o caso da Espanha, que luta desesperadamente por apoio, mas suas súplicas caem no vazio. Agora vai apelará  na esperança que “A cúpula dos líderes também discutirá uma maior união bancária no bloco monetário, junto com o plano apresentado em um relatório pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, completou De Guindos.

“Acredito que o Eurogrupo fará algumas contribuições importantes a respeito disso e, como o primeiro-ministro (Mariano Rajoy) disse antes, acho que a possibilidade de injeção direta de capital aos bancos estará em discussão”, disse ele ao Parlamento. A Espanha pediu a ajuda de até 100 bilhões de euros para recapitalizar seus bancos, embora as atuais regras determinem que ajuda monetária europeia vá primeiro para o Estado, ampliando os já altos níveis da dívida pública”.

 

Hora, se ajuda passar pelo Estado, como determinam as regras, mais a Espanha afundará,  os documentos preparatórios dos burocratas de Bruxelas pedem que ” Os países da zona do euro deveriam transferir a supervisão de seus bancos para um supervisor europeu – possivelmente o Banco Central Europeu (BCE) -, ter seu próprio ministro de Finanças, submeter os orçamentos dos países-membros a um controlador central e, em última instância, compartilhar suas dívidas. Estas seriam as principais propostas incluídas em relatório de sete páginas que começa a ser debatido amanhã em uma cúpula de dois dias em Bruxelas”.

 

Mas não animam tanto pois, como diz bem o EstadãoMas os formuladores do relatório propõem que ele deve ser concluído até dezembro, com a apresentação de uma versão” As propostas são ambiciosas, mas vagas. Por exemplo, não define claramente quais instituições devem assumir as novas competências no âmbito europeu.  […] isso poderia desencadear uma longa – e provavelmente difícil – revisão da união monetária, que não só exigirá mudanças no tratado europeu, mas também nas constituições nacionais, e referendos em alguns países. As duas partes centrais do relatório são a união bancária e a fiscal que os líderes vêm discutindo nas últimas semanas, depois de enormes perdas que levaram a Espanha a pedir um socorro de até 100 bilhões para recapitalizar seus bancos em dificuldades.

 

Aqui começa um problema que vai se repetir na cúpula, a chanceler alemã, Angela Merkel, é contra qualquer partilha inclusive disse ontem numa reunião de al
iados que “Europa não teria compartilhamento total da responsabilidade da dívida “enquanto eu viver”. A maior força econômica da Europa não aceitará dividir as responsabilidades, pois ela é a maior beneficiária, por enquanto, do caos geral ao sul. A Alemanha, já mostramos em números( Crise 2.0: O (não)Mistério da Força Alemã), várias vezes aqui, não quer mudança alguma, pois o modelo lhe é favorável. O tempo exato que isto perdurará, é que é o ponto.

 

As atenções mais uma vez se voltam ao que sairá desta reunião, Hollande tem sido o contraponto essencial ao “passeio” alemão, mas sua França, está em posição delicada, não no mesmo ponto de Espanha e Itália, mas com ameaças terríveis de uma economia paralisada, com crescimento ZERO, pois mais um ano, tecnicamente em recessão. Hollande sabe os limites que tem seu país, mas a afronta de Merkel é uma coisa que não é fácil de engolir. Vive como abutre no meio do caos.